Justiça
Moraes defende integração entre Poderes e uso de tecnologia para ampliar proteção às mulheres
Ministro do STF destaca novas leis, decisões da Corte e aplicação de inteligência artificial no combate à violência de gênero
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quarta-feira (29) que o enfrentamento à violência de gênero exige tanto aprimoramentos legislativos quanto uma atuação coordenada das instituições públicas. Durante a cerimônia de sanção de dois projetos voltados ao fortalecimento das políticas para as mulheres, no Palácio do Planalto, ele defendeu a integração entre os Poderes da República e os governos estaduais para ampliar a proteção às vítimas e reduzir os casos de feminicídio no país.
As novas normas sancionadas tratam do pagamento automático de pensão alimentícia por meio do Pix e da ampla divulgação do Ligue 180, canal nacional de denúncia e orientação para mulheres em situação de violência.
Em seu discurso, o ministro destacou iniciativas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), decisões recentes do STF e a importância da utilização de inteligência artificial para analisar dados do sistema de Justiça e auxiliar na prevenção de crimes contra mulheres.
Pix para pagamento de pensão alimentícia
Ex-promotor de Justiça na área de Família, Moraes observou que a inadimplência no pagamento de pensões alimentícias permanece como um desafio histórico. Segundo ele, aproximadamente 51 mil prisões foram registradas em 2025 em razão do não pagamento da obrigação, e cerca de 2 mil pessoas seguem presas por se recusarem a quitar os débitos.
Na avaliação do ministro, o desconto automático dos valores diretamente pelas instituições financeiras deverá proporcionar maior segurança econômica às mães responsáveis pelos filhos e contribuir para a redução da inadimplência. Ele informou que o CNJ atuará em parceria com o Banco Central para acelerar a implementação do sistema.
Decisões do STF reforçam proteção às mulheres
Ao abordar as políticas de combate à violência contra a mulher, Moraes destacou três decisões recentes do Supremo consideradas importantes para a proteção das vítimas.
A primeira delas confirmou a possibilidade de autoridades policiais concederem medidas protetivas de urgência em locais onde não haja juiz disponível. Segundo o ministro, a medida evita atrasos que podem colocar mulheres em situação de risco.
Outra decisão mencionada foi a declaração de inconstitucionalidade da chamada tese da “legítima defesa da honra”. O STF consolidou o entendimento de que julgamentos do Tribunal do Júri que utilizem esse argumento para justificar o assassinato de mulheres devem ser anulados.
“O marido ou namorado não tem o direito de matar uma mulher porque entende que foi desonrado”, afirmou o ministro.
Moraes também citou o julgamento relacionado ao caso da influenciadora digital Mariana Ferrer. Na ocasião, o STF definiu que audiências nas quais vítimas de violência sexual sejam submetidas a constrangimentos, humilhações ou exposições indevidas devem ser consideradas nulas.
Segundo o entendimento da Corte, a medida busca impedir a chamada dupla vitimização, quando a mulher sofre novos danos durante a tramitação do processo judicial.
Inteligência artificial na prevenção
Na parte final do discurso, o ministro defendeu o uso de ferramentas de inteligência artificial para analisar o amplo conjunto de informações disponíveis no Poder Judiciário.
De acordo com Moraes, o Judiciário reúne dados provenientes de investigações policiais, ações penais e execuções de penas, o que permite identificar padrões, regiões e fatores de risco associados à violência contra as mulheres.
Para o ministro, o tratamento dessas informações pode servir de base para políticas públicas mais eficientes e voltadas à prevenção.
Defesa da cooperação institucional
Ao concluir sua participação, Moraes defendeu a construção de um pacto permanente entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além dos governos estaduais, para fortalecer a rede de proteção às mulheres.
Segundo ele, ações isoladas reduzem a efetividade das políticas públicas, enquanto a cooperação institucional amplia a capacidade de prevenção da violência e de enfrentamento ao feminicídio.
O ministro também parabenizou o Congresso Nacional pela aprovação das propostas e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela sanção das novas leis, afirmando que as medidas representam um avanço na consolidação da proteção institucional às mulheres no Brasil.
Justiça
Justiça determina afastamento de secretário ligado a ACM Neto e Bruno Reis em investigação sobre desvio de R$ 38,3 milhões
Decisão judicial atende pedido do MP-BA e aponta risco de interferência nas investigações sobre suposto esquema de fraudes em contratos públicos de Salvador
Figura presente na estrutura da Prefeitura de Salvador desde a gestão de ACM Neto, o atual secretário municipal de Articulação Comunitária e Prefeituras-Bairro, Luciano Sandes, teve o afastamento do cargo determinado pela Justiça após ser apontado pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) como integrante de uma organização criminosa investigada por fraudes em licitações, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro. Segundo a investigação, o grupo teria provocado prejuízos estimados em R$ 38,3 milhões aos cofres públicos municipais.
Na decisão, a juíza Martha Carneiro Terrin e Souza afirma que a permanência de Sandes em função com poder para autorizar despesas, ordenar pagamentos e influenciar procedimentos administrativos representa risco às investigações. A magistrada destacou a possibilidade de interferência na produção de provas, manipulação de documentos e constrangimento de servidores que possam colaborar com as apurações. Para a Justiça, o afastamento é necessário para impedir que a estrutura pública seja utilizada para comprometer a coleta de evidências e o andamento das investigações.
Decisão do Tribunal de Justiça da Bahia
A operação foi deflagrada nesta segunda-feira (13) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Bahia. Além de Sandes, a Justiça também determinou o afastamento cautelar do mandato do vereador George Gordinho da Favela (PP), integrante do grupo político liderado por ACM Neto e pré-candidato a deputado estadual.
Segundo a decisão, a permanência do parlamentar no cargo preservaria a influência política que, em tese, teria sido utilizada para favorecer os interesses do grupo investigado. Ambos são apontados como integrantes do núcleo público que, de acordo com o Ministério Público, teria garantido sustentação institucional aos interesses do grupo empresarial investigado dentro da administração municipal.
De acordo com os investigadores, a organização criminosa teria atuado por cerca de uma década em contratos da Secretaria Municipal de Manutenção da Cidade (Seman) e da Companhia de Desenvolvimento Urbano de Salvador (Desal), utilizando aditivos contratuais, pagamentos suspeitos e mecanismos de direcionamento para beneficiar empresas ligadas ao esquema.
Um dos casos destacados pelo Ministério Público envolve o Pregão Eletrônico nº 25/2018. Conforme os autos, contratos e aditivos totalizavam inicialmente R$ 8,9 milhões, mas os pagamentos efetivamente realizados alcançaram R$ 15,2 milhões. A investigação aponta um aumento superior a 60% sem justificativa técnica considerada suficiente, circunstância que levou a Justiça a citar expressamente a atuação de Luciano Sandes como ordenador de despesas e gestor responsável pela pasta no período analisado.
Quem é Luciano Sandes
Homem de confiança de ACM Neto e posteriormente mantido na gestão de Bruno Reis, Luciano Ricardo Gomes Sandes ocupa cargos estratégicos na administração municipal de Salvador há mais de uma década. Engenheiro sanitarista e mestre em Engenharia Ambiental e Urbana pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), construiu sua trajetória na área de infraestrutura, manutenção urbana e gestão de contratos públicos, passando por postos-chave responsáveis pela execução de obras e serviços da Prefeitura.
Durante a gestão de ACM Neto (2013–2020), Sandes atuou como diretor de Manutenção da Secretaria Municipal de Manutenção da Cidade (Seman) entre janeiro de 2013 e dezembro de 2020, período em que acompanhou toda a administração do então prefeito. Nos últimos meses do mandato, foi promovido a secretário municipal de Infraestrutura e Obras Públicas (Seinfra), cargo que exerceu entre junho de 2020 e janeiro de 2021.
Já na gestão de Bruno Reis (2021–2026), Luciano Sandes assumiu a Secretaria Municipal de Manutenção da Cidade (Seman), onde permaneceu entre janeiro de 2021 e janeiro de 2023. Em seguida, foi nomeado secretário municipal de Articulação Comunitária e Prefeituras-Bairro (SACPB), função que ocupa desde 2023 e da qual foi afastado por decisão judicial no âmbito da investigação conduzida pelo Ministério Público da Bahia.
Justiça
STF valida lei da Bahia que multa divulgação de informações falsas sobre epidemias e pandemias
Por maioria, Corte entendeu que norma estadual tem caráter sanitário e não viola a competência da União nem a liberdade de expressão
O Supremo Tribunal Federal (STF) validou, por maioria de votos, a constitucionalidade da Lei nº 14.268/2020, da Bahia, que prevê a aplicação de multas para a divulgação de informações falsas sobre epidemias, endemias e pandemias. A decisão foi tomada no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7639, concluído na sessão virtual encerrada em 26 de junho.
Multa por desinformação sanitária
A legislação baiana estabelece multas que variam de R$ 5 mil a R$ 20 mil para quem divulgar, por meios impressos, televisivos, de radiodifusão ou eletrônicos, informações falsas sobre epidemias, endemias e pandemias sem origem oficial ou sem a indicação da fonte primária.
A norma também alcança quem produz ou dissemina dolosamente conteúdos dessa natureza, bem como aqueles que utilizam mecanismos automatizados para ampliar a circulação de dados inverídicos.
Questionamento do PL
A ação foi proposta pelo Partido Liberal (PL), que sustentou que a lei invadia a competência privativa da União para legislar sobre telecomunicações e radiodifusão. A sigla também argumentou que a norma afrontaria as garantias constitucionais da liberdade de manifestação do pensamento e da liberdade de informação jornalística.
Competência sanitária dos estados
Prevaleceu no julgamento o voto do ministro Alexandre de Moraes, responsável pela redação do acórdão. Segundo a corrente vencedora, a finalidade predominante da lei é a proteção da saúde pública, matéria que integra a competência administrativa comum e a competência legislativa concorrente dos entes federativos.
Para os ministros que acompanharam esse entendimento, a referência aos meios de comunicação produz apenas efeito indireto sobre os setores de telecomunicações e radiodifusão, não impedindo a atuação dos estados na regulamentação de questões sanitárias.
Liberdade de expressão não é absoluta
Em seu voto, Alexandre de Moraes destacou que a liberdade de expressão não possui caráter absoluto e não protege práticas de desinformação capazes de comprometer direitos fundamentais da coletividade, especialmente o direito à saúde.
Ao considerar improcedente o pedido de inconstitucionalidade, o ministro ressaltou que a norma não estabelece censura prévia, mas prevê responsabilização administrativa posterior para condutas ilícitas relacionadas à divulgação de informações falsas em contextos de emergência sanitária.
O ministro Cristiano Zanin também votou pela improcedência da ação, embora tenha apresentado fundamentação própria.
Divergência
Ficaram vencidos os ministros Nunes Marques, relator do processo, Dias Toffoli e André Mendonça. Para Nunes Marques, apesar de ter como objetivo a proteção da saúde pública, a lei estadual acaba por estabelecer regras de conduta e sanções aplicáveis a serviços de telecomunicações e radiodifusão, tema cuja competência legislativa é reservada à União.
Com a decisão, permanece válida a legislação baiana que pune administrativamente a divulgação de informações falsas relacionadas a epidemias, endemias e pandemias.
Fonte: STF
Justiça
Governo da Bahia inaugura novo Casarão do Corra Pro Abraço no Pelourinho
O Governo da Bahia, por meio da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social (Seades), inaugura nesta terça-feira (2), a partir das 10h, no Pelourinho, Centro Histórico de Salvador, o Casarão Corra Pro Abraço. A iniciativa é executada em parceria com a CIPÓ – Comunicação Interativa.
Celebrando um novo marco em sua trajetória de cuidado e redução de danos, o novo espaço do programa, situado na Rua do Saldanha, foi planejado para fortalecer as ações e a garantia de direitos de jovens e de pessoas em situação de rua e em extrema vulnerabilidade.
Impacto social e estrutura
A nova sede conta com salas de atendimento e acolhimento, reuniões, auditório e espaços para atividades multiuso, visando oferecer uma atuação ainda mais humanizada e eficiente. Além do suporte psicossocial já realizado, a estrutura ampliada permitirá a expansão de oficinas e o acesso a serviços básicos.
A cerimônia oficial no Casarão contará com depoimentos de jovens assistidos — representando os núcleos de Rua e Juventude —, integrantes da coordenação do programa e autoridades, além de atividades culturais.
Atuação
O Corra Pelourinho atua há pouco mais de um ano no território do Centro Histórico, realizando atendimentos e oferecendo aos jovens oficinas de linguagens como fotografia, desenvolvimento psicológico e social e redução de danos. Para a população em situação de rua, são promovidas atividades de arte-educação em locais como Praça das Mãozinhas, Barroquinha, Baixa dos Sapateiros e Praça da Piedade, entre outras áreas do centro antigo de Salvador.
Em números, o Corra Pelourinho já realizou aproximadamente 6 mil atendimentos e mais de 900 encaminhamentos.
Bahia pela Paz
A ação integra o programa estratégico Bahia pela Paz, iniciativa do Governo do Estado em parceria com o sistema de Justiça, voltada à prevenção e redução da violência letal. O foco é atender crianças, adolescentes e jovens em situação de alta vulnerabilidade social, além de suas famílias.
O programa é fundamentado em uma perspectiva ampliada de segurança pública, que articula políticas sociais, promoção da cidadania, garantia de direitos e atuação qualificada das forças policiais.
Serviço
- O quê: Inauguração do Casarão do Corra Pro Abraço no Pelourinho
- Quando: 2 de junho de 2026 (terça-feira), às 10h
- Onde: Rua do Saldanha, 35, Pelourinho (esquina com a Rua do Tijolo, próximo ao Casarão da Diversidade)
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