Alex Curvello é advogado @alexcurvello
Escolher um presidente é decidir que projeto de sociedade queremos construir.
Na reta final da campanha, essa responsabilidade exige mais do que acompanhar discursos, compartilhar vídeos ou reagir às redes sociais. Exige consciência, sensibilidade e compromisso com o bem comum.
Preocupa-me uma visão de país que coloca o consumo e os interesses econômicos acima da dignidade humana. A economia é importante, sim, entretanto seu desenvolvimento precisa melhorar a vida das pessoas. Crescimento que não se traduz em trabalho digno, proteção social e oportunidades para a maioria é uma promessa incompleta.
Quando a negociação entre trabalhador e empregador é apresentada como solução para tudo, precisamos perguntar: em quais condições ela acontecerá? Quem depende do salário para alimentar a família nem sempre tem liberdade para negociar. Sem proteção e equilíbrio nessa relação, a necessidade pode obrigar alguém a aceitar condições que comprometam sua saúde, sua segurança e seu tempo de vida.
Também merece reflexão a promessa de prosperidade fácil que circula nas redes sociais. A mensagem costuma ser sedutora: consumir mais, enriquecer rapidamente, vencer pelo esforço individual. Mas prosperar a que custo? Com quais oportunidades? Como sustentar uma vida digna quando as despesas aumentam e a renda permanece insuficiente?
O esforço pessoal tem valor, mas não substitui políticas públicas. Nenhuma sociedade supera suas desigualdades apenas recomendando que cada cidadão resolva sozinho os próprios problemas. Educação, saúde, assistência social, Previdência Social e proteção ao trabalhador são condições para que mais pessoas possam construir sua autonomia.
Todo desequilíbrio deixa marcas em uma sociedade. Isso fica claro quando um lado claramente dá a entender que vai cortar políticas públicas, Previdência Social e tantas outras garantias. Isso fatalmente implicará ainda mais desequilíbrio social.
Por isso, propostas de cortes precisam ser explicadas com clareza. O que será reduzido? Quem será afetado? Como serão protegidas as pessoas que dependem dos serviços públicos? Não basta prometer eficiência sem demonstrar as consequências das escolhas anunciadas.
A mesma atenção deve orientar qualquer discussão sobre aposentadoria e proteção social. Devemos nos distanciar da ideia de retorno da escala 6×1 ou até do trabalho semanal sem descanso remunerado.
É aterrorizante pensar na modificação do método de arrecadação da Previdência Social. Já imaginou o sistema arrecadatório do INSS mudar para muito pior? Você, que está trabalhando e contribui para sua futura aposentadoria, poderá ter essa contribuição defasada e destinada apenas a você, sem que ela faça mais parte de um sistema social. Qual a consequência disso?
O autista que recebe o BPC da Pessoa com Deficiência, o idoso que recebe o BPC do Idoso, o enfermo que recebe auxílio por incapacidade temporária e até quem já está aposentado corre sério risco de receber bem menos do que deveria ou até de não receber mais, se a visão do mundo previdenciário do candidato que foi contra ampliar a licença-maternidade prevalecer perante o INSS.
Meu coração me pediu para que eu pudesse me manifestar. Não há ataque pessoal, muito menos agressões a ninguém, e sem essa força de vontade de seguir e escutar o que meu coração me diz, não existiria mais nada, nem sentido algum em viver.
Mudanças nessas áreas exigem transparência, debate público e compromisso com os direitos da população. O receio de perder proteção não pode ser respondido com slogans. É preciso apresentar propostas claras e permitir que o eleitor compreenda seus possíveis efeitos.
Nossa responsabilidade também alcança a democracia. Governar significa respeitar limites, instituições, divergências e a vontade popular. Nenhum projeto pessoal de poder pode se sobrepor às regras democráticas. O voto deve considerar tanto o que um candidato promete quanto a maneira como se relaciona com aqueles que pensam diferente.
É por essas razões que decidi me manifestar. Minha posição nasce de uma convicção: a política deve servir, sobretudo, a quem mais precisa dela. Não se trata de negar problemas ou considerar qualquer governo acima de críticas. Trata-se de reconhecer diferenças entre projetos e escolher aquele que considero mais comprometido com um Brasil justo e humano.
Assim, neste momento, a representação do projeto que mais se aproxima dos valores que defendo: democracia, inclusão social, respeito ao trabalhador e compromisso com a redução das desigualdades, está inversamente ligada ao projeto que considero raso, frágil e sem compromisso com a maioria menos favorecida. Há muito a melhorar, e apoiar também significa cobrar, acompanhar e participar.
A quem me concede a honra desta leitura, faço um convite à reflexão. Antes de votar, pense para além do próprio interesse imediato. Considere a realidade de quem enfrenta uma fila por atendimento, procura emprego, sustenta uma família com renda insuficiente ou depende da proteção social para viver com dignidade.
E a quem deixou de votar no primeiro turno, vale lembrar: participar é uma maneira de influenciar o rumo do país. Deixemos de lado nossos conflitos emocionais, o egoísmo pessoal e o apego material para irmos em busca daqueles que não votaram no primeiro turno. Vamos reservar uma parte do dia para exercer esse direito e perceber que ele pode contribuir para decisões que terão efeitos durante anos na vida de milhões de brasileiros. Quando a voz da consciência é escutada, a razão se cala, os conflitos somem e a verdade prevalece.
Escutar o coração significa unir informação e sensibilidade, avaliar propostas e reconhecer as pessoas que serão alcançadas por elas. A consciência se fortalece quando conseguimos enxergar além de nós mesmos.
Nosso coração fica e bate do lado esquerdo do peito, e é nesse sentido que devemos guiar nossas escolhas e nossas vidas, sem buscar um futuro incerto ou ficar remoendo um passado distante, escutando a batida presente com o compromisso de fazer escolhas pelo bem comum.
Sempre teremos alguém com ideias nada progressistas que, se forem executadas, acabarão por impor a vontade de poucos sobre muitos. E, mesmo diante de argumentos vazios, não devemos nos entregar ao temor do que virá, mas sim ter força de vontade e consciência para escolher. Nesse caso, escolho, com consciência e responsabilidade, Lula, aquele que atualmente representa o bem comum para a maioria.

