Política
Dois prefeitos do União Brasil acenam movimento para a base de Jerônimo
Gestores do mesmo partido de Neto, se reuniram separadamente com o governador, em Salvador, e acenaram em direção à base petista
A base política de ACM Neto parece derreter diante do avanço das alianças que Jerônimo Rodrigues tem feito com gestores municiais. Nesta quinta-feira (30), dois prefeitos do União Brasil, mesmo partido de Neto, se reuniram separadamente com o governador, em Salvador, e acenaram em direção à base petista.
Após o encontro, Alfredinho Magalhães, de Sítio do Mato, sinalizou que deve andar lado a lado com Jerônimo. “É um caminho que a gente vai começar a trilhar, né? E acho que vai dar tudo certo”. Ele revelou que recentemente buscou auxílio junto ao governador para resolver problemas urgentes do município e que teve uma resposta rápida da estrutura do Estado. “Nós estamos precisando realmente do apoio do governo na Educação, na Saúde. Acredito que o governador vai nos ajudar bastante”, explicou.

No mesmo dia, Jerônimo também recebeu Marcelo Belitardo, de Teixeira de Freitas. O prefeito do União Brasil enalteceu o encontro. “Aqui, hoje, reunião importante com o nosso governador Jerônimo, tratando de assuntos importantes para Teixeira de Freitas”. Belitardo destacou a importância da gestão estadual nessa parceria. “Esse investimento do Estado é de sua importância. Já vem investindo, vai investir cada vez mais. O olhar sensível para atender a necessidade da nossa querida população”, finalizou o prefeito.
Eleições 2026
Obras viárias dos governos Wagner, Rui e Jerônimo redesenham mobilidade urbana de Salvador
Intervenções estruturantes ampliaram conexões entre bairros, reduziram gargalos históricos e fortaleceram a integração entre a capital e seus principais eixos de transporte
A Via Expressa, os viadutos do Imbuí e de Narandiba e a duplicação da Avenida Pinto de Aguiar transformaram importantes percursos de Salvador durante o governo Jaques Wagner. Ao criar novas ligações e ampliar corredores viários, o Estado assumiu papel de destaque em grandes intervenções na capital, com obras que passaram a integrar o cotidiano de milhares de pessoas que atravessam a cidade para trabalhar, estudar ou acessar serviços.
Inaugurada em 2013, em parceria com o governo federal, a Via Expressa Baía de Todos-os-Santos estabeleceu uma ligação estratégica entre a BR-324 e o Porto de Salvador. O projeto incluiu a reestruturação da Rótula do Abacaxi, onde cinco viadutos foram entregues em 2010, criando conexões entre os bairros do Retiro, Cabula, Iguatemi e a Avenida Heitor Dias.
A intervenção uniu mobilidade urbana e logística de transporte de cargas, ampliando a competitividade econômica do estado ao facilitar o acesso ao porto, fundamental para o comércio, a indústria e o escoamento da produção baiana. Antes disso, em 2008, Wagner já havia entregue o Complexo Viário Dois de Julho, no acesso ao Aeroporto de Salvador, solucionando um dos principais gargalos viários da capital.
Na Avenida Paralela, o Complexo Viário Imbuí-Narandiba recebeu três viadutos em 2014, melhorando a mobilidade e a integração entre os bairros e a principal via de ligação entre o centro e a região metropolitana. No mesmo ano, a Avenida Pinto de Aguiar foi entregue duplicada, com três faixas por sentido, ciclovia e passeios, após investimento de R$ 63 milhões.
A obra fazia parte de um projeto mais amplo de integração viária, conectando a orla de Salvador à Avenida Gal Costa e, posteriormente, ao Subúrbio Ferroviário. Além das entregas concluídas, Wagner deixou em andamento importantes ligações urbanas que seriam ampliadas pelos governos seguintes.
A expansão dessa rede de mobilidade teve continuidade durante a gestão de Jerônimo Rodrigues. Em junho de 2026, o governador entregou a primeira etapa da duplicação da BA-528, conhecida como Estrada do Derba, entre Águas Claras e a passagem inferior de acesso ao Hospital do Subúrbio.
O investimento de R$ 251,1 milhões contemplou a duplicação de 3,8 quilômetros da pista principal, além da construção de alças de acesso, calçadas, ciclovia e uma passagem inferior. A intervenção fortalece a conexão entre o Subúrbio Ferroviário e a região da nova rodoviária, do metrô e de importantes corredores urbanos da capital. A conclusão total da obra depende ainda da segunda etapa do projeto.
Entre os governos de Wagner e Jerônimo, a gestão de Rui Costa ampliou os corredores transversais de Salvador. Em 2016, foi entregue a duplicação da Avenida Orlando Gomes, enquanto, em 2019, foi inaugurado o trecho da Avenida 29 de Março entre a Estrada Velha do Aeroporto e a Via Regional.
As duas avenidas passaram a compor um importante corredor ligando a orla atlântica à BR-324, na região de Águas Claras, criando novas alternativas de deslocamento e contribuindo para a distribuição do fluxo de veículos pelo interior da cidade.
Rui Costa também inaugurou, em março de 2018, a ligação viária entre as avenidas Pinto de Aguiar e Gal Costa, composta por dois túneis duplos sob a Avenida Paralela e um acesso direto ao Estádio de Pituaçu. Em abril de 2020, foi liberada a ligação Lobato-Pirajá, com quatro túneis e seis viadutos, aproximando o Subúrbio da BR-324 e da Estação Pirajá, um dos principais terminais de integração do transporte público de Salvador.
Política
Mendonça afasta diretor-geral da PF e amplia crise institucional no STF
Decisão do ministro André Mendonça ocorre após divulgação de relatório considerado apócrifo e acusações de monitoramento ilegal contra integrante da Suprema Corte
O ministro André Mendonça, relator do caso Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta terça-feira (8) afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, de suas funções.
Mendonça também determinou o afastamento preventivo do diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada. A decisão atende a pedido apresentado pelo partido Novo.
O ministro justificou a urgência da medida diante do que classificou como a “superlativa gravidade” e a “ilicitude” da divulgação de relatórios de inteligência da Polícia Federal pelo ministro Alexandre de Moraes, também integrante do STF.
O episódio ocorre após Moraes ter tornado público, na semana passada, um relatório da PF que sugere possível direcionamento das investigações do caso Banco Master contra desafetos políticos de Mendonça. O documento, contudo, não possui assinatura nem cabeçalho oficial da corporação.
“Inicialmente, verifica-se que o documento é apócrifo, sem timbre ou qualquer outro símbolo gráfico capaz de lhe conferir o mínimo grau de legitimidade e confiabilidade, inviabilizando qualquer verificação quanto à sua autoria e data de elaboração”, destacou Mendonça.
Segundo o ministro, o episódio “impõe a adoção de providências imediatas para evitar que as prerrogativas da magistratura, da advocacia pública e da própria atividade policial continuem sendo vilipendiadas”.
A Agência Brasil busca posicionamento da Polícia Federal. Até o momento, a corporação não havia se manifestado.
Monitoramento sistemático
Mendonça destacou ainda que o próprio relatório alerta que suas “inferências” não possuem valor probatório.
O ministro citou ofício assinado por Andrei Rodrigues informando que, ao menos, seis relatórios desse tipo foram produzidos tendo Mendonça como alvo. Os documentos teriam sido recebidos pelo diretor-geral da PF entre os dias 3 e 31 de agosto de 2026.
“Ou seja, há mais de 30 dias este relator vem sendo monitorado pela Polícia Federal. Trata-se de monitoramento ilícito de ministro da Suprema Corte do país, o que por si só revela a gravidade da situação”, escreveu.
Na decisão, Mendonça detalha o conteúdo do relatório divulgado por Moraes e ressalta que o próprio documento afirma tratar-se de conjecturas que não autorizariam “providências formais”, embora recomende a continuidade do monitoramento e da coleta de informações sobre o magistrado.
“Importa registrar que este relator foi submetido a monitoramento sistemático por parte da inteligência da Polícia Federal”, afirmou.
Guerra de relatórios
O relatório foi tornado público por Alexandre de Moraes no âmbito do chamado Inquérito das Fake News, do qual é relator. O procedimento foi instaurado para investigar ameaças e notícias falsas direcionadas a ministros do Supremo, mas, ao longo dos anos, passou a abarcar diferentes frentes de investigação.
Moraes encaminhou o documento ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, apontando possíveis atos de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade por parte de Mendonça.
A medida foi adotada em resposta à divulgação, por Mendonça, de um relatório da Operação Compliance Zero contendo mensagens que teriam sido enviadas ao ministro Alexandre de Moraes pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master e investigado por supostas fraudes financeiras bilionárias e corrupção de agentes públicos.
Nas mensagens, recuperadas a partir do celular apreendido de Vorcaro, o ex-banqueiro aparenta manter relação de proximidade com um interlocutor que a Polícia Federal identifica como Moraes. Uma das conversas sugere que o ministro teria recebido e editado um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes.
Em outra mensagem, Vorcaro aparenta buscar informações sobre uma eventual operação da Polícia Federal para sua prisão. Moraes, por sua vez, nega ter mantido qualquer contato com o ex-banqueiro.
Fonte: Agência Brasil
Eleições 2026
Delação da Reag expõe conexões de ACM Neto com o Banco Master em três frentes
Delação de João Carlos Mansur cita o ex-prefeito de Salvador e amplia questionamentos sobre seus vínculos com Daniel Vorcaro
O acordo de delação premiada firmado pelo fundador da Reag, João Carlos Mansur, com a Procuradoria-Geral da República (PGR) lança nova luz sobre uma sequência de relações entre ACM Neto e o caso Banco Master. São três frentes distintas: a gestão de ACM Neto firmou contrato para a administração das consignações dos servidores da Prefeitura de Salvador; posteriormente, o ex-prefeito tornou-se cotista exclusivo de um fundo administrado pela Reag; e, por fim, recebeu milhões de reais por serviços de consultoria prestados ao Banco Master.
A sequência temporal que liga o candidato ao Governo da Bahia a uma rede de relações envolvendo o Master torna o caso politicamente sensível. Nos últimos dias, Mansur assinou acordo com a PGR e apresentou anexos com informações sobre Daniel Vorcaro. ACM Neto também é citado nos documentos, conforme divulgado pelo UOL.
A relação remonta ao período em que ACM Neto comandava a Prefeitura de Salvador. Na época, ele assinou um aditivo ao Contrato nº 036/2019 com a Consiglog Tecnologia e Soluções. A medida garantiu o licenciamento do LogConsig, sistema utilizado para controlar a margem e os descontos consignados na folha de pagamento dos servidores municipais. A Consiglog integra um conjunto de empresas posteriormente concentrado em torno do Banco Master, tendo João Carlos Mansur como sócio. Em 2021, a relação contratual foi mantida pela gestão de Bruno Reis, sucessor de ACM Neto.
A segunda frente envolve aspectos pessoais e financeiros. Após deixar a Prefeitura, ACM Neto constituiu a Seattle 95, empresa que investiu R$ 4,8 milhões no Structure FIDC. Em 2023, cerca de 98% dos recursos do fundo ligado ao ex-prefeito estavam aplicados nesse veículo de investimento, cuja carteira era composta por empréstimos consignados originados pelo Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro.
Após a liquidação do banco, uma empresa de análise de risco rebaixou as cotas do Structure FIDC e colocou suas classificações em observação negativa. O episódio ampliou os questionamentos sobre os ativos vinculados ao Master e seus reflexos para investidores expostos ao fundo.
Consultoria milionária
A terceira frente surgiu após as eleições de 2022, quando ACM Neto e sua esposa constituíram a A&M Consultoria. Segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a empresa recebeu R$ 5,45 milhões do Banco Master e da Reag entre 2023 e 2025. Em um dos períodos analisados, ACM Neto aparece entre os principais beneficiários das transferências realizadas pela própria consultoria, recebendo R$ 4,2 milhões da empresa.
Também há registro de um encontro pessoal durante o período das relações comerciais. Em mensagem enviada ao ex-ministro Fábio Faria, em 2024, Daniel Vorcaro relatou que ACM Neto havia visitado sua residência e que recebeu “apoio total” do ex-prefeito. A conversa tornada pública, no entanto, não informa o conteúdo do encontro.
O principal ponto ainda sem resposta é o que pode definir a dimensão política e jurídica do caso: quais serviços efetivamente justificaram os pagamentos milionários feitos pelo Banco Master e pela Reag à consultoria de ACM Neto, quais documentos ou produtos foram entregues em contrapartida e quais informações João Carlos Mansur apresentou à PGR sobre o candidato ao Governo da Bahia.
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