Cidade
Unidade de beneficiamento fortalece pesca e mariscagem no Subúrbio Ferroviário
A inauguração da Unidade de Beneficiamento de Pescados, nesta segunda-feira (29), marcou uma nova etapa no fortalecimento da atividade pesqueira e da mariscagem no Subúrbio Ferroviário de Salvador. Integrado ao projeto do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), o equipamento, com investimento superior a R$ 2,3 milhões, vai melhorar as condições de trabalho de marisqueiras e pescadores, agregar valor à produção, ampliar o acesso a mercados e contribuir para o aumento da renda das famílias que vivem da atividade.
Localizada no tradicional Porto das Sardinhas, a unidade — que beneficiará diretamente 300 famílias — conta com estrutura adequada para o processamento de pescados e mariscos. O espaço inclui sala de lavagem, câmaras de expedição e armazenamento, túnel de congelamento, salas de embalagem, cozimento, defumação, produção de embutidos e salga, além de vestiários, área de carga e descarga e setor administrativo. O entorno do equipamento também recebeu um moderno projeto de urbanização.
Durante a inauguração, o governador Jerônimo Rodrigues destacou que o investimento representa o reconhecimento da importância histórica, cultural e econômica da mariscagem na região. “O espaço foi estruturado para atender às normas da vigilância sanitária, garantindo mais qualidade para os trabalhadores e mais segurança para quem consome esses produtos. Além disso, toda a região está sendo urbanizada, com nova iluminação e valorização da área”, afirmou.
Para a marisqueira Joana Souza, que atua na região, a expectativa é de transformação na rotina de trabalho, com redução de dificuldades e ampliação das oportunidades de comercialização. “Trabalho como marisqueira há quase 40 anos, e essa unidade vai fazer toda a diferença para a gente. Antes trabalhávamos no relento; agora teremos um espaço adequado. A chegada do VLT também vai transformar a nossa rotina. É uma mudança muito importante para todos nós”, disse.
Vagões para transporte de mariscos
Além da implantação da unidade, o VLT contará com espaços específicos nos vagões destinados ao transporte e armazenamento de mariscos. A iniciativa busca oferecer mais segurança, higiene e praticidade no deslocamento dos trabalhadores, facilitando o transporte da produção e contribuindo para melhores condições de trabalho.
“O projeto incorporou soluções construídas a partir do diálogo com as comunidades locais, aliando mobilidade urbana, inclusão social e desenvolvimento econômico”, destacou o presidente da Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB), Eracy Lafuente.
Capacitação
Para atuar na unidade, as marisqueiras também participaram de capacitações voltadas ao aproveitamento de resíduos do pescado, como a transformação de escamas em artesanato. As ações incluíram ainda apoio à organização das trabalhadoras das regiões de São João do Cabrito e Plataforma, além de treinamentos em boas práticas de manipulação de alimentos. A iniciativa resulta de parceria entre o Governo do Estado, por meio da CTB, o Consórcio Expresso Mobilidade, o Instituto ORI e o chef de cozinha Fabrício Lemos.
Em 2025, as ações de apoio às comunidades pesqueiras na área de abrangência do VLT envolveram sete formações voltadas à produção de petiscos do mar, artesanato marinho, boas práticas de manipulação de pescados e organização socioprodutiva nas comunidades da Gamboa de Baixo, Plataforma e Paripe, reunindo mais de 100 marisqueiras e pescadores do Subúrbio de Salvador.
Cidade
Mais de 6 mil crianças aguardam vaga em creches e escolas municipais de Salvador, aponta documento da Prefeitura
Dados da Secretaria Municipal de Educação revelam que 4,5 mil crianças estão na fila sem sequer ter uma unidade de referência definida pela rede municipal
Em Salvador, uma fila que afeta a vida de milhares de famílias não para de crescer. Documento oficial da própria Prefeitura de Salvador confirma que a capital baiana possui atualmente 6.096 crianças aguardando vagas em creches e escolas de educação infantil da rede municipal. Os dados são do Sistema de Matrículas da Secretaria Municipal de Educação (Smed), atualizados até 12 de agosto.
O cenário é ainda mais preocupante do que os números gerais sugerem. Das 6.096 crianças que aguardam matrícula, 4.502 não possuem sequer uma escola ou creche de referência definida pela Prefeitura. Na prática, quase 75% da fila de espera é composta por crianças para as quais a rede municipal ainda não apresentou uma solução de atendimento.
O drama enfrentado pelas famílias se repete em diferentes regiões da cidade. Em Barragem de Ipitanga, a Escola Municipal Coração de Maria registra 87 crianças na fila de espera. No Cassange, a Creche e Pré-Escola Primeiro Passo concentra 69 crianças aguardando vaga, sendo 53 apenas no Grupo 2, destinado a crianças de 2 anos.
A demanda reprimida também é expressiva em outros bairros da capital baiana, como Águas Claras (83 crianças), Bonfim (64), Plataforma (60), Engenho Velho de Brotas (56) e Nova Brasília (55), entre outros.
A existência de milhares de crianças sem matrícula em creches e escolas municipais evidencia os desafios enfrentados pela educação infantil em Salvador. O aumento da fila ocorre mesmo após a implementação do programa Pé na Escola, criado durante a gestão do ex-prefeito ACM Neto e posteriormente ampliado pelo atual prefeito Bruno Reis.
O programa, que prevê o encaminhamento de estudantes da rede municipal para instituições particulares, é alvo de investigação do Ministério Público da Bahia (MP-BA) e do Ministério Público Federal (MPF). As apurações envolvem suspeitas de superfaturamento e questionamentos sobre uma possível transferência gradual de responsabilidades da educação pública para a iniciativa privada.
Denúncias encaminhadas ao Ministério Público apontam ainda que o fechamento da Escola Municipal Paulo Mendes de Aguiar teria ocorrido após estudantes da região serem direcionados para escolas particulares, ao mesmo tempo em que unidades da rede pública municipal estariam sendo desativadas.
Cidade
Estado inicia entrega de cestas básicas para famílias afetadas por contaminação em São Tomé de Paripe
Mais de 2 mil famílias serão beneficiadas pela ação emergencial do Governo da Bahia após suspensão da pesca e da mariscagem na região
O Governo da Bahia iniciou, na terça-feira (4), a entrega de cestas básicas para famílias afetadas pelo desastre tecnológico ambiental registrado em São Tomé de Paripe, no Subúrbio Ferroviário de Salvador. A ação é coordenada pela Superintendência de Proteção e Defesa Civil (Sudec) e pelo programa Bahia Sem Fome, com apoio do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia (CBMB).
A medida faz parte do conjunto de ações adotadas pelo Estado desde a identificação da contaminação da área, em fevereiro deste ano, com o objetivo de reduzir os impactos sociais provocados pela paralisação das atividades de pesca e mariscagem, principais fontes de renda de muitas famílias da região.
De acordo com a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil, a coordenação da resposta ao desastre cabe ao Sistema Municipal de Proteção e Defesa Civil, enquanto o Estado atua oferecendo suporte técnico, operacional e institucional às ações de atendimento à população afetada.
A distribuição dos alimentos começou nesta terça-feira e será realizada em quatro etapas, com atividades programadas até sexta-feira (7). Ao todo, mais de 2 mil famílias que vivem no entorno de São Tomé de Paripe serão contempladas pela iniciativa emergencial.
A ação é executada por meio do programa Bahia Sem Fome, política pública voltada à promoção da segurança alimentar e nutricional, em articulação com a Sudec e demais órgãos envolvidos na resposta à emergência ambiental.
Medidas adotadas pelo Estado
Desde a identificação da contaminação, o Governo da Bahia vem implementando uma série de medidas para contenção dos impactos ambientais e sociais da ocorrência.
Entre as ações já realizadas estão:
- Inspeções técnicas conduzidas pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema);
- Instalação de placas de advertência na área afetada;
- Interdição temporária do Terminal Itapuã;
- Aplicação de multa de R$ 50 milhões à empresa Gerdau Aços Longos S.A.;
- Aplicação de multa de R$ 20 milhões à Intermarítima, responsável pelo Terminal Itapuã;
Participação na Sala de Situação coordenada pelo Ministério Público da Bahia, com a atuação integrada de órgãos federais, estaduais e municipais, além de representantes das comunidades atingidas.
Segundo o governo estadual, a entrega das cestas básicas busca garantir apoio imediato às famílias impactadas pela suspensão das atividades pesqueiras e pela restrição à comercialização de produtos provenientes da área contaminada, enquanto seguem as ações de monitoramento e recuperação ambiental da região.
Cidade
Apartamentos sem garagem ganham espaço em Salvador e podem custar até R$ 60 mil menos
Mudança no perfil dos compradores e novas opções de mobilidade fazem consumidores priorizarem localização e preço na hora de adquirir o primeiro imóvel
A vaga de garagem, tradicionalmente vista como um item indispensável na compra de um apartamento, vem perdendo importância para parte dos consumidores de Salvador. Em empreendimentos voltados ao público econômico, imóveis sem garagem podem custar até R$ 60 mil a menos, fator que tem influenciado diretamente a decisão de compra de famílias mais sensíveis ao valor do financiamento e às condições de acesso à casa própria.
A mudança já é observada pela MRV, construtora com quase duas décadas de atuação na Bahia. Em lançamentos recentes na capital baiana, o interesse por unidades sem vaga de garagem tem crescido de forma significativa.
Um exemplo é o Residencial Bela Vista, localizado em Pernambués, que chegou ao mercado com um número reduzido de unidades com garagem e registrou rápida velocidade de vendas. Situação semelhante foi registrada no Golf Riviera, em Jardim Cajazeiras, lançado no fim de 2025.
Segundo a construtora, a procura por apartamentos sem vaga é mais expressiva entre famílias com renda mensal de até R$ 8 mil. Acima dessa faixa, os compradores ainda tendem a priorizar imóveis que ofereçam estacionamento.
O comportamento revela uma mudança nas prioridades de quem busca o primeiro imóvel, especialmente entre consumidores que não possuem veículo próprio ou que deixaram de considerar o carro uma necessidade imediata.
“Para uma parcela importante do público econômico, a vaga representa um custo adicional no apartamento. Quando conseguimos oferecer uma unidade até R$ 60 mil mais barata, ampliamos as possibilidades de acesso ao crédito imobiliário e à casa própria. Muitas vezes, estamos falando de uma família que antes não conseguia avançar na compra por causa do valor final do imóvel”, afirma Leandro Pinho, gestor comercial da MRV na Bahia.
Mobilidade influencia escolhas
A expansão das alternativas de mobilidade urbana, como os aplicativos de transporte, o metrô e o sistema BRT, também contribui para a mudança no comportamento dos consumidores.
Nesse cenário, a proximidade com estações de transporte público, centros comerciais, serviços e polos de emprego passou a disputar espaço com a vaga de garagem entre os principais critérios considerados na escolha de um imóvel.
A tendência tem influenciado inclusive a estratégia de desenvolvimento de novos empreendimentos, direcionando a busca por terrenos em áreas com melhor infraestrutura urbana e maior oferta de transporte coletivo.
“Estamos conseguindo levar o público econômico para regiões onde, historicamente, havia menos oportunidades de compra para esse perfil. A proximidade com o trabalho, os serviços e o transporte pode reduzir o tempo e o custo dos deslocamentos diários. A discussão sobre as vagas precisa considerar essa transformação na forma como as pessoas vivem e se movimentam pela cidade”, destaca Renata Bandarra, gestora de Desenvolvimento Imobiliário da MRV na Bahia.
Tendência nacional
De acordo com a construtora, o fenômeno acompanha uma transformação já observada em outras grandes cidades brasileiras, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre, onde diferenças de renda, novas formas de deslocamento e mudanças nos hábitos de consumo têm reduzido a importância da vaga de garagem para determinados perfis de compradores.
A tendência reforça a busca por imóveis mais acessíveis e melhor localizados, refletindo uma nova lógica de ocupação urbana em que praticidade, mobilidade e custo-benefício ganham cada vez mais relevância na decisão de compra.
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