Justiça
Em dois anos, STF responsabilizou 898 pessoas por atos do 8 de janeiro
Os números constam do balanço divulgado nesta terça (7) pelo gabinete do ministro Alexandre de Moraes. Confira!
Dois anos após os ataques golpistas de 8 de janeiro, o Supremo Tribunal Federal (STF) já condenou 371 pessoas das mais de duas mil investigadas por participar dos atentados aos prédios dos três Poderes. Além disso, outras 527 admitiram a prática de crimes menos graves e fizeram acordo com o Ministério Público Federal (MPF), totalizando 898 envolvidos responsabilizados até o momento. Os números constam do balanço divulgado nesta terça-feira (7) pelo gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos relacionados ao caso.
A maioria dos condenados ― 225 ― teve suas ações classificadas como graves. As penas para esses réus variam de três anos a 17 anos e seis meses de prisão. Os crimes pelos quais foram condenados são cinco: tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, associação criminosa e deterioração de patrimônio público.
Outras 146 pessoas foram condenadas por incitação e associação criminosa, considerados crimes simples. Elas não foram presas, mas devem usar tornozeleira eletrônica por um ano, pagar multa, prestar 225 horas de serviços à comunidade e participar de um curso presencial sobre democracia. Além disso, estão proibidas de usar redes sociais nesse período e de viajar, mesmo dentro do Brasil, sem autorização judicial. Ainda de acordo com o relatório, cinco pessoas foram absolvidas das acusações.
Acordos
Até agora, o STF também confirmou acordos com outros 527 envolvidos nos atentados para evitar prisões mediante multa ― os chamados Acordos de Não Persecução Penal (ANPP). O valor arrecadado com esses acordos, por enquanto, é de mais de R$ 1,7 milhão.
Além da multa, os envolvidos estão obrigados a prestar 150 horas de serviço comunitários e não podem manter perfis em redes sociais abertas durante o período de vigência do acordo. Também devem frequentar um curso sobre o funcionamento da democracia oferecido pelo Ministério Público Federal (MPF).
Foragidos
Entre os condenados ao regime fechado (223 no total), 71 já iniciaram o cumprimento das penas, e 30 aguardam o esgotamento das possibilidades de recurso (trânsito em julgado) nas suas ações penais para o início da execução penal.
Outras 122 pessoas, no entanto, são consideradas foragidas. Em relação a metade delas, já foram adotadas medidas cabíveis para o pedido de extradição junto a autoridades estrangeiras. Elas estavam sendo monitoradas por tornozeleira eletrônica e saíram do país após romperem o equipamento. Uma vez extraditadas, deverão passar a cumprir suas penas em regime fechado.
Informações complementares
No período, foram proferidas 15.398 decisões monocráticas e 4.540 despachos, realizadas 1.534 audiências de custódia, 342 medidas de busca e apreensão e 488 afastamentos de sigilos (bancário e/ou telemático)
Confira o relatório completo.
Justiça
Bahia cria grupo para acolher vítimas de assédio eleitoral e perseguição política
Iniciativa da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos busca incentivar denúncias, prevenir violações de direitos e fortalecer a proteção às vítimas de violência por motivação política
A Secretaria de Justiça e Direitos Humanos da Bahia (SJDH) instituiu um Grupo de Trabalho voltado ao acolhimento de vítimas de assédio eleitoral, ao incentivo às denúncias e à prevenção de casos de violência e perseguição motivados por posições políticas.
A iniciativa reúne diferentes setores da pasta para atuar na proteção dos direitos dos cidadãos, especialmente em situações relacionadas à perseguição política em estabelecimentos comerciais, serviços e ambientes de trabalho. O grupo também atuará na prevenção de retaliações praticadas por empregadores contra trabalhadores em razão de posicionamentos políticos.
Além disso, a medida contempla ações de proteção a defensores dos direitos humanos e o enfrentamento de agressões, ameaças, constrangimentos e insultos motivados por divergências políticas.
Segundo a SJDH, a criação do grupo reforça o compromisso do Governo da Bahia com a defesa da democracia, a garantia dos direitos fundamentais e o acolhimento de pessoas que tenham sido vítimas de violência política no período pós-eleitoral.
Pessoas que sofreram, presenciaram ou tenham conhecimento de situações de violência, intimidação ou perseguição por motivação política podem procurar a Ouvidoria da SJDH por ligação ou mensagem, por meio do telefone (71) 98636-8852.
Justiça
Bahia amplia acessibilidade com Central para Pessoas com Deficiência
Visita do Ministério dos Direitos Humanos destaca investimentos em inclusão, ampliação de serviços em Libras e novos espaços voltados ao acolhimento de PCDs e neurodivergentes
Uma comitiva do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania visitou, nesta quinta-feira (8), a Central de Atendimento à Pessoa com Deficiência, equipamento da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH), instalado no Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC) do Shopping da Bahia, em Salvador. A iniciativa conta com investimento de R$ 1,66 milhão e prevê a atuação de dez profissionais intérpretes de Libras, selecionados após processo de avaliação realizado em setembro.
Durante a visita, foram apresentados os serviços oferecidos pela Central, os resultados alcançados nos atendimentos e o Núcleo de Comunicação em Libras (NCL), que está em fase de implantação para ampliar a acessibilidade e fortalecer a inclusão de pessoas com deficiência auditiva.
A estrutura funciona como uma porta de entrada para pessoas com deficiência e seus familiares, oferecendo orientação e acesso a serviços públicos, benefícios, programas e políticas de garantia de direitos.
Segundo a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, a construção de ambientes verdadeiramente inclusivos exige que os espaços públicos estejam preparados para atender à diversidade de necessidades da população.
“A gente vê o esforço coletivo de mais de uma área dentro do governo estadual para garantir que esse espaço seja efetivamente inclusivo para todos. A pessoa com deficiência não precisa se adaptar ao espaço. O espaço é que precisa ser efetivamente inclusivo e democrático”, afirmou.
O secretário de Justiça e Direitos Humanos da Bahia, Felipe Freitas, ressaltou que a ampliação dos serviços busca assegurar que as políticas públicas sejam plenamente acessíveis.
“Todos os serviços só são plenamente acessíveis se adotarmos estratégias ativas que promovam a garantia do direito das pessoas com deficiência a esse espaço. E a gente já tem resultados importantes, com ampliação da procura pelos serviços, como do Passe Livre e da Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista”, destacou.
Ampliação dos serviços
O Núcleo de Comunicação em Libras é resultado de uma parceria entre a SJDH e a Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Auditivos (APADA).
Entre 2024 e 2026, a Central registrou 12.740 atendimentos relacionados ao Passe Livre Intermunicipal e 3.957 atendimentos ou emissões da Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (CIPTEA).
- Além desses serviços, o novo núcleo contará com:
- Atendimento do INSS;
- Intermediação de mão de obra pelo SineCapaz;
- Serviços do Detran-BA;
- Tradução e interpretação em Libras;
- Mediação comunicacional para pessoas com deficiência auditiva, surdez parcial ou total e deficiências múltiplas.
O secretário da Administração, Rodrigo Pimentel, destacou que a ampliação da acessibilidade está alinhada à missão do SAC de democratizar o acesso aos serviços públicos.
“Essa é a missão do SAC: chegar cada vez mais ao cidadão e, para isso, temos que falar todas as linguagens e atender a todos que procuram os nossos serviços”, afirmou.
Sala multissensorial amplia inclusão no Aeroporto de Salvador
Também nesta quinta-feira foi inaugurada uma sala multissensorial no Aeroporto Internacional de Salvador, voltada ao atendimento de passageiros neurodivergentes que necessitam de ambientes com estímulos controlados.
O espaço foi projetado para reduzir impactos causados por ruídos, iluminação intensa, movimentação constante e outros estímulos comuns em aeroportos, proporcionando mais conforto, segurança e autonomia aos usuários.
A cerimônia contou com a presença dos secretários estaduais Felipe Freitas (SJDH) e Maurício Bacelar (Turismo), além de representantes do Conselho Estadual da Pessoa com Deficiência (COEDE) e da VINCI Airports Brasil, concessionária responsável pela administração do terminal.
Para o secretário de Turismo, a iniciativa fortalece a imagem da Bahia como destino mais inclusivo.
“É uma sala que vai qualificar o nosso aeroporto e o destino Bahia para um público muito especial, que encontra acolhimento no nosso estado”, ressaltou Maurício Bacelar.
As iniciativas reforçam o compromisso do Governo da Bahia com a promoção da acessibilidade, da inclusão social e da garantia de direitos das pessoas com deficiência, ampliando o acesso a serviços públicos e tornando os espaços mais acolhedores e democráticos.
Justiça
Flávio Dino pede vista e julgamento do STF sobre relatório da PF no caso Banco Master é suspenso
Plenário analisava questão processual sobre a tramitação de duas petições relacionadas ao caso quando o ministro pediu mais tempo para exame do tema; mérito das investigações ainda não foi apreciado
Um pedido de vista do ministro Flávio Dino suspendeu, no Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), a análise da Petição (Pet) 16662, relacionada a um relatório produzido pela Polícia Federal no âmbito do caso Banco Master. A interrupção ocorreu antes da apreciação do mérito da matéria. No momento da suspensão, os ministros discutiam uma questão de ordem sobre a possibilidade de julgamento conjunto da Pet 16662 com a Petição 16704.
Questão de ordem divide ministros
A Petição 16662 foi encaminhada ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, pelo ministro André Mendonça. O processo tem origem em um relatório elaborado pela Polícia Federal com base em informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Segundo o documento, haveria supostos diálogos relacionados ao ministro Alexandre de Moraes.
Em manifestação nos autos, a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou a nulidade do relatório produzido pela Polícia Federal.
Já a Petição 16704 foi autuada por determinação de Edson Fachin a partir de informações apresentadas por Alexandre de Moraes. O processo se baseia em um relatório de inteligência da Polícia Federal que aponta possíveis irregularidades na condução do caso Banco Master pelo ministro André Mendonça.
A questão de ordem foi apresentada pelo ministro Gilmar Mendes, a partir de sugestão de Flávio Dino. A proposta prevê a tramitação conjunta das duas petições, além do sorteio de um novo relator para os casos, atualmente sob responsabilidade de Edson Fachin.
Gilmar também defendeu a identificação, nos autos, de magistrados eventualmente citados nas investigações relacionadas ao Banco Master, bem como a abertura de prazo para manifestação da PGR e dos juízes mencionados.
Placar parcial
Até a suspensão do julgamento, havia divergência entre os ministros.
Votaram contra a questão de ordem e pela manutenção dos processos separados:
- Edson Fachin;
- Cármen Lúcia;
- Luiz Fux;
- André Mendonça.
Já votaram a favor da tramitação conjunta:
- Gilmar Mendes;
- Alexandre de Moraes;
- Cristiano Zanin.
Com o pedido de vista de Flávio Dino, a análise ficará suspensa até a devolução do processo para continuidade do julgamento.
Impedimento e suspeição
Antes da discussão da questão processual, o ministro Nunes Marques declarou-se impedido de participar do julgamento. Segundo ele, eventual decisão poderia produzir reflexos no cenário político-eleitoral a poucos dias do primeiro turno das eleições e, na condição de presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), considerou mais adequado não atuar no caso.
O ministro Dias Toffoli também não participará da análise. Seguindo posicionamentos adotados em outros processos relacionados ao Banco Master, ele declarou suspeição por motivo de foro íntimo.
Argumentos pela análise separada
Ao votar, Edson Fachin afirmou que a discussão atual se restringe à possibilidade de apuração de supostos indícios de irregularidades envolvendo magistrados e ao pedido de nulidade apresentado pela PGR.
Segundo o presidente do STF, não está em julgamento, neste momento, qualquer responsabilidade penal nem há conclusão sobre os fatos sob análise, atribuições que cabem ao Ministério Público.
André Mendonça sustentou que não há necessidade de unificação dos processos, uma vez que os fatos discutidos em cada petição seriam distintos. Luiz Fux também avaliou que não existe risco concreto de decisões contraditórias que justifique a tramitação conjunta.
Na mesma linha, a ministra Cármen Lúcia defendeu a observância do rito adotado pela relatoria e ressaltou a importância de uma análise transparente dos fatos.
Argumentos pela reunião dos processos
Entre os ministros favoráveis ao julgamento conjunto, Gilmar Mendes argumentou que não existe previsão legal para que presidentes de tribunais assumam automaticamente determinadas relatorias e destacou a necessidade de apuração abrangente dos fatos.
Cristiano Zanin afirmou que a reunião dos processos garantiria maior coerência processual na análise das duas petições.
Já Alexandre de Moraes defendeu que o julgamento conjunto asseguraria tratamento isonômico aos envolvidos e observou que, diante da existência apenas de notícias de fato e do pedido de nulidade formulado pela PGR, o STF não poderia determinar investigações de ofício sem provocação formal dos órgãos competentes.
Fonte: STF
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