Saúde
Parceria impulsiona produção de medicamentos oncológicos na Bahia
Acordos assinados na Índia permitirão a produção local de fármacos estratégicos e fortalecem a autonomia nacional na área da saúde.
A saúde pública da Bahia vive mais um momento histórico com a formalização de uma parceria que permitirá a produção, em solo baiano, por meio da Bahiafarma, de quatro medicamentos de alta tecnologia e complexidade, como Nivolumab e Pertuzumab, fundamentais no tratamento do câncer. A assinatura ocorreu neste sábado (21), em Nova Délhi, na Índia, durante agenda oficial da comitiva brasileira.
A iniciativa envolve empresas globais como Biocon e Dr. Reddys (Índia), além da Bionovis (Brasil), e estabelece a transferência de tecnologia para a produção de medicamentos modernos e estratégicos para o Sistema Único de Saúde (SUS). A parceria fortalece a indústria nacional, amplia o acesso da população a terapias inovadoras, sobretudo na oncologia, e contribui para gerar emprego e renda na Bahia.
Segundo a Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab), o acordo integra o esforço de reindustrialização do setor no país, priorizando a soberania tecnológica, a redução da dependência externa e a ampliação do acesso a tratamentos de ponta no SUS. Para a Bahiafarma, trata-se de um avanço decisivo na fabricação de biotecnológicos de última geração.
Entre os acordos firmados, está a transferência tecnológica para um medicamento utilizado no tratamento do câncer de mama e um protocolo de cooperação relacionado ao Nivolumab, indicado para diversos tipos de câncer, como mieloma e câncer de pulmão.
Fórum Índia-Brasil
A formalização dos acordos ocorreu durante o Fórum Empresarial Índia-Brasil 2026, que reuniu autoridades de ambos os países, lideranças empresariais e representantes de setores estratégicos. O evento, organizado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), promoveu debates sobre desafios globais e oportunidades bilaterais de investimento, com foco em áreas consideradas prioritárias para a cooperação entre as nações.
De acordo com a ApexBrasil, as parcerias firmadas no evento reforçam o ambiente de negócios e ampliam as possibilidades de investimentos em diferentes setores, com impactos positivos para o desenvolvimento econômico da Bahia e do Brasil.
Saúde
Missão na Índia reforça estratégia brasileira de soberania em saúde
Bahia e Governo Federal avançam em acordos para nacionalizar biológicos e garantir acesso a tratamentos modernos pelo SUS
A secretária da Saúde do Estado da Bahia, Roberta Santana, acompanhou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em agenda técnica na Índia voltada ao fortalecimento da produção nacional de medicamentos biológicos e à ampliação do acesso a terapias de alto custo no Sistema Único de Saúde (SUS). Nesta quinta-feira (19), a comitiva visitou a Biocon Biologics Limited, um dos principais players globais em biológicos, para conhecer de perto a planta industrial e os processos relacionados ao pertuzumabe, medicamento indicado para o tratamento do câncer de mama e integrante das Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs) aprovadas pelo Ministério da Saúde.
Durante a visita à Biocon, em Bengaluru, o foco foi a etapa técnica que antecede a transferência de tecnologia para produção no Brasil, em parceria com a Bahiafarma e a Bionovis, empresa nacional selecionada em chamada pública para atuar como parceira privada no processo de internalização e nacionalização de biológicos.
“A missão é sobre garantir soberania sanitária: produzir mais no Brasil, reduzir vulnerabilidades e ampliar o acesso da população a tratamentos modernos, especialmente na oncologia. Ver a operação industrial e discutir o caminho de transferência de tecnologia é parte do trabalho que transforma estratégia em entrega”, afirmou Roberta Santana.
O ministro Alexandre Padilha ressaltou que a agenda internacional integra o esforço do Governo Federal para enfrentar gargalos históricos do complexo econômico-industrial da saúde. Nesse contexto, lembrou que o SUS é o maior comprador de saúde do país e que a organização de parcerias de transferência tecnológica busca assegurar oferta regular, reduzir a dependência externa e tornar o acesso mais sustentável para a população.
Além do pertuzumabe, a missão envolve outras três PDPs consideradas estratégicas para doenças e agravos críticos do SUS: eculizumabe (doenças raras), bevacizumabe (diversos tipos de câncer) e nivolumabe (diferentes tipos de câncer). As parcerias internacionais incluem Samsung Bioepis (Coreia do Sul), Biocon (Índia) e Dr. Reddy’s (Índia), com participação de Bionovis e Bahiafarma no arranjo nacional.
Visita ao Narayana Health City
Ainda em Bengaluru, a comitiva visitou o Narayana Health City, complexo hospitalar multiespecializado de referência na Índia, reconhecido pela alta qualidade em cuidados terciários, uso intensivo de tecnologia avançada, processos eficientes e atenção à experiência do paciente. O grupo conheceu práticas e fluxos em áreas como cardiologia, oncologia e transplantes, com o objetivo de identificar modelos de gestão e assistência que possam inspirar melhorias contínuas nos serviços e na organização do cuidado no Brasil.
A missão internacional ocorre em paralelo ao planejamento de ampliação da capacidade industrial da Bahiafarma para a produção de biológicos, com a estruturação de uma nova planta produtiva e investimentos previstos em infraestrutura e equipamentos, dentro do esforço de reindustrialização em saúde e fortalecimento do SUS.
Saúde
Brasil busca parceria com Índia para ampliar produção de medicamentos e vacinas
Ministro da Saúde articula cooperação em Nova Délhi e destaca integração em inovação, saúde pública e uso de inteligência artificial
O governo brasileiro manifestou, nesta quarta-feira (18), a intenção de estabelecer cooperação com a Índia para a produção de medicamentos e vacinas. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, integra a comitiva do presidente Lula, que está em Nova Délhi para participar da cúpula sobre o impacto da inteligência artificial.
Segundo Padilha, conforme divulgou o governo, a proposta de parceria inclui instituições públicas e empresas dos dois países para a produção de medicamentos oncológicos e também de remédios voltados ao combate de doenças tropicais.
Sistemas públicos
Em encontro com os ministros indianos Jagat Prakash Nadda (Saúde e Bem-Estar da Família) e Prataprao Jadhav (Medicina Tradicional), Padilha apresentou também a intenção de ampliar ações conjuntas e trocar experiências sobre o acesso gratuito da população aos serviços de saúde.
“Brasil e Índia têm sistemas públicos robustos, forte capacidade científica e papel estratégico no Sul Global. Nossa cooperação em saúde pode ampliar o acesso da população a medicamentos, fortalecer a produção local e impulsionar a inovação”, afirmou o ministro brasileiro.
Padilha convidou ainda o governo indiano a integrar a Coalizão Global para Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo. “Queremos que Índia e Brasil estejam na linha de frente de uma nova agenda internacional de saúde baseada em produção local, inovação e cooperação solidária”, ponderou.
Inteligência artificial
Outro tema discutido entre autoridades dos dois países foi o uso de tecnologias digitais e inteligência artificial para aprimorar a organização dos sistemas públicos de saúde.
Segundo Padilha, o intercâmbio na área de saúde digital pode colaborar com a modernização do SUS, ampliar o acesso e qualificar o cuidado oferecido à população.
Entre as propostas apresentadas está também a criação de uma biblioteca digital de medicina tradicional, reunindo evidências científicas, protocolos, estudos clínicos, registros históricos e boas práticas relacionadas às práticas integrativas e complementares em saúde.
Saúde
Central Estadual de Regulação soluciona mais de mil casos em 24 horas durante o Carnaval da Bahia
Com trabalho ininterrupto, equipes garantem acesso a leitos, transferências aéreas e procedimentos de alta complexidade, reforçando a assistência em período de grande demanda
Em apenas 24 horas, a Central Estadual de Regulação, estrutura do Governo da Bahia responsável por organizar o acesso à rede de urgência e emergência, solucionou 1.029 casos. O volume reflete o funcionamento contínuo do sistema estadual mesmo durante o Carnaval, com decisões clínicas que envolvem busca por leitos, encaminhamento para cirurgias, autorização de exames complexos e avaliação conjunta com especialistas.
“A regulação organiza o acesso com base em critério clínico: a prioridade é a gravidade, não o endereço. Isso permite, por exemplo, acionar uma UTI aérea e garantir que o paciente chegue ao serviço certo. O Governo do Estado mantém equipes e estrutura de plantão para dar resposta todos os dias”, destacou a secretária da Saúde, Roberta Santana.
A maior demanda registrada no período foi na área de ortopedia, com 163 solicitações — principalmente politraumas decorrentes de acidentes motociclísticos e fraturas por quedas de idosos. Entre os casos de maior urgência esteve o do bebê Vitor, de um mês, transferido de avião para Salvador para realizar uma cirurgia cardíaca.
“É um ótimo serviço, muito rápido. Hoje mesmo foi solicitado o transporte aéreo e já viemos para Salvador”, relatou Vanderleia Silva, mãe da criança.
No mesmo intervalo de 24 horas, o Governo do Estado realizou seis transferências por UTI aérea: além de Vitor, envolveram dois adultos e três crianças.
A Central funciona 24 horas por dia, com uma equipe de 524 profissionais, sendo 213 médicos, que asseguram o acesso a leitos hospitalares e procedimentos na rede pública e contratada. Apenas em 2025, mais de 329 mil casos foram resolvidos, dos quais 71,93% tiveram desfecho em até 24 horas e 86,22% em até 72 horas — desempenho superior ao registrado em 2022.
Nos três primeiros anos da gestão do governador Jerônimo Rodrigues, foram abertos 1.875 novos leitos na rede estadual, além da contratação de 3.706 leitos na rede privada, filantrópica e municipal, ultrapassando 5.500 leitos adicionais. Em 2025, nove mutirões ajudaram a acelerar casos de urgência e emergência.
Neste sábado (14), a secretária Roberta Santana esteve na Central Estadual de Regulação para acompanhar os trabalhos de médicos, auxiliares e equipes de suporte, responsáveis também por acionar UTIs terrestres e aéreas conforme a necessidade assistencial. Em 2026, mais de 38 mil casos já foram regulados.
A regulação é um instrumento fundamental do SUS para organizar o acesso e orientar a gestão de vagas hospitalares com base em critérios clínicos. Na Bahia, a Central Integrada de Comando e Controle da Saúde utiliza tecnologia para agilizar fluxos, reduzir tempos de espera e encaminhar cada paciente ao serviço adequado.
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