Saúde
Hospital da Mulher completa 8 anos com 4 milhões de atendimentos
A unidade é consolidada como referência em atendimentos e serviços de alta resolução para diagnóstico e tratamento em diversas áreas
O Hospital da Mulher Maria Luzia Costa dos Santos, em Salvador, comemora, nesta quinta-feira (9), oito anos de inauguração e de serviços prestados às mulheres dos 417 municípios da Bahia. Desde 2017, a unidade é consolidada como referência estadual em atendimentos especializados e serviços de alta resolução para diagnóstico e tratamento em oncoginecologia, oncologia clínica, mastologia, planejamento familiar, cirurgia geral, cabeça e pescoço, cirurgia plástica, reprodução humana e endometriose.
O acolhimento e cuidado humanizado são aspectos destacados pelas pacientes, como é o caso de Maria Júlia, natural de Valença. “O acolhimento, tanto no Hospital quanto na Casa de Apoio, é maravilhoso. Fui muito bem recebida e tratada. Só quero agradecer e desejar muita paz e coisas boas para os próximos anos”, parabenizou. O reconhecimento das pacientes é reflexo da realização de 75 mil cirurgias e dos 4 milhões de exames, atendimentos médicos e multiprofissionais.
Ao longo desses oito anos, o Hospital da Mulher conquistou certificações como a de nível pleno pela Organização Nacional de Acreditação (ONA) e o Selo Estadual de Humanização. A unidade também foi reconhecida com o Prêmio Dr. Pinotti – Hospital Amigo da Mulher, concedido pela Câmara dos deputados, foi certificado pelo Projeto Hospitais Saudáveis (PHS) e recebeu o Selo Green Kitchen, uma iniciativa da Fundação para a Pesquisa em Arquitetura e Ambiente (Fupam). Em setembro de 2024, o hospital teve o Serviço de Oncologia ampliado e recebeu 78 novos leitos, totalizando em 241 leitos.
A diretora geral do Hospital da Mulher, Avana Cavalcante, celebra as conquistas institucionais. “Comemoramos com imenso orgulho os oito anos de história de uma instituição que, desde sua inauguração, tem se dedicado a cuidar da saúde das mulheres baianas com excelência e humanização. Nos tornamos um pilar essencial para mulheres de todos os cantos da Bahia, oferecendo serviços especializados, acolhedores e de alta qualidade”, afirmou a gestora. “Seguiremos, com fé e determinação, trabalhando para aprimorar cada vez mais os nossos serviços”, concluiu.
Serviço AME
Por meio do Serviço AME, o hospital atendeu, de 2017 a 2024, mais de 1.500 mulheres vítimas de violência sexual. O Serviço que é referência estadual, acolhe mulheres cis ou trans, homens trans e adolescentes do sexo feminino a partir de 12 anos, com a oferta de atendimento especializado e humanizado a mulheres expostas a abuso e violência sexual. Para isso, a unidade conta com uma equipe multiprofissional composta por ginecologistas, enfermeiras, assistentes sociais, psicólogas e farmacêuticas, com atendimento disponível 24 horas por dia.
Ensino e Pesquisa
O Hospital da Mulher também se destaca pela contribuição em ensino e pesquisa, com parcerias com o Ministério da Saúde, a Beneficência de São Paulo (BP) e a Sociedade Internacional de Mastologia. Em 2023, a unidade foi selecionada pelo Ministério da Saúde como um dos cinco principais hospitais do Brasil para o tratamento de endometriose.
Saúde
HEC integra pesquisa internacional para aprimorar diagnóstico da febre reumática aguda
Unidade de Feira de Santana inicia nova fase de estudo global que busca identificar biomarcadores capazes de auxiliar no diagnóstico precoce da doença em crianças e adolescentes
O Hospital Estadual da Criança (HEC), unidade da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) localizada em Feira de Santana, iniciou, na última sexta-feira (30), uma nova etapa de participação na rede internacional ARC (Acute Rheumatic Fever Diagnosis Collaborative). A iniciativa científica reúne pesquisadores de diversos países em busca de biomarcadores que possam contribuir para o diagnóstico da febre reumática aguda.
O objetivo da pesquisa é avançar no desenvolvimento de uma ferramenta diagnóstica que auxilie os profissionais de saúde na identificação da doença, cujo diagnóstico atualmente depende da avaliação clínica e de exames complementares.
Nesta terceira fase do estudo, serão incluídas inicialmente 50 crianças e adolescentes saudáveis, com idades entre 5 e 15 anos. A participação desse grupo permitirá estabelecer parâmetros de referência para comparação com os resultados observados em pacientes com suspeita ou diagnóstico de febre reumática aguda. A meta é recrutar 240 crianças até dezembro de 2026.
Bahia representa a América Latina em estudo global
A rede ARC conta com financiamento da Fondation Leducq e reúne instituições de pesquisa de diversos países. O Hospital Estadual da Criança representa a América Latina no projeto, atuando como centro brasileiro de recrutamento de participantes.
Além do Brasil, o estudo envolve instituições de países como Uganda, Paquistão, Malawi e Austrália. O protocolo científico prevê a coleta padronizada de informações clínicas, exames e amostras biológicas para apoiar a identificação e a validação de possíveis biomarcadores associados à doença.
Doença pode causar complicações cardíacas permanentes
A febre reumática aguda é uma doença inflamatória que pode surgir após infecções causadas pela bactéria Streptococcus pyogenes, conhecida como estreptococo do grupo A.
A enfermidade pode atingir diferentes órgãos e sistemas do corpo, incluindo coração, articulações, pele e sistema nervoso. Nos casos em que há comprometimento das válvulas cardíacas, podem ocorrer sequelas permanentes e o desenvolvimento da cardiopatia reumática.
Atualmente, não existe um exame único capaz de confirmar todos os casos da doença. O diagnóstico é realizado com base na avaliação clínica, nos critérios de Jones revisados, em evidências de infecção estreptocócica prévia e em exames complementares quando necessários.
Segundo os pesquisadores, a diversidade de sintomas pode dificultar a identificação da doença, o que reforça a importância de estudos voltados ao desenvolvimento de métodos diagnósticos mais precisos.
Busca por biomarcadores no sangue
A pesquisa internacional investiga biomarcadores sanguíneos capazes de diferenciar a febre reumática aguda de outras doenças com manifestações semelhantes. O objetivo é reunir evidências científicas que possam futuramente subsidiar a criação de um teste confiável e acessível.
Os pesquisadores ressaltam, entretanto, que essa tecnologia ainda está em fase de investigação e não se encontra disponível para uso clínico.
A participação do HEC na rede ARC inclui o recrutamento e o acompanhamento dos participantes, seguindo protocolos internacionais padronizados. A iniciativa também amplia a produção científica sobre a doença e contribui para o desenvolvimento de estratégias voltadas ao diagnóstico precoce e à redução das complicações associadas à febre reumática.
A coordenação local da pesquisa é realizada pela cardiopediatra Renata Fonseca Mendoza.
Sobre o HEC
O Hospital Estadual da Criança é uma unidade materno-infantil de média e alta complexidade, com atendimento 100% pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Vinculado à Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), o hospital é gerido pela Liga Álvaro Bahia e atua como referência em assistência pediátrica especializada.
Saúde
Sesab reforça cuidados com a saúde diante dos efeitos do El Niño e da estiagem na Bahia
Hidratação, proteção contra a exposição solar e combate aos focos do mosquito da dengue estão entre as principais recomendações à população
Beber água com frequência, evitar a exposição prolongada ao sol e manter reservatórios de água devidamente tampados estão entre os cuidados recomendados pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) para proteger a população dos impactos provocados pelo El Niño. As orientações ganham ainda mais relevância diante do cenário de estiagem que afeta diversas regiões do estado e amplia os riscos à saúde.
De acordo com a Superintendência de Proteção e Defesa Civil da Bahia (Sudec), atualmente há 105 decretos de situação de emergência vigentes em municípios baianos em razão da seca.
O coordenador do Programa de Vigilância em Emergências em Saúde Pública Relacionadas aos Desastres (Vigidesastres), Edson Ribeiro Júnior, alerta que crianças com menos de cinco anos e pessoas com mais de 60 anos exigem atenção especial durante os períodos de calor intenso.
Segundo o sanitarista, os idosos podem ingerir menos água do que o necessário, o que aumenta o risco de desidratação. “É importante também, mesmo sem sentir sede, tomar água, sucos e água de coco”, orienta.
Proteção contra o calor e a radiação solar
A Sesab recomenda evitar a exposição direta ao sol entre 10h e 16h, período em que a radiação solar é mais intensa. A orientação vale tanto para atividades cotidianas quanto para eventos, encontros e aglomerações em ambientes abertos.
Quando a permanência ao ar livre for inevitável, é necessário reduzir o tempo de exposição e utilizar medidas de proteção individual. “Se houver necessidade de sair ao sol, é importante usar chapéu, boné, camisas com proteção UV e protetor solar”, destaca Edson Ribeiro Júnior.
Pessoas que praticam exercícios físicos também devem adaptar os horários das atividades para reduzir riscos como queimaduras, insolação, irritações na pele e desidratação.
“Para jogar futebol, caminhar ou correr, o ideal é realizar essas atividades até as sete da manhã ou após as cinco da tarde”, recomenda o especialista.
Atenção ao armazenamento de água
A estiagem frequentemente leva ao armazenamento de água em recipientes improvisados. Nesses casos, a Sesab alerta para a necessidade de manter caixas d’água, tonéis, baldes e demais reservatórios sempre tampados, evitando a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya.
A orientação é que qualquer pessoa que apresente mal-estar, sintomas de desidratação ou alterações no estado de saúde procure a unidade básica de saúde mais próxima para avaliação e atendimento.
Mais informações e atualizações sobre prevenção e cuidados em situações de desastre podem ser consultadas na página do Vigidesastres Bahia.
Saúde
Salvador conta com mais um hospital habilitado para a doação de órgãos
Hospital de Brotas passa a contar com equipe multiprofissional especializada no processo de doação de órgãos e tecidos para transplantes
O Hospital de Brotas, em Salvador, acaba de conquistar a habilitação de sua Equipe de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (e-DOT), ampliando sua participação na rede estadual de transplantes. A equipe é responsável por organizar e acompanhar todas as etapas do processo de doação de órgãos e tecidos de pacientes com diagnóstico de morte encefálica.
Primeiro hospital privado com atendimento exclusivo aos beneficiários do Planserv, que reúne mais de 500 mil usuários, a unidade é administrada pelo Instituto Nacional de Tecnologia e Saúde (INTS). Com a nova habilitação, o hospital fortalece sua contribuição para a rede de doação de órgãos da Bahia e amplia os serviços oferecidos aos servidores públicos estaduais e seus dependentes.
O coordenador da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Brotas e integrante da e-DOT, Dr. Leonardo Azevedo, destacou a relevância da iniciativa.
“Para mim, é uma imensa satisfação fazer parte da equipe de doação de órgãos e tecidos do hospital. Acredito que o transplante envolve um ato de generosidade e é fundamental que a gente incorpore, na cultura do nosso hospital, essa prática, para que ela se torne cada vez mais difundida no nosso Estado”, afirmou.
A habilitação ocorreu em setembro deste ano, após um processo acompanhado pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), por meio da Coordenação do Sistema Estadual de Transplantes (COSET). O procedimento incluiu análise documental e capacitação dos profissionais que atuarão no processo de doação, em conformidade com as normas do Sistema Nacional de Transplantes.
A enfermeira e coordenadora de Educação Permanente da COSET/Sesab, Carolina Sodré, explicou que hospitais com perfil assistencial de alta complexidade e leitos de terapia intensiva são os mais indicados para a implantação da equipe, desde que atendam aos critérios técnicos exigidos.
O que é uma e-DOT?
A Equipe de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes é formada por profissionais de diferentes áreas e atua na organização e no acompanhamento de todas as fases do processo de doação dentro da unidade hospitalar.
Sua atuação começa na identificação de potenciais doadores e inclui:
- Notificação às centrais de transplantes;
- Acompanhamento do diagnóstico de morte encefálica;
- Apoio à manutenção clínica do potencial doador;
- Orientação e acolhimento dos familiares;
- Participação na entrevista para autorização da doação.
No Hospital de Brotas, a equipe é composta por médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais que trabalham de forma integrada para assegurar acolhimento, segurança e respeito às famílias.
A enfermeira Gilca Cirne, integrante da e-DOT, destacou a importância da atuação da enfermagem.
“O enfermeiro pode participar de todas as etapas do processo de doação de órgãos e tecidos. Entre suas atribuições estão a identificação de potenciais doadores, a realização das notificações aos órgãos responsáveis pela regulação de transplantes, o acompanhamento do processo de diagnóstico de morte encefálica e o acolhimento à família”, explicou.
Segundo ela, o suporte emocional é uma dimensão essencial desse trabalho.
“O apoio emocional precisa respeitar o sofrimento do momento, as crenças, os valores e o tempo de cada família”, ressaltou.
Brasil bate recorde de transplantes
Em 2025, o Brasil registrou 31.745 transplantes de órgãos, córneas e tecidos, alcançando o maior número da história, segundo dados do Ministério da Saúde.
No mesmo período, foram contabilizados 4.335 doadores efetivos, de acordo com o Registro Brasileiro de Transplantes da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO).
Entre os órgãos sólidos, o rim foi o mais transplantado, com 6.697 procedimentos realizados.
Apesar dos avanços, a recusa familiar ainda representa um dos principais desafios para a ampliação das doações. Dados da ABTO apontam que, em 2025, 45% das entrevistas familiares resultaram em negativa para a doação.
“Podemos assegurar que o Brasil tem o maior programa público de transplantes do mundo. É um programa ético, seguro e transparente, que realiza transplantes de coração, fígado, rim, medula, córnea, ossos e pele. Porém, para que haja transplante, precisa haver doação. Por isso, as unidades hospitalares devem estar habilitadas para oferecer às famílias a oportunidade de doar e salvar vidas”, afirmou Carolina Sodré.
Como manifestar a vontade de ser doador
No Brasil, a doação de órgãos e tecidos depende da autorização da família, mesmo quando a pessoa declara em vida o desejo de ser doadora. Por isso, conversar com familiares e deixar clara essa decisão é fundamental.
Uma das formas de registrar formalmente essa intenção é por meio da Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO), disponibilizada gratuitamente pelo Colégio Notarial do Brasil em parceria com o Sistema Nacional de Transplantes.
O registro pode ser realizado pela internet, utilizando os sistemas AEDO ou e-Notariado. No entanto, a manifestação eletrônica não substitui a autorização familiar exigida pela legislação brasileira.
Além disso, nem toda pessoa com diagnóstico de morte encefálica poderá se tornar doadora. A viabilidade da doação depende de avaliação médica criteriosa, que leva em consideração o histórico clínico, as condições dos órgãos e tecidos e possíveis contraindicações.
Um único doador pode beneficiar diversas pessoas e contribuir para salvar vidas, reforçando a importância da conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos.
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