Meio Ambiente
Governo Federal anuncia R$ 1 bilhão para revitalização de bacias no país
Na Bahia, seis regiões hidrográficas ligadas ao Rio São Francisco podem receber até R$ 114 milhões em ações de recuperação ambiental e segurança hídrica
O Governo Federal anunciou investimento de R$ 1 bilhão no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), que contempla seis regiões hidrográficas da Bahia para a revitalização de bacias ligadas ao Rio São Francisco. A iniciativa prevê ações de recuperação hidroambiental, monitoramento hídrico e fortalecimento da segurança hídrica em municípios estratégicos do estado.
Entre as bacias contempladas estão a do Rio Grande; dos rios Paramirim e Santo Onofre; do Rio Corrente; dos rios Verde e Jacaré; do Rio Salitre; e do entorno do Lago de Sobradinho. As ações alcançarão municípios como Sobradinho, Juazeiro, Barreiras, Angical, Riachão das Neves e Itaguaçu da Bahia, além de outras cidades baianas.
Os recursos são provenientes do Programa de Revitalização de Bacias Hidrográficas, criado após a desestatização da Eletrobras. Embora o montante de R$ 1 bilhão seja destinado a várias bacias no país, o aporte estimado para ações em municípios baianos pode chegar a R$ 114 milhões.
As medidas previstas incluem capacitação para a gestão de recursos hídricos com base em informações meteorológicas; implantação de quintais produtivos; recuperação de pastagens degradadas em assentamentos da reforma agrária; revitalização do Rio Verde, em Itaguaçu da Bahia; restauração ecológica na bacia do São Francisco, em parceria com a iniciativa Floresta Viva, do BNDES; além da implantação de um porto público em Juazeiro.
O anúncio ocorre em um contexto de pressão ambiental sobre rios e nascentes no semiárido baiano. Dados do Monitor de Secas, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), apontam recorrência de estiagens em diferentes regiões do estado nos últimos anos, enquanto levantamentos ambientais indicam avanço do assoreamento, degradação de nascentes e redução da disponibilidade hídrica em áreas ligadas à bacia do São Francisco.
Para Lia Dugnani, presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Grande, os investimentos reforçam práticas já adotadas por produtores rurais da região, voltadas ao uso eficiente da água, à conservação do solo e à agricultura regenerativa. “A revitalização das bacias e a recuperação das nascentes representam uma oportunidade importante para fortalecer práticas que muitos produtores já adotam, como o monitoramento hídrico e o cuidado com o solo. Hoje, sustentabilidade e produção caminham juntas, e o produtor rural tem papel fundamental nesse processo”, afirmou.
No norte do estado, a expectativa é de que as ações previstas para as bacias do Rio Salitre e do entorno do Lago de Sobradinho ampliem a capacidade de adaptação das comunidades locais diante dos ciclos prolongados de seca. “Quando falamos em revitalização de bacias, tratamos também de abastecimento humano, permanência das famílias no campo e redução da vulnerabilidade social em regiões que dependem diretamente da água”, destacou Almacks Carneiro, presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Salitre.
Já nas regiões das bacias dos rios Verde e Jacaré, a recuperação ecológica pode contribuir para a redução do assoreamento e para a melhoria da qualidade da água em áreas pressionadas pelo desmatamento e pelo uso intensivo do solo. “A recomposição da vegetação, a proteção das margens e o monitoramento das condições dos rios têm impacto direto na qualidade da água e na sustentabilidade desses sistemas”, avaliou Paulo Neiva, presidente do Comitê das Bacias Hidrográficas dos Rios Verde e Jacaré.
Sem cronograma detalhado divulgado até o momento, os projetos devem avançar em frentes associadas à recuperação ambiental, adaptação climática e segurança hídrica em regiões com forte atividade agrícola e alta dependência dos recursos hídricos. Segundo o governo federal, desde 2023 já foram aprovadas 250 ações de revitalização em bacias hidrográficas ligadas ao Rio São Francisco e a outras regiões estratégicas do país, com investimentos totais de R$ 5,2 bilhões.
Meio Ambiente
Inverno na Bahia começa com influência do El Niño e contraste climático entre litoral e interior
Estação é marcada por temperaturas acima da média, seca no semiárido e aumento das chuvas na faixa litorânea, impactando diretamente os biomas do estado
O inverno na Bahia começou neste domingo (21), às 5h24. Para este ano, especialistas do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) indicam que a estação será marcada pela influência do El Niño, fenômeno que atua no Oceano Pacífico e tende a favorecer temperaturas acima da média no estado, principalmente na segunda metade do período.
As mudanças trazidas pelo novo ciclo, no entanto, vão além dos termômetros. Em um estado que reúne biomas e ecossistemas como Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Restinga e Manguezal, o inverno provoca respostas climáticas distintas entre o litoral e o interior. Esse contraste influencia diretamente as paisagens, os ciclos reprodutivos e as estratégias de sobrevivência de parte significativa da flora e da fauna.
Segundo o coordenador de Estudos de Clima e Projetos Especiais do Inema, Aldírio Almeida, o inverno na Bahia é controlado por sistemas de alta pressão subtropical do Atlântico Sul. Esses sistemas atmosféricos — nos quais o ar desce e se dispersa — reforçam ventos em direção ao sudeste e criam um padrão climático quase oposto entre o litoral e o interior do estado.
No semiárido baiano, o inverno é um período de estiagem, com baixa ocorrência de chuvas e grande amplitude térmica entre o dia e a noite. Já no litoral, especialmente em Salvador e no Recôncavo, a estação representa o período de maior intensidade pluviométrica, devido à umidade transportada pelos ventos e à interação com o relevo costeiro.
“Há uma grande diferença entre o que acontece no semiárido e no litoral. Enquanto o semiárido enfrenta uma seca intensa, o litoral, sobretudo Salvador e o Recôncavo, recebe as maiores chuvas do ano. Isso ocorre porque o sistema de alta pressão do Atlântico Sul e os ventos de sudeste atuam em conjunto, levando umidade para a costa e intensificando a seca no interior”, explica o coordenador.
A tendência é de que esse contraste seja intensificado pela atuação do El Niño ao longo dos próximos meses. Apesar da previsão de temperaturas acima da média histórica, o frio típico da estação ainda deve ser sentido nos primeiros meses, com registros de mínimas abaixo de 10°C em áreas de maior altitude, como na Chapada Diamantina e no sudoeste baiano.
No oeste do estado, uma das marcas do inverno é a amplitude térmica, com madrugadas frias e tardes quentes. Já a formação de neblina e nevoeiro é comum em regiões serranas e de vale, onde a combinação de umidade e queda de temperatura favorece a condensação na atmosfera.
“A atuação do El Niño tende a acentuar esse contraste, com temperaturas mais elevadas e impacto direto na intensidade da estiagem no semiárido. Ainda assim, esperamos episódios de temperaturas baixas neste início de estação”, completa Aldírio Almeida.
Caatinga em período crítico de estiagem
A Caatinga, bioma predominante no território baiano, é também a que experimenta a mudança mais drástica com a chegada do inverno. As espécies vegetais apresentam adaptações únicas entre os ecossistemas tropicais secos do mundo.
Durante a estação, a flora entra em processo de deciduidade — quando árvores e arbustos perdem suas folhas como forma de reduzir a perda de água por transpiração. Esse fenômeno dá origem à paisagem esbranquiçada típica do bioma, conhecida como “mata branca”, termo de origem tupi.
A coordenadora de Gestão da Biodiversidade do Inema, Mara Angélica dos Santos, destaca espécies como a catingueira (Cenostigma pyramidale), o juazeiro (Ziziphus joazeiro) — uma das poucas que mantêm folhagem na seca —, a aroeira-do-sertão (Myracrodruon urundeuva) e cactáceas como o mandacaru (Cereus jamacaru) e o facheiro (Pilosocereus pachycladus).
“As cactáceas tornam-se protagonistas na paisagem por seus caules, que funcionam como reservatórios de água e fonte de alimento para a fauna. A perda de folhas não indica degradação, mas uma estratégia evolutiva sofisticada para lidar com o estresse hídrico extremo”, afirma.
Cerrado combina seca e floração
No Cerrado, presente no oeste e sudoeste da Bahia, o inverno coincide com a estação seca, caracterizada pela baixa umidade relativa do ar e maior suscetibilidade a incêndios, muitos deles associados à ação humana.
A vegetação apresenta dois comportamentos distintos: enquanto plantas rasteiras e arbustos entram em uma espécie de dormência — com secagem da parte visível e manutenção das raízes vivas —, espécies arbóreas como o ipê-amarelo (Handroanthus ochraceus) e o ipê-roxo (Handroanthus impetiginosus) florescem intensamente.
“Sem folhas, as flores ganham mais visibilidade, o que aumenta a eficiência da polinização em um período de escassez de recursos”, explica Mara Angélica.
Litoral tem inverno chuvoso e alta produtividade
Nas áreas de Mata Atlântica, incluindo restingas e manguezais do litoral baiano, o inverno representa a estação mais úmida, invertendo a lógica de escassez observada no interior. O aumento das chuvas estimula ciclos de crescimento, frutificação e renovação da vegetação.
Nos manguezais, há maior aporte de sedimentos e matéria orgânica trazidos pelos rios, o que intensifica a produtividade do ecossistema. Nas restingas, a maior disponibilidade hídrica favorece a frutificação de espécies como pitanga (Eugenia uniflora) e araçá (Psidium sp.).
Em Salvador, embora o inverno faça parte do período chuvoso, os maiores volumes médios de precipitação costumam ocorrer entre abril e maio. Junho ainda registra índices elevados, mas a tendência é de redução gradual das chuvas ao longo da estação, especialmente entre julho e setembro.
Ainda assim, as condições permanecem mais úmidas do que em grande parte da primavera e do verão, o que impacta diretamente a vegetação urbana e os remanescentes de Mata Atlântica na capital.
“Mesmo em áreas como o Parque de Pituaçu, é possível observar o aumento da rebrota, da germinação de sementes e da presença de grupos vegetais mais sensíveis, como briófitas e pteridófitas, que dependem de água para se reproduzir”, ressalta a especialista.
Estação de contrastes
O inverno na Bahia, portanto, apresenta duas faces distintas. No interior, especialmente na Caatinga e no Cerrado, marca o auge do estresse hídrico e desencadeia adaptações sofisticadas da flora. No litoral, por outro lado, a estação é marcada pela elevada umidade e pela intensificação da produtividade biológica.
Compreender essa diversidade de padrões climáticos é fundamental para estratégias de conservação, manejo ambiental e monitoramento da biodiversidade no estado — ações que integram o trabalho do Inema ao longo do ano.
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Meio Ambiente
Copa do Mundo impulsiona geração de resíduos e destaca importância da reciclagem
Especialista aponta impacto ambiental do evento e sugere práticas simples para reduzir lixo e gerar renda
A Copa do Mundo é um dos maiores eventos do planeta e também um período de aumento significativo na geração de resíduos. Entre encontros para assistir aos jogos, comemorações em bares, festas e reuniões em casa, latas, garrafas, embalagens e copos descartáveis passam a fazer parte da rotina de milhões de torcedores.
Os números ajudam a dimensionar esse impacto. Durante a Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil, estima-se que cerca de 320 toneladas de resíduos foram geradas apenas nos estádios ao longo dos 64 jogos. Fora das arenas, nas Fan Fests e áreas turísticas das cidades-sede, estudos apontaram um aumento de aproximadamente 15 mil toneladas no volume de resíduos urbanos produzidos durante o evento.
Para Saville Alves, fundadora e CEO da SOLOS, startup especializada em soluções para economia circular e reciclagem inclusiva, grandes eventos esportivos também podem se tornar oportunidades para fortalecer hábitos sustentáveis e impulsionar a geração de renda para catadores e cooperativas.
“Cada embalagem descartada durante a Copa pode seguir dois caminhos: virar lixo ou retornar à cadeia produtiva. Quando escolhemos descartar corretamente nossos resíduos, contribuímos para a preservação ambiental, mas também para a geração de trabalho e renda de milhares de pessoas que atuam na reciclagem”, afirma.
A especialista reuniu cinco dicas práticas para quem quer torcer pela seleção e, ao mesmo tempo, ajudar o planeta:
- Dê preferência às bebidas em lata
O alumínio possui uma das cadeias de reciclagem mais eficientes do Brasil e está entre os materiais mais valorizados pelos catadores. Ao optar por bebidas em lata, aumentam as chances de que a embalagem retorne rapidamente para a indústria e volte a circular como matéria-prima. - Priorize embalagens retornáveis
Outra alternativa é optar por garrafas retornáveis sempre que possível. Além de reduzirem a quantidade de resíduos gerados, elas demandam menos recursos naturais ao longo de seu ciclo de vida quando comparadas às embalagens descartáveis. - Incentive a reciclagem do vidro
O vidro pode ser reciclado infinitamente sem perder qualidade. No entanto, muitas vezes não recebe a destinação adequada. Por isso, sempre que possível, vale dar preferência às garrafas de 600 ml, que são retornáveis, em vez das long necks, que são descartáveis. Além de reduzirem a geração de resíduos, as embalagens retornáveis permanecem por mais tempo em circulação, diminuindo a necessidade de produzir novas garrafas. - Faça da reciclagem parte da conversa
Ao assistir aos jogos em bares e restaurantes, aproveite para perguntar como é feita a destinação das embalagens consumidas no local e procure entender para onde esses resíduos são encaminhados após o descarte. Demonstrar interesse pelo tema ajuda a dar visibilidade à reciclagem e reforça a importância de práticas sustentáveis também nos espaços de lazer e convivência. Quem já conhece cooperativas, programas de coleta seletiva ou iniciativas de reciclagem na região também pode compartilhar essas informações com os estabelecimentos, contribuindo para ampliar a destinação adequada dos resíduos gerados durante a Copa. - Além da camisa da seleção: leve seu copo e canudo
Copos reutilizáveis, garrafas pessoais e a redução do uso de itens descartáveis ajudam a diminuir significativamente a quantidade de resíduos gerados durante os eventos e confraternizações da Copa. Para quem prefere bebidas destiladas ou drinks, levar o próprio canudo reutilizável também é uma alternativa simples para tornar a comemoração mais sustentável.
Reciclagem também gera renda
Além dos benefícios ambientais, a reciclagem tem impacto direto na geração de renda e na inclusão social. Recentemente, a SOLOS alcançou o marco de R$ 10 milhões em renda gerada para catadores e cooperativas em diferentes regiões do Brasil. Outro exemplo foi o Carnaval de Salvador de 2026, que entrou para o Guinness World Records após registrar a maior ação de reciclagem de latinhas de alumínio do mundo em uma festa popular, com mais de 46 toneladas coletadas.
“Torcer pela seleção é importante, mas podemos aproveitar esse momento para adotar hábitos que gerem impactos positivos para as cidades, para o meio ambiente e para milhares de famílias que vivem da reciclagem. Essa é uma vitória que todos podemos conquistar juntos”, conclui Saville.
Sobre a SOLOS
A SOLOS é uma startup de impacto que atua junto a territórios e marcas para apoiá-los na superação dos desafios relacionados à economia circular. Por meio de sistemas inteligentes, conteúdos e experiências de reciclagem em grandes eventos, a companhia promove o descarte correto de embalagens pós-consumo, melhorando a vida de todos — dos catadores às tartarugas marinhas. Em nove anos, a empresa já realizou parcerias com marcas como Ambev, Braskem, iFood, Nubank e Coca-Cola, coletou mais de 2 mil toneladas de resíduos e gerou R$ 10 milhões em renda para catadores.
Meio Ambiente
El Niño pode atingir 82% de probabilidade em 2026 e acende alerta para segurança hídrica na Bahia
Seminário da Embasa discute impactos do fenômeno e estratégias de prevenção diante de possíveis extremos climáticos
As chances de ocorrência do fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026 chegam a 82%, segundo projeções do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Embora sua intensidade ainda esteja sendo monitorada por centros especializados em clima, a possibilidade de um evento forte reforça a necessidade de ações preventivas na gestão dos recursos hídricos.
O tema será debatido durante a palestra “Super El Niño: eventos extremos e segurança hídrica”, que integra seminário promovido pela Embasa em alusão ao Dia do Meio Ambiente. O evento acontece nesta quinta-feira (11), a partir das 8h, no auditório da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), no Stiep.
Além dos possíveis impactos do fenômeno climático, o seminário reunirá especialistas para discutir outros temas da agenda ESG (Ambiental, Social e Governança), como inovação sustentável na área de água, esgotamento sanitário e automação, gerenciamento de resíduos e inventário de emissões de gases de efeito estufa (GEE). A programação terá transmissão pelo canal da Embasa no YouTube (@embasaoficial).
Extremos climáticos
Causado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical, o El Niño altera padrões de vento e chuva em escala global. Na Bahia, os principais efeitos esperados são temperaturas mais elevadas e estiagens prolongadas.
“A possibilidade de um super El Niño tende a reduzir a disponibilidade hídrica, aumentar o consumo da população e pressionar os sistemas de abastecimento. Além disso, a diminuição do volume dos mananciais pode comprometer a qualidade da água, exigindo monitoramento mais rigoroso e tratamentos mais complexos”, explica o gerente de Sustentabilidade da Embasa, Fabrício Tourinho.
Segundo ele, diante das mudanças climáticas e dos eventos hidrológicos cada vez mais extremos, a companhia tem ampliado as ações voltadas à gestão dos mananciais utilizados para o abastecimento humano. Atualmente, a estratégia de segurança hídrica da Embasa reúne investimentos de cerca de R$ 23 milhões em monitoramento e gestão de recursos hídricos.
Antecipação de impactos
Entre as iniciativas em andamento está a modelagem hidrodinâmica dos reservatórios de Pedra do Cavalo e Joanes II, responsáveis pelo abastecimento de parte da Região Metropolitana de Salvador. O projeto, com investimento de aproximadamente R$ 790 mil, é resultado de cooperação técnica entre a Embasa, o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) e a Agência Brasileira de Cooperação (ABC/MRE).
A tecnologia utiliza simulações computacionais para representar o comportamento da água em diferentes cenários climáticos e ambientais, permitindo antecipar impactos de eventos como chuvas intensas, episódios de poluição, estiagens e proliferação de algas. O estudo resultará em um modelo matemático capaz de apoiar decisões operacionais e prever alterações na qualidade da água. Os trabalhos encontram-se em fase final de desenvolvimento, com treinamento de equipes previsto ainda para este mês.
Ações semelhantes estão sendo realizadas nos reservatórios de Pedras Altas (em Capim Grosso), Aracatu e Floresta Azul, com investimento de R$ 140 mil. O estudo avalia a qualidade da água e dos sedimentos, identifica fatores relacionados à eutrofização e propõe medidas de prevenção e controle. Juntos, os três reservatórios abastecem aproximadamente 350 mil pessoas.
Para o diretor de Sustentabilidade e Tecnologia da Embasa, Jazon Junior, a integração entre planejamento, sustentabilidade e operação fortalece a gestão hídrica diante dos desafios ambientais e climáticos.
“Nossa expectativa é consolidar uma cultura de decisão baseada em dados e evidências, assegurando o abastecimento em quantidade e qualidade para as populações atendidas pela Embasa”, ressalta.
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