Cultura
Feira de Caxixis é atração turística na Semana Santa, em Nazaré
Considerada a maior feira de artesanato da América Latina e a mais antiga do Brasil, transforma a cidade em um grande mercado popular ao ar livre
Uma das tradições da Semana Santa, a Feira de Caxixis acontece, de quinta-feira (17) a domingo (20), em Nazaré, na zona turística Baía de Todos-os-Santos, com o tema “Arte e Cultura se Encontram Aqui”. A expectativa da Prefeitura Municipal é receber cerca de 90 mil visitantes. O evento tem o apoio do Governo do Estado, por meio das secretarias de Turismo (Setur-BA), do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), da Cultura (Secult) e de Promoção da Igualdade Social (Sepromi).
Nos quatro dias de festa, considerada a maior feira de artesanato da América Latina e a mais antiga do Brasil, a cidade se transforma em um grande mercado popular ao ar livre. Boxes são espalhados por ruas e praças, onde ficam expostas as famosas miniaturas de cerâmica (caxixis), que têm a argila como matéria-prima.
A programação inclui a encenação da Paixão de Cristo, exposições afro-baiana e de projetos de economia solidária, espaço kids e o Barracão Cultural, com apresentações artísticas e oficinas. No palco principal, atrações como Jorge Vercillo, Jau, Timbalada, Filhos de Jorge, Xanddy Harmonia e Silvanno Salles.
“Estamos com muita expectativa de realizar, neste ano, um evento realmente grandioso, à altura da importância que a Feira de Caxixis possui. Vamos fazer uma homenagem especial aos artesãos, que são as verdadeiras estrelas da festa”, disse a gerente da Secretaria de Cultura e Turismo de Nazaré, Lorena Dantas.
O visitante que for participar do evento pode aproveitar para conhecer outros atrativos da cidade, onde se destacam o monumento do Jesus de Nazaré, de 15 metros de altura, no alto do Morro do Silêncio, o patrimônio arquitetônico colonial, o Cineteatro Rio Branco e a linha férrea da Maria Fumaça.
Olarias
A maior parte das peças expostas na Feira de Caxixis é produzida nas olarias de Maragogipinho, antigo distrito de Nazaré, que hoje pertence ao município de Aratuípe. Ele é considerado o maior polo latino-americano de cerâmica artesanal, em quase 300 anos de história.
O mestre artesão Seu Zé, 67 anos, quer manter viva a tradição. “Trabalho com o barro há 54 anos. Em 2024, tive uma escultura minha escolhida pela Unesco para representar a Bahia. Hoje, o meu maior sonho é realizar cursos para ensinar a arte da cerâmica às novas gerações”, relatou.
Já o mestre Rosalvo Santana, 60 anos, é especialista em arte sacra e recebe encomendas de todo o Brasil. “Desde criança, já tinha dom para desenhar e as imagens das igrejas me chamavam a atenção. Vou levar dez esculturas para a feira em Nazaré”.
O polo ceramista faz Maragogipinho receber visitantes o ano inteiro, que adquirem caxixis e se encantam com a beleza do Rio Jaguaripe, que passa na localidade, além da degustação da gastronomia regional, rica em frutos do mar.
Cultura
Lazzo Matumbi é atração do Festival de Música da Educadora FM
Cantor sobe ao palco da Concha Acústica do TCA no dia 29 de novembro durante a cerimônia de premiação da 24ª edição do evento
A força da música baiana e da ancestralidade afro-brasileira ganhará voz na Concha Acústica do Teatro Castro Alves (TCA) com a apresentação de Lazzo Matumbi, uma das maiores referências do samba-reggae no país. O artista será a principal atração da cerimônia de premiação da 24ª edição do Festival de Música da Rádio Educadora FM, marcada para o dia 29 de novembro, às 18h30.
Os ingressos estarão disponíveis a partir desta quinta-feira (3), por meio da plataforma Sympla. O show promete conduzir o público por uma viagem sonora marcada pela identidade negra, pela resistência cultural e pelos ritmos que ajudaram a construir a história da música baiana.
Dono de uma das vozes mais marcantes da música brasileira, Lazzo Matumbi reúne em sua trajetória sucessos como “Me Abraça e Me Beija”, “Do Jeito que Seu Nego Gosta” e “14 de Maio”. O cantor também assina a composição de “Alegria da Cidade”, canção eternizada na voz de Margareth Menezes e considerada um dos grandes clássicos da música baiana.
Nascido como Lázaro Jerônimo Ferreira, o artista iniciou sua formação musical nas rodas de samba e ao som dos atabaques do bairro da Federação, em Salvador. Sua trajetória artística começou no bloco afro Ilê Aiyê, onde ficou conhecido como Lazinho do Ilê. Ao seguir carreira solo, levou para os palcos a defesa da cultura afro-brasileira, da identidade negra e do combate ao racismo.
Com forte influência dos ritmos afro-baianos, Lazzo consolidou-se como um dos principais representantes do samba-reggae, transformando sua obra em um manifesto cultural, político e social. Sua carreira inclui apresentações em mais de 30 países, participação em festivais internacionais e uma turnê de três anos ao lado do jamaicano Jimmy Cliff.
Festival distribuirá R$ 530 mil em premiações
Considerado a maior premiação entre os festivais de música do Brasil, o Festival de Música da Rádio Educadora FM distribuirá, nesta edição, R$ 530 mil em premiações para artistas e estudantes.
A disputa está dividida em duas categorias: profissional e estudantil, esta última destinada a alunos da rede pública estadual. Ao todo, 55 músicas serão selecionadas para integrar a programação da Educadora FM e receber incentivos financeiros.
Na categoria profissional, serão premiadas 15 composições instrumentais e 35 canções com letra. Já a categoria estudantil contemplará cinco músicas vencedoras.
Além dos artistas, as escolas participantes também serão beneficiadas pela Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC), que investirá R$ 30 mil em ações relacionadas ao ensino da música.
Comissão reúne nomes de destaque da música baiana
A comissão julgadora do festival é formada pelos músicos Adelmo Casé, Aloísio Menezes, Eric Assmar, Lan Lanh e Virgínia Rodrigues, responsáveis pela avaliação das obras inscritas.
Ao longo de sua história, o Festival de Música da Rádio Educadora FM já prestou homenagens a importantes nomes da cultura brasileira, entre eles Tom Zé, Elza Soares, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Mateus Aleluia, Maria Bethânia, Gal Costa, Nelson Rufino, Novos Baianos e Simone.
Cultura
André That Hora lança EP “ZUADA” e transforma o ruído em manifesto de identidade e resistência
Novo trabalho do músico baiano mistura metal, rap, trap, pagodão e samba-reggae para questionar preconceitos sobre ocupação sonora e expressão cultural nas periferias
Quem define o que é música e o que é barulho? É a partir dessa provocação que o músico e comunicador André That Hora apresenta “ZUADA”, EP-manifesto que será lançado nas plataformas digitais em 3 de novembro de 2026. O trabalho propõe uma reflexão sobre as disputas culturais e sociais presentes nos espaços urbanos, ao mesmo tempo em que reivindica o reconhecimento de manifestações sonoras frequentemente marginalizadas.
A palavra que dá nome ao projeto carrega múltiplos significados. Popularmente associada a excesso, desordem ou som indesejado, “zuada” é ressignificada por André como símbolo de identidade, criatividade, memória e pertencimento. A proposta é questionar por que determinadas expressões sonoras recebem prestígio e legitimidade cultural, enquanto outras, especialmente ligadas às periferias, são alvo de estigmatização e repressão.
O lançamento dialoga diretamente com debates sobre a ocupação sonora dos espaços públicos. Paredões, festas populares e manifestações musicais periféricas são frequentemente associados à perturbação, enquanto outras experiências musicais alcançam reconhecimento institucional. Para o artista, essas diferenças revelam disputas marcadas por questões de raça, classe social, território e poder.
Fusão de linguagens e referências
Com seis faixas, “ZUADA” reúne elementos do nu metal, groove metal, rap, trap, pagodão e samba-reggae, consolidando um processo de pesquisa musical desenvolvido por André em projetos anteriores, como XX7, Traprock e Rockerz.
Entre as influências estão bandas e movimentos que marcaram a história da música de resistência, como Sepultura, Rage Against the Machine, Nação Zumbi e BaianaSystem, além de artistas negros fundamentais para a formação do rock, como Sister Rosetta Tharpe, Chuck Berry e Little Richard.
“Não se trata de reivindicar a chegada do rock à Bahia, mas de afirmar outras possibilidades de criação a partir de uma tradição que já existe. Quero colocar a distorção das guitarras em diálogo com a força dos nossos tambores, o grave do pagodão, a pulsação do samba-reggae e a insurgência do rap, sem estabelecer hierarquias entre essas linguagens”, afirma André.
A sonoridade do EP combina guitarras pesadas e distorcidas com ritmos urbanos e matrizes afro-baianas. O resultado é uma proposta musical que busca equilibrar intensidade, reflexão e movimento, sem abrir mão do caráter experimental.
Produção colaborativa e identidade visual
O processo criativo contou com participações de APU Tude, nas faixas “Acerto de Contas” e “Na Maldade”, e de RLLXX, também em “Acerto de Contas”. A direção musical é assinada por André That Hora e Raonir Braz.
A pesquisa sonora explorou timbres, ritmos, texturas e formas de composição nas quais guitarras, percussões afro-baianas e produção eletrônica atuam de maneira integrada, sem hierarquias entre os diferentes elementos musicais.
A identidade visual do projeto dialoga com a estética punk e a tradição dos zines, publicações independentes historicamente associadas à circulação de ideias e narrativas contra-hegemônicas. A direção de arte é assinada por Sista Katia e André That Hora, com identidade visual desenvolvida por Rafael da Rolé 89. A produção executiva e a gestão são de Pyedra Barbosa.
Lançamento independente
“ZUADA” chega ao público por meio de um lançamento independente vinculado à MPN Records, estrutura criativa sediada na WR Bahia. A iniciativa reforça a proposta de autonomia artística do projeto, que tem na experimentação estética e conceitual um de seus pilares centrais.
Cultura
OSBA em Família celebra música sinfônica e homenageia centenário de Genaro de Carvalho no TCA
Concerto terá regência de Carlos Prazeres, participação da violoncelista Marina Martins e da soprano Camila Titinger, além de homenagem especial ao artista baiano
A Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA) realiza, no feriado de 15 de novembro, às 17h, na Sala Principal do Teatro Castro Alves (TCA), em Salvador, mais uma edição da série OSBA em Família. Criada em 2018, a iniciativa busca aproximar diferentes públicos da música de concerto por meio de apresentações realizadas em horários que favorecem o encontro entre familiares e amigos.
Sob a regência do maestro Carlos Prazeres, o concerto reunirá obras do brasileiro Mário Ferraro, do alemão Richard Strauss e do tcheco Antonín Dvořák. A apresentação contará ainda com a participação da soprano Camila Titinger e da violoncelista Marina Martins, convidadas como solistas.
Considerada uma das violoncelistas mais talentosas de sua geração, Marina Martins acumula reconhecimento internacional, com prêmios e apresentações ao lado de importantes orquestras. Entre as distinções recebidas estão o Exilarte Preis, na Áustria, em 2021, e o prêmio do Concurso Jovens Solistas da Osesp, em 2018, seguido da Medalha Eleazar de Carvalho. Na apresentação da OSBA, ela interpretará como solista o Concerto para Violoncelo em Si Menor, Op. 104, de Dvořák.
Já a soprano Camila Titinger possui trajetória consolidada em importantes salas de concerto e casas de ópera internacionais. Ela recebeu elogios da crítica por sua atuação como Micaela, na ópera Carmen, de Bizet, apresentada pela Opera North, na Inglaterra. Reconhecida por sua atuação no repertório sinfônico, a artista já interpretou todas as sinfonias de Mahler e obras de compositores como Beethoven, Mozart, Villa-Lobos, Edino Krieger e João Guilherme Ripper.
Homenagem ao centenário de Genaro de Carvalho
A programação também contará com uma homenagem ao centenário de nascimento do artista baiano Genaro de Carvalho, que completaria 100 anos em novembro deste ano. A cerimônia terá a participação de sua viúva, Nair de Carvalho.
Considerado um dos pioneiros da tapeçaria moderna no Brasil, Genaro de Carvalho destacou-se como pintor, desenhista e tapeceiro, deixando uma contribuição marcante para a arte brasileira.
Série promove encontros por meio da música
Com apresentações realizadas no fim da tarde, a série OSBA em Família foi concebida para proporcionar experiências musicais compartilhadas entre familiares e amigos. Embora incentive a participação de grupos familiares, o projeto não é direcionado especificamente ao público infantil, apresentando repertórios variados da música de concerto.
Para esta edição, a classificação indicativa é de 14 anos, conforme determinação do Juizado da Infância e da Juventude da Bahia.
Serviço
OSBA em Família
📅 Data: 15 de novembro de 2026 (domingo)
🕔 Horário: 17h
📍 Local: Sala Principal do Teatro Castro Alves (TCA), Salvador
- Regência: Carlos Prazeres
- Solistas: Marina Martins (violoncelo) e Camila Titinger (soprano)
Programa:
- Mário Ferraro – Miragem
- Richard Strauss – Vier Letzte Lieder (Quatro Últimas Canções)
- Antonín Dvořák – Concerto para Violoncelo em Si Menor, Op. 104
Ingressos
- Setor I: R$ 40 (inteira) | R$ 20 (meia)
- Setor II: R$ 30 (inteira) | R$ 15 (meia)
- Setor III: R$ 20 (inteira) | R$ 10 (meia)
- Vendas: Bilheteria do Teatro Castro Alves e plataforma Sympla.
Atenção: O concerto começa pontualmente às 17h. Não será permitida a entrada após o início da apresentação.
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