A pergunta espontânea de Elisa, 10 anos — “Eu vou ter uma polícia só para mim?” — resumiu, em poucos segundos, o impacto de uma das principais novidades do Carnaval de Salvador: as patrulhas inclusivas da Polícia Militar, criadas para garantir segurança e deslocamento assistido a pessoas com deficiência (PcD) nos circuitos oficiais da folia. Ao todo, 25 equipes estão atuando na capital baiana, em uma iniciativa do Governo do Estado para ampliar acessibilidade e assegurar o direito à festa com mais autonomia, acolhimento e proteção.
A fala da menina emocionou os policiais, especialmente a coordenadora da patrulha, tenente-coronel Ivana Almeida, que relatou sua reação ao oferecer apoio à criança. “Naquele momento senti uma gratidão imensa por poder ser uma policial especialmente para ela”, contou.
O projeto integra as ações do Governo do Estado na gestão do governador Jerônimo Rodrigues, com foco em inclusão, cidadania e ampliação de direitos durante o Carnaval. Segundo o comandante-geral da PM, coronel Magalhães, o objetivo é garantir que pessoas com deficiência circulem e aproveitem a festa em igualdade de condições. “Vamos oferecer essa segurança especial para pessoas com deficiência dentro do circuito que querem aproveitar o Carnaval em paz. Nossa tropa especial estará em cinco pontos distintos”, afirmou.
Embora exista cadastramento prévio para PcD, as patrulhas foram orientadas a prestar auxílio imediato sempre que identificarem alguém que precise de acompanhamento, sem necessidade de solicitação formal.
Os policiais e as policiais que integram o projeto passaram por capacitação especializada promovida pela Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH). A operação é realizada em parceria com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), garantindo presença das equipes em todos os circuitos oficiais.
O projeto, inédito no Carnaval de Salvador, reforça o compromisso do Estado em construir uma festa mais acessível, segura e acolhedora — e a reação de Elisa tornou-se o símbolo perfeito dessa transformação.

