Educação
Provas do Encceja 2025 acontecem neste domingo (3)
A avaliação é feita por pessoas que não conseguiram concluir os ensinos Fundamental e Médio em idade regular
As provas do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) acontecem, neste domingo (3/8), em todos o país. A avaliação é feita por pessoas que, por algum motivo, não conseguiram concluir os ensinos Fundamental e Médio em idade regular e desejam adquirir os diplomas.
O candidato pode consultar o local da prova disponível no Cartão de Confirmação de Inscrição, na Página do Participante, em https://enccejanacional.inep.gov.br/. O exame é aplicado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão ligado ao Ministério da Educação (MEC).
As avaliações serão divididas em quatro provas objetivas, por nível de ensino, cada uma com 30 questões de múltipla escolha, divididas em diferentes áreas do conhecimento, além de uma proposta de redação. O participante será considerado habilitado se atingir o mínimo de 100 pontos em cada uma das áreas de conhecimento e obtiver nota igual ou superior a cinco pontos na Prova de Redação.
Os exames serão aplicados nos turnos da manhã e da tarde (horário de Brasília), sendo que, no primeiro turno, os portões irão abrir às 8h e fecharão às 8h45, e as provas começarão às 9h e terminarão às 13h. Já no segundo turno, os portões serão abertos às 14h30 e fechados às 15h15 e a aplicação da tarde se iniciará às 15h30 e irá até às 20h30.
Os gabaritos das provas objetivas serão divulgados no Portal do Inep, até o décimo dia útil seguinte ao dia de realização do exame. O participante poderá ter acesso aos resultados individuais no dia 15 de dezembro de 2025, no endereço https://enccejanacional.inep.gov.br/.
Educação
Alba aprova gratificação para professores do sistema socioeducativo na Bahia
Medida amplia benefício da Geusp e reconhece atuação de docentes em unidades de internação de adolescentes
O Governo da Bahia avançou no fortalecimento da política socioeducativa e na valorização dos profissionais da educação que atuam em unidades de internação. A Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) aprovou o Projeto de Lei nº 26.292/2026, de autoria do Poder Executivo, que estende a Gratificação pelo Exercício em Unidade do Sistema Prisional (Geusp) aos professores vinculados às escolas do sistema socioeducativo.
A proposta altera a Lei nº 11.056, de 26 de junho de 2008, garantindo a inclusão dos docentes no recebimento da gratificação. A medida reconhece as especificidades do trabalho pedagógico desenvolvido nas unidades da Fundação da Criança e do Adolescente, onde os profissionais atuam em um ambiente que exige preparo técnico, atenção a protocolos de segurança e compromisso permanente com a formação educacional dos adolescentes.
Na mensagem enviada ao Legislativo, o governador Jerônimo Rodrigues destacou que os professores da socioeducação enfrentam desafios semelhantes aos que motivaram a criação da Geusp, reforçando a importância da valorização desses profissionais.
Para o vice-diretor do Colégio Estadual de Tempo Integral de Feira de Santana – Anexo CASE Zilda Arns, Carlos Alberto Alves Lima, a ampliação da gratificação representa o reconhecimento do papel estratégico da educação no processo socioeducativo. Segundo ele, a escolarização nas unidades é um dos pilares da ressocialização, contribuindo para a construção de novos projetos de vida, o fortalecimento da cidadania e a formação humana dos adolescentes.
O educador ressaltou ainda que o trabalho nas unidades vai além do conteúdo curricular. Além da formação pedagógica, os profissionais atuam diretamente na reconstrução de trajetórias e no desenvolvimento de novas perspectivas para os jovens, preparando-os para o retorno ao convívio social com mais autonomia e oportunidades.
“A educação para a liberdade é um dos maiores desafios da escolarização dentro do socioeducativo”, afirmou Carlos Alberto Alves Lima, ao destacar que a valorização dos professores amplia também a responsabilidade dos profissionais que atuam diariamente nas unidades.
A extensão da Geusp integra uma estratégia mais ampla do Governo do Estado para o fortalecimento do sistema socioeducativo, alinhada ao programa Bahia Pela Paz. Entre as ações, estão obras de reforma e requalificação de unidades, incluindo a antiga Case CIA e a Case Feminina, melhorias nas unidades de semiliberdade, implantação de scanner corporal e ampliação de capacitações para equipes técnicas e socioeducativas.
Os avanços também têm refletido nos resultados educacionais dos adolescentes atendidos pela Fundação, com participação em olimpíadas do conhecimento, melhoria no desempenho escolar e expansão do acesso a atividades pedagógicas, culturais e profissionalizantes.
A iniciativa reafirma a educação como eixo central da socioeducação e fortalece as ações voltadas à garantia de direitos, responsabilização e construção de novas perspectivas para adolescentes e jovens atendidos pelo sistema socioeducativo baiano.
Educação
Governador inaugura complexo educacional em Eunápolis
Nova unidade integra ensino médio, formação profissional, esporte e cultura; agenda incluiu anúncios nas áreas de saúde, infraestrutura, mobilidade e habitação
“Sou apaixonado por vôlei desde criança e poder conciliar os estudos com o esporte dentro da escola é bom demais”, afirmou, entusiasmado, o estudante do 1º ano do Ensino Médio Pedro Ítalo Santos Vilar. Ele está entre os mais de 800 alunos atendidos pelo Complexo Integrado de Educação Básica, Profissional e Tecnológica de Eunápolis, inaugurado nesta terça-feira (12) pelo governador Jerônimo Rodrigues, no Território Costa do Descobrimento.
Com investimento de aproximadamente R$ 24 milhões em ampliação e modernização, a unidade conta com 26 salas de aula climatizadas, laboratórios, biblioteca, sala multifuncional, sala de dança, teatro, restaurante estudantil, quadra poliesportiva coberta, campo society com pista de atletismo e piscina semiolímpica. Durante a cerimônia, também foi entregue um ônibus escolar rural, ampliando o acesso de estudantes que vivem em comunidades mais afastadas.
Na ocasião, o governador destacou a expansão da rede estadual de ensino em tempo integral no interior da Bahia. “São mais de 100 novas escolas entregues em todo o estado. Estamos investindo para garantir educação pública de qualidade, com estrutura moderna, formação integral e mais oportunidades para que os jovens construam o seu futuro”, afirmou Jerônimo Rodrigues.
Investimentos em diversas áreas
A agenda do governador em Eunápolis incluiu ainda a entrega de uma van para Tratamento Fora do Domicílio (TFD), uma ambulância e um veículo administrativo. Também foi inaugurado o Sistema de Abastecimento de Água, que beneficiará moradores das localidades de Ponto de Maneca, Areal, Igrejinha, Escolinha, Senhorinha, Elias, Bairro Novo e Rotatória, situadas a cerca de 25 quilômetros da sede do município.
Durante a visita, foi anunciada a licitação para pavimentação do trecho que liga as BRs-101 e 367, no bairro Arnaldão, ao Contorno Viário de Eunápolis. O projeto prevê cerca de sete quilômetros de extensão, investimento estimado em R$ 13 milhões e conclusão prevista para março de 2027. Segundo o secretário estadual de Infraestrutura, Saulo Pontes, a obra vai aliviar o tráfego e melhorar significativamente a mobilidade urbana da cidade.
A agenda incluiu ainda a autorização para a construção do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS AD III) e do Centro Especializado em Reabilitação (CER), a assinatura da ordem de serviço para implantação da sinalização de trânsito, além da sanção da lei que torna a Festa do Pedrão patrimônio cultural imaterial da Bahia. O governador também acompanhou a inauguração da nova sede da Secretaria Municipal de Saúde, vistoriou as obras da Avenida David Jonas Fadini, a construção de 496 unidades habitacionais dos residenciais Eunápolis 1 e 2, do programa Minha Casa Minha Vida, e participou da entrega da nova Usina de Asfalto de Eunápolis.
Educação
Educação pública sob gestão privada avança no país e acende alerta na Bahia
Modelo adotado no Paraná e em São Paulo, associado ao ex-secretário Renato Feder, inspira ACM Neto e já opera em Salvador, onde é alvo de investigações do Ministério Público
Enquanto o Paraná é apresentado como vitrine da educação pública brasileira — líder no IDEB e campeão em investimentos — uma engrenagem silenciosa avança nos bastidores: a transferência da gestão de escolas públicas para empresas privadas, financiada com dinheiro do contribuinte. É esse modelo que o pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto, declarou admirar e pretende replicar caso vença as eleições de 2026. Em Salvador, o protótipo já existe — e está sendo investigado pelo Ministério Público.
O arquiteto do modelo
A peça central dessa história tem nome: Renato Feder. Empresário do setor de tecnologia, ex-CEO da Multilaser por 15 anos, foi convidado por Ratinho Jr. para comandar a Secretaria de Educação do Paraná entre 2019 e 2023. No período, construiu a reputação de gestor eficiente — os índices do IDEB subiram, as escolas ganharam computadores e programas de intercâmbio foram lançados. Resultados concretos, reconhecidos por dados independentes.
Mas, junto com os avanços, Feder implantou o embrião do que viria a ser o Programa Parceiro da Escola: a terceirização da gestão administrativa de escolas públicas para empresas privadas. Em 2023, o modelo migrou com ele para São Paulo, onde passou a comandar a pasta sob o governo Tarcísio de Freitas — repetindo o mesmo roteiro, desta vez na maior rede de ensino do país.
Conflito de interesses documentado
O movimento levantou uma questão incômoda: a Multilaser, empresa da qual Feder é sócio por meio de uma offshore no paraíso fiscal de Delaware (EUA), acumulou R$ 200 milhões em contratos com a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo — pasta que ele próprio comanda.
O último contrato, de R$ 76 milhões para fornecimento de notebooks, foi assinado em 21 de dezembro de 2022 — exatamente quando Feder já havia sido publicamente anunciado para o cargo, mas ainda não havia tomado posse. A Procuradoria-Geral de Justiça de São Paulo abriu investigação. O Tribunal de Contas do Estado também. Três convocações da Assembleia Legislativa paulista foram ignoradas pelo secretário.
A Controladoria-Geral da União (CGU) chegou a proibir temporariamente a Multilaser de assinar contratos públicos após atrasos na entrega de equipamentos à Universidade Federal do Paraná. Feder, como responsável pela fiscalização dos contratos em São Paulo, optou por não punir a própria empresa por falhas semelhantes no estado.
Parceiro da Escola: aprovado na marra
No Paraná, o Programa Parceiro da Escola (Lei nº 22.006/2024) foi aprovado pela Assembleia Legislativa em regime de urgência, por 39 votos a 13 — enquanto 20 mil pessoas protestavam do lado de fora do plenário. Estudantes chegaram a ocupar o prédio durante a votação.
O programa prevê o repasse de R$ 1,87 bilhão em recursos públicos a empresas privadas ao longo de quatro anos, para que cuidem da gestão administrativa das escolas. O grupo ligado ao bilionário Jorge Paulo Lemann figura como principal beneficiário.
Quando as comunidades escolares foram consultadas, o resultado foi inequívoco: apenas 10 das 177 escolas (5,6%) votaram a favor. O governo, então, mudou as regras. Um decreto deu à própria Secretaria de Educação o poder de decidir unilateralmente nas escolas que não atingissem quórum mínimo — esvaziando qualquer caráter democrático da consulta.
O Tribunal de Contas do Paraná apontou sete irregularidades no programa-piloto, incluindo o caso de uma empresa que recebeu R$ 6 milhões sem prestar contas. O programa enfrenta ainda uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 7684) no STF, com a Advocacia-Geral da União já tendo se manifestado contra o modelo.
Salvador: o protótipo já funciona e é investigado
O sinal de alerta já existe em Salvador. O programa “Pé na Escola”, criado pela Lei Municipal nº 9.410/2018, sancionada pelo então prefeito ACM Neto e continuamente ampliado por seu sucessor, Bruno Reis, destina recursos públicos a vagas em escolas privadas conveniadas para crianças de 2 a 5 anos.
Os números, extraídos do Portal da Transparência da Prefeitura de Salvador, são contundentes. Entre 2021 e 2026, o programa consumiu R$ 811,8 milhões em recursos públicos — crescimento de 306% em valor absoluto. Em 2026, sozinho, foram R$ 217,9 milhões, o que representou 66,1% de todos os contratos de prestação de serviços da Secretaria Municipal de Educação.
Enquanto isso, a rede pública municipal oferece apenas 22.613 vagas em creches e pré-escolas, ao passo que o Pé na Escola prevê atender mais de 40 mil crianças na mesma faixa etária por meio de escolas privadas — quase o dobro.
Em março de 2026, o Ministério Público da Bahia expediu a Recomendação Conjunta nº 01/2026, apontando vagas ociosas na rede pública sendo ignoradas enquanto contratos privados se expandem, fechamento de escolas municipais sem estudos de viabilidade — como a Escola Municipal Paulo Mendes de Aguiar, no bairro do Rio Sena, encerrada em janeiro de 2026 após mais de 40 anos — e o uso do programa como mecanismo rotineiro, em desvio de sua finalidade temporária prevista em lei.
Em abril de 2026, o Ministério Público Federal instaurou inquérito civil para investigar possível violação constitucional: a Emenda Constitucional nº 108/2020 proíbe expressamente o uso de recursos do Fundeb para repasses a instituições privadas com fins lucrativos.
ACM Neto, criador do programa, defendeu o modelo sob o argumento de que a vaga privada conveniada custa menos que a vaga pública. As investigações seguem, sem resposta conclusiva da prefeitura.
O avanço da privatização do ensino público
O que está em curso não é uma política isolada. Trata-se de uma estratégia que percorre Paraná, São Paulo e aponta para a Bahia: liderar rankings educacionais como capital político, avançar na privatização da gestão escolar, contornar resistências por meio de decretos e regimes de urgência legislativa e sustentar o discurso da modernização enquanto bilhões de reais em recursos públicos migram para o setor privado.
Em Salvador, o roteiro já foi ensaiado na educação infantil. Em Brasília, o modelo é investigado pelo MPF. No STF, o Parceiro da Escola do Paraná aguarda julgamento de inconstitucionalidade. A pergunta que a Bahia precisa responder antes de 2026 é simples: quem, afinal, será o dono da escola pública baiana?
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