Eleições 2026
ACM Neto inicia campanha copiando políticas de Jerônimo e Lula
Candidato do União Brasil afirmou que pretende manter ações consideradas bem-sucedidas, estratégia baseada mais em manutenção do que em inovação
O candidato ACM Neto (União Brasil) começou a campanha ao governo com um reconhecimento implícito da qualidade das políticas públicas conduzidas pelo governador Jerônimo Rodrigues. “Eu vou continuar o que estiver dando certo”, afirmou neste sábado (15), em Gandu. A frase escancara uma estratégia de campanha baseada mais em manutenção do que em inovação — e, sobretudo, na tentativa de se apropriar de políticas que já funcionam na Bahia.
ACM Neto citou até o Pé-de-Meia, criado pelo governo Lula, cuja continuidade não depende do governador da Bahia. Ao mesmo tempo, ignorou que Jerônimo já sustenta no estado uma política semelhante e consolidada: o Bolsa Presença, criado no governo Rui Costa e transformado em programa permanente. Em 2026, mais de 366 mil estudantes da rede estadual estão aptos a receber o benefício, condicionado à frequência e voltado à permanência dos jovens na escola.
O cenário da declaração também não ajuda a sustentar o discurso de novidade. ACM Neto falou em Gandu, justamente onde o governo Jerônimo já está construindo um novo hospital. Ou seja: quando promete “entregar o hospital aqui em Gandu”, o que faz é reivindicar como futuro algo que já está em execução pela atual gestão.
Em seguida, veio a peça central da campanha: o chamado “Pix Saúde”. A proposta é apresentada como inovação, mas funciona mais como reembalagem de um mecanismo antigo. Em casos urgentes sem vaga na rede pública, o Estado pagaria atendimento em hospitais privados. O nome é novo, o marketing também — mas o instrumento não. Desde 1990, o artigo 24 da Lei 8.080 já autoriza o SUS a recorrer à iniciativa privada quando sua capacidade é insuficiente. Lei 8.080 — Senado Federal
Na Bahia, esse modelo não só existe como já é operacionalizado pelo governo Jerônimo. A Sesab credencia prestadores privados para complementar a rede pública em UTIs, leitos clínicos, cirurgias e procedimentos ambulatoriais. Essa integração entre rede pública, filantrópica e privada credenciada ajudou, inclusive, a Bahia a liderar em 2023 o número de cirurgias realizadas no Programa Nacional de Redução das Filas.
Eleições 2026
Robinson denuncia censura de publicidade da ponte em empresas ligadas à família de ACM Neto
Deputado afirma que campanha da concessionária responsável pela Ponte Salvador-Itaparica foi barrada em veículos de comunicação ligados ao ex-prefeito
O deputado estadual Robinson Almeida (PT) denunciou o que classificou como uma nova tentativa de ACM Neto de restringir a circulação de informações que contrariem seus interesses eleitorais. Segundo o parlamentar, após recorrer à Justiça para tentar impedir a veiculação de publicidade da Concessionária Ponte Salvador-Itaparica, responsável pela construção da Ponte Salvador-Itaparica, o candidato estaria impedindo a divulgação da campanha publicitária da empresa em veículos de comunicação dos quais sua família é proprietária ou dos quais é sócio, como o Correio e a Rede Bahia.
Para Robinson, a recusa da publicidade exclusivamente nos meios de comunicação ligados a ACM Neto faz com que o episódio ultrapasse o campo da disputa política e levante questionamentos sobre liberdade de informação.
“Não basta querer impedir a publicidade de uma empresa privada na Justiça. Agora, a publicidade que mostra que a ponte está em andamento também não pode ser veiculada nos veículos de comunicação ligados a ele?”, questionou o deputado.
O parlamentar afirmou que a campanha da concessionária tem como objetivo apresentar informações sobre o projeto e o andamento das obras, em contraposição às críticas da oposição, que questiona a execução do empreendimento. Na avaliação de Robinson, não cabe a candidatos definir quais informações devem ou não chegar ao público, nem utilizar participação em empresas de comunicação para restringir conteúdos que contrariem suas posições políticas.
Robinson também relembrou que, durante as eleições de 2022, ACM Neto questionou judicialmente a divulgação da pesquisa AtlasIntel. Segundo o deputado, o episódio se soma a outras reações do candidato a conteúdos considerados desfavoráveis à sua trajetória política.
“Em 2022, tentou barrar pesquisa. Agora, quer barrar até publicidade privada. A novidade é que o conteúdo privado está sendo impedido nas empresas de comunicação ligadas ao próprio candidato”, afirmou.
Para o deputado, a situação demonstra uma tentativa de transformar veículos de comunicação em instrumentos de controle da informação durante o período eleitoral.
Eleições 2026
Rosemberg critica ações judiciais de ACM Neto contra veículos de imprensa
Líder do governo na Alba afirma que representações na Justiça Eleitoral buscam retirar conteúdos jornalísticos que abordam a trajetória política do ex-prefeito de Salvador
O deputado estadual Rosemberg Pinto (PT), líder do governo na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), criticou as ações judiciais movidas pela campanha do candidato ao governo do Estado, ACM Neto, contra veículos de comunicação. Segundo o parlamentar, as representações protocoladas na Justiça Eleitoral têm como objetivo retirar do ar conteúdos jornalísticos que tratam de fatos relacionados à trajetória política do ex-prefeito de Salvador.
“O assédio judicial foi usado contra o Política ao Vivo e agora reiterado contra o site Farol da Bahia”, afirmou Rosemberg.
De acordo com o deputado, a coluna do Farol da Bahia alvo da representação abordava questões relacionadas ao sistema de transporte coletivo por ônibus em Salvador durante a gestão de ACM Neto e que, segundo ele, teriam sido agravadas na administração do atual prefeito, Bruno Reis.
“Isso é fato. Depois de ACM Neto, o transporte coletivo por ônibus só piorou na capital baiana. Se não fosse o governo do Estado com a expansão do metrô, seria só sofrimento para o povo que dependia do buzu”, declarou.
Rosemberg afirmou ainda que os problemas enfrentados pela população no transporte público não podem ser ignorados e defendeu que o debate político seja baseado em fatos e avaliações da gestão pública.
“O povo da Bahia já provou a você, ACM Neto, em 2022, que não cai no conto de sua arrogância de dizer que é o melhor, que fez isso e vai fazer aquilo. Não será diferente em outubro, mesmo com suas tentativas de censurar as verdades de sua carreira política”, disse o parlamentar.
Eleições 2026
Levantamento mostra que estados citados por ACM Neto enfrentam filas no SUS
Reportagens publicadas entre 2024 e 2026 registram longas esperas por consultas, exames e cirurgias em unidades da federação apontadas pelo ex-prefeito como referência na saúde pública
A tentativa do candidato ACM Neto (União Brasil) de apresentar experiências de outros estados como contraponto à regulação da saúde na Bahia esbarra em um dado recorrente registrado pela própria imprensa dessas unidades da federação: filas extensas, esperas de meses ou anos e dificuldades de acesso a consultas, exames e cirurgias. Levantamento com reportagens publicadas entre 2024 e 2026 mostra que não existe o modelo sem filas sugerido pelo discurso do ex-prefeito.
Os dados não sustentam a ideia de que os estados apresentados por ACM como referência tenham solucionado os desafios da regulação. Ao contrário. Enquanto a Bahia registra avanços nos indicadores de atendimento, reportagens nacionais e regionais mostram cenários marcados por superlotação, falhas operacionais e longos períodos de espera.
Na Bahia, os indicadores oficiais apontam melhora contínua no tempo de resposta da regulação estadual. Em 2022, 49% dos pacientes regulados conseguiam vaga em até 24 horas. Em 2025, esse percentual alcançou 71%. No mesmo período, a proporção de atendimentos resolvidos em até 48 horas chegou a 81% e, em até 72 horas, a 86%. A Central Estadual de Regulação opera 24 horas por dia, recebe demandas dos 417 municípios e organiza o acesso a UTIs, cirurgias, internações e exames de alta complexidade.
A ampliação da capacidade assistencial também produziu resultados concretos. Integrado à lista única da regulação, o Hospital Ortopédico do Estado triplicou a oferta de vagas e reduziu em até 85% o tempo de espera para determinados procedimentos.
São Paulo
Em reportagem publicada pela Folha de S.Paulo em 20 de maio de 2026, repercutida por diversos veículos, a cidade de São Paulo registrava cerca de 149 mil pessoas aguardando por cirurgias eletivas. Uma das pacientes entrevistadas estava na fila desde 2022 e chegou a receber uma ligação apenas para confirmar se ainda estava viva e interessada em realizar o procedimento.
Minas Gerais
Minas Gerais apresenta um cenário igualmente desafiador. Reportagem do jornal Estado de Minas, publicada em 8 de julho de 2024, mostrou que o estado tinha 473.939 solicitações pendentes para cirurgias eletivas, número próximo de meio milhão de pacientes. Apenas em Belo Horizonte, cerca de 28 mil pessoas aguardavam procedimentos.
Santa Catarina
Em Santa Catarina, levantamento publicado pelo NSC Total, em 23 de outubro de 2024, encontrou pacientes esperando até dez anos por exames e cirurgias pelo SUS. A reportagem registrou aproximadamente 100 mil pessoas na fila por procedimentos cirúrgicos e casos de usuários com previsão de atendimento apenas para a próxima década.
Rio Grande do Sul
O Rio Grande do Sul também enfrenta dificuldades. Reportagem do GZH, publicada em janeiro de 2025, informou que o estado acumulava cerca de 670 mil pedidos de consultas especializadas pelo SUS. Os dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação apontaram ainda que milhares de pacientes morreram enquanto aguardavam atendimento.
Goiás
Mesmo Goiás, frequentemente citado como referência por adotar sistemas digitais de regulação, continuava convivendo com filas expressivas. Em abril de 2026, a própria Secretaria Estadual de Saúde informou que 23.883 pacientes aguardavam por cirurgias eletivas, com tempo médio de espera de 84 dias.
Diante desse cenário, reportagens publicadas em diferentes regiões do país indicam que os desafios relacionados à regulação e ao acesso a procedimentos especializados são uma realidade nacional. Os dados mostram que, ao contrário da narrativa de soluções definitivas adotadas em outros estados, o enfrentamento das filas continua sendo um dos principais desafios da saúde pública brasileira.
Na Bahia, por sua vez, os indicadores apontam avanços consistentes na redução dos tempos de resposta da regulação, resultado dos investimentos realizados na ampliação da rede estadual de saúde ao longo das gestões petistas. Desde 2007, o Governo do Estado inaugurou dezenas de hospitais e unidades especializadas na capital e no interior, ampliando a oferta de leitos, cirurgias, exames e atendimentos de alta complexidade.
Entre os equipamentos entregues nos últimos anos estão o Hospital Ortopédico do Estado e o Hospital Estadual Mont Serrat, em Salvador, o Hospital Costa das Baleias, em Teixeira de Freitas, e o Hospital Regional do Litoral Norte, em Alagoinhas, além de outras unidades que fortaleceram a capacidade de atendimento do SUS baiano. A estratégia do governo é combinar a expansão da infraestrutura hospitalar com o fortalecimento da regulação estadual, ampliando o acesso dos pacientes e reduzindo progressivamente o tempo de espera por procedimentos em toda a Bahia.
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