Política
Caravana da Justiça leva serviços e cidadania para Santo Antônio de Jesus
Em 2025, a iniciativa já esteve em 17 municípios, levando serviço e cidadania a mais de 14 mil pessoas
“Essa oportunidade é maravilhosa. Estou gostando. Vou aproveitar e fazer a certidão de nascimento da minha filha, que mora em Feira de Santana”, contou dona Luciene de Lima, aposentada, moradora do bairro São Benedito, que procurou a Caravana da Justiça, em Santo Antônio de Jesus, nesta quinta-feira (11), para renovar a carteira de identidade e a certidão de divórcio.
A ação de cidadania promovida pela Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH), por meio da Superintendência de Apoio e Defesa aos Direitos Humanos, acontece até sexta-feira (12), na nova sede do Instituto 11 de Dezembro, na Rua Doutor Joaquim Rozendo Pinto Filho, das 9h às 16h. Além de garantir serviços essenciais para a população em situação de vulnerabilidade, a Caravana também tem um simbolismo especial no município: ela acontece em parceria com a entidade formada por familiares e sobreviventes da explosão da fábrica de fogos, ocorrida em 1998, que matou 64 pessoas e feriu gravemente outras cinco.
“Essa caravana é mais uma etapa do nosso projeto de expansão de serviços de acesso à justiça e promoção dos direitos humanos, mas que tem um componente especial. Ela é uma prestação de serviço para toda a população de Santo Antônio de Jesus, em particular, também faz parte de um grande projeto de reparação desses familiares, dessas vítimas, por conta da violação de direitos humanos a que eles foram submetidos”, indicou o titular da SJDH, Felipe Freitas.
Serviços oferecidos
A população tem acesso a diversos serviços gratuitos como emissão de documentos, aferição da pressão arterial, encaminhamentos para reconhecimento de paternidade, atendimento da Embasa, INSS, SineBahia, Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Defensoria Pública (DPE), Passe Livre Intermunicipal, Tribunal de Justiça (TJBA), inscrição no CadÚnico do Governo Federal, e orientação sobre defesa do consumidor. Ainda são realizadas ações formativas com estudantes do ensino médio e fundamental, no Colégio Estadual de Tempo Integral Clóvis Ezequiel e na Escola Municipalizada Professor Anísio Teixeira.
“Acho muito interessante isso que está acontecendo aqui, porque a gente aprende mais, conhece mais um pouquinho da realidade”, completou Thiago Santos, de 18 anos. Além de participar das palestras, ele fez a IdJovem, que possibilita os benefícios de meia-entrada em eventos artístico-culturais e esportivos, bem como a garantia de vagas gratuitas ou com desconto no sistema de transporte coletivo interestadual, conforme disposto no Decreto nº 8.537, de 5 de outubro de 2015.
Caravana da Justiça
Em 2025, a Caravana já esteve em 17 municípios, levando serviço e cidadania a mais de 14 mil pessoas. Nesse período, foram realizados aproximadamente 25 mil atendimentos. É estimado que nos dois dias desta 18ª edição, em Santo Antônio de Jesus, sejam atendidas mil pessoas. Para muitos moradores, a oportunidade de resolver pendências sem sair da cidade representa um alívio: “A facilidade é excelente. Dá para fazer tudo, não precisei madrugar. Tudo rapidinho, tudo cedinho”, contou a dona de casa Luciete de Souza.
Segundo a superintendente de Apoio e Defesa aos Direitos Humanos da SJDH, Trícia Calmon, a Caravana é mais que um mutirão de serviços: “É muito satisfatório poder circular e fazer conexões com públicos que têm mais dificuldades. São cerca de 20 órgãos, todos vindo junto conosco para fazer essa ação, tudo gratuito e tudo no mesmo lugar, porque às vezes fica difícil o transporte, o agendamento às vezes dificulta. Então, é muito especial estar aqui, com muito aprendizado”, explicou Trícia.
Eleições 2026
TSE e AGU firmam acordo para regulamentar uso de inteligência artificial nas eleições de 2026
Parceria prevê criação de guia de boas práticas para combater desinformação, deepfakes e uso indevido de IA durante a campanha eleitoral
Em uma iniciativa voltada à proteção da integridade do processo democrático, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a Advocacia-Geral da União (AGU) firmaram um acordo de cooperação técnica para regulamentar e fiscalizar o uso da inteligência artificial (IA) nas campanhas eleitorais. A medida busca prevenir abusos, combater a desinformação e garantir maior segurança às Eleições 2026.
O termo de cooperação foi assinado nesta segunda-feira (3) pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques; pelo advogado-geral da União, ministro Jorge Messias; e pelo presidente do Observatório da Democracia da AGU, o ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski.
Segundo Nunes Marques, o avanço tecnológico traz benefícios à participação cidadã, mas também impõe desafios relacionados à circulação massiva de conteúdos sem critérios de confiabilidade.
“Vivemos uma época em que a produção e a circulação de informações ocorrem em velocidades sem precedentes. Se, por um lado, essa realidade amplia o acesso ao conhecimento e fortalece a participação cidadã, o excesso de informações muitas vezes desprovidas de critérios de confiabilidade, contextualização ou verificação pode favorecer a disseminação da desinformação e prejudicar o exercício livre e consciente do voto”, afirmou.
Guia de boas práticas
O principal resultado da parceria será a elaboração de um guia de boas práticas sobre o uso da inteligência artificial no processo eleitoral.
O documento reunirá orientações destinadas a partidos políticos, candidatas e candidatos, plataformas digitais, órgãos públicos e organizações da sociedade civil. Entre os temas abordados estarão medidas para reduzir riscos relacionados à desinformação sintética, ao uso de deepfakes, à automação ilícita e ao microdirecionamento de conteúdos manipulados.
Neutralidade e isenção
O acordo estabelece regras de governança para assegurar a independência técnica do material produzido. As ações desenvolvidas em conjunto deverão observar os princípios da neutralidade institucional e da isenção político-partidária.
Além disso, o guia deverá seguir critérios de rigor técnico e pluralidade de visões, sendo vedada qualquer referência que possa ser interpretada como promoção pessoal de autoridades ou propaganda eleitoral disfarçada.
Para Ricardo Lewandowski, o uso inadequado da inteligência artificial representa uma ameaça à livre manifestação da vontade do eleitor.
“A inteligência artificial usada para o mal, sobretudo na época das eleições, para influir na vontade soberana do eleitor e, principalmente, com o auxílio de robôs que multiplicam e replicam informações distorcidas de forma quase indefinida, afeta sobremaneira a vontade do eleitor”, destacou.
Cronograma de elaboração
O cronograma do projeto prevê a formalização do grupo de trabalho em até 30 dias. Em seguida, uma minuta elaborada pelo Observatório da Democracia será analisada e revisada pelas equipes técnicas em até 40 dias.
Após consulta pública, a versão final do guia deverá ser publicada em até 45 dias.
A coordenação dos trabalhos ficará sob responsabilidade do secretário-geral da Presidência do TSE, Murilo Salmito Nolêto, e do advogado-geral da União adjunto, Paulo Ronaldo Ceo de Carvalho.
Capacitação e intercâmbio científico
Além da elaboração do manual, a cooperação entre TSE e AGU prevê a realização de cursos, oficinas, workshops e seminários voltados à integridade da informação, cidadania digital e combate à violência política.
Para o advogado-geral da União, Jorge Messias, a iniciativa contribuirá para ampliar o acesso da população a informações confiáveis.
“É muito importante que nós ofereçamos à sociedade informação de qualidade para que o eleitor possa tomar sua decisão de forma livre e desimpedida. O guia de boas práticas em inteligência artificial oferecerá ferramentas e instrumentos a partir de uma compreensão simplificada de uma tecnologia extremamente importante”, afirmou.
Os direitos intelectuais sobre o guia e os estudos produzidos serão compartilhados entre o TSE e a AGU. O material poderá ser reproduzido para fins educacionais e de conscientização pública, enquanto eventual exploração comercial ou utilização político-partidária dependerá de autorização prévia das duas instituições.
O acordo terá validade de 12 meses, não prevê transferência de recursos financeiros entre os órgãos e estabelece que cada instituição será responsável pelos seus próprios custos operacionais.
Política
Rosemberg acusa ACM Neto de contradições após sabatina e cobra propostas para a Bahia
Líder do governo na Alba afirma que candidato priorizou ataques a Jerônimo Rodrigues, evitou assumir compromissos e desqualificou reportagem da imprensa
O líder do governo na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), deputado estadual Rosemberg Cruz, criticou a postura adotada por ACM Neto durante sabatina realizada pela TV Aratu, classificando como uma “desfaçatez” a tentativa do candidato de transformar contradições em discurso político. Segundo o parlamentar, faltaram propostas concretas para o estado e sobraram ataques ao governador Jerônimo Rodrigues.
Rosemberg apontou como exemplo a discussão sobre a implantação de câmeras corporais nas fardas dos policiais militares. De acordo com ele, ACM Neto criticou o governo estadual por não ter cumprido integralmente a promessa de adoção dos equipamentos, mas evitou apresentar uma posição clara sobre o tema.
“Ele atacou Jerônimo, dizendo que a promessa não foi cumprida, ignorando que parte da tropa já utiliza os equipamentos. Mas, quando perguntado se adotaria a medida em seu governo, saiu pela tangente, não assumiu compromisso, não apresentou metas e sequer respondeu objetivamente à sociedade”, afirmou o deputado.
O líder governista também rebateu a declaração de ACM Neto de que Jerônimo Rodrigues seria “negacionista” em relação à violência. Para Rosemberg, a acusação não condiz com a atuação do governo estadual na área da segurança pública.
“Negacionismo é ignorar os investimentos históricos realizados na segurança pública e fechar os olhos para a redução dos indicadores de criminalidade registrada em diversas regiões do estado. O governo enfrenta o problema com ações concretas, não com discursos vazios”, declarou.
Outro ponto criticado pelo parlamentar foi a reação de ACM Neto a uma reportagem publicada pela jornalista Monica Bergamo, da Folha de S.Paulo, que apresentou um estudo apontando o uso de inteligência artificial na elaboração do plano de governo do candidato.
“Em vez de responder aos fatos apresentados, preferiu chamar a reportagem de mentira, numa postura de desqualificação do jornalismo sempre que o conteúdo lhe desagrada”, afirmou Rosemberg.
Ao concluir sua avaliação sobre a participação de ACM Neto na sabatina, o deputado afirmou que o episódio evidenciou dificuldades do candidato em sustentar suas posições e apresentar soluções para o estado.
“Quem pretende governar a Bahia precisa apresentar soluções, assumir compromissos e respeitar os fatos. Não basta recorrer à retórica para esconder contradições ou atacar a imprensa e os adversários quando faltam argumentos”, concluiu.
Política
Lula sanciona lei que cria o “Pix Pensão” para automatizar pagamento de pensão alimentícia
Nova regra permitirá transferência automática entre contas bancárias por determinação judicial; sistema entra em vigor em 2027
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que cria um sistema de transferência automática para o pagamento de pensão alimentícia entre contas bancárias nas datas definidas pela Justiça. Conhecida como“Pix Pensão”, a medida foi instituída pela Lei nº 15.479, de 2026, publicada no Diário Oficial da União de 30 de julho.
O mecanismo permitirá que as instituições financeiras realizem mensalmente o repasse do valor devido ao beneficiário ou ao seu representante legal, conforme determinação judicial. O sistema poderá ser solicitado em qualquer fase do cumprimento da sentença e entrará em vigor um ano após a publicação da norma.
A nova legislação altera o Código de Processo Civil (CPC) para disciplinar a transferência automática da pensão alimentícia. Na decisão judicial deverão constar informações como o valor da prestação, o prazo da obrigação, as contas de débito e crédito e os critérios de atualização dos valores.
Caso não haja saldo suficiente na conta do devedor, a instituição financeira deverá comunicar o fato à autoridade supervisora do sistema financeiro nacional, que poderá determinar a indisponibilidade de ativos financeiros até o limite da dívida atualizada. Se a inadimplência persistir, a indisponibilidade poderá ser convertida em penhora, inclusive sobre ativos financeiros de empresário individual vinculados à atividade empresarial.
A norma teve origem no Projeto de Lei (PL) 4.978/2023, de autoria da deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP). No Senado, a proposta foi aprovada em julho com relatoria da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA).
A nova lei também determina que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) produza e divulgue estatísticas sobre ações judiciais relacionadas à pensão alimentícia, preservando o anonimato das partes envolvidas. Entre os dados que deverão ser divulgados estão o número de processos, os valores médios e medianos das ações, informações sobre penhoras judiciais e o perfil dos beneficiários. O objetivo é subsidiar a elaboração de estatísticas e contribuir para o aperfeiçoamento de políticas públicas na área.
Fonte: Agência Senado
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