Cultura
Governador acompanha avanço das obras do Teatro Castro Alves
Com entrega prevista para o primeiro semestre de 2026, obra do Novo TCA representa investimento de R$ 260 milhões na cultura baiana
Em visita às obras do Teatro Castro Alves nesta segunda-feira (5), o governador Jerônimo Rodrigues acompanhou os avanços da reforma de um dos mais importantes palcos da cultura baiana. Com investimento de R$ 260 milhões e previsão de conclusão para o primeiro semestre de 2026, a obra, executada pela Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder), vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Urbano do Estado (Sedur), avança em uma nova etapa que permite ao público acompanhar de perto essa transformação por meio do Programa Visitas Educativas. O anúncio foi feito pelo governador, que também detalhou sobre os investimentos e os eixos da reforma.
“Nós teremos um período de visitas limitadas, para não atrasar a obra, mas queremos que pesquisadores, estudantes, das áreas de engenharia, de cultura, façam parte dessa obra e, depois de inaugurada, essa visitação continuará. E voltaremos aqui ano que vem, em 2026, para fazer essa entrega com um grande show. O Brasil e o mundo, não é só a Bahia, vai receber um equipamento de muita qualidade”, disse Jerônimo Rodrigues.
O Programa Visitas Educativas permite aproximar a população desse patrimônio da cultura baiana, mostrando em detalhes as intervenções que modernizam o TCA sem perder sua essência histórica. O público será acompanhado por uma equipe formada por profissionais de três áreas: educação, arquitetura e segurança do trabalho. Em cada visita, será possível entender a dimensão do projeto que torna o TCA uma referência nacional.
O secretário da Cultura, Bruno Monteiro, explicou que durante as obras foram descobertas fundações da década de 1940 e que os registros históricos do prédio estão sendo documentados e organizados.
“As visitas cumprem também esse papel de preservar a memória e acompanhar um processo de restauro de um ícone da arquitetura moderna brasileira, um patrimônio tombado. É fundamental garantir a transparência nesse processo. As visitas são voltadas, principalmente, para estudantes, arquitetos, engenheiros, artistas, produtores culturais, mas também para o público em geral”, detalhou o titular da Secult-BA.
Os grupos no Programa Visitas Educativas serão formados por, no máximo, 10 pessoas. Os encontros acontecem às sextas-feiras, a partir de 16 de maio, e duram cerca de 90 minutos. Para participar, os interessados devem retirar gratuitamente os ingressos na plataforma Sympla sempre dois dias antes da visita.
O programa reforça o compromisso do Governo do Estado com a transparência e a aproximação da população desse patrimônio da cultura, permitindo que os baianos vejam de perto como o teatro se prepara para o futuro. O objetivo é garantir uma experiência completa com conhecimento técnico, histórico e artístico.
Durante a visita às obras, Jerônimo Rodrigues conversou com trabalhadores, visitou a Sala Principal e outros espaços em reforma no complexo. Ele aproveitou a oportunidade para verificar como está o andamento dos cinco eixos do Novo TCA: Acessibilidade, Restauro, Modernização, Atualização tecnológica e Sustentabilidade. Além da Sala Principal e do Foyer, a obra vai requalificar o Jardim Suspenso, ampliar as estruturas do Centro Técnico e melhorar as dependências dos corpos artísticos residentes: a Orquestra Sinfônica da Bahia (Osba) e o Balé Teatro Castro Alves (BTCA).
O projeto inclui R$ 148 milhões em obras civis, R$ 28 milhões em iluminação cênica e R$ 13 milhões em sistemas de áudio e vídeo, além de valores investidos no restauro das poltronas, vestimentas cênicas, mobiliário e outras ações. Enquanto as obras seguem no prédio central, a Sala do Coro e a Concha Acústica permanecem em funcionamento, assim como as atividades da Osba e do BTCA em outros espaços culturais – Solar Boa Vista e Espaço Xisto Bahia, respectivamente.
O Teatro Castro Alves, tombado pelo Iphan em 2014 como patrimônio cultural do Brasil, passa por sua terceira e mais abrangente etapa de reformas, um projeto que representa a consolidação do Novo TCA. Resultado de um concurso público de arquitetura realizado em 2010, o projeto teve duas etapas concluídas: a primeira, em 2016, com a entrega da Concha Acústica e do Edifício Garagem, com investimento de R$ 110 milhões; e a segunda, em 2018, revitalizando a Sala do Coro, com custo de R$ 9 milhões.
Com essa transformação através das três etapas do projeto do Novo TCA, o Teatro Castro Alves se consolida como espaço moderno, seguro e acessível, pronto para receber as próximas gerações de artistas e público, mantendo viva sua história como um dos palcos mais importantes da cultura brasileira.
O presidente da Conder, José Trindade, destacou que, a partir da reforma, o equipamento estará preparado para receber grandes atrações nacionais e internacionais. “Está sendo equipado para que possamos receber as melhores projeções de shows”, pontuou.
A visita ainda contou com a presença do vice-governador Geraldo Júnior, do secretário da cultura, Bruno Monteiro, de representantes do Teatro Castro Alves e deputados estaduais.
Cultura
Espaço Vozes da Bahia transforma Flica em vitrine da literatura baiana
Iniciativa da Fundação Pedro Calmon fortalece a produção literária do estado com lançamentos, debates, exposições e ações de incentivo à leitura
“Aqui é a casa dos autores da Bahia.” É assim que a diretora de Livro e Leitura da Fundação Pedro Calmon (FPC), Érica Ferreira, define o Espaço Vozes da Bahia, uma das atrações da 14ª Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica 2026). Instalado na Praça da Aclamação, o ambiente reúne estandes e uma programação dedicada à literatura contemporânea produzida no estado, acolhendo 30 autores independentes e outros 30 vinculados a seis editoras independentes selecionadas por edital público.
A estrutura conta com dois palcos simultâneos. No Palco Varanda, o público acompanha lançamentos de editoras universitárias, debates sobre histórias em quadrinhos, saraus de cordel e discussões sobre o papel das feiras literárias na formação de leitores. Já o Palco Vozes da Bahia recebe mesas e apresentações de escritores contemplados pelo edital homônimo, promovido pela FPC, instituição vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-BA).
“A ideia é que a gente traga a literatura baiana com muita força para dentro desta casa. O Governo do Estado tem apoiado firmemente as feiras literárias e, a partir desse movimento, fortalecido diretamente os nossos autores”, ressalta Érica Ferreira.
Vozes do sertão e da academia ganham visibilidade
Entre os autores que dialogaram com o público nesta sexta-feira (6), esteve o escritor Carlos Carneiro, natural de Euclides da Cunha, que apresentou as obras Entre a Cruz e a Espada e Mané Vermei. Os trabalhos resgatam memórias e narrativas ligadas à Guerra de Canudos.
“Trago vozes do sertão que muitas vezes permanecem nos escombros ou no anonimato. Vindo de Canudos, é uma alegria e uma grande responsabilidade, porque o interior parece, por vezes, distante da capital. Esse edital dá a possibilidade real de visibilidade e mostra que a nossa região tem artistas potentes que precisam apenas de estímulo e valorização”, destacou o autor.
A jornalista, pesquisadora e escritora Joalva Menezes também participou da programação, apresentando sua publicação mais recente, resultado de sua pesquisa de doutorado e voltada à distribuição gratuita em escolas e bibliotecas públicas das redes estadual e municipal.
“É a primeira vez que venho à Flica no papel de escritora. Conheço a força do evento desde a primeira edição, como repórter e professora, mas estar aqui pelo projeto Vozes da Bahia é uma vivência necessária para a literatura produzida no estado”, afirmou.
Diversidade de linguagens e incentivo à leitura
Além das rodas de conversa, o espaço abriga intervenções permanentes, como o projeto Uma História por Outra, que promove a troca gratuita de livros entre leitores, e a exposição Contos dos Orixás, do artista e quadrinista Hugo Canuto, que celebra mitos e matrizes africanas em diálogo com a riqueza cultural do Recôncavo baiano.
Nesta sexta-feira, as ações também tiveram uma programação especial voltada ao público infantojuvenil, realizada no auditório da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Entre os destaques esteve a Pedaloteca, biblioteca itinerante criada por Fabiano da Silva, morador do bairro da Boca do Rio, em Salvador.
Estreante na Flica, Fabiano explicou que o projeto surgiu há dois anos com o objetivo de promover a “mobilidade literária”, levando literatura infantojuvenil afro-indígena a diferentes comunidades.
Programação segue até sábado
As atividades do Espaço Vozes da Bahia continuam neste sábado (7). A partir das 9h, o Palco Varanda recebe debates sobre trajetórias baianas do século XIX com pesquisadores da Editora da Universidade Federal da Bahia (Edufba), além de discussões sobre literatura, quadrinhos e os desafios impostos pela Inteligência Artificial. A programação inclui ainda um novo sarau com cordelistas, às 14h.
No Palco Vozes, as apresentações dos autores e editoras contemplados pelos editais seguem com sessões às 9h, 10h, 11h, 14h e 15h.
A 14ª Flica é realizada pelo Ministério da Cultura e pelo Governo Federal, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, com patrocínio da Petrobras. O evento conta ainda com apoio da Embasa, Sebrae, Prefeitura de Cachoeira e Governo da Bahia, por meio do Fazcultura, da Secult-BA, da Fundação Pedro Calmon (FPC), da Secretaria da Fazenda (Sefaz-BA) e da Secretaria da Educação (SEC). A produção é da Schommer Produções.
Cultura
Museu Geológico da Bahia reabre Sala de Rochas Ornamentais
Espaço do MGB destaca a diversidade geológica baiana, reúne amostras de rochas de relevância comercial e aposta em realidade virtual e recursos interativos para aproximar o público das geociências
O Museu Geológico da Bahia (MGB), vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia (SDE), reabre no próximo dia 12 de novembro a Sala de Rochas Ornamentais da Bahia. Com mais de 60 peças, o espaço valoriza a diversidade geológica do estado e evidencia a importância científica, cultural e econômica dos recursos minerais baianos. A proposta também incorpora tecnologia e interatividade para aproximar o público do conhecimento geocientífico.
A exposição apresenta a variedade de rochas ornamentais encontradas na Bahia, incluindo materiais de relevância comercial, como Azul Bahia, Bege Bahia, Azul Boquira e Azul Macaúbas. Além de destacar a beleza e as características desses materiais, a iniciativa busca ampliar o conhecimento sobre o patrimônio geológico baiano e a cadeia produtiva das rochas ornamentais, desde a extração até o beneficiamento.
Para o secretário de Desenvolvimento Econômico, João Carlos Oliveira, a iniciativa reforça o papel do museu na valorização das riquezas minerais do estado e na aproximação entre ciência e sociedade.
“Essa exposição é uma oportunidade de valorizar a riqueza geológica do nosso estado e mostrar à população a importância dos nossos recursos minerais. Ao unir conhecimento científico, cultura e tecnologia, fortalecemos a divulgação desse patrimônio e ampliamos o acesso da sociedade às geociências”, destacou o secretário.
Tecnologia e interatividade
A experiência dos visitantes está integrada à proposta do ExpoGeo Virtual, projeto voltado à popularização das geociências por meio de recursos digitais e interativos. A iniciativa oferece ferramentas como óculos de realidade virtual, conteúdos audiovisuais e uma caixa de areia com realidade aumentada, ampliando as possibilidades de exploração e aprendizagem.
A proposta também busca aproximar o público dos afloramentos rochosos existentes no território baiano, conectando as amostras expostas no museu às suas ocorrências naturais.
A coordenadora técnica do MGB, Elizandra Pinheiro, destaca que a exposição funciona como um showroom das rochas ornamentais produzidas no estado.
“O público poderá conhecer belíssimas amostras produzidas em diversos municípios baianos, acompanhadas de suas classificações geológicas, denominações comerciais, empresas produtoras, municípios de origem e aplicações. O espaço contempla ainda maquetes sobre a origem e a formação das rochas, uma representação da cadeia produtiva do Bege Bahia e uma visita virtual que percorre as etapas de extração e beneficiamento desse mármore. A exposição conta também com mapa interativo e outros equipamentos tecnológicos, que permitem compartilhar conhecimentos de forma dinâmica e aproximar a sociedade das geociências”, afirmou.
O projeto conta com a colaboração da Universidade Federal da Bahia (UFBA), por meio do grupo de pesquisa Geologar e do ExpoGeo Virtual, além do financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), obtido por meio de edital público. A iniciativa também recebe apoio da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) e da Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia (SDE).
O Museu Geológico da Bahia está localizado na Avenida Sete de Setembro, nº 2.195, Corredor da Vitória, em Salvador, e é um dos principais espaços de difusão do conhecimento geocientífico no estado.
Cultura
Novembro Negro 2026 é lançado com homenagem a Antônio Pitanga
Ato de celebração na Concha Acústica reuniu artistas com concerto da Orquestra Afrosinfônica, movimentos sociais e representantes de comunidades tradicionais para abrir a programação
Ao som dos tambores da Orquestra Afrosinfônica, a Concha Acústica do Teatro Castro Alves (TCA), em Salvador, recebeu nesta quinta-feira (5) o Ato de Celebração do Novembro Negro 2026. Promovido pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi), o evento reuniu arte, memória e compromisso social durante o lançamento da programação que destaca a valorização da cultura afro-brasileira e o fortalecimento das políticas públicas de promoção da igualdade racial.
O concerto “Revolta Malê”, sob a regência do maestro Ubiratan Marques, prestou homenagem à trajetória e ao legado do artista Antônio Pitanga, que destacou a importância do respeito às mulheres e agradeceu a celebração.
“Eu nasci no Pelourinho, e isso tem um significado. Antes, lá não tinha nada, mas tinha cultura. É essa cultura ancestral que nos mantém de pé”, afirmou, emocionado.
A dimensão estética e histórica da apresentação foi ressaltada pela diretora do espetáculo, Day Sena, que apontou o palco como um espaço de disputa de narrativas e resgate da memória coletiva.
“Para mim, é uma honra ter recebido esse convite e a confiança da Sepromi, alinhavando toda essa construção que realizamos”, afirmou.
Em sua 19ª edição, o Novembro Negro 2026 tem como tema “Povo Negro em Movimento”. Durante o lançamento, a secretária da Sepromi, Ângela Guimarães, destacou a pluralidade dos segmentos representados.
“Temos aqui representações de comunidades quilombolas, da Região Metropolitana e do Recôncavo, povos de terreiro, artistas negros que se inspiram na trajetória de Antônio Pitanga, além de mulheres, jovens e crianças que têm escrito uma literatura negra capaz de alcançar diversos espaços. Estamos felizes por dar essa largada com uma ação tão potente”, afirmou.
Encontro de gerações negras
As apresentações de artistas como Mariene de Castro, Malê Debalê, Lincoln Tornado, Toni Tornado, Graça Onasilê, Melly e o Bando de Teatro Olodum fortaleceram o sentimento coletivo de pertencimento. Na plateia, a atmosfera era marcada pela emoção e pelo encontro entre diferentes gerações, em um diálogo entre a música sinfônica e os ritmos ancestrais.
“Cheguei na abertura dos portões e garanti meu lugar na frente. Tenho 72 anos e, para mim, a idade não é um limite. Estou muito feliz pelo homenageado, Antônio Pitanga, um homem negro, artista e ativista”, celebrou a artesã Edmeia Coelho.
Aos 14 anos, e pela primeira vez na Concha Acústica do TCA, Maria Eduarda Castro acompanhou o espetáculo ao lado de estudantes do 8º e 9º anos do Colégio Estadual Marquês de Maricá, localizado no bairro do Pau Miúdo.
“Estou muito animada porque é arte, e eu amo arte. A Revolta dos Malês é um momento importante da história do Brasil. No ano passado, participei de uma peça sobre esse tema com meus amigos e agora estou aprendendo ainda mais”, contou.
O evento foi aberto ao público mediante retirada gratuita de ingressos e doação de um quilo de alimento não perecível, destinado ao programa Bahia Sem Fome.
Programação ampla
O Novembro Negro 2026 chega com uma programação integrada em todo o estado, reunindo celebração, conscientização e mobilização social. Entre os destaques estão o Festival Afrofuturismo 2026, que acontece no Pelourinho entre os dias 19 e 21 de novembro, e o Festival Movaê – Empreendedorismo Negro, Inovação, Cultura e Economia Criativa, programado para os dias 21 e 22 de novembro.
Durante a Micareta de Feira de Santana, de 19 a 22 de novembro, serão realizadas ações de conscientização, combate ao racismo e atendimento ao público. A mobilização territorial e quilombola também terá destaque em municípios como Cachoeira, Inhambupe, Taperoá e Simões Filho, reforçando a preservação dos saberes e das identidades ancestrais.
No dia 20 de novembro, quando é celebrado o Dia Nacional da Consciência Negra, as ruas serão tomadas por manifestações culturais e de resistência, como a 18ª Lavagem da Estátua de Zumbi, a 47ª Marcha Zumbi e Dandara e a 23ª Caminhada da Liberdade.
Encerrando a programação, o debate sobre igualdade racial ganhará dimensão internacional com o Seminário do Movimento Internacional Contra o Racismo e por Reparação, nos dias 26 e 27 de novembro. As atividades culminam no Concerto Internacional Contra o Racismo e por Reparação, marcado para 28 de novembro, no Farol da Barra.
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