Saúde
HGRS passa a contar com nova UTI onco-hematológica
Bahia avança no tratamento de cânceres do sangue no Hospital Geral Roberto Santos
O atendimento a pacientes com doenças oncológicas do sangue ganha um importante reforço na Bahia. O Hospital Geral Roberto Santos (HGRS), unidade de referência estadual, passa a contar com uma nova UTI onco-hematológica a partir desta quarta-feira (12), ampliando a capacidade de tratamento para casos graves. A iniciativa do Governo do Estado, por meio da Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab), representa um avanço significativo na assistência a pacientes onco-hematológicos, uma área que conta com poucos especialistas disponíveis tanto na rede pública quanto na privada.
“Nós estamos falando, aqui, de inovação para a gente cuidar das pessoas que são acometidas pela leucemia. Chegaremos a 19 leitos com condições para fazer o isolamento devido, o tratamento devido, o acompanhamento médico que as pessoas precisam. E não é só para Salvador, é para a Bahia. Então, estamos muito felizes de sair na frente em um tratamento que sai muito caro para o cidadão comum”, enfatizou o chefe do executivo baiano.
A nova estrutura adiciona cinco leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ao serviço já existente, totalizando 19 leitos exclusivos para o tratamento de cânceres hematológicos. Esses leitos estarão vinculados à enfermaria clínica onco-hematológica do hospital, fortalecendo a capacidade de atendimento a pacientes que necessitam de cuidados intensivos.
Para a secretária da Saúde do Estado Roberta Santana, “a ampliação da assistência onco-hematológica no Hospital Geral Roberto Santos representa um marco para a saúde pública da Bahia. Com a nova UTI, reforçamos o compromisso do Governo do Estado em garantir tratamento de excelência para pacientes com doenças hematológicas graves, oferecendo mais estrutura, segurança e qualidade no atendimento. Essa iniciativa se soma a outros investimentos estratégicos que fortalecem a rede de alta complexidade e ampliam o acesso à saúde especializada para a população baiana.”
O serviço de onco-hematologia do HGRS foi inaugurado em 2023 e se consolidou como a primeira unidade desse tipo dentro da rede própria da Sesab. Até então, o atendimento a esses pacientes ocorria exclusivamente em unidades como o Hospital Aristides Maltez, o Hospital Universitário Professor Edgard Santos e o Hospital Santa Izabel. Com a nova UTI, o HGRS reforça seu papel na assistência a pacientes com doenças hematológicas graves, oferecendo tratamento de ponta para casos complexos.
Atualmente, o serviço opera com 100% de ocupação dos leitos e uma média de permanência de 20 dias por paciente. O acesso ocorre por meio da Central Estadual de Regulação (CER) ou por encaminhamento do Centro Estadual de Oncologia (Cican), garantindo que os pacientes recebam acompanhamento contínuo mesmo após a alta.
Novo Centro de Referência
A entrega da nova UTI onco-hematológica se soma a uma série de investimentos do Governo do Estado para qualificar e ampliar a assistência em alta complexidade. Além da expansão no atendimento onco-hematológico, o HGRS também contará com o primeiro Centro de Referência em Epilepsia Refratária (CRER), reforçando sua atuação como unidade de referência no estado. O acesso ao serviço será centralizado por meio da Lista Única, assegurando um fluxo organizado e equitativo para os pacientes.
O CRER contará com uma equipe multidisciplinar responsável por realizar avaliações iniciais e acompanhamentos contínuos dos pacientes. Serão oferecidos exames complementares na própria unidade hospitalar e implementadas novas terapias anticonvulsivantes, como dieta cetogênica, uso de canabidiol, cirurgias de epilepsia e neuromodulação. O espaço conta com sete consultórios, além de recepção e sala de espera, sala do serviço social, sala de eletroencefalograma e farmácia de dispensação.
Saúde
Anvisa aprova cinco novas canetas de semaglutida e amplia oferta de medicamentos
Decisão representa a maior aprovação simultânea da categoria no país e pode fortalecer a produção nacional, além de ampliar o acesso ao tratamento para diabetes e obesidade
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, na última quarta-feira (29), o registro de cinco novos medicamentos à base de semaglutida, princípio ativo popularmente associado às chamadas “canetas emagrecedoras”. A medida ocorre após o Ministério da Saúde solicitar, em agosto de 2025, prioridade na análise desses produtos, com o objetivo de ampliar o acesso à tecnologia, fortalecer a concorrência no mercado e subsidiar futuras avaliações sobre a incorporação desses medicamentos ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Esta é a maior quantidade de registros de medicamentos com semaglutida aprovados de uma só vez pela agência reguladora. Os produtos pertencem à classe dos agonistas do receptor de GLP-1, indicada principalmente para o tratamento do diabetes tipo 2 e amplamente utilizada no controle da obesidade.
Entre os cinco medicamentos aprovados, dois possuem perspectiva de produção nacional após a conclusão dos processos de transferência de tecnologia para empresas brasileiras.
Medicamentos aprovados
- Owozy – Ávita Care Importação e Distribuição de Produtos Ltda.
- Seemasun – Sun Farmacêutica do Brasil Ltda.
- Zempneo – Brainfarma Indústria Química e Farmacêutica S.A.
- Semavy – Cosmed Indústria de Cosméticos e Medicamentos S.A.
- Orsema – Ranbaxy Farmacêutica Ltda.
Os medicamentos Zempneo e Semavy são os que possuem expectativa de fabricação em território nacional após a finalização dos acordos de transferência tecnológica.
Redução da fila de registros
Em 2025, a Anvisa implementou um plano de ação voltado à redução da fila de análises para medicamentos à base de semaglutida e liraglutida. O processo de avaliação inclui a análise de estudos clínicos, da documentação técnica apresentada pelos laboratórios e a inspeção das linhas de produção estéreis.
Com as aprovações mais recentes, a agência já contabiliza oito registros desses medicamentos somente em 2026, ampliando significativamente a oferta de produtos da categoria no mercado brasileiro.
Ministério da Saúde avalia uso da semaglutida no SUS
Paralelamente ao processo regulatório, o Ministério da Saúde iniciou um estudo para acompanhar o uso de medicamentos da classe GLP-1 em pacientes atendidos pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre.
A iniciativa prevê o acompanhamento de cerca de 250 pacientes com obesidade grave ou associada a outras comorbidades, especialmente aqueles com indicação para cirurgia bariátrica. A expectativa da pasta é que os primeiros resultados sejam divulgados em 2027 e contribuam para a definição de estratégias de implementação desses tratamentos na rede pública.
Atualmente, os medicamentos da classe GLP-1 ainda não são disponibilizados pelo SUS. Entretanto, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) analisa um pedido para a incorporação da semaglutida ao sistema público de saúde.
Estímulo à indústria nacional
Além de ampliar as opções disponíveis para pacientes e profissionais de saúde, os novos registros podem impulsionar a indústria farmacêutica brasileira.
Atualmente, dois medicamentos com semaglutida já são produzidos no país pelas empresas EMS e Germed Farmacêutica. O aumento da produção nacional tende a ampliar a oferta, reduzir a dependência de importações, estimular a concorrência entre fabricantes e contribuir para uma possível redução dos preços ao consumidor.
A expectativa é que a entrada de novos produtos no mercado torne o acesso aos tratamentos mais amplo nos próximos anos, especialmente diante do crescimento da demanda por terapias voltadas ao controle do diabetes e da obesidade.
Saúde
Inteligência Artificial reduz tempo de ressonância magnética e amplia suporte ao diagnóstico
Tecnologia acelera a realização dos exames, melhora a experiência dos pacientes e auxilia médicos na análise das imagens, sem substituir a avaliação especializada
A Inteligência Artificial (IA) está transformando a realização dos exames de ressonância magnética, reduzindo o tempo de aquisição das imagens sem comprometer a qualidade diagnóstica. Além de tornar o procedimento mais ágil, a tecnologia contribui para uma experiência mais confortável para os pacientes e fortalece o suporte à tomada de decisão médica.
Com exames realizados em menos tempo, a ferramenta otimiza o fluxo de atendimento, reduz a necessidade de repetição de sequências e amplia a capacidade de realização de exames, beneficiando tanto pacientes quanto profissionais de saúde.
Essa realidade já faz parte da rotina do Grupo Meddi, que conta com 24 equipamentos de ressonância magnética distribuídos em unidades na Bahia e vem investindo em soluções baseadas em Inteligência Artificial para fortalecer a qualidade assistencial e oferecer uma experiência cada vez mais eficiente aos pacientes.
De acordo com Lucas Almeida (CRTR nº 00817N), tecnólogo em radiologia e supervisor técnico do IHEF, empresa do Grupo Meddi, a Inteligência Artificial atua tanto na aquisição quanto no processamento das imagens, acelerando as sequências do exame e permitindo uma reconstrução mais eficiente do material obtido.
“O principal ganho proporcionado pela IA na ressonância magnética foi a redução significativa do tempo de exame, sem comprometer a qualidade das imagens. Pelo contrário, em muitos casos, houve aumento da qualidade diagnóstica”, afirma.
Lucas destaca que, além de reduzir o tempo de realização dos exames e melhorar a qualidade das imagens, a Inteligência Artificial também funciona como uma importante ferramenta de apoio ao médico radiologista. Na clínica, a tecnologia é utilizada para aprimorar a reconstrução das imagens, reduzindo ruídos e aumentando a nitidez, o que permite obter exames de alta qualidade em menos tempo.
Além disso, a instituição conta com plataformas de análise avançada capazes de realizar medições automáticas de estruturas cerebrais, comparar os resultados com bancos de dados de referência e gerar informações quantitativas que auxiliam na identificação e no acompanhamento de doenças neurológicas. Essas ferramentas tornam a avaliação mais objetiva, padronizada e eficiente, contribuindo para a elaboração dos laudos.
Apesar dos avanços, a Inteligência Artificial não substitui a atuação médica. A tecnologia fornece informações e análises complementares que apoiam o especialista, mas a responsabilidade pela interpretação das imagens, pela correlação com a história clínica do paciente e pela conclusão diagnóstica permanece sob a responsabilidade do radiologista.
Mais conforto e agilidade para os pacientes
Para Thatiane de Oliveira (COREN-BA 542392), enfermeira de ressonância magnética do Grupo Meddi, o principal benefício da tecnologia é percebido diretamente na experiência dos pacientes.
“Ao adquirir imagens de excelente qualidade em um tempo menor, o paciente permanece menos tempo dentro do aparelho, tornando o exame mais confortável”, explica.
A redução do tempo de permanência no equipamento contribui para diminuir o desconforto físico, o cansaço e a ansiedade durante o procedimento, beneficiando especialmente pessoas com dor, limitações de mobilidade ou dificuldade para permanecer imóveis por períodos prolongados.
“Os idosos e as pessoas com limitações físicas permanecem menos tempo na mesma posição, reduzindo o desconforto. As crianças têm mais chances de concluir o exame sem interrupções, e os pacientes com claustrofobia ou ansiedade costumam se sentir mais seguros ao saber que o tempo dentro do aparelho será menor”, destaca a enfermeira.
Com a incorporação dessas soluções, a Inteligência Artificial consolida seu papel como aliada da radiologia moderna, contribuindo para diagnósticos mais precisos, maior eficiência operacional e uma experiência mais humanizada para os pacientes.
Saúde
Ministério da Saúde cria comitê para negociar preços e ampliar acesso a medicamentos de alto custo no SUS
Nova estrutura buscará reduzir gastos com remédios e abrir espaço no orçamento para incorporar tratamentos inovadores, incluindo terapias contra câncer e doenças autoimunes
O Ministério da Saúde instituiu, nesta quinta-feira (23), um Comitê de Negociação de Preços para a compra de medicamentos destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa tem como objetivo ampliar o poder de negociação do governo na aquisição de remédios, permitindo a obtenção de preços mais baixos e a liberação de recursos para incorporar novas tecnologias e tratamentos à rede pública.
A medida busca aumentar as chances de inclusão no SUS de medicamentos de alto custo, especialmente aqueles destinados ao tratamento de câncer, doenças autoimunes e outras condições complexas.
Segundo a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, Fernanda De Negri, a proposta moderniza os processos de negociação da pasta e estabelece critérios mais claros para a definição de preços.
“Estamos modernizando a forma como o Ministério da Saúde faz a negociação de preços, dando regras mais claras e garantias para o ministério obter um preço melhor e mais justo, para sobrar orçamento para outros investimentos e para a incorporação de outras tecnologias”, afirmou.
O novo comitê poderá ser acionado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), órgão responsável por avaliar e recomendar a inclusão de medicamentos, equipamentos e procedimentos na rede pública.
Negociação para medicamentos sem concorrência
Uma das principais funções do comitê será atuar em negociações envolvendo medicamentos produzidos por apenas um laboratório, situação em que não há concorrência e, portanto, não é possível realizar licitação.
Nesses casos, o governo pretende usar seu poder de compra para negociar valores mais vantajosos. Atualmente, o SUS movimenta cerca de R$ 31,3 bilhões por ano na aquisição de vacinas, medicamentos e insumos, o que amplia a capacidade de barganha da administração pública.
O colegiado também poderá intervir quando medicamentos já incorporados ao SUS registrarem aumentos expressivos de preço. Nessa hipótese, a área responsável pela gestão da demanda dentro do ministério será encarregada de acionar o comitê.
Modelo já adotado em outros países
De acordo com o Ministério da Saúde, mecanismos semelhantes de negociação de preços já são utilizados em mais de 40 países, entre eles Canadá, Inglaterra, Austrália e França.
Embora a proposta esteja em discussão há anos dentro da pasta, a formalização do comitê transforma a estratégia em uma política permanente do governo federal.
Com caráter técnico e atuação contínua, a expectativa do ministério é obter descontos superiores a 50% nas negociações de medicamentos novos ou recentemente incorporados ao SUS, ampliando o acesso da população a tratamentos de alto custo sem pressionar ainda mais o orçamento da saúde pública.
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