Política
Prefeito aliado de ACM Neto garante apoio a Jerônimo Rodrigues
O chefe do executivo de Santa Maria da Vitória sinalizou caminhar ao lado do petista nas eleições de 2026
Durante reunião com prefeitos de diferentes partidos para autorizar um conjunto de licitações para o abastecimento de água no interior da Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) recebeu a declaração de apoio do prefeito de Santa Maria da Vitória, Tonho de Zé de Agdônio (UB).
O gestor, que em 2022 apoiou ACM Neto na disputa pelo Executivo, não escondeu a emoção diante do ato assinado pelo governador e sinalizou caminhar ao lado do petista nas eleições 2026. “Estou muito feliz. Fiz muito no meu primeiro mandato, fui reeleito com quase 70% dos votos, mas agora ao seu lado, governador, eu quero fazer muito mais por Santa Maria da Vitória. Pode contar comigo. Estivemos em lados opostos, nós estamos juntos nesse novo projeto do senhor e com a Santa Maria cada vez mais forte e melhor”, disse.
A declaração do prefeito foi dada durante reunião de autorizo para licitação para construção de nove sistemas de abastecimento de água, beneficiando 108 localidades rurais de nove municípios baianos, tornando a Bahia o primeiro estado a publicar a licitação do Novo PAC Saneamento Rural.
Articulada pela Secretaria de Relações Institucionais (Serin), a reunião contou também com a presença dos prefeitos de Bom Jesus da Lapa, Carinhanha, Dom Basílio, Entre Rios, Feira da Mata, Jaguararí, Juazeiro e Livramento de Nossa Senhora. Além do vice-governador, Geraldo Júnior; a secretária de infraestrutura Hídrica, Larissa Moraes; o secretário de Relações institucionais, Adolfo Loyola; o presidente da CERB, Jayme Vieira Lima; e demais secretários estaduais.
Política
Deputado cobra explicações de ACM Neto sobre encontro com ex-banqueiro investigado
Mensagens reveladas pela Folha de S.Paulo citam reunião privada com Daniel Vorcaro; parlamentar questiona relação e contrato de consultoria milionário
O deputado estadual Robinson Almeida (PT) cobrou esclarecimentos públicos do ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), após a revelação de mensagens envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, Vorcaro afirmou ter recebido ACM Neto em sua residência, em maio de 2024.
A informação consta em uma conversa de WhatsApp entre Vorcaro e o ex-ministro Fábio Faria, recuperada no âmbito das investigações da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Em uma das mensagens, o ex-banqueiro declara: “ACM foi lá em casa”, o que sugere um encontro fora de agendas públicas e em ambiente privado.
Para Robinson Almeida, o episódio levanta questionamentos sobre a natureza da relação entre o ex-prefeito e o empresário, apontado como protagonista de um dos maiores escândalos financeiros recentes do país. “Será que a consultoria de ACM Neto, no valor de R$ 3,6 milhões, ao Banco Master e à Reag precisava de tanto sigilo a ponto de ocorrer na intimidade do lar de Vorcaro?”, questionou o parlamentar.
De acordo com dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a empresa de consultoria ligada a ACM Neto recebeu R$ 3,6 milhões de instituições associadas ao caso, com movimentações consideradas incompatíveis com a capacidade financeira declarada. O ex-prefeito afirma que os serviços prestados foram legais e relacionados à análise do cenário político e econômico.
O deputado defende que ACM Neto esclareça não apenas o encontro, mas também o contexto da relação mantida com Vorcaro. “Quem pretende governar a Bahia precisa ter transparência total. A sociedade tem o direito de saber que tipo de vínculo existia com personagens centrais de um esquema que está sob investigação”, concluiu.
Opinião
Hegemonia do PT no Médio Rio de Contas isola Zé Cocá
Histórico eleitoral revela que a força local do prefeito de Jequié não foi suficiente para romper a sequência de vitórias do campo governista liderado por Lula e Jerônimo Rodrigues na região

Yuri Almeida é professor, estrategista político e especialista em campanhas eleitorais
O cenário político no território do Médio Rio de Contas desenha um tabuleiro de forças opostas, mas com uma dominância clara. De um lado, a figura de Zé Cocá (PP), prefeito de Jequié, que obteve uma votação histórica no município. Do outro, uma estrutura governista liderada por Lula e Jerônimo Rodrigues que, por meio de alianças estratégicas e de uma série histórica de invencibilidade, mantém o prefeito da cidade-polo em um estado de isolamento regional.
A força de Zé Cocá é, inegavelmente, um fenômeno local. Com uma reeleição de 91,97% em 2024, ele transformou Jequié no principal reduto da oposição na região. No entanto, ao cruzar as fronteiras do município, essa influência encontra uma barreira de contenção.
O histórico demonstra que, mesmo em Jequié, o chamado “voto casado” com o projeto federal é resiliente. Em 2022, enquanto Jerônimo teve seu desempenho mais baixo no território (51,4%), Lula manteve uma liderança sólida, com 64,5%. Esse “descolamento” de 13 pontos revela que, para 2026, Zé Cocá terá a hercúlea tarefa de converter o eleitor que confia em sua gestão municipal, mas que preserva uma fidelidade ideológica ao PT nos planos estadual e federal.
O dado mais contundente do atual cenário é o domínio territorial da base governista. Das 16 cidades que compõem o Médio Rio de Contas, 12 prefeituras estão oficialmente alinhadas a Jerônimo Rodrigues. A oposição real fica restrita a apenas quatro municípios: Jequié, Dário Meira, Manoel Vitorino e Itagi.
Esse “cerco” foi consolidado por adesões estratégicas de prefeitos do próprio partido de Zé Cocá, o PP. As gestoras de Ipiaú (Laryssa Dias) e Aiquara (Valéria), apesar da sigla, caminham com o governo estadual. Ao garantir Ipiaú — a segunda maior economia do território —, o governo Jerônimo neutraliza o efeito de “onda” que a oposição pretendia exportar a partir de Jequié.
A análise dos dados das últimas eleições permite projetar as margens para 2026 com base na força dos prefeitos eleitos em 2024:
Jerônimo Rodrigues: a votação média dos prefeitos da base aliada foi de 62,12%. Esse número funciona como um “piso” de transferência de votos. Considerando que Jerônimo obteve 61,8% nas cidades da base em 2022, a projeção para 2026 aponta para uma margem segura entre 62% e 65%.
Lula: o lulismo no território é um traço cultural consolidado e menos dependente das máquinas municipais. Mesmo onde a oposição venceu, Lula manteve médias elevadas, como os 83,9% registrados em Manoel Vitorino.
A expectativa é que o presidente mantenha uma votação entre 70% e 74% em 2026.
O que Zé Cocá enfrenta não é apenas um grupo político, mas uma série histórica que já ultrapassa duas décadas. Desde 2002, o PT apresenta uma curva de crescimento constante no Médio Rio de Contas. Em 2018, o auge foi atingido com Haddad (73,6%) e Rui Costa (68,1%).
Em 2022, a resiliência foi novamente comprovada: mesmo com a candidatura de ACM Neto e a força política de Zé Cocá, o território permaneceu “blindado”, garantindo a vitória majoritária do grupo governista.
O papel de Zé Cocá para 2026 será o de tentar furar esse bloqueio. No entanto, os dados indicam que ele está politicamente “ilhado”. Com 75% das prefeituras do Médio Rio de Contas sob influência direta de Jerônimo Rodrigues e um eleitorado que mantém uma conexão umbilical com a figura de Lula, o cenário aponta para a manutenção da hegemonia petista.
A estratégia governista de isolar Jequié e assegurar as cidades periféricas e polos secundários — como Ipiaú e Jaguaquara — se consolida como um movimento decisivo para garantir que, em 2026, o Médio Rio de Contas e o Vale do Jiquiriçá continuem sendo o “Cinturão Vermelho” da Bahia.
Política
”São 20 que fez contra quase 16 que nada fez”, responde Loyola a Neto
Secretário de Relações Institucionais afirma que obras e políticas públicas explicam apoio popular ao grupo governista e aponta falhas da administração municipal em Salvador
O secretário de Relações Institucionais do Governo do Estado, Adolpho Loyola, afirmou que os 20 anos de gestões do PT na Bahia deixaram um amplo legado de realizações em benefício da população. Segundo ele, a continuidade do projeto político se sustenta em resultados concretos e não em discursos.
“Com sua contumaz soberba, o ex-prefeito ACM Neto subestima a inteligência do povo baiano, cuja escolha pelo PT nessas duas décadas se baseia em fatos: hospitais, policlínicas, escolas em tempo integral, geração de emprego e renda, a chegada da BYD e milhares de quilômetros de estradas em todo o estado, além do metrô e, agora, o VLT em Salvador”, declarou.
Para Loyola, o histórico das gestões é decisivo no debate político. “São 20 anos de quem fez, contra quase 16 de quem nada fez”, afirmou. O secretário também questionou os resultados da administração de ACM Neto e de seu grupo à frente da Prefeitura de Salvador nos últimos 14 anos.
“O que se constata em Salvador é a perda de protagonismo no Nordeste, o IPTU mais caro do país, a menor taxa de alfabetização de crianças entre as capitais brasileiras e o maior índice de desnutrição infantil do país. Se não fosse o governo do estado com o metrô, o que seria do transporte público na capital baiana?”, questionou.
Adolpho Loyola reiterou ainda que ACM Neto segue sem apresentar propostas concretas para o estado e insiste, segundo ele, em críticas sem fundamento. “É a mesma ladainha sobre empréstimos e aprovação automática, quando ele deveria ter vergonha de não ter construído creches para a educação na primeira infância em Salvador, o que resulta em milhares de crianças que não conseguem sair das escolas municipais alfabetizadas no segundo ano”, afirmou.
Na avaliação do secretário, o grupo liderado por ACM Neto não conseguiu resolver problemas básicos da capital, apesar de quase 16 anos de gestão. “Agora, acham que vão solucionar os problemas da Bahia com conversa fiada. O povo baiano não quer saber disso e dará a resposta nas urnas, em outubro”, concluiu.
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