Meio Ambiente
Lobo-guará atropelado no Oeste da Bahia passa por cirurgia
O animal foi resgatado pelo Inema na BR-242, nas proximidades da cidade de Luís Eduardo Magalhães
Um lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) atropelado na BR-242, no Oeste da Bahia, passou por uma cirurgia, nesta terça-feira (25), após ser resgatado por uma equipe do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), nas proximidades da cidade de Luís Eduardo Magalhães. O animal, que sofreu fraturas nas duas patas dianteiras, recebeu o primeiro socorro ainda no local, sendo atendido pelo centro de conservação e educação socioambiental Parque Vida Cerrado, instituição parceira do Inema e encaminhado a Salvador para o Centro Estadual de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), que realizou todos os procedimentos necessários para a recuperação desta espécie símbolo do Cerrado brasileiro e ameaçada de extinção.
O médico veterinário e coordenador de Gestão de Fauna do Inema, Vinícius Dantas, explicou sobre as medidas clínicas adotadas. “Após estabilização do estado clínico, o indivíduo atendido no Parque Vida Cerrado precisou ser transferido para o Cetas, na capital baiana, onde constatamos a necessidade de intervenção cirúrgica nas duas patas dianteiras, uma ação para que o animal recupere suas funções de locomoção. A intervenção foi um sucesso, o animal respondeu muito bem aos procedimentos realizados, tendo um excelente pós-operatório e agora passará pelos cuidados de uma equipe multidisciplinar, que dará continuidade ao tratamento e processo de reabilitação”.
A operação ocorreu com o apoio do Instituto de Cirurgia Ortopédica e Neurológica Veterinária (ICONVET), que disponibilizou seu centro cirúrgico localizado no bairro do Rio Vermelho, com todos os equipamentos e suporte de profissionais com experiência em veterinária ortopédica.
O resgate
À frente da ação de resgate, o técnico da Unidade Regional (UR) do Inema de Barreiras, Danilo Cezar, explicou sobre o os procedimentos adotados para o atendimento e manejo adequado do animal. “Fomos acionados por moradores e instituições para liderar o resgate de emergência. Devido ao estado delicado e da espécie estar na lista das ameaçadas de extinção, ação precisou ser em curto espaço de tempo”. O técnico também fez questão de alertar que essa rodovia é de grande fluxo e por isso a atenção deve ser redobrada, não só por conta da travessia de lobos, bem como demais animais silvestres que tem no Cerrado seu habitat natural.
Só neste mês, dez dias depois do primeiro resgate, outro lobo também foi atropelado na mesma região, desta vez no município de São Desidério (BA-020). Como a situação de saúde não apresentava gravidade, o animal foi encaminhado para o Criadouro Fazenda Trijunção, referência no atendimento veterinário à fauna silvestre do Cerrado.
“Diante desse cenário, o Inema tem reforçado as ações de fiscalização e educação ambiental junto aos produtores rurais, condutores e população em geral, são ações de proteção da fauna e para fortalecer parcerias com instituições especializadas que possam garantir o bem-estar e a reabilitação de animais vítimas de acidentes”, ressaltou o técnico Danilo Cezar.
Disque Fauna
Ao encontrar animais silvestres feridos ou fora de seu habitat natural, a população deve solicitar, imediatamente, o resgate através do Disque Fauna do Cetas (71) 99661-3998 (WhatsApp).
A espécie
O lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) é o maior canídeo da América do Sul, um animal adulto chega a medir 1,30 m de corpo, além de 40 centímetros de cauda, podendo atingir mais de 20 quilos. O lobo-guará apresenta hábito de vida solitária, sendo encontrado formando casais apenas na época reprodutiva e durante o cuidado parental. É classificado pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza) como uma espécie “Quase ameaçada” e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio-MMA) como “Vulnerável”.
Meio Ambiente
Defeso do caranguejo-uçá começa na Bahia para proteger ciclo reprodutivo da espécie
Portaria Interministerial define períodos de proibição da captura entre janeiro e abril, garantindo sustentabilidade da pesca artesanal
O verão marca uma fase crucial do ciclo de vida de diversos animais que habitam mares, rios e manguezais. Enquanto alguns aproveitam as águas mais quentes para se reproduzir, outras espécies marinhas deixam suas tocas para acasalar e liberar ovos, ficando extremamente vulneráveis à captura. Nos primeiros meses do ano, isso ocorre com mais frequência com o caranguejo-uçá (Ucides cordatus), durante um período que, desde 2003, passou a ser reconhecido nacionalmente por meio da Portaria Ibama nº 52/2003, que estabeleceu datas para o Período do Defeso na Região Sudeste e Sul do Brasil, estendendo-se, posteriormente, para a Bahia.
Desde então, os períodos vêm sendo atualizados anualmente, seguindo os critérios da biologia do animal, frequentemente associados às fases da lua nova e da lua cheia, como ocorre em 2026, com a publicação da Portaria Interministerial MPA/MMA nº 45, de 13 de janeiro, que define os períodos de defeso do caranguejo-uçá ao longo do primeiro semestre, incluindo o estado da Bahia. Inicialmente, esse período ocorre entre os dias 18 e 23 de janeiro. [Confira abaixo todas as datas estabelecidas até abril.]
Coordenando as ações de Gerenciamento Costeiro na Secretaria do Meio Ambiente (Sema), Mariana Fontoura explica que, antes mesmo da portaria federal, que passou a ser renovada anualmente com o objetivo de proteger os manguezais e garantir a sustentabilidade da pesca artesanal, as ações do defeso já se baseavam na Lei Federal de Crimes Ambientais e de Proteção à Biodiversidade.
“Por se tratar do ciclo de vida do caranguejo-uçá, a captura durante a andada é proibida e caracteriza infração ambiental grave, conforme o disposto no art. 29, §1º, inciso I, da Lei Federal de Crimes Ambientais nº 9.605, de 1998, e no Decreto nº 14.024, de 2012, que inclui medidas para a conservação da espécie, visando garantir sua reprodução e a manutenção dos estoques naturais. O defeso é, portanto, uma estratégia de conservação que beneficia tanto a natureza quanto as pessoas que dependem dela”, afirma.
A norma que regulamenta o defeso também reforça que, durante os períodos estabelecidos, ficam proibidas a captura, o transporte, o beneficiamento, a industrialização e a comercialização do caranguejo-uçá, como forma de assegurar o sucesso do ciclo reprodutivo da espécie e a manutenção dos estoques naturais.
À frente das ações de fiscalização realizadas nos períodos do defeso, a coordenadora do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), Natali Lordello, explica que “a pesca durante o período reprodutivo compromete a renovação natural da espécie e pode levar à redução das populações, afetando diretamente o meio ambiente e a economia local”. Por esse motivo, a legislação também prevê regras específicas para o controle de estoques existentes antes do início de cada período de defeso, exigindo que pessoas físicas ou jurídicas que atuam na cadeia produtiva do caranguejo-uçá declarem previamente a quantidade de animais armazenados aos órgãos ambientais competentes.
“A Portaria Interministerial publicada para o ano de 2026 reforça esse entendimento ao atualizar as datas de proteção da espécie, garantindo segurança jurídica às ações de fiscalização e conservação. E o descumprimento das normas previstas na legislação ambiental e nas portarias que regulamentam o defeso sujeita os infratores às sanções administrativas, civis e penais previstas na Lei de Crimes Ambientais”, complementa Natali.
Segundo a coordenadora, os produtos apreendidos durante as ações de fiscalização, quando vivos, são devolvidos imediatamente ao ambiente natural.
Confira as datas estabelecidas na Portaria:
Para o ano de 2026, a Portaria Interministerial MPA/MMA nº 45 estabelece que, na Bahia, os períodos de defeso do caranguejo-uçá ocorrem entre os dias:
- 18 a 23 de janeiro
- 1º a 6 de fevereiro
- 17 a 22 de fevereiro
- 3 a 8 de março
- 18 a 23 de março
- 17 a 22 de abril (caso a temporada de andadas reprodutivas se estenda)
Durante esses intervalos, permanecem válidas todas as restrições relativas à captura, transporte e comercialização da espécie.
A colaboração de todos é indispensável: ao identificar a ocorrência da andada, não capture os animais. Denuncie a pesca irregular de forma anônima pelos canais do Inema, como o Disque Denúncia (0800 071 1400) e/ou o e-mail denuncia@inema.ba.gov.br. Respeitar esse ciclo natural é garantir a saúde dos manguezais e a sustentabilidade da pesca para as atuais e futuras gerações.
Meio Ambiente
Vórtice ciclônico provoca calor e instabilidade no litoral baiano
Fenômeno atmosférico provoca contraste no tempo: sol forte e altas temperaturas no interior, enquanto litoral registra instabilidade e pancadas de chuva
O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), por meio da Coordenação de Estudos de Clima e Projetos Especiais (COCEP), divulgou nesta sexta-feira (9) a previsão do tempo para este fim de semana na Bahia. O período será marcado por calor em todas as regiões do estado, com instabilidades concentradas principalmente no litoral, devido à atuação de um Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN).
O VCAN é um sistema atmosférico de baixa pressão que atua nos altos e médios níveis da atmosfera, caracterizado pela circulação dos ventos em sentido horário no Hemisfério Sul. Esse sistema provoca um forte contraste nas condições do tempo. No centro do VCAN, ocorre a descida de ar mais seco, o que dificulta a formação de nuvens e favorece tempo firme, sol intenso e calor elevado. Nas bordas do sistema, o ar quente e úmido sobe, favorecendo a formação de nuvens do tipo cumulonimbus, responsáveis por pancadas de chuva, trovoadas e temporais isolados.
Esse fenômeno é comum no Nordeste brasileiro, especialmente durante a primavera e o verão, e influencia de forma significativa a circulação atmosférica, provocando tempo seco e quente em algumas áreas e instabilidade em outras, principalmente nas regiões próximas às bordas do sistema, com maior impacto sobre o litoral.
Sexta-feira (9)
A atuação do VCAN, associada a um cavado em baixos níveis da atmosfera, mantém o tempo instável em áreas do litoral baiano, com chuvas isoladas, principalmente no Baixo Sul. Em Salvador, na Região Metropolitana e no Recôncavo, a previsão indica precipitações pontuais intercaladas com períodos de sol. Na capital, as temperaturas variam entre 25°C e 30°C.
No interior, o sol predomina e o calor se intensifica, com máximas chegando a 35°C em Paulo Afonso, Juazeiro, Remanso, Barra, Ibotirama e Bom Jesus da Lapa. Em Feira de Santana, os termômetros oscilam entre 23°C e 30°C, enquanto em Senhor do Bonfim as máximas alcançam 33°C.
Sábado (10)
O cenário permanece semelhante. O VCAN continua favorecendo a variação de nebulosidade e chuvas isoladas no litoral, com destaque para o Baixo Sul. Em Salvador, as temperaturas seguem estáveis, entre 25°C e 30°C. No Sul, cidades como Ilhéus e Teixeira de Freitas registram mínimas entre 21°C e 23°C e máximas em torno de 30°C.
No interior, o calor segue predominando, com 34°C a 35°C no Vale do São Francisco, especialmente em Juazeiro, Paulo Afonso, Barra e Ibotirama. Na Chapada Diamantina, as temperaturas são mais amenas, variando entre 18°C e 30°C em Piatã e entre 19°C e 30°C em Morro do Chapéu.
Domingo (11)
O VCAN mantém as condições de instabilidade no litoral da Bahia. São previstas pancadas de chuva isoladas em Salvador, Região Metropolitana, Recôncavo e Baixo Sul, alternadas com períodos de melhoria. Na capital, as temperaturas variam entre 24°C e 30°C.
No interior, o tempo segue firme e quente. As máximas permanecem em torno de 35°C no Oeste e no Vale do São Francisco, como em Barra, Ibotirama e Bom Jesus da Lapa. Em Vitória da Conquista, o clima é mais ameno, com temperaturas entre 18°C e 26°C.
Meio Ambiente
Inema avança na conservação da flora baiana com programa de monitoramento
Órgão estadual inicia tratativas para implantar metodologia nacional e reforça ações do PAN Hileia Baiana na Mata Atlântica
O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) está fortalecendo sua atuação na proteção da biodiversidade ao iniciar as tratativas para implantação do Programa de Monitoramento da Flora na Bahia, por meio da Coordenação de Gestão da Biodiversidade (CGBIO). A iniciativa segue metodologias do Programa Monitora, coordenado pelo ICMBio em parceria com o IBGE.
O monitoramento será realizado em campo com a metodologia Cruz de Malta, reconhecida nacionalmente e aplicada no Componente Flora – Alvo Florestal do Programa Monitora. Essa ferramenta permite acompanhar a vegetação nativa ao longo do tempo, reunindo dados sobre estrutura das florestas, regeneração, espécies indicadoras e impactos ambientais — informações essenciais para decisões sobre conservação e manejo.
As ações se somam ao trabalho do Inema no sul da Bahia com o Plano de Ação Nacional para a Conservação de Árvores Ameaçadas de Extinção do Sul da Bahia (PAN Hileia Baiana), vigente até 2028. O plano abrange 36 municípios da Mata Atlântica e acompanha 218 espécies arbóreas ameaçadas, além de outras 216 beneficiadas indiretamente.
Um exemplo dos resultados foi a descoberta da bromélia Wittmackia aurantiolilacina, registrada no Parque Nacional do Alto Cariri por pesquisadores do CNCFlora/Jardim Botânico do Rio de Janeiro, durante expedição vinculada ao PAN.
Segundo Mara Angélica dos Santos, coordenadora da CGBIO, a experiência do PAN e a implantação do monitoramento abrem caminho para novos avanços: “Em breve, o Inema pretende aplicar a metodologia nos parques estaduais do sul da Bahia, ampliando o conhecimento sobre a biodiversidade e fortalecendo estratégias de conservação”.
Com ações baseadas em ciência e integração institucional, o Inema reafirma seu compromisso com a proteção da Mata Atlântica e a construção de políticas ambientais eficazes e transparentes.
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