Eleições 2026
Eleitorado indígena e quilombola cresce e amplia representatividade no cadastro eleitoral
Atualização de dados autodeclaratórios impulsiona aumento de 84% entre indígenas e de 97% entre quilombolas, segundo estatísticas do TSE
As Eleições 2026 registram um avanço significativo na representatividade de eleitoras e eleitores indígenas e quilombolas no cadastro eleitoral brasileiro. Em comparação com as Eleições Municipais de 2024, os dois grupos apresentaram crescimento expressivo no número de pessoas aptas a votar, movimento que acompanha a ampliação gradual do preenchimento das informações autodeclaradas junto à Justiça Eleitoral.
Segundo as estatísticas eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o eleitorado indígena passou de 155.661 pessoas em 2024 para 287.157 em 2026. O aumento foi de 131.496 eleitoras e eleitores, o que representa crescimento de 84%.
Já o eleitor1ado quilombola praticamente dobrou no período. O total passou de 95.409 pessoas em 2024 para 188.371 em 2026, acréscimo de 92.962 eleitores e eleitoras, equivalente a uma alta de 97%.
Os dados biográficos sobre identidade de gênero, raça, etnia indígena, pertencimento a comunidades quilombolas ou tradicionais, língua falada exclusivamente ou concomitantemente ao português e indicação de ser intérprete da Língua Brasileira de Sinais (Libras) são autodeclaratórios. Essas informações começaram a ser coletadas pela Justiça Eleitoral em 8 de novembro de 2022.
Por isso, a qualificação do cadastro eleitoral ocorre de forma gradual e depende, em regra, da realização de uma nova operação eleitoral pela pessoa após a inclusão desses campos no sistema.
Eleitorado indígena
Entre as eleitoras e os eleitores indígenas, o maior crescimento absoluto ocorreu na Região Norte. O número de registros passou de 74.506 em 2024 para 136.978 em 2026. O acréscimo foi de 62.472 pessoas, alta de 83%, respondendo por quase metade do crescimento nacional desse segmento.
O Norte também concentra a maior parcela do eleitorado indígena em 2026, reunindo cerca de 47% do total nacional.
O Nordeste aparece em seguida. O contingente de eleitoras e eleitores indígenas passou de 35.440 para 71.346 pessoas, aumento de 35.906 registros, mais que o dobro do observado em 2024.
No Centro-Oeste, o eleitorado indígena cresceu de 25.404 para 40.804 pessoas, alta de 15.400 registros (60%). No Sudeste, o número passou de 9.790 para 20.251, acréscimo de 10.461 eleitores, crescimento proporcional de 107,2%. Já no Sul, o total subiu de 10.521 para 17.178 pessoas, aumento de 6.657 registros (63%).
O detalhamento por unidade da Federação mostra que o Amazonas registrou o maior crescimento absoluto do eleitorado indígena. O estado passou de 37.359 pessoas em 2024 para 73.580 em 2026, aumento de 36.221 eleitoras e eleitores.
Na sequência aparecem Pernambuco, com acréscimo de 19.431 pessoas; Roraima, com 11.530; Mato Grosso do Sul, com 7.134; Mato Grosso, com 6.974; e Pará, com 5.900.
Etnias
No recorte por etnia, os dados de 2026 permitem identificar os maiores contingentes de eleitoras e eleitores indígenas. Entre os grupos mais numerosos estão os Tikúna (19.062), Makuxí (14.935), Kokama (12.551), Xucuru (10.295), Kaingang (9.152), Xavante (9.014), Tenetehara (8.499), Mundurukú (7.839), Guarani Kaiowá (7.546) e Terena (6.720).
A distribuição regional desses grupos evidencia diferentes concentrações pelo país. No Norte, destacam-se Tikúna e Kokama, fortemente concentrados no Amazonas; Makuxí e Wapixana, em Roraima; Mundurukú, principalmente no Pará; além de Baré, Múra e Sateré-Mawé.
No Nordeste, sobressaem Xucuru, Atikum, Pankararú, Fulni-ô e Pankará, com forte presença em Pernambuco; Tenetehara, no Maranhão; Potiguara, na Paraíba; e Pataxó, na Bahia.
No Centro-Oeste, os maiores contingentes são os de Xavante, em Mato Grosso, e de Guarani Kaiowá e Terena, em Mato Grosso do Sul. No Sudeste, destacam-se Xacriabá e Maxakali, principalmente em Minas Gerais. Já no Sul, o maior contingente é o de Kaingang, concentrado sobretudo no Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina.
Eleitorado quilombola
Entre eleitoras e eleitores quilombolas, o Nordeste concentra o maior contingente e foi a região que mais contribuiu para o crescimento nacional.
O eleitorado quilombola nordestino passou de 51.633 pessoas em 2024 para 95.901 em 2026. O aumento foi de 44.268 registros, alta de 85%. A região reúne pouco mais da metade desse segmento do eleitorado brasileiro.
O Sudeste registrou o segundo maior crescimento absoluto e a maior alta proporcional entre as regiões. O número de eleitoras e eleitores quilombolas passou de 17.638 para 45.305, acréscimo de 27.667 pessoas.
No Norte, o total subiu de 17.895 para 32.853 registros, crescimento de 14.958 pessoas. No Centro-Oeste, passou de 6.084 para 10.169 eleitores, aumento de 4.085 registros. Já no Sul, o contingente foi de 2.159 para 3.891 pessoas, alta de 1.732 eleitores.
Entre os estados, Minas Gerais apresentou o maior crescimento absoluto do eleitorado quilombola. O total passou de 12.712 pessoas em 2024 para 31.487 em 2026, aumento de 18.775 registros.
Qualificação cadastral amplia retrato da diversidade
O crescimento dos eleitorados indígena e quilombola deve ser awnalisado à luz da ampliação do preenchimento dos dados biográficos no cadastro eleitoral. Como essas informações são autodeclaratórias e passaram a ser coletadas após as Eleições Gerais de 2022, o avanço observado entre 2024 e 2026 reflete não apenas a evolução quantitativa do eleitorado, mas também o processo contínuo de qualificação cadastral.
Com o preenchimento gradual desses dados, a Justiça Eleitoral passa a retratar com mais precisão a diversidade das pessoas aptas a votar no país e a composição dos diferentes grupos que integram o eleitorado brasileiro.
Eleições 2026
PGE-BA e Procon denunciam possíveis irregularidades no transporte durante eleições
Órgãos estaduais encaminharam relatórios e representações a autoridades para apuração de suposta redução da frota de ônibus no segundo turno e possível impacto no acesso dos eleitores aos locais de votação
A Procuradoria-Geral do Estado da Bahia (PGE-BA) e a Superintendência de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-BA) encaminharam às autoridades competentes denúncias e relatórios sobre possíveis irregularidades na oferta do transporte público em Salvador durante o segundo turno das eleições, realizado no último domingo (25).
As medidas foram adotadas após fiscalização do Procon-BA identificar 944 ônibus parados em nove garagens de empresas concessionárias, enquanto eleitores relatavam dificuldades para chegar aos locais de votação.
Nesta quarta-feira (28), a PGE-BA apresentou notícia-crime ao Ministério Público Federal (MPF), solicitando a apuração de possíveis infrações penais relacionadas ao exercício dos direitos políticos. A representação menciona o prefeito de Salvador, Bruno Reis, o secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, e sócios das empresas concessionárias, para que sejam apuradas eventuais responsabilidades.
A iniciativa tem como base autos de fiscalização, relatório técnico e registros fotográficos produzidos pelo Procon-BA. Segundo os documentos, os 944 veículos encontrados nas garagens divergem da informação divulgada anteriormente pela Prefeitura de Salvador de que 100% da frota estaria operando no dia da votação.
“Desde o primeiro momento, a orientação do governador Jerônimo foi de que, de maneira institucional e apartidária, atuássemos para que nenhum baiano ficasse prejudicado por qualquer medida que restringisse sua cidadania”, afirmou o secretário de Justiça e Direitos Humanos da Bahia, Felipe Freitas.
Ainda segundo o secretário, a atuação dos órgãos estaduais ocorreu desde o domingo da eleição. “Foi nesse sentido que a PGE e a SJDH, ainda no domingo, requereram medidas ao TRE, ao Ministério Público e à Defensoria Pública para a resolução do problema; que o Procon fez as fiscalizações para apurar a conduta das empresas; e que agora se apresentam as denúncias e relatórios técnicos”, declarou.
Fiscalização aponta possíveis irregularidades
O Procon-BA, órgão vinculado à Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH), encaminhou na terça-feira (27) relatório técnico à Polícia Federal, ao Ministério Público Eleitoral, ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e à Polícia Civil para apuração de possíveis crimes eleitorais e infrações nas relações de consumo.
Entre os pontos apontados pela fiscalização estão a ausência de equipes operacionais e de apoio de plantão nas empresas fiscalizadas e a inexistência de adesivação generalizada da frota, justificativa apresentada para a retenção dos veículos. O relatório também reúne relatos de passageiros que enfrentaram dificuldades para acessar o transporte coletivo no dia da votação.
Legislação eleitoral
A Resolução nº 23.759/2026 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), fundamentada em decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), estabelece a gratuidade do transporte coletivo nos dias de votação e determina a oferta do serviço com frequência compatível à dos dias úteis.
De acordo com a legislação eleitoral, a redução injustificada da oferta de transporte público pode configurar crime eleitoral, nos termos dos artigos 297 e 304 do Código Eleitoral.
A eventual responsabilização dos envolvidos dependerá da apuração dos fatos pelas autoridades competentes.
Eleições 2026
Posse de presidente e governadores terá novas datas a partir de 2027
Mudança prevista em emenda constitucional altera calendário de investidura dos chefes do Executivo federal e estadual eleitos em 2026
A partir de 2027, a posse dos chefes dos Executivos federal e estaduais passará a ocorrer em novas datas. O presidente e o vice-presidente da República eleitos em 2026 serão empossados em 5 de janeiro, enquanto os governadores e vice-governadores tomarão posse em 6 de janeiro.
A alteração foi estabelecida pela Emenda Constitucional nº 111, de 2021. Desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, a posse desses cargos ocorria em 1º de janeiro. Antes disso, os chefes do Poder Executivo assumiam os mandatos em 15 de março.
Com a mudança, os governadores eleitos poderão participar da cerimônia de posse do presidente e do vice-presidente em Brasília, o que não era possível anteriormente, já que as solenidades eram realizadas na mesma data.
A posse presidencial é conduzida pelo Congresso Nacional. Na cerimônia, tradicionalmente realizada no Plenário da Câmara dos Deputados, o presidente e o vice-presidente eleitos prestam compromisso constitucional perante os parlamentares.
O ato costuma ser precedido pelo desfile do presidente eleito em carro aberto e pela recepção oficial na rampa do Congresso Nacional pelos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.
Câmara e Senado mantêm calendário
As datas de posse dos deputados federais e senadores eleitos permanecem inalteradas. Os parlamentares continuarão assumindo seus mandatos em 1º de fevereiro, durante reuniões preparatórias realizadas nos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.
Na ocasião, os eleitos prestam compromisso regimental e tomam posse sem a realização de discursos. Também na mesma data ocorre a eleição das Mesas Diretoras de cada Casa, com mandato de dois anos.
No Senado, a segunda reunião preparatória é destinada à eleição do presidente da Casa. A votação é secreta e realizada por meio de cédulas depositadas em urna. Para ser eleito, o candidato precisa obter maioria absoluta dos votos, correspondente a 41 senadores.
Em seguida, ocorre a eleição dos demais integrantes da Mesa Diretora, incluindo os cargos de primeiro e segundo vice-presidentes, além dos quatro secretários e seus respectivos suplentes.
Fonte: Agência Senado
Eleições 2026
Operação Vai e Vota emite cerca de 120 mil passagens gratuitas
Oferta de horários extras, fiscalização nos terminais e funcionamento gratuito de sistemas de transporte facilitaram o deslocamento de eleitores
A Operação Vai e Vota registrou até a manhã desta segunda-feira (26) a emissão de aproximadamente 120 mil passagens gratuitas no transporte rodoviário intermunicipal da Bahia durante a ação no segundo turno das Eleições 2026, realizado neste domingo (25). O volume superou em quase três vezes a meta inicial de 42 mil bilhetes. Para atender à demanda, as empresas disponibilizaram mais de 1,5 mil horários extras e utilizaram mais de 50 ônibus de terceiros.
Realizada pelo Governo do Estado, por meio da Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba) e do Procon-BA, vinculado à Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH), a operação ocorreu entre terça-feira (20) e esta segunda-feira. Equipes da Agerba acompanharam o funcionamento do serviço nos terminais rodoviários, com atenção especial à Nova Rodoviária de Salvador, onde houve maior procura. A atuação incluiu fiscalização, orientação e apoio aos passageiros.
“Os números demonstram o sucesso da Operação Vai e Vota, resultado do planejamento, da fiscalização e da atuação integrada entre a Agerba, a Seinfra, o Procon-BA e as empresas de transporte. As equipes permaneceram mobilizadas durante todo o fim de semana, acompanhando a operação e atuando prontamente para atender às necessidades dos passageiros”, destacou o diretor de Planejamento Operacional da Agerba, Pedro Jorge Sousa.
Fiscalização e atendimento ao consumidor
O Procon-BA registrou 117 casos solucionados com a intermediação da fiscalização e identificou outras seis ocorrências não resolvidas, nas quais foram constatadas infrações. A Viação Jequié Cidade Sol foi notificada e aguarda o prazo para apresentar defesa. As ações de fiscalização nos terminais rodoviários ocorreram em Salvador, Feira de Santana, Juazeiro, Barreiras e Vitória da Conquista.
As equipes também realizaram ações educativas e de orientação nas rodoviárias e no metrô de Salvador. Nos terminais rodoviários, foram contabilizadas 2.806 abordagens diretas, com distribuição de material informativo. Nas estações de metrô, houve outras 916 abordagens.
A Central de Atendimento 151 recebeu 48 solicitações de orientação e registrou 86 reclamações encaminhadas à Agerba. Desse total, 35 foram direcionadas à agência e 51 à Agerba e à Diretoria de Fiscalização do Procon-BA (DIFIS), com três casos solucionados no local.
Transporte urbano e metropolitano
No domingo (25), o Procon-BA também apurou denúncias de retenção de ônibus urbanos em Salvador. Segundo o levantamento do órgão, a restrição da frota foi total no início da manhã, com retomada gradual do serviço a partir do começo da tarde.
Até as 16h46, cerca de 950 ônibus permaneciam retidos nas garagens, apesar de sucessivas decisões judiciais. As equipes lavraram autos de constatação que subsidiaram medidas adotadas por órgãos públicos e instituições envolvidas. Ao longo do dia, o horário de votação na capital foi prorrogado por duas horas.
O Procon-BA informou que o material coletado seria encaminhado à Polícia Civil, para apuração de possíveis ilícitos nas relações de consumo, e à Polícia Federal e à Justiça Eleitoral, para subsidiar investigações sobre eventuais crimes eleitorais.
Em contrapartida, no transporte metropolitano, os ônibus circularam com toda a frota disponível durante o fim de semana. Somente no domingo, o sistema transportou mais de 110 mil passageiros. As linhas que atendem à região de Itapuã registraram demanda acima da habitual, em razão da interrupção temporária do transporte municipal de Salvador durante boa parte da manhã. Parte dos usuários recorreu às linhas metropolitanas que circulam pela região e pela Avenida Dorival Caymmi para chegar ao metrô.
O Terminal de Águas Claras também registrou grande movimentação. Apesar do aumento no fluxo, não houve filas para embarque nos terminais Aeroporto, Mussurunga e Águas Claras.
Ferry-boat e travessia por lanchas
As operações do sistema ferry-boat e da travessia marítima entre Salvador e Mar Grande transcorreram normalmente, com maior procura pela manhã. Foram registradas pequenas filas nas áreas de embarque de pedestres, com tempo de espera inferior a uma hora. Nos demais períodos do dia, não houve registro de filas de pedestres.
VLT funcionou gratuitamente no dia da votação
Durante a operação especial do segundo turno, o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Salvador e da Região Metropolitana transportou 7.692 passageiros. O serviço foi gratuito das 7h20 às 19h40, no trecho de 10,7 quilômetros entre as paradas São Joaquim e Ara Ketu, com passagem por 11 paradas e pela Estação Calçada.
O horário de funcionamento foi estendido em razão da prorrogação do período de votação, oferecendo uma alternativa adicional de deslocamento aos eleitores.
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