Saúde
Hospital Regional Costa do Cacau retoma cirurgias cardíacas
A unidade reforça seu papel como referência no tratamento de doenças cardiovasculares de média e alta complexidade
O Hospital Regional Costa do Cacau (HRCC), unidade da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) gerida pela Fundação Fabamed, em Ilhéus, retomou a realização de cirurgias cardíacas em fevereiro de 2025, reforçando seu papel como referência no tratamento de doenças cardiovasculares de média e alta complexidade no interior do estado.
Com estrutura moderna e equipe altamente qualificada, o hospital voltou a oferecer procedimentos essenciais para pacientes que necessitam de intervenção cirúrgica para doenças do coração. Somente no último mês, foram realizados três implantes de marcapasso e cinco cirurgias de revascularização do miocárdio (ponte de safena), todas com circulação extracorpórea (CEC).
A retomada dos procedimentos cirúrgicos cardíacos mantém o ritmo assistencial da unidade, que entre janeiro e novembro de 2024 realizou 51 intervenções de alta complexidade. A equipe médica, coordenada pelo cirurgião Sidnei Nardeli, segue empenhada em garantir assistência qualificada e segura aos pacientes.
Para José Saturnino Rodrigues, presidente da Fundação Fabamed, a ampliação do serviço reforça o compromisso com a saúde pública e a interiorização do atendimento especializado. “A reativação das cirurgias cardíacas no HRCC é uma conquista para a população do sul da Bahia. Nos próximos meses, ampliaremos ainda mais a oferta de procedimentos, garantindo um atendimento cada vez mais humanizado e eficiente para os pacientes do SUS”, afirmou.
A Sesab segue investindo na qualificação da assistência cardiológica, ampliando o acesso a cirurgias de alta complexidade e reduzindo a necessidade de deslocamento de pacientes para a capital. Com a retomada dos procedimentos, o HRCC reafirma seu papel estratégico na rede de saúde do estado, proporcionando mais qualidade de vida e esperança a quem precisa.
Saúde
Governo da Bahia anuncia R$ 388,7 milhões para ampliar rede pública de saúde
Pacote contempla construção e reforma de unidades, novos hospitais, bases do Samu e entrega de veículos em 52 municípios
O governador Jerônimo Rodrigues assinou, nesta quinta-feira (11), um conjunto de 59 atos voltados ao fortalecimento da rede pública de saúde da Bahia. Os investimentos somam R$ 388,7 milhões e beneficiarão diretamente 52 municípios baianos, com a construção de novos hospitais, reformas, ampliação da assistência e entrega de veículos.
“A nossa felicidade é saber que, em breve, essas obras licitadas e esses convênios assinados se transformarão em unidades de saúde que salvarão vidas”, afirmou o governador.
Durante a solenidade, foi autorizada a licitação para a construção de um hospital em Bom Jesus da Lapa, além da assinatura de convênios para a implantação de novas unidades hospitalares nos municípios de Baixa Grande, Irará, Jacaraci e Santaluz, ampliando a capacidade de atendimento em diversas regiões do estado.
A nova unidade em Bom Jesus da Lapa contará com 110 leitos, sendo 20 de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O hospital ampliará a assistência à saúde na região oeste, reduzindo a necessidade de deslocamento para tratamentos.
Presente no evento, a secretária da Saúde do Estado, Roberta Santana, destacou a parceria entre o Governo da Bahia e os municípios. “Estamos reafirmando o compromisso com o fortalecimento da rede de saúde em todo o estado. Trata-se de um grande volume de investimentos que se soma às demais ações realizadas nos últimos três anos”, afirmou.
O pacote também contempla a implantação de duas novas bases do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em Anguera e Antônio Cardoso, além da construção de 11 novas Unidades Básicas de Saúde (UBS), duas delas equipadas com salas de estabilização para atendimentos de urgência e emergência.
Outro destaque é a autorização para 24 reformas em unidades de saúde. Entre as intervenções previstas estão melhorias nos hospitais municipais de Mundo Novo, Quijingue e São Gabriel, consideradas estratégicas para qualificar o atendimento à população.
Também foram entregues 18 veículos para reforçar os serviços de saúde: 16 micro-ônibus, uma ambulância e uma van destinada ao transporte de pacientes para tratamento fora do domicílio.
Mais de R$ 856 milhões investidos desde 2023
Os novos aportes reforçam a política de expansão da infraestrutura de saúde adotada pelo Governo da Bahia. Desde 2023, a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) já firmou 305 convênios com municípios, totalizando R$ 856,5 milhões em investimentos.
No período, foram viabilizadas 121 novas Unidades Básicas de Saúde e 11 novos hospitais em diferentes regiões do estado.
Saúde
Gordura no fígado afeta 30% dos adultos e pode evoluir para cirrose e câncer
Campanha nacional alerta para doença silenciosa que já é considerada uma das maiores ameaças à saúde metabólica da população
Imagine conviver por anos com uma doença capaz de evoluir para cirrose, câncer de fígado e aumentar o risco de infarto, sem apresentar sintomas. Essa é a realidade de milhões de pessoas que vivem com a Doença Hepática Esteatótica Associada à Disfunção Metabólica (MASLD, sigla em inglês), popularmente conhecida como gordura no fígado.
Dados internacionais apontam que cerca de 30% da população mundial já apresenta a condição. Isso significa que aproximadamente uma em cada três pessoas pode conviver com o problema sem saber.
Para chamar a atenção para esse cenário, o mês de junho é dedicado à conscientização sobre a doença, culminando com o MASH Day, celebrado mundialmente em 11 de junho. A data integra uma mobilização internacional voltada à ampliação do diagnóstico precoce e ao combate à desinformação.
Segundo a gastro-hepatologista Lourianne Cavalcante, médica do Hospital Geral Roberto Santos (HGRS), o principal desafio é justamente o caráter silencioso da doença.
“A maioria dos pacientes não sente nada. Muitas vezes, a gordura no fígado é descoberta por acaso, durante um exame de rotina. O problema é que, enquanto permanece sem diagnóstico, a doença pode avançar para estágios mais graves, com inflamação, fibrose, cirrose e até câncer de fígado”, alerta a especialista.
A condição está fortemente relacionada à obesidade, ao diabetes tipo 2, à hipertensão arterial, ao colesterol elevado e à síndrome metabólica. Entre pessoas com diabetes tipo 2, a prevalência pode chegar a 65%.
Muito além do fígado
Apesar do nome, os riscos não se limitam ao fígado. Estudos mostram que a principal causa de morte entre pacientes com MASLD não são as complicações hepáticas, mas as doenças cardiovasculares.
“A gordura no fígado é um importante sinal de alerta de que existe um desequilíbrio metabólico no organismo. Por isso, cuidar do fígado também significa proteger o coração”, explica Cavalcante.
Outro dado que chama a atenção é que a doença também pode acometer pessoas magras. Embora o excesso de peso seja um dos principais fatores de risco, indivíduos com peso considerado normal também podem desenvolver formas graves da enfermidade.
Hábitos e tratamento
As estratégias com comprovação científica para reduzir a gordura no fígado incluem perda de peso, alimentação saudável, redução do consumo de bebidas açucaradas, prática regular de atividade física e acompanhamento médico. Especialistas alertam que não há chás, detox ou suplementos capazes de eliminar a gordura no fígado.
Nos últimos anos, avanços importantes também ocorreram no tratamento medicamentoso, com novas terapias que apresentam resultados promissores para pacientes com formas mais avançadas da doença.
Quem deve investigar
O rastreamento é recomendado principalmente para pessoas que apresentam diabetes tipo 2, obesidade, síndrome metabólica, alterações persistentes nas enzimas hepáticas ou gordura no fígado identificada em ultrassonografia. Exames simples e acessíveis podem ajudar a identificar precocemente o risco de evolução para formas mais graves.
Campanha
Neste mês, o Hospital Geral Roberto Santos (HGRS) aderiu à campanha nacional com ações de conscientização e orientação ao público. Durante o período, serão realizadas atividades educativas voltadas a pacientes, familiares e profissionais de saúde da unidade.
A proposta é reforçar uma mensagem simples, mas essencial: gordura no fígado não é apenas uma alteração em exames. Trata-se de uma doença que pode ser prevenida, diagnosticada precocemente e tratada.
Saúde
Reajuste de planos de saúde de 5,11% beneficia minoria e expõe distorções do setor
Limite definido pela ANS vale apenas para contratos individuais e familiares; maioria dos beneficiários, em planos coletivos, segue sem teto de aumento
O anúncio do reajuste máximo de 5,11% para planos de saúde individuais e familiares, divulgado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), trouxe alívio para parte dos consumidores. No entanto, a medida está longe de representar a realidade da maioria dos beneficiários da saúde suplementar no país. Isso porque o índice vale apenas para contratos individuais e familiares, que atualmente correspondem a uma parcela minoritária do mercado.
Na prática, milhões de brasileiros vinculados a planos coletivos por adesão ou empresariais poderão enfrentar aumentos superiores ao percentual anunciado, uma vez que essas modalidades não estão sujeitas ao teto de reajuste definido anualmente pela agência reguladora.
Mercado mudou
Dados da ANS mostram que os planos coletivos concentram a maior parte dos beneficiários da saúde suplementar. Ao longo dos últimos anos, a oferta de planos individuais diminuiu significativamente, levando consumidores a migrar para contratos coletivos, que seguem regras distintas para a definição dos reajustes.
Para a advogada especialista em Direito da Saúde, Marina Basile, a divulgação do percentual pode gerar uma falsa sensação de proteção para grande parte da população. “Muitas pessoas acreditam que seus contratos estarão protegidos pelo limite de 5,11%, quando, na verdade, estão vinculadas a modalidades que seguem regras diferentes e podem sofrer reajustes muito superiores”, afirma.
Aumentos maiores
Segundo a especialista, a redução gradual da oferta de planos individuais ampliou a exposição dos consumidores a reajustes mais elevados. “Nos últimos anos, observamos uma redução significativa da oferta de planos individuais. Como consequência, milhões de consumidores migraram para contratos coletivos, que possuem regras distintas e frequentemente apresentam reajustes muito acima da inflação e da capacidade financeira das famílias”, destaca.
O cenário ocorre em um momento de aumento dos custos assistenciais, incorporação de novas tecnologias e envelhecimento da população, fatores que têm pressionado as despesas do setor de saúde suplementar.
Direitos do consumidor
Embora o reajuste de 5,11% seja aplicado exclusivamente aos contratos individuais e familiares, Marina Basile ressalta que os beneficiários de todas as modalidades contam com mecanismos legais para questionar cobranças consideradas abusivas.
“Para os consumidores que possuem planos individuais e familiares, o índice anunciado pela ANS também representa um importante parâmetro de proteção. Dependendo da análise do contrato e do histórico de reajustes aplicados, é possível discutir judicialmente a adequação dos percentuais cobrados quando houver indícios de abusividade”, explica.
A especialista destaca que a discussão judicial pode envolver não apenas a revisão dos reajustes futuros, mas também a recuperação de valores pagos indevidamente. “Em muitos casos, além da revisão dos reajustes, o consumidor pode buscar a restituição dos valores pagos indevidamente nos últimos três anos, devidamente corrigidos. É um direito pouco conhecido, mas que pode representar uma recuperação financeira significativa para famílias que suportaram aumentos excessivos ao longo do tempo”, afirma.
Efeito em cadeia
Os reajustes sucessivos dos planos de saúde produzem impactos que vão além do orçamento doméstico. O aumento das mensalidades tem levado parte dos consumidores a cancelar seus contratos, pressionando ainda mais a rede pública de saúde.
“Quando os reajustes se tornam incompatíveis com a renda dos consumidores, muitos acabam cancelando seus planos de saúde. Isso gera um efeito em cadeia: aumenta a pressão sobre o SUS, amplia a judicialização da saúde e reduz o acesso da população à assistência privada”, observa Marina Basile.
Para a advogada, a discussão sobre os reajustes dos planos de saúde precisa avançar para além do percentual divulgado anualmente pela ANS. “Estamos diante de uma discussão sobre sustentabilidade, transparência e acesso à saúde. O consumidor precisa compreender que os 5,11% não refletem a realidade da maioria dos contratos existentes no mercado. É fundamental ampliar o debate sobre os reajustes dos planos coletivos e garantir mecanismos mais efetivos de proteção aos usuários”, conclui.
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