Economia
Presidente do IRB, Inaldo Araújo toma posse na Academia Brasileira de Ciências Contábeis
Conselheiro do TCE-BA passa a ocupar a Cátedra 99 da Abracicon e reforça trajetória marcada pela atuação na contabilidade pública, no controle externo e na produção científica
A trajetória dedicada à Contabilidade, ao controle externo, ao ensino e à produção científica rendeu ao presidente do Instituto Rui Barbosa (IRB), Inaldo Araújo, mais um importante reconhecimento nacional. Na noite desta segunda-feira (3), em Belo Horizonte (MG), ele tomou posse como membro da Academia Brasileira de Ciências Contábeis (Abracicon), passando a ocupar a Cátedra 99 da instituição.
Na mesma solenidade, realizada no auditório do Hotel Dayrell, também foi empossada a auditora estadual de Finanças Públicas de Santa Catarina, Michele Patrícia Roncalio, titular da Cátedra 96.
A cerimônia reuniu acadêmicos, autoridades e representantes da comunidade contábil brasileira. Criada com o objetivo de promover o desenvolvimento das Ciências Contábeis, a Abracicon congrega profissionais que se destacam pela pesquisa, produção intelectual e contribuição ao fortalecimento da profissão, incentivando o debate sobre temas relacionados à gestão pública, à economia e à sociedade.
Homenagem à nova acadêmica
Durante seu discurso de agradecimento, Inaldo Araújo destacou a trajetória de Michele Roncalio, ressaltando sua formação em escolas públicas e a dedicação aos estudos e ao trabalho desde a adolescência.
Mestra em Contabilidade pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), auditora estadual de Finanças Públicas, professora e atual secretária municipal da Fazenda de Florianópolis, Michele tornou-se a primeira mulher a ocupar o cargo na capital catarinense. Segundo Inaldo, sua eleição para a Academia representa o reconhecimento de uma carreira pautada pela responsabilidade fiscal, inovação, ética e fortalecimento da participação feminina nas Ciências Contábeis.
Compromisso renovado com a ciência e a gestão pública
Ao assumir a cadeira na Abracicon, Inaldo afirmou que a posse representa mais do que uma honraria pessoal.
“Recebemos o título de Acadêmico da Academia Brasileira de Ciências Contábeis não como um ponto de chegada, mas como a renovação de um compromisso. Compromisso com a ciência, com a boa gestão pública e, sobretudo, com os valores que dão significado aos números.”
O conselheiro do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA) também agradeceu às pessoas que contribuíram para sua indicação à Academia, com destaque para o contador baiano Adeildo Osório, ocupante da Cátedra 87 da Abracicon e ex-presidente da Fundação Brasileira de Contabilidade (FBC).
Inaldo fez ainda agradecimentos à presidente da Abracicon, Maria Clara Cavalcanti Bugarim; ao presidente do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), Joaquim de Alencar Bezerra Filho; e à contadora emérita da Bahia Maria Constância Carneiro Galvão.
“A Academia das Contas”
Em um pronunciamento intitulado “E chegamos à Academia das Contas”, o novo acadêmico utilizou referências à canção Coração de Estudante, de Milton Nascimento, para refletir sobre a missão das academias na formação das futuras gerações.
Segundo ele, preservar o conhecimento, cultivar a ética e incentivar a pesquisa são responsabilidades fundamentais para a construção de profissionais comprometidos com o interesse público e com uma sociedade mais justa.
Ao abordar a relevância da profissão contábil, Inaldo destacou que a Contabilidade vai além dos registros patrimoniais e financeiros.
“A Contabilidade é uma linguagem da confiança, capaz de transformar informação em responsabilidade, patrimônio em cidadania e prestação de contas em instrumento de fortalecimento da democracia.”
Ele acrescentou que os números evidenciam escolhas, prioridades e compromissos da gestão pública, mas que somente a ética permite interpretar adequadamente aquilo que os indicadores não conseguem expressar.
Trajetória no serviço público
Durante a solenidade, Inaldo relembrou sua caminhada profissional. Formado em Ciências Contábeis em 1985, ingressou no Tribunal de Contas do Estado da Bahia em 1987, aos 22 anos, como auditor.
Desde então, construiu uma carreira marcada pela atuação no controle externo, pelo magistério universitário e pela produção de estudos voltados à contabilidade pública, à governança e ao fortalecimento das instituições democráticas.
Na parte final do discurso, compartilhou a homenagem com familiares, amigos e colegas do TCE-BA e do Instituto Rui Barbosa, destacando que sua trajetória foi construída coletivamente.
Citando o escritor Guimarães Rosa, lembrou que “o que a vida quer da gente é coragem” e afirmou que a verdadeira imortalidade das academias não está nas pessoas, mas nas ideias, valores e conhecimentos transmitidos ao longo do tempo.
Reconhecimento em meio à presidência do IRB
A posse ocorre em um momento em que Inaldo Araújo preside o Instituto Rui Barbosa, entidade responsável pela produção de estudos, pesquisas e projetos voltados ao aperfeiçoamento dos Tribunais de Contas brasileiros.
Seu ingresso na Academia Brasileira de Ciências Contábeis fortalece a aproximação entre a produção científica e a experiência prática do controle externo, consolidando uma trajetória marcada pela defesa da ética, da transparência, da boa governança e do aprimoramento da administração pública.
Economia
Folha de S. Paulo destaca situação financeira “saudável” do Estado da Bahia
Reportagem avalia que governo baiano mantém dívida sob controle, ampliou investimentos e preserva capacidade de contratar financiamentos com garantia da União
A situação fiscal da Bahia foi classificada como saudável por especialistas ouvidos pela Folha de S.Paulo, em reportagem que analisou os principais indicadores financeiros do Estado entre 2019 e 2026. Segundo a publicação, a Bahia mantém equilíbrio nas contas públicas, baixo nível de endividamento e capacidade de ampliar investimentos sem enfrentar uma crise fiscal.
De acordo com o economista Felipe Salto Pestana, ouvido pelo jornal, o cenário baiano é positivo quando comparado ao de outras unidades da federação que enfrentam dificuldades financeiras.
“É uma situação saudável, não é ruim como Rio, Minas Gerais e Rio Grande do Sul”, afirmou o especialista. “A situação é boa” e está “controlada”, acrescentou, destacando que o Estado possui “uma dívida pequena”.
A análise da Folha aponta que a Bahia apresenta finanças equilibradas, baixo endividamento e crescimento dos investimentos públicos ao longo dos últimos anos. Outro especialista consultado pela publicação, Alexandre Manoel, sócio da Global Intelligence and Analytics, observou que o governador Jerônimo Rodrigues encerra o atual mandato sem enfrentar uma crise de endividamento, embora destaque uma redução dos chamados colchões fiscais.
Segundo a reportagem, a Bahia “mantém dívida controlada e nota no Tesouro que permite a tomada de empréstimos com garantia da União”, condição considerada importante para a capacidade de investimento do Estado.
O levantamento também destaca a ampliação dos investimentos públicos durante a atual gestão. Conforme os dados apresentados, os aportes realizados entre 2023 e 2026 somam R$ 29,1 bilhões, superando os R$ 23,4 bilhões registrados no mandato anterior. O maior volume de investimentos ocorreu em 2023, quando foram aportados R$ 9,2 bilhões.
Os indicadores fiscais também permanecem abaixo dos limites legais estabelecidos. A dívida consolidada líquida da Bahia correspondia a 35,67% da Receita Corrente Líquida (RCL) em 2025, percentual considerado confortável em relação ao limite de 200% fixado para os estados.
Já os gastos com pessoal representavam 40,36% da RCL, índice abaixo do limite de 46% previsto pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
Sefaz-BA contesta projeção de déficit
A Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia (Sefaz-BA) contestou um dos pontos da análise apresentada pela Folha de S.Paulo, relacionado à projeção de déficit para 2026.
Segundo a secretaria, houve uma distorção metodológica ao considerar integralmente as despesas empenhadas para calcular o resultado fiscal do exercício. A pasta argumenta que esse procedimento inclui antecipadamente compromissos referentes a todo o ano, especialmente no caso da folha de pagamento do funcionalismo público, o que pode superestimar o déficit projetado.
De acordo com a Sefaz-BA, para avaliações realizadas durante o exercício financeiro, o parâmetro adequado é a despesa liquidada, conforme os critérios estabelecidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Já a despesa empenhada, segundo a secretaria, deve ser considerada apenas ao final do exercício, quando é concluída a execução orçamentária.
Em nota citada pela reportagem, a Sefaz-BA afirma que a ampliação dos investimentos na atual gestão foi viabilizada pela utilização de recursos acumulados pelo próprio Estado, a partir de superávits de exercícios anteriores.
Segundo a pasta, esses recursos foram direcionados para obras e ações em áreas como saúde, educação, segurança pública, mobilidade urbana, saneamento básico e infraestrutura rodoviária, entre outras.
Economia
Setre certifica 500 trabalhadores em cursos de qualificação profissional e formação para a economia do Carnaval
Iniciativas ampliam oportunidades de emprego, empreendedorismo e geração de renda em áreas como administração, tecnologia, gastronomia, construção civil e cultura
Na manhã desta segunda-feira (14), 500 trabalhadores de Salvador receberam certificados de conclusão de cursos promovidos pelo Programa Manuel Querino e pelo Projeto Cidade Carnavalesca, iniciativas desenvolvidas pela Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre). A cerimônia de certificação foi realizada no auditório da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), no bairro do Cabula.
As capacitações têm como objetivo ampliar as oportunidades de inserção e permanência no mercado de trabalho, estimular o empreendedorismo, fortalecer a geração de renda e atender às demandas de diferentes segmentos da economia baiana.
Ao todo, foram ofertadas 48 turmas de qualificação profissional em diversas áreas, incluindo administração, culinária, farmácia, beleza, informática, construção civil e programação, além de formações voltadas à cultura, à economia criativa e à cadeia produtiva do Carnaval.
Sobre os programas
O Programa Manuel Querino é voltado à qualificação de trabalhadores e jovens em situação de desemprego ou vulnerabilidade socioeconômica, com foco na inserção e reinserção no mercado de trabalho e na ampliação das oportunidades de geração de renda.
Já o Projeto Cidade Carnavalesca atende jovens e adultos que atuam em blocos e agremiações culturais de matrizes africana e indígena, afoxés, blocos de samba, reggae e samba-reggae, grupos ligados à cultura Hip-Hop e outras entidades que integram a diversidade cultural baiana.
A iniciativa busca fortalecer a profissionalização dos trabalhadores envolvidos na produção cultural e na organização de manifestações que movimentam a economia criativa do estado, especialmente durante o período carnavalesco.
Economia
IPCA registra deflação de 0,32% em agosto, impulsionada pelo Bônus de Itaipu e queda nos preços dos alimentos
Resultado é o menor para o mês desde 2022 e ficou abaixo das projeções do mercado financeiro; conta de luz, passagens aéreas e alimentos foram os principais responsáveis pela desaceleração dos preços
A inflação oficial do país registrou deflação de 0,32% em agosto, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado foi influenciado principalmente pelo Bônus de Itaipu e pela redução dos preços dos alimentos, dos combustíveis e das passagens aéreas.
O desempenho representa a menor taxa para um mês de agosto desde 2022, quando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atingiu -0,36%. Em julho deste ano, o indicador havia ficado em 0,07%, enquanto em agosto de 2025 registrou deflação de 0,11%.
Com o resultado, o IPCA acumulado em 12 meses desacelerou para 4,22%, abaixo dos 4,44% registrados em julho e o menor percentual desde março de 2026, quando o índice acumulava 4,14%.
A deflação de agosto também surpreendeu o mercado financeiro. O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central na última semana, projetava queda de 0,23% para o período. Para o fechamento de 2026, a expectativa dos analistas continua em torno de 5%.
Conta de luz foi o principal fator de queda
O grupo Habitação registrou retração de 1,87%, a maior influência negativa do mês e a mais intensa para o segmento desde o início do Plano Real, em 1994.
O principal motivo foi a redução média de 7,63% nas tarifas de energia elétrica, resultado do Bônus de Itaipu. O mecanismo distribui aos consumidores o saldo positivo da conta de comercialização da usina hidrelétrica binacional, gerando créditos nas faturas de energia.
Segundo o IBGE, a queda da conta de luz teve o maior impacto individual sobre o IPCA de agosto, contribuindo decisivamente para o resultado negativo do índice.
Alimentos acumulam terceira queda consecutiva
O grupo Alimentação e Bebidas, que possui o maior peso na composição do IPCA e representa cerca de 21,5% da cesta de consumo das famílias, registrou queda de 0,34% em agosto.
Foi o terceiro recuo consecutivo dos preços dos alimentos, após reduções de 0,67% em julho e 0,24% em junho.
Entre os produtos com maiores quedas de preços destacam-se:
- Batata-inglesa: -19,89%;
- Cenoura: -11,22%;
- Cebola: -11,07%;
- Tomate: -10,94%;
- Ovo de galinha: -4,15%;
- Café moído: -1,86%.
A redução dos preços desses itens ajudou a aliviar o orçamento das famílias e contribuiu para a desaceleração da inflação no período.
Passagens aéreas e combustíveis também recuaram
No grupo Transportes, a deflação foi de 0,86%, impulsionada principalmente pela queda de 13,17% nas passagens aéreas, que registraram o segundo maior impacto negativo sobre o IPCA, atrás apenas da energia elétrica.
Os combustíveis também ajudaram a conter a inflação. Os preços do etanol caíram 3,95%, os do óleo diesel recuaram 0,80% e os da gasolina diminuíram 0,59%. O único combustível que apresentou alta foi o gás veicular, com aumento de 2,62%.
Outro destaque foi o transporte por aplicativo, que registrou redução de 4,57% no período.
Inflação segue acima do centro da meta
Apesar da deflação observada em agosto, a inflação acumulada em 12 meses permanece acima do centro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), fixada em 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
Desde 2025, a avaliação do cumprimento da meta passou a considerar os 12 meses imediatamente anteriores. O objetivo é considerado descumprido caso a inflação permaneça fora da faixa de tolerância por seis meses consecutivos.
O índice de difusão, que mede o percentual de produtos e serviços com aumento de preços, ficou em 54% em agosto, acima dos 50% registrados em julho, indicando que a inflação continua presente em parte significativa da economia, apesar da queda do indicador geral.
Fonte: Agência Brasil
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