Cultura
Fachada do Santuário Senhor dos Passos recebe “soro” de resina
Governo da Bahia investe em técnica inovadora de restauração que devolve vitalidade ao patrimônio histórico
Assim como um paciente em um leito de UTI, o Santuário Senhor dos Passos, em Feira de Santana, está recebendo um tratamento minucioso e vital. Nas paredes da igreja, dezenas de frascos de “soro” estão pendurados, liberando gota a gota uma resina acrílica diluída a 12%, que é lentamente “injetada” na estrutura da fachada. A imagem chama atenção de quem passa: tubos finos descendo pelas paredes e técnicos acompanhando o gotejamento constante, uma ação de engenharia que coloca inovação a serviço da preservação histórica. O cenário acima descreve a obra de recuperação e restauração da fachada do templo, realizada pela Companhia de Desenvolvimento Urbano da Bahia (Conder), com investimento de R$ 1,5 milhão.
A analogia com o hospital não é por acaso, a igreja está se recuperando lentamente, como um paciente na UTI, como explica o restaurador e artista plástico Daniel Mota. “O método de gotejamento é a forma mais eficaz e segura de reconstituir a coesão do reboco original da igreja. Estamos aplicando uma solução técnica cuidadosa para recuperar as paredes sem alterar o caráter histórico do monumento”, explicou Daniel.
Para identificar as áreas de maior fragilidade, a equipe realizou pontos de perfuração e sondagem em toda a fachada, criando um mapa de danos que orienta cada orifício de gotejamento. “Não temos definido o volume a ser injetado, o que determina isso e a capacidade de absorção. Cada trecho tem uma capacidade diferente, e esse controle é essencial para não sobrecarregar a estrutura”, explica o restaurador. Ele acrescenta ainda que a resina, ao penetrar na matriz original da parede, reintegra as partículas soltas e interrompe o processo de degradação, impedindo o avanço das infiltrações, uma das principais causas de ruína em edificações históricas.
A engenheira Jamile Bastos, fiscal da obra pela Conder, destaca que a restauração do Santuário é também um trabalho de estabilização estrutural, além da recuperação estética. “A igreja começou a ser construída em 1921 e só foi concluída em 1979. Nesse longo período, materiais diferentes foram usados, cal e areia na base, e cimento na finalização, o que causou uma leve incompatibilidade entre as camadas e levou ao descolamento do reboco”, explica.
Segundo Jamile, o processo de gotejamento consolida o material esfarelado entre as camadas estrutural e superficial, devolvendo estabilidade e evitando novos desplacamentos. “A resina percorre o mesmo caminho da água, mas em vez de causar dano, ela cura. É um tratamento que consolida sem substituir, preservando o que existe e mantendo viva a história”, afirma a engenheira.
Outro destaque da obra é o uso de fibra de carbono para a estabilização dos pináculos e demais elementos decorativos da coroa da igreja, uma tecnologia moderna aplicada com o objetivo de garantir segurança e durabilidade, sem comprometer o aspecto original da edificação.
Tecnologia que pode inspirar outros restauros
Para a engenheira da Conder, a experiência no Santuário abre caminho para o uso da técnica em outras edificações antigas da Bahia. “Muitos imóveis históricos sofrem com infiltração e perda da matriz original dos materiais. Essa técnica interrompe o processo de degeneração e pode ser aplicada em qualquer estrutura porosa que apresente perda de coesão. É uma forma de unir inovação e preservação cultural”, finaliza Jamile
Um santuário que guarda história e fé
Construída em estilo neogótico, a Igreja Senhor dos Passos foi a segunda igreja erguida em Feira de Santana, inaugurada em 1964, e elevada à condição de Santuário Arquidiocesano em maio de 2024.
Com quase um século de história, o templo é um dos marcos da arquitetura religiosa do interior baiano e possui um revestimento raro, feito com fragmentos de vidro colorido, que vem sendo cuidadosamente restaurado. “É uma igreja muito querida pela população. Restaurar esse patrimônio é preservar um pedaço da identidade de Feira de Santana”, afirma Jamile.
Sobre a obra
- Restauração da Fachada do Santuário Senhor dos Passos – Feira de Santana (BA)
- Investimento: R$ 1.532.634,53
- Execução: Conder
- Fonte do recurso: IPAC / Secult – Governo da Bahia
- Avanço físico: 46,31%
- Início: 8 de maio de 2025
- Previsão de conclusão: janeiro de 2026
Serviços em execução: perfuração e gotejamento de resina acrílica a 12%; injeção de resina a 100% para consolidação do revestimento; lavagem e recuperação das fachadas; estabilização dos pináculos com fibra de carbono; recomposição dos elementos arquitetônicos e decorativos.
Cultura
Petrobahia e Marinha iniciam requalificação do Farol da Barra com obras previstas até 2027
Investimento realizado por meio de incentivo à cultura vai modernizar e preservar o Forte Santo Antônio da Barra, um dos principais patrimônios históricos e turísticos do Brasil
A Petrobahia e a Marinha do Brasil formalizaram, no mês de julho, a ordem de serviço para a requalificação do Forte Santo Antônio da Barra, em Salvador, onde estão localizados o Farol da Barra e o Museu Náutico da Bahia. A cerimônia de assinatura foi realizada no próprio monumento e reuniu autoridades, além de dirigentes e colaboradores das duas instituições.
O investimento será realizado por meio de mecanismo de incentivo à cultura e contribuirá diretamente para a conservação de um dos mais importantes patrimônios históricos do país, visitado anualmente por milhares de turistas brasileiros e estrangeiros.
As obras já foram iniciadas e têm previsão de conclusão no primeiro semestre de 2027. A intervenção buscará ampliar as condições de preservação, segurança e visitação do complexo histórico, fortalecendo seu papel cultural, turístico e educacional.
Inaugurado em 1698, o Farol da Barra é reconhecido como o primeiro farol das Américas e integra um dos principais cartões-postais do Brasil. Do local, é possível contemplar a Baía de Todos-os-Santos, a Ilha de Itaparica e a orla atlântica de Salvador.
Preservação da história
Durante a solenidade, a diretora-presidente da Petrobahia, Iara Schimmelpfeng, destacou a importância do projeto para a preservação do patrimônio histórico nacional.
“O Farol da Barra é um patrimônio histórico que pertence não apenas aos baianos, mas a todo o Brasil. Poder contribuir para sua preservação, ao lado da Marinha do Brasil, é motivo de muito orgulho. Mais do que conservar esse espaço, estamos ajudando a manter viva a sua história e garantindo que moradores e turistas continuem tendo acesso a esse importante símbolo da nossa cultura.”
Representando a Marinha do Brasil, o comandante do 2º Distrito Naval, vice-almirante Gustavo Calero Garriga Pires, ressaltou a relevância da parceria para a preservação da memória marítima brasileira.
“A imagem do Brasil está intimamente ligada ao mar. Nossa história, nossa cultura, as atividades náuticas e o próprio lazer dos brasileiros passam por essa relação. Esse equipamento ajuda a contar a história da nossa ligação com o oceano. É uma grande satisfação concluir essa parceria, que reforça o compromisso da Marinha do Brasil e da iniciativa privada com a valorização do nosso patrimônio histórico e cultural.”
Compromisso com a cultura
O diretor administrativo-financeiro da Petrobahia, Dalle Matos, afirmou que o apoio ao projeto está alinhado à trajetória da empresa de incentivo a iniciativas culturais e sociais.
“Entendemos que desenvolvimento também significa preservar a nossa história e investir em projetos que fortalecem a cidadania. Ao longo dos nossos 30 anos, construímos uma trajetória de apoio a iniciativas ligadas ao esporte, à cultura, à música e ao patrimônio histórico. Temos muito orgulho de participar da requalificação de um dos maiores cartões-postais do Brasil.”
Para o acionista da empresa, Luiz Gonzaga, o investimento representa uma forma de deixar um legado para a capital baiana.
“O Farol da Barra faz parte da identidade e da história do Brasil. Contribuir para sua preservação é uma forma de retribuir à sociedade e deixar um legado permanente para Salvador.”
Também participaram da cerimônia os acionistas Thiago Andrade e Ruy Andrade. A Petrobahia completa 30 anos de atuação em 2026.
Relação com a economia do mar
A iniciativa também dialoga com a atuação da companhia na chamada economia do mar. Nos últimos anos, a Petrobahia ampliou sua presença no mercado de óleo diesel marítimo, combustível utilizado no abastecimento de embarcações de diferentes portes, registrando crescimento das operações nesse segmento e expansão para novos mercados.
Esse movimento acompanha a relevância estratégica da Amazônia Azul, área marítima sob jurisdição brasileira com cerca de 5,7 milhões de quilômetros quadrados. A região concentra grande parte do comércio exterior nacional, além de importantes rotas de navegação, recursos naturais e atividades ligadas ao desenvolvimento da economia marítima.
Com a requalificação do Farol da Barra, a parceria entre a Petrobahia e a Marinha do Brasil busca garantir a preservação de um dos símbolos mais importantes da história e da identidade cultural brasileira para as próximas gerações.
Cultura
Camerata Opus Lúmen se apresenta na edição de agosto da Terça Musical no MGB
Concerto gratuito acontece no dia 4 de agosto e integra parceria entre o Museu Geológico da Bahia e a Orquestra Sinfônica da Bahia
A Camerata Opus Lúmen será a atração da edição de agosto da Terça Musical, realizada nesta terça-feira (4), às 15h, na sala de cinema do Museu Geológico da Bahia (MGB), no Corredor da Vitória, em Salvador. O concerto tem entrada gratuita e é resultado de uma parceria entre o museu, vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), e a Orquestra Sinfônica da Bahia (Osba).
Criada em 2001, a Camerata Opus Lúmen é um dos grupos de música de câmara ligados à Osba e reúne instrumentistas especializados em sopros e percussão, levando ao público repertórios variados e apresentações que aproximam a música de concerto de diferentes públicos.
A formação atual do grupo é composta por Lucas Ferreira (clarinete), Gabriel Paes Marcaccini (oboé), Ilza Cruz (fagote), Paula Guimarães (trompa), Tereza Perfeito (flauta) e Humberto Monteiro (percussão).
A iniciativa integra a programação cultural promovida pelo Museu Geológico da Bahia, que regularmente recebe apresentações artísticas abertas ao público, contribuindo para a democratização do acesso à cultura e à música instrumental.
Serviço
Terça Musical com a Camerata Opus Lúmen
- Data: 4 de agosto de 2026
- Horário: 15h
- Local: Sala de cinema do Museu Geológico da Bahia
- Endereço: Avenida Sete de Setembro, nº 2.195, Corredor da Vitória, Salvador (BA)
- Entrada: Gratuita
Cultura
Festival de Lençóis chega à 27ª edição e incorpora Festival de Culturas Populares da Chapada
Evento gratuito acontece de 4 a 6 de setembro e amplia programação com música, tradições populares, debates ambientais e valorização dos saberes da Chapada Diamantina
A cidade de Lençóis, na Chapada Diamantina, sediará entre os dias 4 e 6 de setembro de 2026 a 27ª edição do Festival de Lençóis, um dos mais tradicionais eventos culturais da Bahia. Neste ano, o festival passa por uma ampliação inédita ao incorporar o Festival de Culturas Populares da Chapada, fortalecendo o protagonismo das manifestações artísticas e tradicionais da região.
Após mais de duas décadas reunindo importantes nomes da música brasileira, o evento amplia seu alcance ao integrar, pela primeira vez, uma programação dedicada aos saberes populares, às tradições culturais e à valorização da memória regional. Entre as expressões destacadas está o Jarê Encantado, manifestação espiritual profundamente ligada à formação histórica e cultural da Chapada Diamantina.
Além das apresentações musicais, a programação contará com palestras e atividades voltadas a temas como meio ambiente, qualidade de vida e religiosidade de matriz afro-indígena.
Programação diversificada
Distribuída entre o Palco Principal, o Mercado Cultural e o Coreto, a programação de 2026 mantém o tema que se tornou marca registrada do evento: “Cante. Plante. Proteja.”
Entre as atrações musicais já confirmadas estão Rachel Reis, Larissa Luz, Banjo Novo, Michel Teló e Cidade Negra. O festival contará ainda com espaço dedicado aos artesãos da região, mesas temáticas e palestras, incluindo a participação do psicólogo Alexandre Coimbra, que abordará a importância de desacelerar o ritmo da vida e fortalecer a convivência com a natureza.
Na área da cultura popular, estão confirmadas apresentações das Baianas de Lençóis, Marujada Quilombola do Remanso, Marujada Barcas em Rios, Reisado da Viola e Percuhitts, entre outros grupos que preservam e difundem tradições culturais da Chapada.
A programação completa, com datas, horários e locais das atividades, será divulgada em breve pela organização.
Valorização da identidade cultural
Para a diretora-geral da Pau Viola Cultura e Entretenimento e idealizadora do Festival de Lençóis, Paula Resende, a união dos dois eventos representa um novo momento para a iniciativa.
“Essa é a junção perfeita para o momento que o Festival de Lençóis vive. Depois de 26 edições consolidando a música brasileira na Chapada Diamantina, abrir espaço para a cultura popular é afirmar que o festival sempre foi, no fundo, sobre pertencimento. Estamos celebrando a força de um território inteiro”, afirmou.
A idealizadora do Festival de Culturas Populares de Lençóis, Lilibeth França, destacou o potencial da parceria para ampliar a visibilidade das tradições locais.
“O Festival de Culturas Populares nasceu para valorizar os mestres, as tradições e as memórias que atravessam gerações em Lençóis. Somar essa trajetória à força que o Festival de Lençóis construiu ao longo de mais de duas décadas é multiplicar o alcance da nossa cultura popular e levar essas manifestações a um público ainda maior”, ressaltou.
Impacto regional
Realizado gratuitamente em praça pública, o Festival de Lençóis reforça seu compromisso com a democratização do acesso à cultura e com a preservação do patrimônio material e imaterial da Bahia. A cada edição, o evento contribui para o fortalecimento da economia local, gerando emprego e renda, além de consolidar a Chapada Diamantina como um dos principais destinos culturais e turísticos do país.
O evento é uma realização da Pau Viola Cultura e Entretenimento, com apoio da Prefeitura de Lençóis.
Serviço
Festival de Lençóis e Festival de Culturas Populares da Chapada
- Data: 4 a 6 de setembro de 2026
- Local: Lençóis, Chapada Diamantina (BA)
- Entrada: Gratuita.
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