Saúde
Banco de Leite mobiliza doadoras para reposição de estoque
A Maternidade Professor José Maria de Magalhães Netto iniciou o ano de 2025 em situação de alerta
Apesar do acréscimo de 25,8% nas doações em 2024, o Banco de Leite Humano (BLH) da Maternidade Professor José Maria de Magalhães Netto (MPJMMN), unidade da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) localizada em Salvador, iniciou o ano de 2025 em situação de alerta.
Ao destacar a necessidade da reposição do estoque, a enfermeira Laís Nascimento, coordenadora do banco de leite da unidade, atribui a baixa momentânea ao crescimento da demanda interna e à queda no número de doadoras da rota de coleta domiciliar entre dezembro do ano passado e fevereiro deste ano, durante as festas de Natal, Réveillon e Carnaval.
“Nós fazemos um chamado de sensibilização e incentivo para que a doação de leite humano seja promovida a fim de trazer esperança e benefícios para os nossos bebês prematuros internados nas unidades neonatais. Todo leite materno doado passa por rigorosos controles de qualidade e por um processamento que garante a segurança do alimento a ser ofertado aos nossos bebês. Qualquer mulher que tenha excesso de leite pode se tornar doadora, desde que seus exames estejam aptos para tal”, destaca Laís.
As doações podem ser realizadas presencialmente no banco de leite da maternidade ou através da rota domiciliar, com a coleta realizada pela equipe na casa da doadora. “Temos um telefone corporativo que, a partir do WhatsApp (+55 71 9628-0855), podemos realizar o cadastro e as orientações on-line. A partir disso, enviamos os frascos para a casa da doadora e coletamos semanalmente”, explica a coordenadora do BLH.
Dentro da proposta de promover atendimento humanizado e de qualidade às pacientes, desde 2022 a equipe do Banco de Leite Humano da Maternidade Professor José Maria de Magalhães Netto também realiza a coleta itinerante nas enfermarias, por meio de um carrinho de emergência adaptado.
Segundo Laís Nascimento, além de resultar em mais conforto para a doadora, a ação proporciona também uma melhor ejeção do leite ordenhado, por conta de hormônios ativados pela presença do bebê, a exemplo da ocitocina, conhecida como “hormônio do amor”. “Em fevereiro, ampliamos a rota do carrinho dentro da maternidade, incluindo as enfermarias de alojamento conjunto, o que nos proporcionou um aumento de 23% de leite captado”, conta a enfermeira.
Ivana de Jesus, de 24 anos, conheceu o projeto e fez a primeira doação de leite enquanto sua bebê recém-nascida, Maria Isis, permanece no Centro de Terapia Intensiva (CTI), sob cuidados da equipe multidisciplinar da unidade. Sentada na poltrona do alojamento, a mãe recebeu uma massagem para facilitar a ordenha e foi instruída pelas enfermeiras sobre a importância da doação do leite humano e a melhor maneira de realizar a coleta. “Eu não conhecia o projeto de doação, mas foi tudo tranquilo. Me trouxe mais conforto, porque o peito ficava dolorido enquanto eu não podia dar de mamar à minha bebê. Fui muito bem tratada e pretendo doar mais vezes”, afirma a paciente.
Na avaliação da coordenadora do Alojamento Conjunto da maternidade, Júlia Santos, a coleta itinerante contribui significativamente para a assistência humanizada e eficiente. “Ela facilita a vida das mães, oferecendo suporte contínuo e prático no processo de amamentação, ao mesmo tempo que a equipe de saúde tem a oportunidade de monitorar e garantir que o leite materno seja utilizado da melhor forma possível. A integração desse serviço no processo de cuidado também é um passo importante para garantir que o aleitamento materno seja mantido como prioridade, promovendo a saúde e o bem-estar tanto das mães quanto dos bebês”, avalia.
Números
Em 2024, o Banco de Leite Humano da Maternidade Professor José Maria de Magalhães Netto recebeu 602 litros de leite, o que representa um acréscimo de 25,8% no comparativo com o ano anterior. Por meio de estratégias como campanhas de conscientização, das doações domiciliares e da coleta itinerante, a unidade da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) localizada no bairro de Pau Miúdo, em Salvador, registrou 1.274 doadoras no ano passado, 16,8% a mais que em 2023. No período, as doações beneficiaram 1844 bebês das unidades neonatais.
Saúde
Bahia fortalece rede de saúde para enfrentar estiagem, queimadas e eventos climáticos extremos
Estado amplia ações de monitoramento, prevenção e resposta em saúde pública com estruturas inéditas no país, estoques estratégicos e apoio aos municípios diante dos impactos das mudanças climáticas
A Bahia vem ampliando sua capacidade de preparação, vigilância e resposta às emergências em saúde pública relacionadas a eventos climáticos extremos. As ações estão organizadas por meio do Plano de Ações de Saúde para o Enfrentamento ao El Niño 2026/2027 e do Plano Estadual de Contingência para Estiagem e Seca, que estabelecem metas, indicadores e responsabilidades nas áreas de vigilância em saúde, assistência e gestão.
Entre os diferenciais da estratégia baiana estão estruturas consideradas referência nacional, como o primeiro Centro Estadual de Informação em Saúde e Clima (CISC) do Brasil, a Base Descentralizada da Força Nacional do SUS (FN-SUS) e uma Equipe de Resposta Rápida, criadas para ampliar a capacidade de monitoramento, produção de alertas e apoio técnico aos municípios em situações de emergência.
A vigilância em saúde acompanha continuamente indicadores relacionados a temperaturas extremas, baixa umidade do ar, queimadas, estiagem, decretos de emergência, abastecimento e qualidade da água. O monitoramento também abrange doenças e agravos associados aos eventos climáticos, como arboviroses, doenças diarreicas, problemas respiratórios provocados pela fumaça, acidentes com animais peçonhentos e impactos na saúde mental e na saúde do trabalhador.
Para reforçar a preparação da rede assistencial, a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) mantém estoques estratégicos de medicamentos e insumos destinados a emergências em saúde pública. Entre os materiais disponíveis estão kits específicos para situações de estiagem, seca e enfrentamento das arboviroses.
As ações estaduais estão integradas ao Grupo de Trabalho de Convivência com o Semiárido, fortalecendo a articulação entre saúde, assistência social, abastecimento de água e demais áreas envolvidas na resposta aos efeitos das condições climáticas adversas.
Apoio federal
No âmbito federal, o Ministério da Saúde também tem ampliado as ações de preparação e resposta do Sistema Único de Saúde (SUS) no Nordeste. As iniciativas incluem monitoramento de eventos climáticos extremos, emissão de alertas epidemiológicos e apoio aos gestores locais na organização dos serviços de saúde.
A região conta atualmente com uma base da Força Nacional do SUS em Salvador, além da previsão de instalação de novas unidades em Recife e Fortaleza. De forma integrada, os Centros de Informação em Saúde e Clima localizados nas capitais baiana e cearense monitoram temperaturas extremas e níveis de estiagem para orientar decisões dos gestores públicos.
Entre as medidas adotadas estão a antecipação do envio de medicamentos, a implantação de zonas de resfriamento em Unidades Básicas de Saúde (UBSs), a capacitação de profissionais, o reforço da assistência às populações mais vulneráveis e a ampliação da rede de unidades preparadas para enfrentar eventos climáticos severos.
O Governo Federal também tem fortalecido o atendimento de urgência por meio do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e ampliado ações voltadas ao acesso à água potável, com investimentos em cisternas e outras soluções de abastecimento para comunidades afetadas pela seca.
Com a atuação integrada entre os governos estadual e federal, a expectativa é fortalecer a capacidade de resposta do SUS na Bahia, ampliando a proteção da população diante dos impactos provocados pelas mudanças climáticas e pelos eventos extremos que afetam diversas regiões do estado.
Saúde
Lula anuncia distribuição de canetas emagrecedoras pelo SUS para pacientes com obesidade
Medida apresentada pelo presidente prevê a oferta de medicamentos da classe GLP-1 na rede pública de saúde, com protocolos clínicos e acompanhamento especializado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que pacientes com obesidade passarão a ter acesso, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), a medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras.
Segundo o Ministério da Saúde, a oferta dos medicamentos será realizada com base em estudos científicos e na definição de protocolos clínicos específicos, garantindo critérios de indicação e acompanhamento médico especializado.
A decisão ocorre após resultados considerados positivos em um estudo desenvolvido pelo Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre. Desde junho, pacientes atendidos pelo SUS participam de acompanhamento com uso da semaglutida, um dos principais princípios ativos utilizados no tratamento da obesidade.
De acordo com a pasta, o objetivo é ampliar as opções terapêuticas disponíveis na rede pública para pessoas com obesidade grave ou associada a outras doenças, assegurando acompanhamento contínuo por equipes multiprofissionais.
Atualmente, 250 pacientes do SUS participam do estudo. Entre os focos da pesquisa está a avaliação do impacto do medicamento em pessoas que aguardam cirurgia bariátrica. Os especialistas analisam se a perda de peso promovida pelo tratamento pode reduzir ou até eliminar a necessidade do procedimento cirúrgico em determinados casos.
Além do controle da obesidade, o estudo também investiga possíveis benefícios relacionados à redução de problemas cardiovasculares e à diminuição do risco de reincidência de câncer de mama.
A incorporação dos medicamentos ao SUS deverá ocorrer de forma gradual, seguindo critérios técnicos estabelecidos pelo Ministério da Saúde para garantir segurança, eficácia e acompanhamento adequado dos pacientes.
Saúde
Bahia autoriza construção de cinco unidades de saúde indígena em Ilhéus com investimento de R$ 18 milhões
Novas estruturas serão implantadas em aldeias do sul do estado para ampliar o acesso à atenção primária e fortalecer o atendimento de saúde voltado aos povos originários
A região sul da Bahia contará com cinco novas Unidades Básicas de Saúde Indígena (UBSIs). A ordem de serviço para a construção das estruturas foi assinada nesta quinta-feira (17), na Aldeia Serra Negra, localizada na zona rural de Ilhéus. O investimento total é de R$ 18 milhões e integra ações voltadas à ampliação da assistência à saúde dos povos indígenas.
Além da unidade prevista para a Aldeia Serra Negra, outras quatro UBSIs serão construídas nas aldeias Acuípe do Meio, Acuípe de Baixo I, Santana I e Sapucaeira I. As estruturas serão implantadas diretamente nos territórios indígenas, aproximando os serviços de saúde das comunidades e fortalecendo o atendimento de atenção primária.
A iniciativa é desenvolvida por meio do Programa de Fortalecimento do SUS no Estado da Bahia (PROSUS II), no âmbito do contrato de financiamento firmado com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
As novas unidades serão destinadas à realização de atendimentos básicos de saúde, ações preventivas, acompanhamento de pacientes, promoção da saúde e assistência direta às comunidades. O objetivo é garantir um cuidado mais próximo da população indígena e alinhado às especificidades culturais e sociais de cada povo.
Em todo o estado, o projeto prevê a implantação de UBSIs em 38 aldeias, ampliando a infraestrutura da saúde indígena e fortalecendo a oferta de serviços de atenção primária nos territórios tradicionais.
A elaboração dos projetos contou com análises do Distrito Sanitário Especial Indígena da Bahia (DSEI-BA) e validação do Conselho Distrital de Saúde Indígena da Bahia (CONDISI/BA), assegurando que as estruturas atendam às necessidades identificadas pelas próprias comunidades.
Os projetos arquitetônicos também incorporam soluções voltadas à sustentabilidade, ao conforto dos usuários e à melhoria das condições de trabalho das equipes de saúde. A proposta busca associar infraestrutura qualificada, respeito às tradições indígenas e atendimento mais eficiente para as populações beneficiadas.
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