Cultura
Festa da Irmandade da Boa Morte movimenta Cachoeira até domingo (17)
O principal papel da entidade religiosa foi garantir uma partida digna às pessoas vulneráveis e fazer ressoar a mensagem de liberdade
Há mais de 200 anos a ancestralidade pede licença a cada mês de agosto em Cachoeira, quando se iniciam as festividades em celebração a Nossa Senhora da Boa Morte na Bahia. Nesta sexta-feira (15), a primeira-dama do Brasil, Janja da Silva, a primeira-dama da Bahia, Tatiana Velloso, ministras e secretários de Estado estiveram na sede da Irmandade da Boa Morte, na cidade do Recôncavo Baiano, onde acontecem os festejos desde 1820, para entregas e anúncios para a cultura popular, para os povos de terreiro e para a promoção da igualdade racial.

Primeiras-damas, Janja Silva e Tatiana Velloso, além das ministras Margareth Menezes, Anielle Franco e outras autoridades marcaram presença nas celebrações
“A Festa da Boa Morte tem uma importância muito grande por tudo que já entregou para a sociedade brasileira, resgatando a história, em outros tempos comprando a liberdade de pessoas escravizadas. É uma história muito comovente. É uma comunidade de mulheres, um movimento de mulheres defendendo a liberdade, defendendo os direitos humanos”, disse a ministra da cultura Margareth Menezes, presente na cerimônia.
- Foto: Wuiga Rubini/GOVBA
- Foto: Wuiga Rubini/GOVBA
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Antes do tradicional cortejo com 48 mulheres da irmandade cachoeirana, foi realizada a entrega do Prêmio do Ministério da Cultura para dona Dalva, sambista tradicional de Cachoeira. Na ocasião, foram anunciadas as obras pelo PAC Cidades para a casa de Samba da Dona Dalva e para o Terreiro Ilê Axé Icimimó. Dona Dalva também foi apresentada como a provedora da Festa da Boa Morte de 2026. Ainda foi entregue ao terreiro uma placa de tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
- Foto: Wuiga Rubini/GOVBA
- Foto: Wuiga Rubini/GOVBA
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Entre os anúncios para Cachoeira, estão a adesão do município à política de Povos de Terreiro do Governo Federal e ao Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (SINAPIR). Outras 12 prefeituras, além da de Cachoeira, entraram no sistema nacional. A prefeita cachoeirana, Eliana Gonzaga, representou os municípios. “É uma alegria estar representando aqui os municípios da Bahia e assumindo essa responsabilidade de combater o racismo, não só em Cachoeira, mas em todo o país”, disse.
Na Igreja da Matriz de Cachoeira as autoridades participaram da missa solene. A primeira-dama do Brasil, Janja da Silva, e as ministras foram homenageadas pela Irmandade da Boa Morte pela contribuição com políticas de valorização da cultura. Para o secretário da Cultura da Bahia, Bruno Monteiro, a festa é uma tradição bicentenária de fé, de resistência e de preservação da memória cultural. “O Governo do Estado reconhece essa festa como patrimônio imaterial da Bahia desde 2010 e, com muito respeito, nós construímos a cada ano em diálogo com as irmãs da Boa Morte. A nossa participação e o nosso apoio acontecem com um diálogo muito respeitoso às nossas senhoras, que representam gerações de mulheres negras que, desde a escravização, lutam pela liberdade”, enfatizou.
- Foto: Wuiga Rubini/GOVBA
- Foto: Wuiga Rubini/GOVBA
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Políticas federais
À frente da festa religiosa, a Irmandade da Boa Morte também recebeu o título de Promotora da Igualdade Racial pelo Governo Federal. A tradição afro-católica, conduzida exclusivamente por mulheres negras, foi criada no século XVII em Salvador e transferida para a Cachoeira em meio a conflitos que marcaram a capital baiana. Segundo a provedora da festa deste ano, Irmã Neci Santos Leite, há 17 anos na Irmandade, o principal papel da entidade religiosa foi garantir uma partida digna às pessoas vulneráveis e fazer ressoar a mensagem de liberdade.
“É o nosso reconhecimento de uma alforria. Isso foi uma busca, uma luta nossa ao longo dos séculos e começou com nossos ancestrais escravizados. Pessoas escravizadas não tinham direito a uma morte digna, eram jogadas em uma vala, de qualquer jeito, para os bichos destruírem. Então, nossa busca foi sempre por dignidade e por liberdade”, contou Irmã Neci, que ocupa com outras integrantes, anualmente, os cargos de provedora, procuradora, tesoureira e escrivã, responsáveis pela organização dos rituais e atividades culturais.
Sobre a festa
A Festa da Boa Morte começou na última quarta-feira (13) e vai até o domingo (17), com manifestações culturais, sambas de roda, missas, procissões e espaço dedicados ao empreendedorismo negro na cidade de Cachoeira.
Agricultura
Bahia entrega equipamentos sociais, fortalece agricultura familiar e moderniza escola da Polícia Militar
Ações realizadas em Piatã, Rafael Jambeiro e Salvador ampliam o acesso à segurança alimentar, incentivam a produção rural e reforçam a infraestrutura educacional na capital
O Governo da Bahia realizou, nesta terça-feira (22), uma série de entregas nos municípios de Piatã, Rafael Jambeiro e Salvador, contemplando as áreas de segurança alimentar, agricultura familiar e educação. As iniciativas reforçam os investimentos estaduais na ampliação de serviços públicos, no fortalecimento da produção rural e na melhoria da infraestrutura escolar.
Em Piatã, foi inaugurada uma Cozinha Comunitária Municipal por meio do Projeto Comida no Prato, integrante do Bahia Sem Fome. O equipamento será responsável pela produção e distribuição de refeições gratuitas para pessoas em situação de vulnerabilidade social e insegurança alimentar. A estrutura tem capacidade para atender até 400 pessoas, cinco vezes por semana, com a oferta estimada de 100,8 mil refeições ao longo de um ano.
Já em Rafael Jambeiro, associações ligadas à agricultura familiar receberam equipamentos destinados ao fortalecimento das atividades produtivas e à melhoria dos processos de produção, beneficiamento e comercialização. Entre os itens entregues estão um kit de irrigação, cinco kits de apicultura, 100 caixas d’água com capacidade de 500 litros cada, um trator com implementos agrícolas, uma forrageira e um tanque-pipa com capacidade para quatro mil litros.
Os investimentos visam ampliar a produtividade no campo, garantir melhores condições de trabalho para os agricultores familiares e fortalecer a geração de emprego e renda nas comunidades rurais do município.
Modernização do Colégio da Polícia Militar
Na capital baiana, a Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC) entregou a modernização do Colégio da Polícia Militar (CPM) Dona Leonor Calmon, localizado no bairro de Fazenda Grande II. A unidade atende mais de 790 estudantes dos ensinos Fundamental e Médio.
A intervenção contemplou a modernização de 14 salas, sendo 13 salas de aula e uma destinada ao Atendimento Educacional Especializado (AEE), além da requalificação de espaços como laboratório de Ciências, biblioteca, sala do núcleo psicossocial, teatro e restaurante estudantil.
A obra também incluiu a reforma e cobertura da quadra poliesportiva, implantação de vestiário e guarita, instalação de subestação elétrica e de uma usina solar fotovoltaica, promovendo mais eficiência energética e melhores condições para o desenvolvimento das atividades pedagógicas.
Com as entregas realizadas nos três municípios, o Governo da Bahia reforça ações voltadas à inclusão social, ao desenvolvimento rural sustentável e à melhoria da qualidade da educação pública, beneficiando diretamente milhares de baianos.
Agricultura
Agroindústria familiar fortalece produção de mandioca e beneficia mais de 120 famílias em Belo Campo
Nova unidade de beneficiamento amplia geração de renda, agrega valor à produção local e fortalece a comercialização da agricultura familiar no sudoeste baiano
Uma agroindústria familiar voltada ao processamento de mandioca entrou em operação na comunidade de Lagoa do Canto, no município de Belo Campo, no sudoeste da Bahia. Administrada pela Associação dos Pequenos Produtores Rurais de Lagoa do Canto, a unidade beneficia diretamente mais de 120 famílias de agricultores e agricultoras familiares da região.
A estrutura foi implantada para o processamento de fécula e outros derivados da mandioca, fortalecendo a cadeia produtiva local e ampliando as oportunidades de comercialização dos produtos da agricultura familiar.
A nova agroindústria reúne equipamentos destinados ao beneficiamento da mandioca e uma cozinha comunitária voltada à produção de alimentos derivados da raiz. Entre os produtos fabricados estão farinha, polvilho, xiringa, chimango, bolos e biscoitos.
Parte da produção já é destinada à alimentação escolar por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), além de atender outros mercados consumidores, ampliando as fontes de renda das famílias produtoras.
Segundo a secretária de Desenvolvimento Rural, Elisabete Costa, o empreendimento representa um importante avanço para a organização produtiva da comunidade.
“Essa unidade amplia a capacidade de beneficiamento da mandioca produzida pelas famílias e cria melhores condições para agregação de valor, diversificação dos produtos e acesso a mercados. É uma estrutura que contribui para organizar a produção e fortalecer a comercialização da agricultura familiar na região”, destacou.
Mais valor agregado e redução de custos
Para o presidente da Associação dos Pequenos Produtores Rurais de Lagoa do Canto, João Pereira Neto, a agroindústria cria novas oportunidades de geração de emprego e renda, além de reduzir custos para os produtores locais.
“Com a agroindústria, temos a possibilidade de gerar emprego e renda e melhorar o escoamento da matéria-prima. Muitas vezes, o produtor precisava vender a mandioca por um preço mais baixo ou buscar compradores em locais mais distantes, o que aumentava os custos com transporte. Agora, a produção pode ser beneficiada aqui mesmo, reduzindo esses custos e atendendo também comunidades vizinhas”, afirmou.
A expectativa é que a unidade impulsione o desenvolvimento econômico da região, agregando valor à produção de mandioca, fortalecendo a agricultura familiar e ampliando o acesso dos produtores a mercados institucionais e privados.
Agricultura
Agricultura familiar do Velho Chico amplia mercado com certificação estadual para ovos e iogurtes
Empreendimentos de Serra do Ramalho e Brotas de Macaúbas recebem selo do SUSAF/BA e passam a poder comercializar produtos em todo o território baiano
Dois empreendimentos da agricultura familiar do Território Velho Chico receberam, nesta quinta-feira (17), os certificados do Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte (SUSAF/BA). A entrega ocorreu durante a abertura do X Seminário Territorial de Apicultura e Meliponicultura do Velho Chico e da II Feira dos Produtos das Abelhas e Agroindústrias Familiares da Bahia.
Foram certificadas a Unidade de Beneficiamento de Ovos Gema do Oeste, de Serra do Ramalho, e a Cooperativa Agropecuária de Brotas de Macaúbas (Coopab), responsável pela produção de iogurtes.
As duas iniciativas já possuíam registro no Serviço de Inspeção Municipal (SIM). Com a adesão ao SUSAF/BA, passam a estar habilitadas a comercializar seus produtos em diferentes municípios baianos, conforme as normas sanitárias do sistema.
A certificação amplia a área de comercialização dos produtos e fortalece as oportunidades de acesso a novos mercados. No caso da Coopab, a cooperativa já fornece alimentos para a rede pública de ensino por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
“Com o SUSAF, a cooperativa passa a ter a possibilidade de comercializar seus produtos em todo o estado, o que representa uma nova oportunidade de mercado para a produção”, destacou Gabrielle Montes, agente de negócios e responsável técnica da Coopab.
Segundo ela, a cooperativa, que anteriormente comercializava seus produtos com o selo SIM apenas nos municípios integrantes do Consórcio de Desenvolvimento Sustentável do Território Velho Chico, agora poderá ampliar significativamente sua atuação.
“Agora, podemos percorrer os municípios da Bahia, aumentar a nossa produção e gerar mais emprego e renda”, afirmou.
Atuação conjunta fortalece agroindústrias familiares
A certificação dos empreendimentos é resultado da atuação conjunta entre o Governo do Estado, por meio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), vinculada à Secretaria do Desenvolvimento Rural (SDR), e o Consórcio de Desenvolvimento Sustentável do Território Velho Chico.
A CAR/SDR atua em parceria com os consórcios públicos no apoio à implantação e ao fortalecimento dos Serviços de Inspeção Municipal (SIM), por meio de investimentos em infraestrutura, capacitação e assistência técnica. Essas ações contribuem para que as agroindústrias familiares atendam às exigências necessárias para adesão ao SUSAF/BA.
Com a certificação, os produtos passam a contar com habilitação sanitária para comercialização em todo o território baiano, observadas as normas estabelecidas pelo sistema.
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