Política
Câmara aprova regras para definir o que é chocolate no Brasil
Proposta aprovada estabelece percentuais mínimos de cacau nos produtos e fortalece a agricultura familiar baiana
A aprovação, pela Câmara dos Deputados, do Projeto de Lei nº 1.769/2019 foi recebida como uma conquista histórica para a cadeia produtiva do cacau e para a agricultura familiar baiana. Relatada pelo deputado federal Daniel Almeida, a proposta estabelece critérios legais para definir o que pode ser comercializado como chocolate no Brasil, fixando percentuais mínimos de cacau e de seus derivados na composição dos produtos.
Para o diretor-presidente da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), Jeandro Ribeiro, a medida representa um avanço direto para agricultores e agricultoras que vivem da produção cacaueira. “Agora podemos afirmar que há uma legislação em tramitação que vai definir o que é chocolate no Brasil. Isso significa aumento da demanda por massa de cacau, maior valorização do produto e pagamento mais justo para quem produz”, destacou.
Segundo ele, a aprovação do projeto é resultado de uma ampla articulação política, que envolveu os governos federal e estadual, parlamentares baianos, representantes dos governos da Bahia e do Pará, além de entidades do setor cacaueiro e produtores rurais.
O texto aprovado determina que os fabricantes informem, de forma clara e visível na parte frontal das embalagens, o percentual de cacau presente no produto, ocupando pelo menos 15% da área principal. A proposta também fixa parâmetros mínimos para a composição dos produtos comercializados como chocolate.
Para o chocolate tradicional, será exigido o mínimo de 35% de sólidos totais de cacau, sendo pelo menos 18% de manteiga de cacau e 14% de sólidos isentos de gordura. No caso do chocolate ao leite, a exigência será de no mínimo 25% de sólidos totais de cacau e 14% de sólidos de leite ou derivados. Já o cacau em pó deverá conter, no mínimo, 10% de manteiga de cacau em relação à matéria seca.
A regulamentação busca corrigir distorções históricas do mercado, em que produtos com baixo teor de cacau eram comercializados como chocolate, prejudicando consumidores e desvalorizando a produção nacional. Para a agricultura familiar, a expectativa é de impacto positivo na renda, já que a obrigatoriedade de maior uso de massa de cacau tende a ampliar a demanda pela matéria-prima produzida no campo, especialmente em estados como a Bahia, referência histórica na produção cacaueira.
Após a aprovação na Câmara dos Deputados, o projeto segue agora para análise no Senado Federal. A expectativa do setor é de que a matéria seja apreciada ainda neste semestre, consolidando uma legislação considerada estratégica para o fortalecimento da lavoura cacaueira brasileira.
Política
Jerônimo entrega obras e autoriza novos investimentos em Tapiramutá
Município da Chapada Diamantina recebe equipamentos de segurança pública, unidade de beneficiamento de leite, veículo para a saúde e anúncio de pavimentação rodoviária
O município de Tapiramutá, na Chapada Diamantina, recebeu nesta sexta-feira (1º) a visita do governador Jerônimo Rodrigues para uma série de entregas estratégicas em alusão ao Dia do Trabalhador. A agenda incluiu a inauguração do Complexo Integrado da Delegacia da Polícia Civil e do Pelotão da Polícia Militar, além da entrega da Unidade de Beneficiamento de Derivados do Leite. Na ocasião, a cidade também foi contemplada com uma van destinada ao Tratamento Fora de Domicílio (TFD), reforçando o suporte à saúde da população.
“A entrega desta unidade integrada é fundamental para garantir dignidade às forças de segurança e assegurar um bom atendimento ao povo de Tapiramutá. E, ao falarmos da nova indústria, possibilitamos que o produtor processe sua mercadoria com qualidade, gerando emprego e renda para a população”, destacou o governador Jerônimo Rodrigues.
O secretário da Segurança Pública, Marcelo Werner, ressaltou que o estado já entregou 23 unidades no mesmo padrão somente neste ano. Segundo ele, a prioridade é oferecer “melhores condições de trabalho e atendimento à população”, aliando investimentos em infraestrutura à realização de concursos públicos e ao fortalecimento das operações de combate ao crime.
No eixo do desenvolvimento rural, a nova unidade foi entregue em parceria com a Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR) e representa um divisor de águas para a agroindústria local. Para a secretária do Desenvolvimento Rural, Elisabete Costa, o equipamento garante a produção de queijos com qualidade, que serão distribuídos para todo o estado.
Com 16 anos de atuação no setor de laticínios, o diretor da Coopag, cooperativa responsável pela administração da fábrica, Fred Jordão, comemorou a inauguração. “Este é um marco importante na cadeia produtiva do leite, porque estaremos mais próximos dos nossos produtores, oferecendo garantia e segurança de que a produção será absorvida e escoada”, afirmou.
Novos investimentos
Na área de infraestrutura, o governador autorizou a abertura de processo licitatório para a pavimentação de 17 quilômetros da BA‑142, ligando os distritos de Volta Grande, em Tapiramutá, e Duas Barras do Morro, no município de Morro do Chapéu.
O secretário de Infraestrutura, Saulo Pontes, relembrou os investimentos já realizados na região. “Em 2023, entregamos 10 quilômetros entre Tapiramutá e Volta Grande. Agora, voltamos a investir mais de R$ 22 milhões, garantindo o escoamento da produção regional, inclusive no período de chuvas”, destacou.
Política
A matemática da ilusão: o que a pesquisa Quaest realmente diz sobre as eleições de 2026 na Bahia
Leitura crítica dos dados desmonta a tese de ruptura propagada pela oposição e aponta continuidade do atual projeto político no estado

Yuri Almeida é professor, estrategista político e especialista em campanhas eleitorais
A recente divulgação da pesquisa Genial/Quaest, realizada em abril de 2026 com eleitores baianos, gerou uma onda de análises apressadas e posicionamentos, no mínimo, equivocados por parte de alguns setores da oposição. Apegando-se a uma leitura superficial dos dados, criou-se a narrativa de que existiria um sentimento radical e majoritário de ruptura no estado, cravando que “74% dos baianos querem mudança”.
No entanto, quando dissecamos os números e fazemos os cruzamentos corretos que uma pesquisa densa como essa exige, o cenário que se desenha não é o de uma guinada oposicionista, mas, sim, o de uma sólida continuidade. O dado dos “74%” é, na verdade, fruto de um erro metodológico grosseiro e de uma forçação de barra ideológica.
O equívoco central da oposição está na forma como interpreta a pergunta sobre o que o próximo governador deve fazer. A pesquisa aponta que 34% dos eleitores desejam que o próximo gestor decida “mudar totalmente”. A esse número, estrategistas da oposição somaram os 40% que defendem “mudar apenas o que não está bom”, criando o falso bloco dos 74% (outros 22% defendem “continuar o trabalho que vem sendo feito”).
Somar quem quer uma ruptura total com quem reconhece os méritos da gestão, mas pede ajustes, é um erro primário de leitura do comportamento do eleitor. Aqueles 34% que exigem mudança total representam, de forma muito clara, a média histórica da votação do carlismo (antigo PFL e atual União Brasil) nos últimos 20 anos. Ou seja, quem deseja a mudança radical são, majoritariamente, os eleitores que historicamente já votam contra o PT na Bahia. Trata-se do teto da oposição, não de uma nova onda.
Cenário de reeleição
Para entender a real intenção do eleitor baiano, é preciso olhar para os indicadores de avaliação e projeção futura, que apontam para a estabilidade do atual projeto político:
Aprovação consolidada: o governo de Jerônimo Rodrigues mantém a aprovação da maioria do eleitorado, registrando 56% de aprovação, contra 33% de desaprovação. Em termos de avaliação, 37% consideram a gestão positiva (ótimo/bom) e 33% a avaliam como regular.
Potencial de reeleição: quando a pesquisa pergunta de forma direta se Jerônimo Rodrigues merece ser reeleito, a maioria é clara: 51% dizem que sim, ele merece, contra 42% que dizem que não. Ao analisar as séries históricas do Brasil, gestores que disputam a reeleição com aprovação e desejo de permanência acima da margem dos 50% têm altíssima probabilidade de vitória.
O fator Lula: o alinhamento nacional continua sendo um motor decisivo na Bahia. A pesquisa mostra que 47% do eleitorado gostaria que o próximo governador fosse um aliado do presidente Lula, número quase três vezes maior do que os 16% que preferem um aliado de Bolsonaro.
A hegemonia no Senado
Se o cenário para o governo do estado indica continuidade, a disputa para o Senado reforça essa tese de forma ainda mais contundente. Nas eleições em que os baianos elegerão dois senadores, os candidatos do grupo governista demonstram força hegemônica.
Na simulação de combinação de votos totais para as duas vagas, Rui Costa (PT) lidera com 24% das intenções, seguido de perto por Jaques Wagner (PT), com 22%. Quando se soma o capital político de ambos, o resultado é mais que o dobro das intenções de voto dos principais nomes da oposição testados, como João Roma (PL), que aparece com 9%, e Angelo Coronel (Republicanos), com 6%.
Uma estratégia de marketing político baseada em uma premissa falsa caminha a passos largos para a derrota. Ao cruzar todas essas variáveis — a aprovação positiva do governador, o forte desejo de reeleição, o peso decisivo do alinhamento com Lula e o favoritismo acachapante para o Senado —, a realidade se impõe.
A matemática da pesquisa Quaest na Bahia não mente: o estado não respira ares de ruptura. O cenário projetado para as eleições de 2026 é, inegavelmente, um cenário de continuidade. Quem ignorar os dados e preferir a ilusão dos números somados artificialmente, provavelmente terá que lidar com o amargor das urnas.
Política
Vídeo de ACM Neto com secretário de SP acende alerta sobre intenção de privatizar educação pública na Bahia
O deputado estadual Angelo Almeida aponta risco de avanço do modelo empresarial sobre a educação pública baiana
Na gravação, Neto aparece ao lado do secretário Renato Feder, que também comandou a educação do Paraná e tem origem no setor empresarial. Feder foi CEO da Multilaser e atualmente é acionista da empresa, acumulando uma trajetória que mistura gestão pública e interesses privados.
Para Angelo Almeida, o simbolismo do vídeo é evidente. “Não é uma visita institucional. É a apresentação de um modelo que trata a educação como produto e a escola como negócio”, criticou.
O deputado afirma que o roteiro já é conhecido: avanço de indicadores, discurso de eficiência e, na sequência, terceirização da gestão escolar. “O problema é quando o interesse público se mistura com o privado. A conta nunca fecha para quem mais precisa”, disse.
Ele ressalta que a lógica defendida no vídeo ignora um princípio básico. “Educação pública não pode ser tratada como mercadoria. Não é ativo financeiro, é direito constitucional”, afirmou.
Na avaliação do parlamentar, Salvador já vive as consequências desse modelo. O programa Pé na Escola, criado na gestão de ACM Neto, transferiu mais de R$ 800 milhões para instituições privadas, enquanto escolas públicas foram fechadas.
O caso mais emblemático, segundo ele, é o encerramento da escola do Rio Sena, ao mesmo tempo em que vagas privadas foram ampliadas. “Fecha-se o público para alimentar o privado. Isso não é gestão, é escolha política”, criticou.
As investigações do Ministério Público Federal sobre o programa reforçam as suspeitas. Há apuração sobre possível uso irregular de recursos da educação e desvio de finalidade na política pública.
Para Angelo Almeida, o cenário expõe uma contradição grave: Salvador lidera negativamente os índices de alfabetização infantil entre as capitais. “O modelo já fracassou aqui. E agora querem vender isso como solução para toda a Bahia”, concluiu.
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