O Ministério da Saúde iniciou, nesta semana, a oferta de nove novos medicamentos para tratamento do câncer no Sistema Único de Saúde (SUS). Os fármacos, considerados de alta tecnologia, são destinados a pacientes com câncer de mama, próstata, pulmão, rim, estômago, tireoide, tumores neuroendócrinos, leucemias e linfomas, entre outras doenças oncológicas.
A medida integra o programa Agora Tem Especialistas, lançado em 2025 pelo Governo Federal para ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento especializado na rede pública. A expectativa é que, até o fim do ano, o SUS passe a contar com 23 novos medicamentos oncológicos, ampliando em 35% as alternativas terapêuticas disponíveis aos pacientes.
Muitos dos medicamentos anunciados já haviam sido incorporados ao SUS há mais de uma década, mas ainda não estavam disponíveis de forma efetiva nos serviços de saúde. Com a criação da Assistência Farmacêutica Oncológica (AF-Onco), o Ministério da Saúde passou a estruturar o modelo de aquisição e distribuição dessas tecnologias para garantir sua chegada aos pacientes.
O anúncio foi feito nesta terça-feira (20) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante o Ato Nacional da Oncologia, realizado no Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo, com transmissão simultânea para 18 estados. Na Bahia, a atividade ocorreu no Centro Estadual de Oncologia (Cican), em Salvador, com a participação da secretária estadual da Saúde, Roberta Santana.
“Estamos ampliando e qualificando a rede de câncer em todo o país com o que tem de mais moderno e avançado. É uma transformação que coloca os pacientes no centro do cuidado, garantindo mais acesso a exames, diagnósticos precisos e tratamentos adequados, no tempo certo”, afirmou o ministro Alexandre Padilha.
Investimento de R$ 4 bilhões por ano
Para viabilizar a oferta dos 23 medicamentos previstos, o Ministério da Saúde assumiu diretamente a compra de 10 fármacos, articulou atas de preços para aquisição de outros nove pelos estados e ampliou os recursos destinados ao custeio de quatro medicamentos já ofertados nos serviços oncológicos.
O impacto financeiro estimado é de R$ 4 bilhões por ano.
A secretária da Saúde da Bahia, Roberta Santana, destacou a relevância da iniciativa para os pacientes atendidos pelo SUS.
“Este foi um importante ato nacional, que marca um avanço no tratamento do câncer no Brasil e na Bahia. Entre os anúncios, estão a atualização dos valores da tabela SUS para procedimentos oncológicos e a incorporação de novos procedimentos e medicamentos. Alguns deles custam até R$ 18 mil por mês e, agora, poderão ser acessados pelos pacientes por meio de prescrição médica nas Unacons, sem necessidade de judicialização”, afirmou.
Mais de 116 mil pessoas devem ser beneficiadas
Os nove medicamentos passam a atender 13 diferentes indicações terapêuticas e têm potencial para beneficiar mais de 116 mil pacientes.
A implantação começa em 20 centros de tratamento distribuídos por todas as regiões do país, com previsão de expansão para toda a rede oncológica do SUS até o final do ano.
Somente a aquisição desses nove medicamentos terá investimento anual estimado em R$ 155,4 milhões.
Entre os destaques está o abemaciclibe, utilizado no tratamento de determinados tipos de câncer de mama e que pode custar até R$ 366 mil na rede privada. Outro avanço é a ampliação da indicação do trastuzumabe, já utilizado no SUS para câncer de mama e que agora também será ofertado para pacientes com câncer de estômago.
Novos medicamentos ofertados pelo SUS
- Trastuzumabe: câncer de estômago ou junção esofagogástrica;
- Abemaciclibe: câncer de mama precoce e avançado/metastático;
- Acetato de lanreotida: tumores neuroendócrinos;
- Pazopanibe: câncer renal metastático;
- Rituximabe: leucemia linfocítica crônica, linfoma folicular e linfoma difuso;
- Abiraterona: câncer de próstata em diferentes estágios da doença;
- Gefitinibe: câncer de pulmão de não pequenas células;
- TSH recombinante (alfatirotropina): câncer diferenciado de tireoide;
- Sunitinibe: câncer renal metastático e tumores gastrointestinais avançados.
Os novos tratamentos oferecem benefícios como aumento da sobrevida, melhoria da qualidade de vida e redução do risco de retorno da doença em determinados casos.

