As comemorações pelos 203 anos da Independência do Brasil na Bahia ganharão as estradas do estado com a edição 2026 da Rota da Independência. Após um evento de abertura em Salvador, o roteiro itinerante inicia oficialmente seu percurso pelo interior no dia 4 de maio, a partir das 8h30, na Praça Ubaldino de Assis, em Cachoeira — cidade histórica que teve papel decisivo nas lutas libertárias contra as tropas portuguesas, em 1823.
Realizado pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Fundação Pedro Calmon (FPC), vinculada à Secretaria de Cultura da Bahia (SecultBA), o projeto alcança em 2026 sua maior abrangência histórica, passando por 24 municípios, distribuídos em sete territórios de identidade. A iniciativa busca descentralizar as comemorações do Dois de Julho, levando aulas públicas, bibliotecas móveis e experiências em realidade virtual para o interior do estado.
Segundo o diretor-geral da Fundação Pedro Calmon, a Rota da Independência fortalece a territorialização das ações culturais e reforça o papel da cultura na preservação da memória histórica.
“A Rota da Independência 2026 chega com uma marca histórica: estamos alcançando o recorde de 24 municípios visitados. Nosso compromisso, seguindo as diretrizes do Governo do Estado e da SecultBA, é garantir que a história da Bahia seja contada em todos os cantos. Ao levar aulas públicas e tecnologia para cidades como Cachoeira, onde tudo começou, não estamos apenas celebrando o passado, mas fortalecendo o sentimento de pertencimento e a identidade do povo baiano no presente”, destacou.
Para o diretor do Centro de Memória da Bahia (CMB), a iniciativa integra pesquisa histórica, protagonismo popular e educação patrimonial.
“O Dois de Julho não foi um evento restrito a Salvador; foi uma construção coletiva que envolveu o interior e diversos estratos sociais. O objetivo central do Centro de Memória nesta Rota é dar visibilidade a esse protagonismo popular — dos indígenas aos vaqueiros e às mulheres que lutaram pela nossa liberdade. Por meio de ferramentas como a nova cartilha ilustrada e o game 3D, traduzimos o rigor da pesquisa histórica para uma linguagem acessível, capaz de engajar estudantes e professores e democratizar o acesso à memória documental”, afirmou.
Destaques da programação 2026
Mais do que solenidades, a Rota da Independência aposta na educação patrimonial e em linguagens contemporâneas para aproximar a juventude da história baiana. Entre as ações previstas, estão:
Game 3D sobre a Batalha de Pirajá: experiência interativa que permite ao público vivenciar um dos episódios mais emblemáticos da Independência na Bahia;
Aulas públicas: debates conduzidos por especialistas sobre o contexto histórico do Dois de Julho e o papel de negros, indígenas, mulheres e vaqueiros na expulsão das tropas colonizadoras;
Biblioteca de Extensão (Bibex): unidades móveis de leitura que acompanham o trajeto, ampliando o acesso ao livro;
Cartilha ilustrada: lançamento de material didático voltado à utilização em salas de aula da rede pública.
Protagonismo popular em evidência
Ao destacar personagens historicamente invisibilizados, a Rota da Independência busca ressignificar a noção de identidade nacional, evidenciando o papel fundamental do povo baiano na consolidação da liberdade do país. A iniciativa fortalece o sentimento de pertencimento e valoriza a memória coletiva como elemento central da cultura e da educação.
Cronograma das primeiras cidades (maio)
- 04/05 – Cachoeira: Praça Ubaldino de Assis
- 05/05 – São Félix: Centro Cultural Dannemann
- 06/05 – Maragogipe: Casa de Cultura
- 07/05 – Governador Mangabeira: Praça 2 de Julho
- 08/05 – São Francisco do Conde: Secretaria Municipal da Educação (Seduc)
O itinerário segue até junho, com encerramento no dia 30 de junho, em Salvador, por meio de uma aula itinerante em locais históricos como Pirajá, Lapinha e Campo Grande.

