Cultura
Programação de Páscoa movimenta o Parque do Abaeté e reforça convivência comunitária
Atividades recreativas, culturais e ambientais reuniram famílias no espaço administrado pelo Inema, em Itapuã
A programação especial de Páscoa no Parque do Abaeté foi organizada pela gestão do espaço, administrado pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), com o objetivo de incentivar a ocupação qualificada do parque e promover momentos de lazer, convivência em família e contato com a natureza.
Ao longo do dia, visitantes de diferentes faixas etárias participaram de uma agenda diversificada de atividades. Brincadeiras tradicionais, como pau de sebo, corrida de saco, dança das cadeiras e corrida com ovos, chamaram a atenção do público e estimularam a interação entre crianças, jovens e adultos.
Moradora do Alto do Coqueirinho, Suelen Souza contou que costuma frequentar o parque aos fins de semana e destacou a importância da iniciativa. “Essa ação é muito importante para as crianças, porque quebra a rotina e proporciona momentos de lazer em um espaço aberto, em contato com a natureza. É uma experiência diferente, uma forma especial de celebrar a Páscoa”, afirmou.
A dona de casa Alice Silva também ressaltou o papel das atividades no fortalecimento do uso dos espaços públicos. “É uma oportunidade de reunir a família, trazer as crianças e aproveitar um lugar que é nosso”, disse.
A gestora do Parque do Abaeté, Aline Freitas, explicou que as ações em datas comemorativas fazem parte de uma estratégia contínua de dinamização do espaço. “A proposta é aproximar cada vez mais a comunidade do Abaeté, fortalecendo o sentimento de pertencimento e o cuidado com o parque. Desde a reinauguração, em setembro, esta é a primeira Páscoa celebrada aqui, e queremos que todos se sintam bem-vindos e acolhidos. O parque tem um perfil multimodal, reunindo atividades culturais e de educação ambiental voltadas para a comunidade”, destacou.
A distribuição de ovos e bombons de chocolate foi um dos momentos mais aguardados, especialmente pelas crianças da comunidade do Abaeté, que participaram com entusiasmo das brincadeiras ao longo do dia. A principal atração, no entanto, foi o sorteio de cestas de Páscoa, realizado ao final da programação infantil.
Encerrando as atividades, o público acompanhou um show de samba, que manteve o clima festivo até o início da noite. A programação também incluiu um desfile de moda, realizado em parceria com restaurantes do Centro de Atividades e terreiros da comunidade.
Parque do Abaeté
Localizado no bairro de Itapuã, em Salvador, o Parque do Abaeté ocupa uma área de cerca de 225 hectares e integra a Área de Proteção Ambiental (APA) Lagoas e Dunas do Abaeté. Criado em 1993, o espaço reúne ecossistemas de restinga, dunas e lagoas, desempenhando funções ambientais estratégicas, como a recarga de aquíferos, a regulação climática e a conservação da biodiversidade.
O parque passou recentemente por um processo de requalificação, que ampliou sua capacidade de receber visitantes e sediar atividades culturais e educativas. Entre as intervenções estão a implantação do Memorial do Abaeté, a reestruturação da Casa da Música e melhorias no Centro de Atividades, com reorganização das áreas comerciais e de convivência, além do reforço na infraestrutura e nas ações de segurança.
A segunda etapa das obras já foi anunciada pelo Governo do Estado, com investimento superior a R$ 5 milhões. Estão previstas a reconstrução do mirante, a implantação de quadras de areia, a requalificação da praça principal e novas melhorias estruturais.
Cultura
Funceb lança Programa de Qualificação em Artes e amplia acesso à formação cultural na Bahia
Iniciativa vai oferecer cursos gratuitos em 19 municípios, contemplando artistas e trabalhadores da cultura em 17 territórios de identidade
A Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), entidade vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), reafirma seu compromisso com a democratização do acesso à formação artístico-cultural com a realização do Programa de Qualificação em Artes 2026, uma das principais ações estruturantes da política de formação cultural no estado.
Fruto de uma parceria entre o Centro de Formação em Artes (CFA), a Diretoria das Artes (Dirart) e a Diretoria do Audiovisual (Dimas), o programa vai contemplar 19 municípios baianos, distribuídos em 17 territórios de identidade, promovendo cursos gratuitos em quatro ciclos. As formações são voltadas à qualificação e atualização de artistas, grupos independentes, produtores culturais e demais trabalhadores da cultura. As inscrições para o primeiro ciclo seguem abertas até 10 de abril, no site da Funceb: https://www.ba.gov.br/fundacaocultural.
Com atuação descentralizada e foco no interior do estado, a iniciativa fortalece a presença da Funceb nos territórios, ampliando oportunidades de formação e contribuindo para o desenvolvimento cultural, social e econômico das diversas regiões da Bahia.
“O Programa de Qualificação em Artes reafirma nosso compromisso com uma cultura democrática, descentralizada e diversa, que reconhece os saberes locais e impulsiona novas trajetórias. Ao investir na formação em múltiplas linguagens, também estimulamos a economia criativa, gerando trabalho, renda e desenvolvimento sustentável para o estado”, afirma a diretora-geral da Funceb, Sara Prado.
Múltiplas linguagens
O programa abrange cursos nas linguagens de teatro, dança, música, literatura, artes visuais e audiovisual. As atividades integram a modalidade de Formação Inicial e Continuada (FIC), prevista na legislação educacional brasileira, e dialogam com as diretrizes da educação profissional, promovendo a articulação entre formação artística e inserção no mundo do trabalho.
Cada curso terá carga horária total de 60 horas, distribuídas em quatro módulos de 15 horas, realizados entre sexta-feira e domingo, o que favorece o acesso de participantes que já atuam profissionalmente ou possuem outras ocupações.
Para a diretora do CFA, Nildinha Fonseca, a ação tem papel estratégico na política pública de cultura, na medida em que “democratiza o acesso à formação, valoriza os saberes dos territórios e cria oportunidades reais para que artistas possam se desenvolver e se profissionalizar”.
A Diretoria do Audiovisual (Dimas) integra o programa abordando temas como história do cinema baiano, curadoria e práticas de exibição em diferentes espaços. Segundo a diretora Daiane Silva, a iniciativa busca “qualificar profissionais e ampliar o acesso do público ao audiovisual nos territórios”, fortalecendo o circuito exibidor no estado.
“O programa se propõe a dialogar com o tempo atual, ofertando disciplinas que contribuem diretamente para carreiras artísticas já em desenvolvimento”, reforça Gabriela Sanddyego, diretora da Dirart.
Metodologia e resultados
Cada turma será composta, em média, por 20 participantes, selecionados a partir de critérios como idade mínima de 16 anos e comprovação de experiência prévia em alguma linguagem artística.
Durante o processo formativo, os participantes terão acesso a conteúdos teóricos e práticos, além de acompanhamento pedagógico especializado. Ao final dos cursos, serão realizadas mostras artísticas, totalizando 24 apresentações nos municípios atendidos, como forma de compartilhamento dos resultados com a comunidade.
O Programa de Qualificação em Artes também envolve estratégias de mobilização local, articulação com espaços culturais e registro audiovisual e fotográfico das atividades, contribuindo para a memória institucional e a difusão das práticas desenvolvidas.
Ao investir na formação de artistas e trabalhadores da cultura, a Funceb fortalece seu papel como agente estratégico na implementação de políticas públicas culturais, promovendo o acesso, a diversidade e a valorização da produção artística em todo o estado.
Serviço
Programa de Qualificação em Artes 2025
- Realização: Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb)
- Período: Junho a setembro de 2025
- Local: 19 municípios da Bahia (17 Territórios de Identidade)
- Linguagens: Teatro, dança, música, literatura, artes visuais e audiovisual
- Carga horária: 60 horas por curso (4 módulos)
- Público: Pessoas a partir de 16 anos com experiência em artes
- Certificação: Para participantes com mínimo de 75% de frequência
Cultura
Brasil entrega à Unesco dossiê que candidata o forró a Patrimônio Imaterial da Humanidade
Iniciativa conta com apoio do Governo da Bahia e reforça ações de valorização e internacionalização do forró tradicional
Na terça-feira (31), foi entregue à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) o dossiê de candidatura do forró tradicional ao título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. A iniciativa envolve o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e os ministérios da Cultura (MinC) e das Relações Exteriores (MRE). O Governo da Bahia apoia a proposta e participou ativamente das articulações por meio do Consórcio Nordeste.
Segundo o secretário de Cultura da Bahia, Bruno Monteiro, o pleito de reconhecimento internacional representa o ponto alto de um conjunto de políticas voltadas à valorização do forró. “Trata-se do ápice de uma série de iniciativas desenvolvidas em diferentes frentes, como políticas de fomento por meio de editais e articulações institucionais que reforçam a importância do reconhecimento do movimento cultural nordestino como patrimônio”, afirmou.
O dossiê apresentado à Unesco descreve o forró como uma manifestação cultural que integra música, dança e práticas sociais, amplamente difundida na região Nordeste. O gênero é reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil desde 2021, o que fortalece sua candidatura no cenário internacional.
Em 2025, o Governo da Bahia participou do Festival Internacional do Forró de Raiz, realizado em Lille, na França. Na ocasião, foi assinado um protocolo de cooperação com os nove estados nordestinos, reafirmando o compromisso conjunto com a salvaguarda e a valorização internacional do forró. A participação teve como objetivo promover o intercâmbio cultural, ampliar a visibilidade do gênero no exterior e fortalecer a articulação institucional em torno de seu reconhecimento como patrimônio cultural.
Fomento à cultura
Além da articulação internacional, o Governo da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA), tem fortalecido o forró por meio dos editais da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). Entre as iniciativas de destaque está a Premiação Artística ao Forró da Bahia, que reconheceu artistas, grupos e mestres responsáveis pela preservação e renovação dessa tradição.
Com investimento de cerca de R$ 700 mil, a premiação contemplou 28 agentes culturais que atuam na preservação, difusão e inovação do gênero, reunindo desde nomes consagrados até novos talentos e coletivos emergentes. “Mais do que premiar trajetórias, o edital fortalece o forró enquanto elemento fundamental da memória cultural nordestina”, resumiu Bruno Monteiro.
Outro destaque é o Prêmio Quadrilhas Juninas – Ano 2, que reforça o reconhecimento das quadrilhas como uma das expressões mais emblemáticas das festas juninas. A iniciativa valoriza grupos dedicados à preservação dessa tradição, incentivando a profissionalização, a criatividade e a continuidade dos saberes populares. Além do impacto cultural, o edital movimenta a economia criativa, envolvendo áreas como figurino, cenografia, música e produção artística.
O Calendário das Artes também integra esse conjunto de ações, ampliando as possibilidades de circulação e difusão artística ao longo de todo o ano. Ao contemplar propostas em diversas linguagens, incluindo iniciativas ligadas ao ciclo junino, o edital contribui para descentralizar o acesso à cultura e alcançar diferentes territórios e públicos.
De forma integrada, os editais da PNAB compõem um conjunto robusto de investimentos que abrangem múltiplas linguagens e territórios culturais, garantindo acesso democrático aos recursos e incentivando a diversidade de manifestações artísticas. O impacto positivo se reflete especialmente no interior do estado, onde o forró permanece como elemento central das festas juninas e das celebrações comunitárias, dialogando diretamente com o reconhecimento do gênero em âmbito nacional e internacional.
Agricultura
Mulheres da Caatinga transformam produção coletiva em renda, alimento e preservação ambiental
Grupo de agricultoras de comunidades de Fundo de Pasto em Mirangaba fortalece a agroecologia, a segurança alimentar e o protagonismo feminino com apoio do Governo do Estado
O Grupo de Mulheres Defensoras da Caatinga, formado por moradoras das comunidades de Fundo de Pasto Mangabeira e Paranazinho, no município de Mirangaba, encontrou na produção coletiva um caminho para cultivar alimentos saudáveis, preservar o bioma da caatinga e gerar renda de forma agroecológica. A iniciativa reúne 12 mulheres, que atuam em áreas de policultivo com frutíferas, hortaliças, verduras e mudas nativas, fortalecendo a segurança alimentar e o trabalho comunitário.
A experiência teve início a partir de diálogos com as agricultoras, mediados por técnicos da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), e ganhou força com investimentos do Governo do Estado, por meio do Assessoramento Técnico Continuado (ATC). As ações incluíram a estruturação das áreas produtivas, com a construção de cisternas tipo telhadão para captação de água da chuva, aquisição de mudas, implantação de sistemas de irrigação e parceria com a prefeitura municipal para a reativação de um poço artesiano.
Com o fortalecimento da organização coletiva, o grupo passou a garantir maior diversidade alimentar para suas famílias e também a gerar renda, por meio da comercialização dos produtos na própria comunidade e da participação em políticas públicas, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
Moradora da comunidade de Mangabeira, Veraneide Lima celebra os resultados do trabalho coletivo. “Essa foi a primeira roça coletiva aqui na Mangabeira, foi a mãe de todas. Foi a partir dela que a comunidade avançou. Tudo começou quando o Governo do Estado olhou para a gente e nos apoiou. Hoje temos água, sistema de irrigação e tudo o que precisamos para produzir, alimentar nossas famílias e gerar renda”, afirma.
Além da produção agroecológica, o trabalho das Defensoras da Caatinga também se destaca pela atuação na defesa do bioma, do território e das comunidades de Fundo de Pasto, fortalecendo o protagonismo das mulheres rurais.
“A nossa área e o trabalho que desenvolvemos aqui são fundamentais para o território, para as comunidades de Fundo de Pasto e para nós mesmas. Aqui carregamos um sentimento de poder. As mulheres vão ganhando força, não só na comunidade, mas também na cidade e no estado. Essa é a nossa luta”, destaca a agricultora Antonieta de Jesus.
A experiência integra a estratégia do Governo da Bahia voltada à preservação da caatinga, à valorização do trabalho das mulheres no campo e à promoção da geração de renda no semiárido baiano.
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