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Cultura

Isé Session promove encontro com novos talentos baianos

Os ingressos podem ser adquiridos pelo Sympla

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A Isé - Música Criativa vai promover nesta sexta-feira (07), às 21h, no Largo da Tieta, no Pelourinho, a primeira edição do 'Isé Session', que vai definir sessões de músicas potentes com os principais nomes da música criativa.
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A Isé – Música Criativa vai promover nesta sexta-feira (07), às 21h, no Largo da Tieta, no Pelourinho, a primeira edição do ‘Isé Session’, que vai definir sessões de músicas potentes com os principais nomes da música criativa. Os ingressos para o evento podem ser adquiridos pelo Sympla.

A primeira sessão terá atrações como a Rachel, que começou a sua trajetória ainda em 2016 cantando em barzinhos e eventos da sua cidade natal. Em 2021 lançou o EP Encosta, que já acumula mais de meio milhão de plays só no Spotify e a faixa bônus “Maresia” já soma mais de 450 mil plays na mesma plataforma.

Também contará com Melly, que já tem mais de 300 composições em português e inglês. Em 2021, ela lançou o EP Azul que mescla toques de R&B, Blues e Neo Soul com a sonoridade baiana, como o próprio samba-reggae e mais recentemente participou junto com o duo paulista Deekapz no Afropunk Bahia.

A presença de Nêssa também está confirmada. Ela recentemente lançou o videoclipe “Senta Malvada, e é considerada a nova onda do momento na música pop e contemporânea da Bahia. Já foi finalista do concurso Skol Pagodão e, no Spotify, conquistou a marca de 1 milhão de plays com a faixa “Aquele Swing”, parceria com ÀTTØØXXÁ e Yan Cloud. Ao todo, acumula mais de 3 milhões de plays na plataforma.

O evento também terá a Cronista do Morro, uma das principais promessas do cenário do hip hop soteropolitano, e que, recentemente participou junto com o duo paulista Deekapz no Afropunk Bahia e em 2021 lançou dois singles em parceria com Nêssa.

O valor dos ingressos do Isé Session de 1º lote está a R$25 (meia) e R$50 (inteira). Para mais informações basta acessar o perfil do Instagram @isemusicacriativa.

 

Pedra de Toque

Lembranças eternas de uma mente sem brilho II

Lá pelas nove da noite, eu sintonizava a rádio Piatã FM para ouvir a seleção de forró de duplo sentido

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Durval Lélys emplacou nas rádios a música "Gabriela". Me pareceu um caso de homenagem espúria, motivada pelo sentimento de vingança
Foto: Reprodução

Marcus Borgón – Escritor

Se não me engano, foi no final dos 80 que Durval Lélys emplacou nas rádios a música “Gabriela”. Me pareceu um caso de homenagem espúria, motivada pelo sentimento de vingança. O vocalista do Asa de Águia, após levar um fora, pegou o violão num lamento e a manhã nasceu… cinzenta! Pura especulação. É sabido que boas intenções não salvam ninguém do inferno. Manifestações e práticas equivocadas, sim, garantem vaga junto ao tinhoso. Ou, neste caso, um lugarzinho no inferno particular da homenageada. O intuito pode ter sido dos melhores, mas a qualidade do produto não o alcançou em estatura. Não sei dizer se a tal Gabriela ficou lisonjeada. Presumo que não. Deve ter agradecido aos pais por ter um nome comum, e assim poder ver diluída a infâmia entre as milhares de gabrielas soteropolitanas.

*

Final dos 80. Desde abril, a Piatã FM começava a fazer uma seleção bacana de forró de duplo sentido. Toda noite rolava. Sandro Becker, Zé Duarte, Zenilton. Dizem que o Gonzagão detestava. Só salvava o Genival da execração. Eu adorava. Lá pelas nove da noite, eu sintonizava a rádio no meu walkman paraguaio. Broksonic preto, quase todo mundo tinha um igual.

Velho Lua nem imaginava o processo de pasteurização que ocorreria com o forró. Se ainda estivesse vivo, certamente faria campanha pela volta do duplo sentido (ainda que lhe custasse enfrentar o implacável tribunal das redes sociais). E deixaria a tanga voar…

*

O primeiro fora que levei, foi por preferir Pac-Man a River Raid. Ela achava imperdoável. Eu tentei argumentar que era craque no Enduro. Não adiantou nada. Anos mais tarde a reencontrei. Linda. Estava com pressa, iria ao show de Bruno e Marrone. Ela perguntou o que eu andava fazendo. “Assoprando uns cartuchos por aí, mas nem sempre funciona. Às vezes pega, às vezes chuvisca”. Ela disse que sentia saudade “das tardes de joystick na mão”. Não deu tempo de perguntar se ela ainda lembrava da chave “select/reset”. O videogame dela era Odissey, e nessa marca Pac-Man tinha outro nome.

Marcus Borgón colaborou com a revista de cultura
e literatura Verbo21. Publicou textos em jornais,
sites especializados em literatura, e coletâneas de contos.
É autor da novela ‘O Pênalti Perdido’ (P55 edições, 2016).

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Clássicos da Sétima Arte

Pânico (2022)

O retorno de Ghostface é pura metalinguagem e o nosso crítico Leonardo Campos trouxe uma análise para você. Confira!

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aqueles que conhecem a franquia ou possuem o mínimo de conhecimento cinematográfico contemporâneo: quando lançado em 1996, Pânico
Fotos: Divulgação

Leonardo Campos

Já sabemos, ao menos aqueles que conhecem a franquia ou possuem o mínimo de conhecimento cinematográfico contemporâneo: quando lançado em 1996, Pânico foi um estrondo, fenomenal ao ganhar a crítica e o público aos poucos. O subgênero slasher que na época, passava por um período de decadência, tendo em O Mistério de Candyman e O Novo Pesadelo: O Retorno de Freddy Krueger (também de Wes Craven), dois dos raros bons momentos do Slasher Tardio (etapa de continuações frias, posteriores ao advento do boom slasher dos anos 1980. O roteirista Kevin Williamson, um profundo e confesso admirador Halloween: A Noite do Terror, conseguiu que seu texto chegasse ao criador de Freddy Krueger e um novo ícone do terror se estabeleceu: Ghostface. Assim começou uma rentável história. Pânico foi sagaz, diferenciado da maioria dos filmes deste segmento, numerosas referências típicas da cultura pop de sua década, com uma já clássica passagem de abertura com Drew Barrymore a responder questionamentos sobre Sexta-Feira 13, Halloween, A Hora do Pesadelo, dentre outros, um prazeroso feixe de diálogos que reverenciavam os fãs de filmes do tipo, geralmente destratados pela crítica especializada, quase sempre a considerá-los “cinema menor”.

Interessante observar que a metalinguagem, nesta época, já tinha sido discutida no âmbito slasher não apenas no empolgante retorno de Freddy Krueger e suas reflexões sobre o filme dentro dos filmes e o impacto do cinema na sociedade, mas também no mediano Popcorn: O Pesadelo Está de Volta, de 1991, uma narrativa divertida e inteligente, mas sem a execução estilosa de alguém do calibre de Wes Craven. A trama apresentava ao público um grupo de personagens inseridos num cinema que decide exibir filmes para um festival de horror, organizado por jovens estudantes de cinema que aos poucos, se tornam vítimas de um assassino impiedoso, influenciado por obscuros segredos do passado. Wes e Kevin, uma dupla que podemos chamar de dinâmica, alguns anos depois, retomaram com uma proposta metalinguística com um tom mais audacioso. Como resultado, entregaram um espetacular filme de horror com diálogos inteligentes, muitas referências e desempenhos dramáticos muito acima do que geralmente tínhamos no subgênero slasher.

Parte deste sucesso também se deu por conta do trio protagonista, composto por Sidney Prescott Neve Campbell, Gale Weathers e Dewey Riley, interpretados por Neve Campbell, Courtney Cox e David Arquette, respectivamente, personagens que estão de volta na trama de 2022, grandes responsáveis pela coerência, coesão e respeitabilidade do renascimento da onda de crimes sangrentos em Woodsboro. Sem o trio, creio, este novo Pânico seria apenas mais um bom filme de terror com ressonâncias do legado da franquia, não excelente como acabou se apresentando. Agora, caro leitor, depois deste breve, mas acredito, elucidativo panorama, sigamos com o retorno de Ghostface em 2022.

aqueles que conhecem a franquia ou possuem o mínimo de conhecimento cinematográfico contemporâneo: quando lançado em 1996, Pânico

Logo em sua já esperada cena de abertura, Tara Carpenter (Jenna Ortega) é a primeira vítima do psicopata. Ela atende ao chamado pelo telefone, mas percebe que as suas chances de sobreviver são remotas, pois desconhece as regras dos filmes questionados, afinal, a sua preferência é por narrativas como os superestimados A Bruxa, Hereditário, dentre outros, filmes que compõem a linha do que um determinado feixe de crítica contemporânea chama de pós-horror. Sua sobrevivência é incerta, afinal, o padrão é que as primeiras mortes sejam o aviso para o que pode vir em direção aos demais personagens. É uma passagem forte, violenta, talvez o ataque mais insano de todas as aberturas da franquia, ao menos no quesito deterioração do corpo alheio.

Os envolvidos no projeto, no entanto, preparam o público para uma surpresa. A jovem não morreu. Bastante debilitada, mas internada no hospital, o seu grupo de amigos logo arruma um jeito de avisar para a sua irmã, Sam Carpenter (Melissa Barrera), sobre o impiedoso ataque e, em seu deslocamento para Woodsboro. Pronto: o palco de tragédias está montado e a tenebrosa montanha-russa de emoções começa a ter os seus trilhos a se movimentar. Em sua estrutura inteligente, dinâmica, mordaz e ousada, a narrativa nos apresenta ao novo grupo de possíveis vítimas: Richie (Jack Quaid), Wes (Dylan Minnette), Mindy (Jasmin Savoy), Liv (Sonia Ammar), Amber (Mikey Madison) e Chad (Mason Gooding). Um deles (ou mais) pode ser o novo mascarado. Nós saberemos, ao passo que a trilha de corpos é estabelecida.

aqueles que conhecem a franquia ou possuem o mínimo de conhecimento cinematográfico contemporâneo: quando lançado em 1996, Pânico

Assim, aqueles que morrem deixam de habitar a lista de suspeitos para se direcionarem ao necrotério, alvos dos já mencionados ataques impiedosos do assassino, assertivos graças aos efeitos de maquiagem supervisionados pelo eficiente Jeff Goodwin. Um deles, Vince (Kyle Gallner), um stalker valentão e perseguidor de uma das jovens do tal grupo, também figura como um potencial suspeito, mas ao passo que a narrativa deslancha, por seu vínculo com alguém da memória trágica de Woodsboro, logo pode deixar a mencionada lista de possível algoz para fazer parte da coleção de vidas ceifadas pelo psicopata. Como habitual, muitas reviravoltas conduzem o roteiro, tudo em prol do último ato, momento que atinge um nível elevado de insanidade (e qualidade), um dos melhores de toda a franquia com finais sempre ótimos.

Depois dos primeiros ataques, com a sensação de insegurança no auge, Sam procura Dewey e clama por um mentor. Isolado num trailer e ainda entristecido após a separação com Gale, o ex-policial da cidade faz o mesmo que Laurie Strode no começo de Halloween (2018): se nega diante do pedido de ajuda dos jovens, mas não demora, abre mão e decide ser um colaborador. Ele contata Sidney e manda mensagens de texto para a ex-esposa. Assustada e angustiada, a final girl logo aparece em Woodsboro, pois conforme a sua justificativa para o retorno, não conseguirá dormir enquanto não aniquilar o novo mascarado. Gale, sempre conectada com seus interesses profissionais, midiática, mas contida, agora âncora de um programa televisivo novaiorquino, também retorna para a cobertura dos assassinatos, sem deixar de se preocupar, claro, com o policial, um homem por quem ainda nutre sentimentos.

aqueles que conhecem a franquia ou possuem o mínimo de conhecimento cinematográfico contemporâneo: quando lançado em 1996, Pânico

É com a chegada do trio que Pânico deixa de ser bom e se torna ótimo. Os veteranos exalam credibilidade ao tecido narrativo, pois nos conectam com o legado estabelecido por Wes Craven e Kevin Williamson em 1996, continuado em 1997, 1999 e 2011. Todos se propõem a travar uma intensa luta pela sobrevivência até o desfecho apoteótico, na mesma casa onde ocorreu o sangrento desfecho do primeiro filme, a residência de Stu, um dos psicopatas que ao lado de Billy Loomis, estabeleceu o horror em Woodsboro. O ex-namorado “monstro” de Sidney, por sinal, é uma figura que aqui ganha um retorno inesperado, por meio das alucinações de uma das personagens. Ele, cabe ressaltar, é parte sólida das motivações para o retorno dos crimes hediondos em Woodsboro. É o que o roteiro quer nos fazer acreditar. Será?

Judy (Marley Shelton), de Pânico 4, agora delegada, ressurge em alguns ótimos momentos da trama, com referências aos seus quadradinhos de limão, guloseimas que levava para Dewey no antecessor, alvo dos ciúmes da inquieta Gale Weathers. A proximidade estética e os demais aparatos de estruturação da narrativa, em especial, a montagem, conseguem se manter bastante próximos dos quatro filmes anteriores, acredito, por trazer de volta Marianne Maddalena, na posição de produtora executiva, cargo que divide com Kevin Williamson, membros que garantem uma nova versão para Pânico, ousada e irreverente, mas com ligações estéticas e dramáticas que estabelecem a devida correspondência com toda a franquia. Martin Bettinelli-Olpin e Tyler Gillet, na posição de diretores, conseguem, com talento esbanjado, dar conta da função que assumiram. Eles possuem como guia, o roteiro de James Vanderbilt e Guy Busick, dramaturgos inspirados nos personagens e argumentos de Kevin Williamson.

Pânico traz uma nova equipe de realizadores, todos com suas próprias assinaturas, donos de um estilo peculiar, mas respeitosos com o legado audiovisual da franquia, também algo já mencionado. Na direção de fotografia de Brett Jutkiewicz, a grande diferença da vez é a estratégia de movimentação da câmera, com deslocamentos conseguem emular o sadismo e a ironia de Ghostface em seus movimentos atrevidos e sarcásticos. Para as mortes se tornarem mais impactantes, o design de som do Formosa Group faz questão de delinear cada golpe desferido diante dos ataques sangrentos. O compositor Brian Tyler também entrega um bom trabalho, mesmo que não alcance a coesão sonora de Marco Beltrami, produzindo um som mais genérico, parecido com muitos outros filmes de terror, com seus metais e instrumentos de sopro em justaposição para criação de sons estarrecedores, conforme os violentos ataques de Ghostface. No design de produção de Chad Keith gerencia uma direção de arte preocupada com peculiaridades e uma cenografia envidraçada, própria para o estabelecimento da sensação de insegurança dos personagens.

Por fim, é bem quase certo que diante da nova empreitada, uma nova safra de filmes se estabeleça dentro da franquia. Espero, no entanto, que continuem honrando o patrimônio que é legado de Wes Craven, não é mesmo, leitores?

Leonardo Campos é Graduado e Mestre em Letras pela UFBA.
Crítico de Cinema, pesquisador, docente da UNIFTC e do Colégio Augusto Comte.
Autor da Trilogia do Tempo Crítico, livros publicados entre 2015 e 2018,
focados em leitura e análise da mídia: “Madonna Múltipla”,
“Como e Por Que Sou Crítico de Cinema” e “Êxodos – Travessias Críticas”.

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Cultura

Morre poeta Thiago de Mello aos 95 anos

Ele ficou reconhecido com um dos grandes autores da literatura regional

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Morreu na madrugada desta sexta-feira (14) o jornalista e poeta amazonense Thiago de Mello aos 95 anos.
Foto: André Argolo/Divulgação

Morreu na madrugada desta sexta-feira (14) o jornalista e poeta amazonense Thiago de Mello aos 95 anos. Segundo seus familiares, ele morreu durante o sono. Thiago ficou reconhecido com um dos grandes autores da literatura regional e pela sua luta à preservação da Amazônia.

Ele alcançou fama internacional graças a poemas como o clássico Os Estatutos do Homem, escrito em abril de 1964, quando Thiago de Mello era adido cultural da embaixada do Brasil no Chile e amigo de Pablo Neruda. Nessa época de repressão militar, tornou-se famoso um verso seu, que dizia: “Faz escuro mas eu canto”. Retornou ao Brasil em 1978, quando seu nome já era conhecido internacionalmente por lutar pelos direitos humanos, ecologia e paz mundial.

Nascido em 1926 em Barreirinha, no Amazonas, ele sempre foi um defensor da natureza. Em 1981, Thiago de Mello publicou Mormaço na Floresta, no qual denunciava a destruição da mata da seguinte forma: “Enfim te descobrimos / Foi preciso que as águas mais azuis apodrecessem / que os pássaros parassem de cantar / que peixes fabulários se extinguissem / tua pele verde fosse aberta/ pelas garras de todas as ganâncias”.

O governador Wilson Lima e o prefeito de Manaus David Almeida, decretaram luto oficial de três dias pelo falecimento do poeta.

 

 

 

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