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Saúde

Vacina contra Covid-19 destinada a adultos é aplicada em crianças

A técnica de enfermagem de Lucena, na Paraíba, responsável pela aplicação, disse ao MPF que foi orientada a vacinar todas as pessoas

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Mais um lote de vacinas pediátricas chegou nesta segunda-feira (24), no Aeroporto de Viracopos, em Campinas, interior paulista. O carregamento tem 1,8 milhões de doses de vacina contra a covid-19. É o terceiro lote enviado ao Brasil do imunizante da Pfizer destinado a esse público.
Foto: Geovana Albuquerque/Agência Saúde/DF

A técnica de enfermagem, apontada como responsável pela aplicação de vacinas contra a Covid-19 para adultos em mais de 40 crianças, em Lucena, na Paraíba, disse em depoimento ao Ministério Público Federal (MPF) que foi orientada a vacinar todas as pessoas que se apresentassem, “pois, a validade das vacinas da Pfizer estava para vencer”. No depoimento, a profissional, que foi afastada da função após o caso, disse ter recebido ordem do setor de Imunização da Secretaria de Saúde do município.

Após o caso, o MPF abriu um procedimento para apurar responsabilidades pela aplicação indevida da vacina em crianças. A técnica, que não teve o nome relevado, prestou depoimento, por meio de videoconferência, na tarde de ontem (16), para procuradora federal Janaína Andrade de Sousa e promotora federal Fabiana Maria Lobo da Silva.

A profissional de Saúde disse que foi contratada pela prefeitura, no final de novembro do ano passado, para “auxiliar médicos e ser vacinadora de crianças, adolescentes, adultos e gestantes” na aplicação de todas as vacinas de rotina, mas que, depois, em dezembro, passou a aplicar também vacinas contra a Covid-19.

De acordo com o depoimento, as aplicações indevidas da vacina em crianças ocorreram nos dias 29 de dezembro de 2021 e 7 e 11 de janeiro. A técnica de enfermagem disse que a vacinação ocorreu em dois locais: um na Unidade Básica de Saúde (UBS-5), localizada na Estiva do Geraldo, o outro, foi em um assentamento chamado Outeiro de Miranda, na zona rural da cidade, gerenciado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Ela disse que muitas pessoas apareceram para se vacinar e informou que o volume do imunizante aplicado foi o mesmo para adultos e crianças.

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A profissional disse que estava sozinha na vacinação “sem coordenadora, enfermeira, médica ou dentista, acompanhada somente de um Agente Comunitária de Saúde (ACS). Acrescentou que a ordem para vacinar foi do motorista “todos que estivessem para se vacinar”, pois a validade das vacinas da Pfizer estavam para vencer.

A técnica disse que não sabe quantas vacinas aplicou e que não sabia que havia imunizantes já vencidos e que não recebeu da Secretaria de Saúde informações sobre as diferenças nos volumes para adultos e crianças.

A vacina contra Covid-19 autorizada para as crianças apresenta diferenças na dosagem, composição e concentração do principal componente, o RNA mensageiro, com a dosagem representando o equivalente a um terço da vacina aplicada em adolescentes, a partir dos 12 anos e em adultos.

Aos representantes do MPF, ela disse ter feito curso de vacinação geral, mas que não recebeu nenhum treinamento específico para vacinação contra Covid-19, havendo apenas um treinamento online do qual ela não participou devido estar acompanhando a mãe no hospital.

A profissional informou que, durante a vacinação no assentamento, uma ACS foi quem preencheu os dados dos cartões de vacinação, tendo ela apenas assinado e aplicado a vacina. Ainda de acordo com a técnica, a ACS levou a filha de cinco ano para vacinar.

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A ACS também prestou depoimento ao MPF e afirmou que preencheu os cartões, devido à técnica de enfermagem estar sozinha. Ela disse que anotava as datas de nascimento das crianças, mas que não sabe informar se alguma criança menor de cinco anos recebeu o imunizante.

A agente também informou às representantes do MPF não saber que a vacinação de crianças entre cinco e 11 anos ainda não estava liberada e que só soube da indevida aplicação do imunizante após ter visto um vídeo de uma das mães, relatando a situação dos filhos.

A mãe também falou com o MPF e disse ter levado os dois filhos, um de cinco anos e outro de sete anos para vacinar, após ter recebido comunicação da ACS via grupo de WhatsApp. Depois de ter sido vacinada, a criança mais velha apresentou reações adversas como tontura, fraqueza, por dois dias. No depoimento, a mãe disse não ter levado a criança para a UBS, por que “perdeu a confiança, após o ocorrido”.

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Saúde

Mais casos de varíola são detectados no Reino Unido

As autoridades de saúde pública ainda estão trabalhando para identificar a fonte do surto

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Mais casos de varíola estão sendo detectados na Grã-Bretanha “diariamente”, alertou um médico sênior, em meio a relatos de que uma criança

Mais casos de varíola estão sendo detectados na Grã-Bretanha “diariamente”, alertou um médico sênior, em meio a relatos de que uma criança foi internada em terapia intensiva com a doença.

Susan Hopkins, consultora médica chefe da Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido (UKHSA), disse que uma atualização sobre os casos confirmados será divulgada na segunda-feira, à medida que os esforços continuam para conter o surto usando rastreamento de contatos, testes e vacinação.

O número de casos confirmados no Reino Unido subiu para 20 na sexta-feira (20) e deve aumentar significativamente nas próximas semanas, à medida que mais pessoas são rastreadas e outras se apresentam para testes. As autoridades de saúde pública ainda estão trabalhando para identificar a fonte do surto, pois muitos dos pacientes não têm ligações conhecidas com outros casos.

Monkeypox (varíola dos macacos) é uma doença leve na maioria das pessoas e resolve sem tratamento em duas a quatro semanas. Mas pode ser mais perigoso em pessoas vulneráveis, como aquelas com sistema imunológico enfraquecido, mulheres grávidas e crianças pequenas.

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De acordo com o Sunday Telegraph, os casos do Reino Unido incluem uma criança que está sendo tratada em terapia intensiva em um hospital de Londres. A UKHSA disse que não confirmou ou discutiu informações no nível do paciente.

A agência confirmou o primeiro caso de varíola em 7 de maio, três dias depois que um passageiro com sintomas retornou a Londres da Nigéria, um país que teve um grande número de casos desde 2017.

Mais de 180 casos confirmados ou suspeitos estão sendo investigados em pelo menos 14 países. Mais da metade estão em Espanha e Portugal.

“Estamos detectando mais casos diariamente e gostaria de agradecer a todas as pessoas que estão se apresentando para testes em clínicas de saúde sexual, médicos de família e departamento de emergência”, disse Hopkins ao programa Sunday Morning da BBC One. Questionada se o vírus estava se espalhando na comunidade no Reino Unido, ela disse: “Absolutamente. Estamos encontrando casos que não têm contato identificado com um indivíduo da África Ocidental, que é o que vimos anteriormente neste país”.

Monkeypox foi descoberto pela primeira vez em macacos usados ​​para pesquisa em 1958, mas acredita-se que o reservatório natural da doença sejam os roedores. O vírus é endêmico em partes da África Ocidental e Central. Até este ano, apenas sete casos haviam sido detectados no Reino Unido, em 2018, 2019 e 2021, e todos estavam relacionados a viagens para a Nigéria.

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Monkeypox não é uma doença altamente infecciosa e acredita-se que a maioria dos casos na África rural surge quando as pessoas entram em contato com animais infectados. Mas a doença pode se espalhar de pessoa para pessoa através do contato próximo com úlceras e bolhas, que geralmente aparecem ao redor da boca e genitais; gotículas respiratórias e materiais contaminados como roupas de cama, toalhas e utensílios de cozinha.

O período de incubação pode durar até 21 dias, o que significa que os sintomas podem levar três semanas para aparecer após a exposição ao vírus, mas no surto mais recente, muitos pacientes estão desenvolvendo uma erupção cutânea em poucos dias. Os pacientes podem desenvolver febre antes que outros sintomas apareçam.

Para ajudar a conter a propagação do vírus, contatos de alto risco de casos confirmados, incluindo alguns profissionais de saúde, receberam injeções de uma vacina contra a varíola, Imvanex, que pode proteger contra a varíola.

“Estamos usando-o em indivíduos que acreditamos estar em alto risco de desenvolver sintomas e usá-lo precocemente, particularmente dentro de quatro ou cinco dias após o caso desenvolver sintomas”, disse Hopkins.

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Saúde

Com a pandemia, número de transplantes de rim caiu

A Covid-19 impactou a realização de transplantes no Brasil. Em 2021, o índice ficou 26% abaixo da taxa anterior à doença

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A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) alerta que a pandemia de Covid-19 impactou a realização de transplantes no Brasil. Em 2021,
Unidade de Hemodiálise Wilson Pinto de Oliveira, em Bom Jesus da Lapa. Foto: Mateus Pereira/GOVBA

A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) alerta que a pandemia de Covid-19 impactou a realização de transplantes no Brasil. Em 2021, o índice de transplante renal de 22,4 pmp (número de transplantes por milhão de pessoas) ficou 26% abaixo da taxa anterior à pandemia. Para incentivar a doação de rim e esclarecer os procedimentos, a entidade médica lançou nessa semana a campanha “SBU pela doação de órgãos”.

Quando os rins param de funcionar, o paciente deve se submeter a sessões de hemodiálise, cuja periodicidade pode variar de duas a sete vezes por semana, dependendo do caso do paciente. Cada sessão pode durar de três a cinco horas.

De acordo com a SBU, para uma melhor qualidade de vida, o transplante renal pode ser indicado em muitos casos. A insuficiência renal pode ocorrer devido a problemas como diabetes, pressão alta, inflamação nos vasos que filtram o sangue, doença renal policística, doença autoimune e obstrução do trato urinário, entre outros.

Segundo o presidente da SBU, Alfredo Canalini, a campanha foi criada devido à necessidade de conscientizar a população sobre a doação de órgãos, principalmente no que diz respeito a doadores falecidos.

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“Especificamente nós, urologistas, sabemos a importância tanto do diagnóstico precoce da doença renal, com a dosagem de creatinina no sangue e o exame de urina, como do atendimento da demanda dos renais crônicos na fila de espera para um transplante renal”, disse.

De acordo com dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), houve diminuição no número de doações de órgãos e de transplantes devido à pandemia. Segundo a ABTO, 15.640 pacientes ingressaram na lista de espera por um rim em 2021, dos quais 3.009 faleceram.

“Isso ocorreu principalmente pelo aumento na contraindicação ao transplante na época, pois não se sabia da potencialidade de transmissão do vírus”, afirmou o coordenador do Departamento de Transplante Renal da SBU, John Edney dos Santos.

Transplante renal

O transplante renal é indicado para pacientes com diagnóstico de insuficiência renal crônica, principalmente aqueles em diálise.

“No Rio de Janeiro, temos em torno de 13 mil pacientes em diálise e 1.500 na fila de transplante. No Brasil, há algo em torno de 150 mil em diálise e somente 20% deles na fila. E, por lei, todo paciente em diálise tem que ser informado sobre a possibilidade da realização do transplante”, disse Canalini.

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Morador da capital paulista, o autônomo Zelandio dos Santos Araújo, de 37 anos, fez transplante de rim há sete anos. Ele tem glomerulosclerose segmentar e focal familiar, doença que provoca insuficiência renal.

Essa síndrome também afetou duas irmãs de Araújo. Uma delas perdeu a função renal e acabou morrendo e a outra ainda faz diálise e está à espera de um transplante de rim.

Araújo conta que começou o tratamento medicamentoso em 2001. “Essa doença vai reduzindo a função renal silenciosamente. Muita gente tem essa doença e não sabe. O sintoma dessa doença é se a urina começa a espumar muito porque está perdendo proteína pela urina”.

Em 2009, ele teve falência renal e começou a fazer diálise três vezes por semana. “Foi muito difícil me adaptar, mas acabei ficando seis anos na hemodiálise”.

No ano de 2015, Araújo recebeu um rim de doador falecido. “O transplante foi muito bem-sucedido. Com o transplante, ganhei uma nova qualidade de vida. Eu ficava refém. Hoje tenho uma vida normal, consigo praticar atividade física”.

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Como doar?

Para que o transplante renal seja realizado, é necessário verificar por meio de exames a compatibilidade entre doador e receptor para que haja menos chances de rejeição. É preciso ter mais de 18 anos e estar em boas condições de saúde.

A doação pode ser feita por doadores vivos ou falecidos. No caso de doadores vivos, é mais comum entre parentes consanguíneos de até quarto grau e cônjuges. Caso o doador não seja um parente próximo, é necessária autorização de um juiz. É possível viver bem com apenas um rim. Nas primeiras 24 horas após a cirurgia, o doador pode sentir dores, que passam com medicação. No dia seguinte, o doador pode começar a caminhar e após cerca de uma semana são retirados os pontos. A alta geralmente é concedida três dias após a cirurgia.

Para receber o órgão de um doador falecido, o paciente deve estar inscrito no Cadastro Técnico Único do Ministério da Saúde. O cadastramento é feito pela equipe médica de transplante responsável pelo atendimento.

A distribuição de órgãos doados é controlada pelo Sistema Nacional de Transplante do Ministério da Saúde e pelas Centrais Estaduais de Transplantes.

A equipe que realiza o transplante renal é multidisciplinar. Participam do procedimento o nefrologista, urologista, cirurgião vascular, cirurgião geral e anestesista. Outros especialistas de suporte, como intensivista e radiologista, também podem ser chamados.

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Quem quiser que seus órgãos sejam doados após a morte, deve avisar a família para que ela possa autorizar o procedimento médico de retirada.

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Saúde

Alemanha registra primeiro caso de varíola dos macacos

O vírus foi detectado em um brasileiro de 26 anos, que chegou à Alemanha vindo de Portugal, após passar pela Espanha

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ligado às Forças Armadas alemãs, o vírus foi detectado nesta quinta-feira (19) em um brasileiro de 26 anos, que chegou à Alemanha vindo de

Autoridades alemãs registraram o primeiro caso de infecção por varíola dos macacos no país. Segundo o Instituto de Microbiologia da Bundeswehr, ligado às Forças Armadas alemãs, o vírus foi detectado nesta quinta-feira (19) em um brasileiro de 26 anos, que chegou à Alemanha vindo de Portugal, após passar pela Espanha.

“O vírus da varíola dos macacos foi detectado pela primeira vez na Alemanha pelo Instituto de Microbiologia de #Bundeswehr. Nosso instituto em Munique já havia diagnosticado o primeiro caso do coronavírus em 2020”, informou o Ministério da Defesa alemão, em sua página no Twitter. Portugal, Espanha e outros países europeus vivem surto da doença.

Ontem, autoridades portuguesas confirmaram ter identificado cinco casos da infecção por varíola dos macacos. Os serviços de saúde da Espanha estão testando 23 casos em potencial, depois que o Reino Unido colocou a Europa em alerta para o vírus.

De acordo com a agência Reuters, os cinco doentes portugueses, de 20 casos suspeitos no país, estão estáveis. São homens e todos vivem na região de Lisboa e Vale do Tejo, segundo as autoridades sanitárias portuguesas.

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A doença

Varíola dos macacos é uma infecção viral rara, semelhante à varíola humana, embora mais leve, registrada pela primeira vez na República Democrática do Congo, na década de 1970. O número de casos na África Ocidental aumentou na última década.

Os sintomas incluem febre, dor de cabeça e erupções cutâneas que começam no rosto e se espalham pelo corpo.

De acordo com autoridades de saúde espanholas, a doença não é particularmente infecciosa entre as pessoas, e a maioria dos infectados recupera-se em algumas semanas, embora casos graves tenham sido relatados.

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