Agricultura
Agricultura familiar baiana recebe mais de 14 mil máquinas e equipamentos
Ação representa avanço na mecanização rural e inaugura nova fase com uso de telemetria em tratores
Com uma das maiores entregas já realizadas em um único evento, o Governo do Estado da Bahia, em parceria com o Governo Federal, distribuiu mais de 14 mil máquinas e equipamentos agrícolas a agricultores e agricultoras familiares de todas as regiões do estado, durante o lançamento do Plano Safra Bahia 2025/2026, nesta quarta-feira (23), em Salvador. Ação representa avanço na mecanização rural e inaugura nova fase com uso de telemetria em tratores.
A ação é coordenada pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), com recursos do Governo do Estado e de emendas parlamentares, estaduais e federais.
Um dos destaques da iniciativa é a introdução de tratores equipados com telemetria, tecnologia que permite o monitoramento remoto do desempenho e da operação dos equipamentos, com envio de alertas de manutenção e diagnósticos à distância por até cinco anos. A tecnologia permitirá gestão mais eficiente dos recursos, evitando desperdícios e ampliando a vida útil dos equipamentos. A Bahia é o primeiro estado do Nordeste a adotar esse nível de controle e inovação na mecanização rural.
“Não se trata apenas de entregar máquinas. Estamos viabilizando o acesso à mecanização para quem antes não tinha oportunidade. E agora, com a telemetria, temos uma ferramenta estratégica que nos permite acompanhar a operação, o consumo de combustível, a manutenção e a localização dos equipamentos. É um salto em tecnologia e eficiência que fortalece a agricultura familiar da Bahia”, afirma Jeandro Ribeiro, diretor-presidente da CAR.
Foram entregues 127 tratores com implementos agrícolas (com telemetria), 13 tanques-pipa, 35 máquinas forrageiras, 8 retroescavadeiras, 4 motoniveladoras, 22 veículos utilitários, 8.774 caixas d’água de 1.000 litros, 4.681 caixas d’água de 500 litros e 1.040 barracas de feira.
Benefícios concretos para quem vive no campo
O investimento tem impacto direto na vida de milhares de famílias agricultoras. Em Retirolândia, Aline Cunha, da Associação Comunitária de Desenvolvimento de Jiboia, celebrou a conquista. “Nossa comunidade sofre com a estiagem, mas tem força na agricultura familiar. Esse equipamento chega como esperança para plantar feijão, milho e tantas outras culturas”.
Tássia Natali Nascimento, da Associação Agrícola de Lagoa 33 e Adjacências, em Ourolândia, reforçou: É um benefício imenso para o nosso povo do Sertão. Esse equipamento vai ajudar muito a nossa comunidade.”
Na comunidade de Pedra Bonita, em São Domingos, Lucineide Teixeira destacou que a chegada de uma forrageira e uma roçadeira vai além da infraestrutura. “Nossos agricultores produzem leite, inclusive de cabra. Esses equipamentos vêm para somar com o trator que já temos. Vai facilitar a vida no campo e melhorar a renda das famílias.”
Novo edital de ATER e protagonismo da agricultura familiar
O Plano Safra Bahia 2025/2026 inclui ainda um novo edital de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) voltado para agroindústrias familiares. Serão mais de R$ 100 milhões em investimentos, beneficiando 16 mil famílias envolvidas em 320 agroindústrias já estruturadas pela CAR.
A ação integra o maior Plano Safra da história do Brasil, lançado recentemente pelo Governo Federal, que destina R$ 89 bilhões à agricultura familiar. A Bahia será contemplada com R$ 4 bilhões, com linhas de crédito diferenciadas para mulheres, jovens e povos tradicionais.
Com quase 600 mil estabelecimentos da agricultura familiar e mais de 2 milhões de pessoas diretamente envolvidas, a Bahia lidera o cenário nacional e reforça sua vocação rural com foco em inovação, sustentabilidade e inclusão produtiva.
“Com a parceria Bahia-Brasil, teremos R$ 4 bilhões para fortalecer a produção de alimentos saudáveis, ampliar o crédito e garantir condições especiais para mulheres, jovens e assentados. É uma agenda de valorização do rural e da vida”, finaliza Jeandro Ribeiro.
Agricultura
Agroindústria familiar fortalece produção de mandioca e beneficia mais de 120 famílias em Belo Campo
Nova unidade de beneficiamento amplia geração de renda, agrega valor à produção local e fortalece a comercialização da agricultura familiar no sudoeste baiano
Uma agroindústria familiar voltada ao processamento de mandioca entrou em operação na comunidade de Lagoa do Canto, no município de Belo Campo, no sudoeste da Bahia. Administrada pela Associação dos Pequenos Produtores Rurais de Lagoa do Canto, a unidade beneficia diretamente mais de 120 famílias de agricultores e agricultoras familiares da região.
A estrutura foi implantada para o processamento de fécula e outros derivados da mandioca, fortalecendo a cadeia produtiva local e ampliando as oportunidades de comercialização dos produtos da agricultura familiar.
A nova agroindústria reúne equipamentos destinados ao beneficiamento da mandioca e uma cozinha comunitária voltada à produção de alimentos derivados da raiz. Entre os produtos fabricados estão farinha, polvilho, xiringa, chimango, bolos e biscoitos.
Parte da produção já é destinada à alimentação escolar por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), além de atender outros mercados consumidores, ampliando as fontes de renda das famílias produtoras.
Segundo a secretária de Desenvolvimento Rural, Elisabete Costa, o empreendimento representa um importante avanço para a organização produtiva da comunidade.
“Essa unidade amplia a capacidade de beneficiamento da mandioca produzida pelas famílias e cria melhores condições para agregação de valor, diversificação dos produtos e acesso a mercados. É uma estrutura que contribui para organizar a produção e fortalecer a comercialização da agricultura familiar na região”, destacou.
Mais valor agregado e redução de custos
Para o presidente da Associação dos Pequenos Produtores Rurais de Lagoa do Canto, João Pereira Neto, a agroindústria cria novas oportunidades de geração de emprego e renda, além de reduzir custos para os produtores locais.
“Com a agroindústria, temos a possibilidade de gerar emprego e renda e melhorar o escoamento da matéria-prima. Muitas vezes, o produtor precisava vender a mandioca por um preço mais baixo ou buscar compradores em locais mais distantes, o que aumentava os custos com transporte. Agora, a produção pode ser beneficiada aqui mesmo, reduzindo esses custos e atendendo também comunidades vizinhas”, afirmou.
A expectativa é que a unidade impulsione o desenvolvimento econômico da região, agregando valor à produção de mandioca, fortalecendo a agricultura familiar e ampliando o acesso dos produtores a mercados institucionais e privados.
Agricultura
Agricultura familiar do Velho Chico amplia mercado com certificação estadual para ovos e iogurtes
Empreendimentos de Serra do Ramalho e Brotas de Macaúbas recebem selo do SUSAF/BA e passam a poder comercializar produtos em todo o território baiano
Dois empreendimentos da agricultura familiar do Território Velho Chico receberam, nesta quinta-feira (17), os certificados do Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte (SUSAF/BA). A entrega ocorreu durante a abertura do X Seminário Territorial de Apicultura e Meliponicultura do Velho Chico e da II Feira dos Produtos das Abelhas e Agroindústrias Familiares da Bahia.
Foram certificadas a Unidade de Beneficiamento de Ovos Gema do Oeste, de Serra do Ramalho, e a Cooperativa Agropecuária de Brotas de Macaúbas (Coopab), responsável pela produção de iogurtes.
As duas iniciativas já possuíam registro no Serviço de Inspeção Municipal (SIM). Com a adesão ao SUSAF/BA, passam a estar habilitadas a comercializar seus produtos em diferentes municípios baianos, conforme as normas sanitárias do sistema.
A certificação amplia a área de comercialização dos produtos e fortalece as oportunidades de acesso a novos mercados. No caso da Coopab, a cooperativa já fornece alimentos para a rede pública de ensino por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
“Com o SUSAF, a cooperativa passa a ter a possibilidade de comercializar seus produtos em todo o estado, o que representa uma nova oportunidade de mercado para a produção”, destacou Gabrielle Montes, agente de negócios e responsável técnica da Coopab.
Segundo ela, a cooperativa, que anteriormente comercializava seus produtos com o selo SIM apenas nos municípios integrantes do Consórcio de Desenvolvimento Sustentável do Território Velho Chico, agora poderá ampliar significativamente sua atuação.
“Agora, podemos percorrer os municípios da Bahia, aumentar a nossa produção e gerar mais emprego e renda”, afirmou.
Atuação conjunta fortalece agroindústrias familiares
A certificação dos empreendimentos é resultado da atuação conjunta entre o Governo do Estado, por meio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), vinculada à Secretaria do Desenvolvimento Rural (SDR), e o Consórcio de Desenvolvimento Sustentável do Território Velho Chico.
A CAR/SDR atua em parceria com os consórcios públicos no apoio à implantação e ao fortalecimento dos Serviços de Inspeção Municipal (SIM), por meio de investimentos em infraestrutura, capacitação e assistência técnica. Essas ações contribuem para que as agroindústrias familiares atendam às exigências necessárias para adesão ao SUSAF/BA.
Com a certificação, os produtos passam a contar com habilitação sanitária para comercialização em todo o território baiano, observadas as normas estabelecidas pelo sistema.
Agricultura
Produtores discutem fortalecimento da cadeia do cacau e criação de cooperativa durante encontro em Barreiras
Reunião da Câmara Setorial do Cacau reúne representantes do setor produtivo, pesquisadores e gestores públicos para debater estratégias de expansão da cacauicultura baiana
O apoio do Governo da Bahia à integração da produção de cacau entre as regiões Sul e Oeste do estado e à criação de uma cooperativa voltada ao fortalecimento da cadeia produtiva foi debatido durante a reunião da Câmara Setorial do Cacau, realizada nesta terça-feira (15), na sede da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), em Barreiras.
O encontro reuniu produtores rurais, lideranças do setor, pesquisadores e representantes dos governos estadual e federal para discutir os desafios e as perspectivas de crescimento da cacauicultura baiana.
O Governo da Bahia participou da agenda por meio da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri) e da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE). A atuação conjunta busca fortalecer o setor diante de desafios como a concorrência internacional, a volatilidade dos preços e a necessidade de ampliação da competitividade da produção estadual.
Durante a reunião, a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) apresentou programas e ações voltados ao desenvolvimento da atividade. Também foram discutidas medidas para impulsionar a retomada da produção cacaueira baiana, que enfrenta desafios estruturais há cerca de quatro décadas.
Entre as propostas apresentadas estão a retomada das operações do Porto de Ilhéus para exportação de cacau, a criação de uma cooperativa estadual para fortalecer a organização dos produtores e contribuir para a valorização comercial do produto, além da implantação de um galpão com capacidade para armazenar até 30 mil sacas de cacau no Sul da Bahia.
A programação também incluiu debates sobre a conjuntura econômica da cadeia produtiva do cacau e do chocolate, políticas públicas para o setor, pesquisa e inovação, assistência técnica, crédito rural, segurança jurídica e expansão de novas áreas de produção.
Visitas técnicas complementaram a agenda, permitindo aos participantes conhecer experiências e práticas ligadas ao desenvolvimento da cultura do cacau na região Oeste.
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