Cultura
Do groove brasileiro ao tapete vermelho de Hollywood
A homenagem a Paulinho da Costa e a presença brasileira no Oscar evidenciam um momento histórico de afirmação cultural no cenário internacional
Enquanto os holofotes de Hollywood se acendem neste domingo (15) para a cerimônia do Oscar, o Brasil vive um daqueles raros momentos em que o reconhecimento internacional deixa de ser exceção e passa a soar como consequência natural de uma trajetória construída ao longo de décadas. Na mesma semana em que o cinema nacional entra na disputa pela estatueta mais cobiçada do mundo, a música brasileira também tem motivos para celebrar: o percussionista Paulinho da Costa será homenageado, em 2026, com uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood.
Aos 77 anos, Paulinho se torna o segundo brasileiro a receber a honraria — e o primeiro nascido no Brasil — juntando‑se a Carmen Miranda no panteão de nomes que ajudaram a moldar a cultura pop global. Radicado nos Estados Unidos desde 1972, ele construiu uma carreira silenciosa e monumental, presente em mais de 1.500 gravações e em álbuns que marcaram gerações, de Michael Jackson a Madonna, de Celine Dion a trilhas sonoras do cinema. Seu pandeiro, seu surdo e seu groove atravessaram fronteiras sem pedir licença, fazendo da música brasileira um idioma compreendido em qualquer estúdio do mundo.
Essa trajetória ganhou, recentemente, um novo capítulo de reconhecimento com o lançamento do documentário “The Groove Under the Groove”, produzido pela Netflix, que registra os bastidores e a dimensão da contribuição de Paulinho da Costa para a música mundial. O documentário contribui para reforçar a percepção de que, muitas vezes longe dos holofotes, artistas brasileiros ajudaram a construir a sonoridade de clássicos globais — e só agora começam a ter suas histórias plenamente contadas.
A homenagem ao músico ecoa de forma simbólica no mesmo fim de semana em que o Brasil volta a ocupar espaço central na maior premiação do cinema internacional. “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho, chega ao Oscar como uma das produções mais comentadas da temporada e alimenta a expectativa de uma nova conquista para o país. Independentemente do resultado, o simples fato de o filme disputar categorias centrais reforça a percepção de que o Brasil deixou de ser figurante para se tornar protagonista em narrativas globais.
Há um elo invisível entre essas duas histórias. Paulinho da Costa e O Agente Secreto representam gerações diferentes, linguagens distintas, mas partilham a mesma essência: obras criadas a partir de uma identidade brasileira forte, sem concessões, que encontram eco no mundo justamente por sua autenticidade. Não se trata de adaptar‑se ao gosto estrangeiro, mas de apresentar o Brasil em sua complexidade — rítmica, estética, política e humana.
Neste domingo, quando as estatuetas forem erguidas no Teatro Dolby, talvez o Brasil leve mais um Oscar para casa. Talvez não. Mas, como no caso de Paulinho da Costa, o que já está conquistado é maior que qualquer troféu: o reconhecimento de que a cultura brasileira — seja na música, seja no cinema — não apenas participa da história do entretenimento mundial, mas a escreve, compasso por compasso, cena por cena.
Seja no brilho discreto de uma estrela cravada na calçada de Hollywood ou no suspense da última categoria anunciada na noite do Oscar, o Brasil chega a este 15 de março com algo raro: a certeza de que o aplauso não é passageiro, mas fruto de um legado.
Cultura
Festival de Lençóis chega à 27ª edição e incorpora Festival de Culturas Populares da Chapada
Evento gratuito acontece de 4 a 6 de setembro e amplia programação com música, tradições populares, debates ambientais e valorização dos saberes da Chapada Diamantina
A cidade de Lençóis, na Chapada Diamantina, sediará entre os dias 4 e 6 de setembro de 2026 a 27ª edição do Festival de Lençóis, um dos mais tradicionais eventos culturais da Bahia. Neste ano, o festival passa por uma ampliação inédita ao incorporar o Festival de Culturas Populares da Chapada, fortalecendo o protagonismo das manifestações artísticas e tradicionais da região.
Após mais de duas décadas reunindo importantes nomes da música brasileira, o evento amplia seu alcance ao integrar, pela primeira vez, uma programação dedicada aos saberes populares, às tradições culturais e à valorização da memória regional. Entre as expressões destacadas está o Jarê Encantado, manifestação espiritual profundamente ligada à formação histórica e cultural da Chapada Diamantina.
Além das apresentações musicais, a programação contará com palestras e atividades voltadas a temas como meio ambiente, qualidade de vida e religiosidade de matriz afro-indígena.
Programação diversificada
Distribuída entre o Palco Principal, o Mercado Cultural e o Coreto, a programação de 2026 mantém o tema que se tornou marca registrada do evento: “Cante. Plante. Proteja.”
Entre as atrações musicais já confirmadas estão Rachel Reis, Larissa Luz, Banjo Novo, Michel Teló e Cidade Negra. O festival contará ainda com espaço dedicado aos artesãos da região, mesas temáticas e palestras, incluindo a participação do psicólogo Alexandre Coimbra, que abordará a importância de desacelerar o ritmo da vida e fortalecer a convivência com a natureza.
Na área da cultura popular, estão confirmadas apresentações das Baianas de Lençóis, Marujada Quilombola do Remanso, Marujada Barcas em Rios, Reisado da Viola e Percuhitts, entre outros grupos que preservam e difundem tradições culturais da Chapada.
A programação completa, com datas, horários e locais das atividades, será divulgada em breve pela organização.
Valorização da identidade cultural
Para a diretora-geral da Pau Viola Cultura e Entretenimento e idealizadora do Festival de Lençóis, Paula Resende, a união dos dois eventos representa um novo momento para a iniciativa.
“Essa é a junção perfeita para o momento que o Festival de Lençóis vive. Depois de 26 edições consolidando a música brasileira na Chapada Diamantina, abrir espaço para a cultura popular é afirmar que o festival sempre foi, no fundo, sobre pertencimento. Estamos celebrando a força de um território inteiro”, afirmou.
A idealizadora do Festival de Culturas Populares de Lençóis, Lilibeth França, destacou o potencial da parceria para ampliar a visibilidade das tradições locais.
“O Festival de Culturas Populares nasceu para valorizar os mestres, as tradições e as memórias que atravessam gerações em Lençóis. Somar essa trajetória à força que o Festival de Lençóis construiu ao longo de mais de duas décadas é multiplicar o alcance da nossa cultura popular e levar essas manifestações a um público ainda maior”, ressaltou.
Impacto regional
Realizado gratuitamente em praça pública, o Festival de Lençóis reforça seu compromisso com a democratização do acesso à cultura e com a preservação do patrimônio material e imaterial da Bahia. A cada edição, o evento contribui para o fortalecimento da economia local, gerando emprego e renda, além de consolidar a Chapada Diamantina como um dos principais destinos culturais e turísticos do país.
O evento é uma realização da Pau Viola Cultura e Entretenimento, com apoio da Prefeitura de Lençóis.
Serviço
Festival de Lençóis e Festival de Culturas Populares da Chapada
- Data: 4 a 6 de setembro de 2026
- Local: Lençóis, Chapada Diamantina (BA)
- Entrada: Gratuita.
Cultura
“Jorge Pra Sempre Verão” encerra temporada na CAIXA Cultural Salvador neste fim de semana
Espetáculo inspirado na vida de Jorge Laffond celebra legado do artista para além da icônica personagem Vera Verão
A curta temporada do espetáculo “Jorge Pra Sempre Verão” chega ao fim neste final de semana na CAIXA Cultural Salvador, com apresentações nesta sexta-feira (31), sábado (1º) e domingo (2). Inspirada em episódios reais da vida de Jorge Laffond (1952-2003), a montagem revisita a trajetória pessoal e artística do ator, comediante, dançarino e drag queen que marcou a história da televisão brasileira com a personagem Vera Verão.
Após a sessão desta sexta-feira (31), o público poderá participar de um bate-papo com o elenco.
Com direção de Rodrigo França, o espetáculo é encenado por Alexandre Mitre/Leonardo Garcez, Aline Mohamad e Aretha Sadick.
Jorge Laffond alcançou projeção nacional em 1992, ao integrar o elenco do programa humorístico “A Praça é Nossa”, do SBT. Por meio da personagem Vera Verão, construiu uma figura que combinava humor, inteligência e enfrentamento ao preconceito, consolidando-se como um símbolo de resistência e representatividade.
Dono de uma presença cênica marcante, Laffond tornou-se um dos artistas mais populares da televisão brasileira, abrindo espaço para a representatividade negra e LGBTQIAPN+ em um período de forte conservadorismo social.
A dramaturgia nasceu de uma carta escrita por Aline Mohamad ao primo, falecido precocemente aos 51 anos. O que começou como um exercício íntimo de afeto e elaboração do luto transformou-se em sua primeira obra teatral, desenvolvida em parceria com Diego do Subúrbio.
A peça destaca como Vera Verão se tornou mais do que um personagem humorístico. No palco, a figura ganha contornos de símbolo de luta contra diferentes formas de discriminação, reforçando a contribuição de Jorge Laffond para a cultura brasileira e para o debate sobre diversidade e inclusão.
Ao revisitar sua trajetória, o espetáculo propõe um olhar sensível sobre a vida, a arte e o legado de um dos grandes nomes da televisão nacional.
Agricultura
Feira de Santana sedia pactuação do Plano Safra da Agricultura Familiar Bahia 2026/2027
Encontro reuniu instituições públicas, agricultores familiares e entidades parceiras para alinhar ações de desenvolvimento rural em todo o estado
Feira de Santana sediou, nos dias 27 e 28 de julho, a apresentação e pactuação do Plano Safra da Agricultura Familiar Bahia 2026/2027. Realizado no Teatro Central da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), o encontro reuniu representantes de instituições públicas, organizações da agricultura familiar e entidades parceiras para o alinhamento das ações previstas para o novo ciclo do programa.
A programação integrou as atividades em comemoração ao Dia Internacional da Agricultura Familiar e promoveu espaços de diálogo e articulação entre os diversos atores envolvidos na implementação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento rural.
Durante o encontro, foram apresentadas as diretrizes do Plano Safra da Agricultura Familiar Bahia 2026/2027, que contempla instrumentos de apoio ao crédito rural, à assistência técnica e extensão rural (ATER), à agroindustrialização, à comercialização, à regularização fundiária e ao acesso a mercados.
A agenda também incluiu a apresentação de experiências exitosas de agricultores familiares beneficiados por políticas públicas nas áreas de crédito, assistência técnica e inclusão produtiva. O evento contou ainda com uma apresentação cultural do grupo Quixabeira da Matinha.
Entre os atos institucionais realizados estiveram a assinatura da portaria que institui o processo de reconhecimento das Redes Territoriais de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER); a formalização de acordo de cooperação para implantação de correspondentes bancários em cooperativas da agricultura familiar; a assinatura de contratos de crédito destinados a agroindústrias familiares; a entrega simbólica de títulos de regularização fundiária a agricultores familiares e comunidades quilombolas; a entrega de embarcações para associações da pesca artesanal; a abertura das inscrições do Programa Garantia-Safra 2026/2027; além da formalização de outras iniciativas voltadas ao desenvolvimento rural.
Participaram do encontro representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), do Ministério da Pesca e Aquicultura, do Banco do Brasil, do Banco do Nordeste, da Caixa Econômica Federal, da DesenBahia, da União dos Municípios da Bahia (UPB) e da Federação dos Consórcios Públicos do Estado da Bahia (FECBahia). Também estiveram presentes integrantes de cooperativas, associações, consórcios públicos, universidades, entidades de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) e organizações representativas da agricultura familiar.
A secretária de Desenvolvimento Rural, Elisabete Costa, destacou a importância da articulação entre as instituições envolvidas na execução das políticas públicas para o campo.
“O Plano Safra da Agricultura Familiar é um instrumento de articulação entre os diversos órgãos e instituições que atuam no desenvolvimento rural. A pactuação das ações contribui para integrar iniciativas voltadas ao crédito, à assistência técnica, à comercialização e a outras políticas públicas destinadas à agricultura familiar”, afirmou.
Ao longo dos dois dias de programação, foram realizados painéis técnicos, debates e atividades voltadas ao fortalecimento da articulação institucional necessária para a execução das ações previstas no Plano Safra da Agricultura Familiar Bahia 2026/2027.
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