Justiça
Caravana de Direitos Humanos promove inclusão e oferece serviços para PCDs
Esta é uma oportunidade de cidadãos e cidadãs resolverem questões como a emissão de documentos, dentre outros atendimentos
Abrindo o Setembro Verde, a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH) promove, nesta sexta (5) e sábado (6), em Salvador, mais uma edição da Caravana de Direitos Humanos, desta vez voltada para as pessoas com deficiência.
A Caravana é uma oportunidade de cidadãos e cidadãs resolverem questões como a emissão de documentos, dentre outros atendimentos. “Serviço público não é favor. É direito”, resume o secretário de Justiça e Direitos Humanos, Felipe Freitas. “As pessoas com deficiência têm direitos e é obrigação do Estado garanti-los, promovendo sua cidadania e de suas famílias”.
O secretário ressaltou que pensar políticas para as pessoas com deficiência é também pensar políticas para os familiares, impactados com a missão de cuidar e que precisam do apoio do Estado para exercer também os seus os seus direitos. Freitas destacou ainda a importância da realização do Setembro Verde, dedicado à conscientização sobre a inclusão social das pessoas com deficiência.
Essa é a 18º edição da Caravana dos Direitos Humanos—iniciativa que já realizou mais de 20 mil atendimentos em toda a Bahia— e a segunda voltada para o público PCD. A iniciativa está sendo realizada na sede do Centro Estadual de Prevenção e Reabilitação da Pessoa com Deficiência (Cepred), na Avenida ACM, das 9h às 16 horas.
Mais de 20 serviços
Nesta edição, alguns dos serviços oferecidos pela Caravana são específicos para pessoas com deficiência, como a inscrição no Cadastro de Identificação de Pessoas com Transtorno do Espectro Autista- CIPTEA e a emissão do passe livre municipal e intermunicipal — direito já acessível a mais de 65 mil cidadãos com algum tipo de deficiência.
Mas, como explica Marcelo Zig, superintendente dos Direitos da Pessoa com Deficiência da SJDH, a vida desse contingente da população vai muito além de questões médicas ou específicas de sua condição. É por isso que é importante contar com os mais de 20 atendimentos diferentes disponíveis durante a Caravana de Direitos Humanos, como orientação jurídica oferecida pela Defensoria Pública, exame de DNA gratuito para comprovação de vínculo genético, reconhecimento espontâneo de paternidade, emissão de documentos de registro civil, como 2ª via de certidões e Carteira de Identidade Nacional.
“Pra mim facilita muito resolver várias coisas no mesmo lugar”, reconhece Rosa Lima dos Santos, moradora de Pirajá. Desempregada e responsável pelo cuidado do filho de 11 anos, que é uma pessoa autista, Rosa aproveitou a centralização da oferta de tantos serviços públicos promovida pela Caravana na manhã desta sexta. Além de solicitar o passe livre nos transportes, ela finalmente viu a possiblidade de assegurar a inscrição do filho no CIPTEA.
A parceria com a Secretaria de Saúde do Estado também colocou permitiu ao público serviços como vacinação, atendimentos odontológicos e nutricionais.
Bahia na ponta
O compromisso do Governo do Estado com as políticas de promoção da cidadania e do bem-estar das pessoas com deficiência tem sido um destaque nacional. A Bahia tem sido pioneiro na implementação de ações e projetos voltados para essa parcela da população, como o piloto do Sistema Nacional de Avaliação Biopsicossocial e a criação da Central de Atendimento.
Zig destaca a importância da abordagem transversal das políticas para esse grupo populacional. A Superintendência dos Direitos da Pessoa com Deficiência conta, por exemplo, com uma Divisão de Enfrentamento ao Capacitismo. “É preciso educar a sociedade para que ela entenda que uma pessoa com deficiência é muito mais do que sua deficiência”.
Justiça
Governo da Bahia inaugura novo Casarão do Corra Pro Abraço no Pelourinho
O Governo da Bahia, por meio da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social (Seades), inaugura nesta terça-feira (2), a partir das 10h, no Pelourinho, Centro Histórico de Salvador, o Casarão Corra Pro Abraço. A iniciativa é executada em parceria com a CIPÓ – Comunicação Interativa.
Celebrando um novo marco em sua trajetória de cuidado e redução de danos, o novo espaço do programa, situado na Rua do Saldanha, foi planejado para fortalecer as ações e a garantia de direitos de jovens e de pessoas em situação de rua e em extrema vulnerabilidade.
Impacto social e estrutura
A nova sede conta com salas de atendimento e acolhimento, reuniões, auditório e espaços para atividades multiuso, visando oferecer uma atuação ainda mais humanizada e eficiente. Além do suporte psicossocial já realizado, a estrutura ampliada permitirá a expansão de oficinas e o acesso a serviços básicos.
A cerimônia oficial no Casarão contará com depoimentos de jovens assistidos — representando os núcleos de Rua e Juventude —, integrantes da coordenação do programa e autoridades, além de atividades culturais.
Atuação
O Corra Pelourinho atua há pouco mais de um ano no território do Centro Histórico, realizando atendimentos e oferecendo aos jovens oficinas de linguagens como fotografia, desenvolvimento psicológico e social e redução de danos. Para a população em situação de rua, são promovidas atividades de arte-educação em locais como Praça das Mãozinhas, Barroquinha, Baixa dos Sapateiros e Praça da Piedade, entre outras áreas do centro antigo de Salvador.
Em números, o Corra Pelourinho já realizou aproximadamente 6 mil atendimentos e mais de 900 encaminhamentos.
Bahia pela Paz
A ação integra o programa estratégico Bahia pela Paz, iniciativa do Governo do Estado em parceria com o sistema de Justiça, voltada à prevenção e redução da violência letal. O foco é atender crianças, adolescentes e jovens em situação de alta vulnerabilidade social, além de suas famílias.
O programa é fundamentado em uma perspectiva ampliada de segurança pública, que articula políticas sociais, promoção da cidadania, garantia de direitos e atuação qualificada das forças policiais.
Serviço
- O quê: Inauguração do Casarão do Corra Pro Abraço no Pelourinho
- Quando: 2 de junho de 2026 (terça-feira), às 10h
- Onde: Rua do Saldanha, 35, Pelourinho (esquina com a Rua do Tijolo, próximo ao Casarão da Diversidade)
Justiça
Justiça condena emissora por reportagem equivocada e garante indenização a morador
Decisão foi mantida pelo TJ-CE e pelo STJ; caso reforça responsabilidade da imprensa na veracidade das informações
Em 2018, o empresário Eduardo Palhano teve sua imagem vinculada a um crime que não cometeu em reportagem exibida pela TV Cidade, no programa “Cidade 190”. Após a veiculação, ele ingressou com a ação judicial nº 0167227-43.20118.8.06.0001. Sete anos depois, obteve decisão favorável, com a condenação da emissora ao pagamento de indenização pelos danos causados.
Na sentença, o juiz Zanilton Batista de Medeiros, da 39ª Vara Cível de Fortaleza, destacou a responsabilidade da emissora pela ausência de verificação dos fatos. “Não tendo a promovida (TV Cidade) diligenciado no sentido de averiguar a veracidade dos fatos noticiados ou a efetiva participação do autor, configura-se o ato ilícito por omissão”, afirmou.
A condenação foi mantida integralmente pelo Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJ-CE) e também pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), consolidando o entendimento sobre a responsabilização do veículo de comunicação.
De acordo com os autos, a liberdade de imprensa deve ser exercida com responsabilidade e compromisso com a verdade. Trecho da sentença ressalta que, embora o direito à informação esteja assegurado pela Constituição, cabe aos veículos garantir a veracidade das notícias, especialmente quando envolvem acusações criminais, devido ao impacto na vida e na reputação das pessoas.
O TJ-CE reforçou que a divulgação de imagem sem autorização, associada a conteúdo criminoso e acompanhada de termos ofensivos, configura dano moral indenizável. No caso, expressões como “alma sebosa”, “bandido”, “vagabundo” e “falsário” foram utilizadas durante a reportagem, agravando os danos à imagem de Eduardo Palhano.
O advogado do autor, Alex Curvello, afirmou que seu cliente foi vítima em duas situações: inicialmente por uma tentativa de golpe e, posteriormente, pela divulgação indevida das informações. “Os veículos de comunicação devem compreender que qualquer cenário apresentado em uma reportagem influencia o julgamento do telespectador. A Constituição garante a liberdade de imprensa, mas também estabelece limites para proteger os direitos individuais”, destacou.
Sobre o pagamento da indenização, o advogado informou que há divergência entre os cálculos apresentados pelas partes. Em abril de 2026, o Núcleo de Justiça 4.0 – Cumprimento de Sentença Cível do TJ-CE determinou o bloqueio de contas bancárias da emissora no valor incontroverso de R$ 38.487,45. O caso segue em fase de cumprimento de sentença.
Procurada, a TV Cidade não teve posicionamento divulgado até o momento.
O caso reforça o entendimento jurídico de que o direito à informação e à livre manifestação do pensamento não possui caráter absoluto, devendo respeitar garantias fundamentais, como a dignidade da pessoa humana e o direito à imagem. Especialistas apontam que a veracidade dos fatos e o interesse público devem nortear a atuação dos meios de comunicação, evitando a disseminação de informações falsas.
Justiça
Justiça condena executores de Mãe Bernadete e Governo da Bahia reforça compromisso com direitos humanos
Decisão do Tribunal do Júri marca avanço no combate à violência contra lideranças quilombolas e defensores de direitos humanos no estado
O Governo da Bahia acompanhou, nesta terça-feira (14), a decisão do Tribunal do Júri que condenou os executores da líder quilombola Maria Bernadete Pacífico. Os réus receberam penas a serem cumpridas em regime fechado, com manutenção da prisão preventiva. A condenação é resultado de um trabalho integrado de investigação e inteligência conduzido pela Secretaria da Segurança Pública (SSP). Concluído no último mês de novembro pela Polícia Civil, o inquérito reuniu provas técnicas que embasaram a responsabilização penal dos envolvidos.
O desfecho do julgamento reafirma o compromisso do Estado no enfrentamento à violência contra defensores de direitos humanos e comunidades tradicionais. Arielson da Conceição Santos foi condenado a 40 anos, 5 meses e 22 dias de reclusão, somando as penas pelos crimes de homicídio qualificado e roubo. Já Marílio dos Santos, conhecido como “Maquinista”, recebeu pena de 29 anos e 9 meses por homicídio qualificado e segue foragido.
Para o secretário de Justiça e Direitos Humanos (SJDH), Felipe Freitas, o veredito representa uma resposta firme contra a impunidade e fortalece o Estado Democrático de Direito. “A justiça foi feita com base em um conjunto probatório consistente, resultado de um trabalho articulado das instituições. É uma resposta clara em defesa da vida e dos direitos humanos”, afirmou.
Atuação estratégica e proteção
Desde o crime, o Governo do Estado atua de forma contínua no acompanhamento do caso. Por meio do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas (PPDDH), a SJDH mantém monitoramento permanente e articulação institucional para garantir proteção e suporte às lideranças ameaçadas.
Em cooperação com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e com a organização executora do programa, a atuação envolve assistência às famílias, diálogo com o sistema de justiça e adoção de medidas protetivas baseadas em análises de risco. O programa também fortalece a atuação das comunidades tradicionais, ampliando a presença do Estado nos territórios.
Reparação e memória
O Governo da Bahia, por meio da SJDH e da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), efetivou a reparação extrajudicial aos herdeiros de Mãe Bernadete. O acordo administrativo, de caráter inédito, evitou o desgaste de um processo judicial prolongado e reafirmou a responsabilidade estatal no amparo aos familiares da líder quilombola.
Como desdobramento dessa política de memória, será realizado no próximo domingo (19) o Ato em Memória de Mãe Bernadete, no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho. A iniciativa integra as medidas pactuadas no termo de reparação e reafirma o compromisso do Estado com a dignidade, a memória e a preservação da história das comunidades quilombolas.
Legado e compromisso
Liderança do Quilombo Pitanga dos Palmares, Maria Bernadete Pacífico tornou-se símbolo da luta pelo território, pela dignidade e pelos direitos dos povos quilombolas. Sua morte impulsionou o fortalecimento das políticas públicas de proteção no estado. Com a condenação dos executores, o Governo da Bahia reforça o compromisso no combate à violência e à impunidade, aliado à promoção e à defesa dos direitos humanos.
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