Saúde
Governo Federal lança o Agora Tem Especialistas
O programa em parceria com estados e municípios vai ampliar o atendimento à população e reduzir tempo de espera no SUS
O governo federal, em parceria com estados e municípios, lançou nesta sexta-feira (30) o Agora Tem Especialistas para ampliar o acesso da população a consultas, exames e cirurgias. A iniciativa possibilita que o Ministério da Saúde utilize toda a estrutura de saúde do país, pública e privada, aumentando a capacidade de atendimento nas redes locais. A expectativa, com os novos mecanismos, é reduzir o tempo de espera dos pacientes, um gargalo histórico e que se agravou com a pandemia.
Para a expansão da oferta de serviços especializados, o Agora Tem Especialistas prevê o credenciamento de clínicas, hospitais filantrópicos e privados para atendimento de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) com foco em seis áreas prioritárias – oncologia, ginecologia, cardiologia, ortopedia, oftalmologia e otorrinolaringologia. A contratação será feita pelos estados e municípios, ou de maneira complementar pela AgSUS e Grupo Hospitalar Conceição.
A medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva estabelece ainda que hospitais privados e filantrópicos realizem consultas, exames e cirurgias de pacientes do SUS como contrapartida para sanar dívidas junto à União. Da mesma forma, os planos de saúde poderão ressarcir os valores aos SUS através de atendimento.
Uma das prioridades é aproveitar ao máximo a capacidade da rede pública de saúde, com a realização de mutirões e ampliação dos turnos de atendimento em unidades federais, estaduais e municipais. A estimativa é que, com medidas como essa, seja possível expandir em até 30% os atendimentos em policlínicas, UPAS, ambulatórios e salas de cirurgias por todo o Brasil.
“Esse programa é um sonho antigo. É minha obsessão garantir que o povo brasileiro tenha acesso a especialistas, que tenha o direito de ser atendido, diagnosticado e tratado com dignidade, no tempo certo”, disse o presidente Lula na cerimônia de lançamento do novo programa. Para ele, “não dá mais para aceitar que uma pessoa vá ao médico, receba um encaminhamento e escute que só tem vaga para o especialista em fevereiro do ano que vem. A doença não espera”, ressaltou.
As ações unem esforços de toda a rede de saúde e aproveitam a capacidade instalada para atender a uma demanda urgente da população brasileira. São 370 mil óbitos por ano por doenças não transmissíveis relacionados a atraso no diagnóstico, segundo o Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS). Dados do INCA apontam que os custos com câncer aumentam em 37% por agravamento devido à desassistência. Há uma necessidade ainda de o país aumentar em mais de 60% as biópsias para o câncer de mama.
Soma-se a este cenário a distribuição desigual dos médicos especialistas no Brasil. Demografia Médica 2025 aponta que esses profissionais estão concentrados no Distrito Federal, São Paulo e Rio de Janeiro e na rede privada, uma vez que 10% deles atendem exclusivamente SUS.
Consolidar a maior rede pública de prevenção, diagnóstico e tratamento de câncer
O Agora Tem Especialistas prevê a consolidação do cuidado oncológico no SUS como a maior rede pública de prevenção, diagnóstico e tratamento de câncer. O Ministério da Saúde vai adquirir mais 121 aceleradores lineares até 2026, representará um aumento e qualificação dos aparelhos em funcionamento no SUS. Destes equipamentos para radioterapia, seis serão entregues nesta sexta-feira em São Paulo (SP), Bauru (SP), Piracicaba (SP), Curitiba (PR), Andaraí (RJ) e Teresina (PI).
O país passará a contar com o Super Centro Brasil para Diagnóstico de Câncer. Todos os serviços oncológicos serão integrados para oferta de teleconsultoria, telelaudos e telepatologia. Com a entrada do A.C. Camargo Câncer Center no Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS) e a participação do Instituto Nacional de Câncer (Inca), a rede será capaz de emitir, inicialmente, 1.000 laudos por dia.
“Vamos consolidar o Brasil e o SUS como a maior rede pública de diagnóstico e prevenção do mundo. Estamos montando, em parceria com o Inca e a Fundação AC Camargo, um centro nacional de diagnóstico remoto, que já começa a funcionar em junho. Isso vai acelerar o diagnóstico e reduzir o tempo de espera no SUS”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Carretas especializadas e telessaúde para levar atendimento às regiões desassistidas
O Ministério da Saúde vai garantir atendimento especializado em regiões desassistidas, com a disponibilização de 150 carretas equipadas com estrutura para realizar consultas com cardiologista e oftalmologista, por exemplo, além de exames como mamografia, tomografia e raio-X. A proposta é que as carretas do Agora Tem Especialistas tenham estrutura para pequenas cirurgias e biópsias.
Outra frente é o atendimento móvel de caminhoneiros. Também estão previstos mutirões de exames, consultas e cirurgias em áreas remotas e territórios indígenas. “Vamos levar saúde também às estradas. Em parceria com o Ministério dos Transportes, vamos instalar unidades móveis em áreas de apoio aos caminhoneiros, integradas ao prontuário eletrônico do SUS”, explicou Padilha.
Para garantir o deslocamento de pacientes, serão disponibilizados recursos para a compra de até 6.300 veículos para transporte até hospitais e unidades de saúde, com prioridade para o atendimento oncológico. Cerca de 1,2 milhão de pacientes deverão ser beneficiados por mês com o funcionamento deste serviço.
Alexandre Padilha explicou que, “pela primeira vez, o Ministério da Saúde fará uma compra nacional de veículos para transporte sanitário: ambulâncias, vans e micro-ônibus, com recursos já garantidos no PAC. “A economia de escala e a isenção de impostos vão beneficiar estados e municípios”, afirmou.
Para encurtar distâncias, um desafio em um país das dimensões do Brasil, será ampliada a oferta de serviços de telessaúde, que têm potencial para reduzir até 30% as filas de espera por consulta ou diagnóstico da rede especializada do SUS. Serão abertos editais para as iniciativas pública e privada para a oferta de telediagnóstico, teleconsultoria e teleconsulta especializada.
O provimento e a formação dos profissionais são outra frente do programa, com expectativa de ampliar em 3.500 o número de profissionais especializados com foco em áreas prioritárias, sendo 500 vagas para o Mais Médicos Especialistas. No evento de lançamento do novo programa, Padilha lembrou que, atualmente, um dos maiores gargalos é a escassez de especialistas no país. “Por isso, estamos ampliando a formação, fortalecendo a residência médica e criando mecanismos de especialização em áreas prioritárias”, afirmou.
A comunicação com os pacientes ganha novas funcionalidades do Meu SUS Digital. O ministro explicou que aplicativo emitirá alertas de mensagem e via push para comunicar ao usuário sobre o agendamento e o atendimento de consultas, exames, cirurgias e tratamentos. O SUS também fará contato com avisos por WhatsApp e SMS.
“O Meu SUS Digital terá informações completas sobre os procedimentos e as avaliações, e permitirá que os profissionais e os gestores acompanhem em tempo real o atendimento prestado. É mais transparência, mais cuidado e mais compromisso com o cidadão”, finalizou o ministro da Saúde.
Saúde
Maternidade Regional de Camaçari fortalece cuidado a recém-nascidos de alto risco
Acompanhamento ambulatorial multidisciplinar garante detecção precoce de alterações no desenvolvimento e apoio integral às famílias
O seguimento ambulatorial, também conhecido como follow-up, da Maternidade Regional de Camaçari (MRC), unidade da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) sob gestão da Fundação Estatal Saúde da Família (FESF-SUS), possibilita o acompanhamento contínuo e o cuidado especializado de recém-nascidos de alto risco em diferentes fases do desenvolvimento.
Realizado por uma equipe multidisciplinar, o acompanhamento tem como foco a detecção precoce de possíveis alterações no crescimento e no desenvolvimento dos bebês. A partir dessa identificação, é possível implementar, quando necessário, intervenções como terapias ou medidas profiláticas, contribuindo diretamente para a redução de agravos e para a promoção de uma melhor qualidade de vida.
O serviço reúne diferentes especialidades, entre elas Pediatria, Neurologia e Fisioterapia, que atuam de forma integrada para atender às necessidades específicas de cada paciente. Na área de Fisioterapia, o trabalho envolve a avaliação clínica do bebê, a identificação de alterações neuromotoras e a elaboração de planos terapêuticos individualizados, com definição, execução, monitoramento e reavaliação contínua das condutas, por meio de recursos e técnicas próprias da área.
De acordo com a coordenadora do Serviço de Fisioterapia, Andréa Silva, o follow-up exige um olhar atento, sistemático e sensível ao desenvolvimento de cada criança. “É preciso compreender o bebê de forma global, levando em consideração o contexto familiar, os estímulos ambientais, os aspectos neurológicos e até mesmo os emocionais”, destaca. Segundo ela, acompanhar a evolução dos bebês ao longo do seguimento ambulatorial é uma experiência rica e desafiadora. “É extremamente gratificante observar desde conquistas motoras iniciais até marcos mais complexos do desenvolvimento. Cada pequeno avanço, como o controle cervical, o sentar, o engatinhar ou os primeiros passos, ganha um significado enorme, especialmente quando se trata de bebês que apresentaram algum risco ou intercorrência no início da vida”, afirma.
As gêmeas Rafaela e Gabriela Mendes são exemplos desse acompanhamento. Nascidas prematuras, elas precisaram permanecer internadas na Unidade de Cuidado Intermediário Neonatal Convencional (UCINCo) e, atualmente, seguem retornando à MRC para consultas de seguimento ambulatorial. Em uma dessas visitas, as irmãs receberam um “Certificado de Coragem”, em reconhecimento à trajetória de superação desde o nascimento.
A coordenadora do Núcleo de Ensino e Pesquisa (NEP), Luíza Souza, explica que a iniciativa busca valorizar a força do bebê e de sua família. “O gesto simboliza uma celebração da vida e proporciona um momento de acolhimento e apoio emocional, considerando a saúde sob a perspectiva biopsicossocial”, ressalta.
Para ter acesso ao seguimento ambulatorial, é necessário que o recém-nascido atenda a um ou mais critérios de encaminhamento, como prematuridade, baixo peso ao nascer, demandas ortopédicas, malformações congênitas, entre outras condições que exigem cuidado especializado.
Sobre a MRC
A Maternidade Regional de Camaçari (MRC) é referência no atendimento a gestantes de alto risco e oferece assistência integral à mãe e ao bebê. A unidade conta com 107 leitos, distribuídos entre os serviços de obstetrícia, neonatologia e cirurgia. O acesso aos serviços ocorre por meio da regulação da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia ou por demanda espontânea.
Saúde
Governo da Bahia entrega primeira etapa da reforma do Hospital Geral de Itaparica
Unidade recebeu investimento de mais de R$ 6,3 milhões e ganha nova maternidade e centro cirúrgico para reforçar a regionalização do SUS
Com o objetivo de fortalecer a regionalização da assistência e qualificar o Sistema Único de Saúde (SUS) na Bahia, o Governo do Estado inaugurou, nesta segunda-feira (4), a primeira etapa da reforma e ampliação do Hospital Geral de Itaparica (HGI). A entrega foi realizada pelo vice-governador Geraldo Júnior e pelo superintendente de Atenção Integral à Saúde da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), Karlos Figueredo.
Com investimento superior a R$ 6,3 milhões em obras e equipamentos, a unidade passa a contar com uma nova maternidade, equipada com oito leitos de enfermaria e três leitos de observação obstétrica, além de uma sala de pré-parto, parto e pós-parto (PPP). As intervenções incluem ainda um centro cirúrgico moderno, composto por uma sala cirúrgica, farmácia satélite e uma Sala de Recuperação Pós-Anestésica (SRPA) com quatro leitos.
Durante a entrega, o superintendente da Sesab destacou a importância do investimento para o fortalecimento da rede estadual de saúde. “Estamos qualificando a assistência e ampliando a capacidade de atendimento do hospital, garantindo mais resolutividade e segurança para os usuários do SUS. Essa entrega reafirma o compromisso do Governo do Estado com a regionalização e com a oferta de serviços cada vez mais próximos de quem mais precisa”, afirmou Karlos Figueredo.
O vice-governador Geraldo Júnior reforçou que a entrega de parte da reforma integra a estratégia do Governo do Estado de regionalizar o atendimento em saúde. “Com a reforma e ampliação do Hospital Geral de Itaparica, seguimos firmes no compromisso de transformar a vida dos baianos e fortalecer a democratização da saúde em todo o estado”, destacou.
Com conclusão prevista ainda para este ano, as intervenções no HGI contemplam a ampliação do centro cirúrgico, com a implantação de mais uma sala operatória, além da criação de áreas de apoio, como sala administrativa, sala de parto, sala de utilidades e espaço de convivência para as equipes. As obras, orçadas em cerca de R$ 6,5 milhões, incluem ainda a construção de guarita, cozinha com refeitório e da Central de Material e Esterilização (CME), ampliando a capacidade operacional da unidade e qualificando os serviços prestados.
Unidade da rede estadual e referência na Região de Saúde de Salvador, o Hospital Geral de Itaparica é uma unidade de médio porte que oferece atendimento ambulatorial nas especialidades de cirurgia geral, ortopedia, ginecologia e obstetrícia, além de anestesiologia, por meio de consultas pré-anestésicas. O hospital também realiza atendimentos de urgência e emergência nas áreas clínica, cirúrgica, pediátrica, traumato-ortopédica, obstétrica e em saúde mental.
Saúde
Síndromes respiratórias graves crescem 120% no Hospital do Oeste
Aumento da demanda respiratória acende alerta para municípios da macrorregião oeste da Bahia
O Hospital do Oeste (HO), unidade vinculada ao Governo do Estado e administrada pelas Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), em Barreiras, registrou crescimento de 120% nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) entre janeiro e abril deste ano. As notificações passaram de 15 casos em janeiro para 33 em abril, em meio ao aumento da demanda por assistência respiratória na macrorregião oeste.
O avanço dos casos acende um alerta para os 36 municípios da região, especialmente durante o período de maior circulação de vírus respiratórios. Segundo a unidade, a demanda elevada tem impactado principalmente os setores de emergência e a ala pediátrica. Em 2026, o HO notificou 15 casos em janeiro, 10 em fevereiro, 24 em março e 33 em abril.
A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) reforça a importância da vacinação para todas as faixas etárias. Até a 12ª semana epidemiológica deste ano, foram notificados 1.732 casos de SRAG na Bahia, dos quais 254 foram confirmados para Influenza. O cenário exige atenção diante da sazonalidade do vírus Influenza e da identificação do subclado K da Influenza A H3N2.
A líder geral do Hospital do Oeste, Marina Barbizan, destaca que a unidade regional é referência para o atendimento de casos graves e de alta complexidade. “O cenário é sazonal, mas os municípios devem se atentar aos encaminhamentos via regulação. Sempre daremos preferência aos casos mais graves e, para evitar superlotação, fazemos este apelo aos municípios e à população: em situações menos graves, procurem as unidades de atenção primária”, afirmou.
De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Bahia está em alerta máximo para a incidência de SRAG. A síndrome ocorre quando pessoas com sintomas gripais, como febre, coriza e tosse, apresentam piora do quadro, evoluindo para dificuldade respiratória e necessidade de internação hospitalar. Em geral, a condição está associada a infecções virais, embora nem sempre o agente causador seja confirmado por exame laboratorial.
Para o médico pediatra e coordenador do Serviço de Pediatria do HO, Thiago Barreto, o aumento dos casos respiratórios impacta diretamente o fluxo da emergência pediátrica. “Temos recebido, com bastante frequência, crianças em estado mais grave, algumas em ventilação mecânica na sala de estabilização pediátrica, que demandam internação em UTI, o que evidencia o nível de complexidade deste momento”, afirmou. O especialista reforça que o serviço deve ser procurado, prioritariamente, por pacientes graves que necessitam de atendimento emergencial.
Em Barreiras, a orientação é que casos de baixa gravidade sejam direcionados à rede municipal de saúde. O Centro de Atendimento Pediátrico (CAP) e a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) funcionam 24 horas por dia, enquanto a Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Jardim Ouro Branco atua como unidade sentinela para triagem nos turnos da manhã, tarde e noite. Na atenção primária, o município conta ainda com sete unidades com atendimento pediátrico ambulatorial. Apenas os casos de maior gravidade devem ser encaminhados ao Hospital do Oeste.
-
Saúdehá 2 diasSesab esclarece óbito suspeito de dengue e reforça ações de enfrentamento à doença na Bahia
-
Agriculturahá 3 diasTapiramutá inaugura unidade de beneficiamento de leite e fortalece agricultura familiar
-
Serviçoshá 2 diasVagas de emprego na Bahia para esta segunda-feira (4)
-
Serviçoshá 2 diasSimm oferece 221 vagas para segunda-feira (4)
