Política
Dois prefeitos do União Brasil acenam movimento para a base de Jerônimo
Gestores do mesmo partido de Neto, se reuniram separadamente com o governador, em Salvador, e acenaram em direção à base petista
A base política de ACM Neto parece derreter diante do avanço das alianças que Jerônimo Rodrigues tem feito com gestores municiais. Nesta quinta-feira (30), dois prefeitos do União Brasil, mesmo partido de Neto, se reuniram separadamente com o governador, em Salvador, e acenaram em direção à base petista.
Após o encontro, Alfredinho Magalhães, de Sítio do Mato, sinalizou que deve andar lado a lado com Jerônimo. “É um caminho que a gente vai começar a trilhar, né? E acho que vai dar tudo certo”. Ele revelou que recentemente buscou auxílio junto ao governador para resolver problemas urgentes do município e que teve uma resposta rápida da estrutura do Estado. “Nós estamos precisando realmente do apoio do governo na Educação, na Saúde. Acredito que o governador vai nos ajudar bastante”, explicou.

No mesmo dia, Jerônimo também recebeu Marcelo Belitardo, de Teixeira de Freitas. O prefeito do União Brasil enalteceu o encontro. “Aqui, hoje, reunião importante com o nosso governador Jerônimo, tratando de assuntos importantes para Teixeira de Freitas”. Belitardo destacou a importância da gestão estadual nessa parceria. “Esse investimento do Estado é de sua importância. Já vem investindo, vai investir cada vez mais. O olhar sensível para atender a necessidade da nossa querida população”, finalizou o prefeito.
Política
Bahia adere a esforço fiscal para conter alta do diesel, anuncia Jerônimo
Estado vai dividir com a União o subsídio de até R$ 1,20 por litro do diesel importado
O governador Jerônimo Rodrigues anunciou, nesta segunda-feira (30), que a Bahia vai aderir ao esforço fiscal proposto pelo governo federal para conter a alta do diesel, fortemente impactado pela guerra no Oriente Médio. Com a decisão, o Estado assumirá parte da política de estabilização dos preços, dividindo com a União o subsídio de até R$ 1,20 por litro do diesel importado.
Pelo acordo, caberá ao governo federal o pagamento de R$ 0,60 por litro, enquanto o Estado da Bahia arcará com os outros R$ 0,60. A medida busca reduzir os efeitos da crise internacional sobre a economia e garantir o abastecimento no país.
Desde o início do conflito no Oriente Médio, o Governo da Bahia tem atuado em alinhamento com as ações federais para minimizar os impactos da alta dos combustíveis sobre os trabalhadores e setores mais afetados. “Determinei que a Bahia participe desse esforço, assumindo metade do custo da subvenção, em sintonia com o governo do presidente Lula e com o compromisso de proteger a economia da nossa população”, afirmou Jerônimo Rodrigues.
A adesão ocorre após a União apresentar uma alternativa à isenção do ICMS sobre a importação do diesel, diante de entraves legais identificados. Para o governador, a solução construída é viável e necessária diante do atual cenário econômico. “Estamos em condições de dar essa contribuição, que é um esforço fiscal responsável para proteger a economia popular e garantir o abastecimento”, reforçou.
Além da participação na subvenção, o Estado também vai intensificar a fiscalização sobre a cadeia de distribuição e comercialização de combustíveis, com o objetivo de coibir práticas abusivas e assegurar que a redução de preços chegue efetivamente ao consumidor final.
Política
Negligência à primeira infância expõe atraso de Salvador em política essencial
Apesar de avanços pontuais, capital baiana falha em transformar dados e conhecimento científico em políticas estruturadas, enquanto exemplos como Boa Vista (RR) mostram caminhos já consolidados
Mesmo diante de amplo conhecimento científico e de experiências bem-sucedidas no Brasil e no exterior, Salvador se destaca negativamente no cenário nacional de políticas voltadas à primeira infância. O quadro reflete uma realidade mais ampla do país, que segue desperdiçando gerações ao não priorizar ações estruturadas para crianças de 0 a 6 anos.
Segundo dados do IBGE, apenas 1.484 municípios brasileiros possuíam Planos Municipais pela Primeira Infância formalmente instituídos em 2023. Salvador, embora detenha quase totalidade do registro civil e conheça com precisão o perfil de suas crianças, ainda patina para tirar do papel uma política integrada, com metas consideradas tímidas diante de um público estimado em mais de 100 mil crianças em situação de vulnerabilidade.
Na capital baiana, os avanços concentram-se sobretudo no registro civil, na atenção básica à saúde e na estabilização da mortalidade infantil. No entanto, a falta de creches, a baixa escala de atendimento e a ausência de integração efetiva entre saúde, educação e assistência social revelam a fragilidade da atuação municipal. A própria meta anunciada — atender cerca de 5 mil crianças e famílias — expõe a falta de prioridade diante da dimensão do problema.
O texto traça um paralelo histórico com a antiga Roda dos Enjeitados, símbolo do abandono infantil no Brasil colonial, para evidenciar que, embora o país tenha avançado institucionalmente, ainda reproduz práticas excludentes sob novas formas. Salvador surge como retrato fiel dessa contradição: conhece seus cidadãos desde o nascimento, mas falha em garantir proteção integral na fase mais decisiva da vida.
Em contraste, Boa Vista (RR) é apresentada como exemplo de política bem-sucedida. Com planejamento, orçamento definido e continuidade administrativa, a capital roraimense estruturou um modelo integrado de atenção à primeira infância, reduziu a mortalidade infantil, ampliou a frequência escolar e colheu resultados sociais e econômicos concretos.
A comparação expõe o atraso de Salvador e de grande parte das capitais brasileiras. Ao ignorar evidências e postergar decisões estratégicas, o poder público compromete não apenas o presente das crianças, mas o futuro social e econômico do país. Investir na primeira infância, reforça o texto, não é retórica nem caridade: é política pública essencial — e Salvador ainda está longe de tratá-la como tal.
Opinião
Mesmo com Zé Cocá, o PT sempre venceu em Jequié e no Vale do Jiquiriçá
Análise dos resultados eleitorais mostra que, apesar da força local do prefeito da “Cidade Sol”, o Partido dos Trabalhadores mantém hegemonia histórica e sólida no Vale do Jiquiriçá

Yuri Almeida é professor, estrategista político e especialista em campanhas eleitorais
No xadrez político da Bahia, o Vale do Jiquiriçá consolidou-se como uma das peças mais resilientes do tabuleiro governista. Enquanto a oposição tenta personificar em Zé Cocá uma ameaça à hegemonia petista, os dados revelam uma realidade distinta: o que existe é um “cinturão governista” que não apenas resiste, mas isola o prefeito de Jequié em um enclave geográfico e político.
Mesmo com sua expressiva votação local, o fato é que o PT e seus aliados mantêm uma invencibilidade histórica em todos os 20 municípios da região.
A força de Zé Cocá, embora robusta em Jequié — onde saltou de 38,29% em 2020 para 91,97% em 2024 —, carece de capilaridade regional. Ao analisarmos o mapa do Vale, Jequié aparece como um ponto fora da curva em um oceano de domínio governista. O isolamento de Cocá é acentuado pelo cerco estratégico de Jerônimo Rodrigues, que já garantiu o apoio de 14 das 20 prefeituras da região e deixa o projeto da oposição restrito a Jequié e a pequenos satélites, como Lafaiete Coutinho e Itiruçu.
O segredo da “blindagem” do Vale reside no fenômeno do lulismo. Lula não é apenas um nome na cédula; é um traço cultural consolidado na região. Com uma média de votação superior a 76% e picos de 84,62% (Santa Inês) e 84,40% (Cravolândia), Lula funciona como um motor de alta tração que impulsiona as candidaturas de Jerônimo, Wagner e Rui Costa.
Essa fidelidade inabalável cria uma correlação de votos forte (0,76). A série histórica (2002–2022) mostra que, mesmo quando o cenário nacional foi adverso, o eleitor do Vale nunca flertou com a oposição majoritária. Para Zé Cocá e ACM Neto, o desafio não é apenas vencer o PT, mas romper a conexão emocional e histórica que o povo do Jiquiriçá mantém com o projeto federal e estadual liderado por Lula.
Os dados de 2024 confirmam que a base governista não sofreu erosão. A vitória de prefeitos aliados em dois terços da região (PT, PSD, Avante e PSB) assegura o controle das máquinas municipais e a capilaridade direta em cada distrito.
A correlação é cirúrgica:
Desempenho dos prefeitos da base (2024): média de 65%.
Desempenho de Jerônimo (2022): média de 65,9%.
Essa estabilidade demonstra que o capital político está preservado. Enquanto a oposição celebra números isolados em Jequié, o governo Jerônimo opera uma estrutura homogênea que cobre a vasta maioria do território. Com o controle de 14 prefeituras estratégicas, incluindo o contrapeso de Jaguaquara — onde o PT venceu com 66,7% —, o governo estadual bloqueia as rotas de expansão da oposição.
Zé Cocá é um líder forte em uma cidade forte, mas sua influência termina onde começa o cinturão de prefeitos aliados a Jerônimo. O cenário para 2026 no Vale do Jiquiriçá é de uma blindagem profunda, com a vitória provável de Jerônimo em todos os 20 municípios, feito já alcançado na eleição anterior. Vale lembrar que, mesmo com Zé Cocá prefeito, em 2022, Jerônimo venceu ACM Neto em Jequié, com 51,41%.
A oposição entra na disputa tentando transformar uma “onda localizada” em Jequié em uma maré regional, mas os dados mostram que o mar continua sendo do PT. Com Lula como grande eleitor e uma rede de prefeitos resilientes, o governo entra na próxima disputa com o Vale do Jiquiriçá como um território de vitória altamente provável, deixando Zé Cocá isolado na tarefa hercúlea de tentar furar uma das bases mais sólidas do petismo na Bahia.
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