O lançamento da nova edição do livro Maria Felipa de Oliveira, da educadora e pesquisadora baiana Eny Kleyde Vasconcelos Farias, marca um novo capítulo na trajetória de uma obra que contribuiu decisivamente para retirar do anonimato histórico uma das principais heroínas da Independência da Bahia. A publicação será lançada neste sábado (19), das 15h às 18h, no térreo do Cine Glauber Rocha, na Praça Castro Alves, em Salvador, durante uma sessão de autógrafos e um encontro com o professor de História da Bahia, Murilo Melo.
Um dos destaques da nova edição é o prefácio assinado pelo presidente do Instituto Rui Barbosa (IRB), conselheiro Inaldo Araújo. O evento, promovido pela Editora Voante, também marcará o lançamento do livro Heroínas da Independência, da escritora e dramaturga Manuela Dias.
Reconhecida pelo rigor de sua pesquisa histórica, Eny Kleyde dedicou oito anos ao levantamento de documentos e relatos orais na Ilha de Itaparica e em arquivos públicos da Bahia para reconstruir a trajetória de Maria Felipa de Oliveira. Publicado originalmente em 2010, o trabalho é considerado o primeiro estudo técnico e científico dedicado à heroína, cuja memória foi preservada, durante décadas, principalmente por meio da tradição oral dos moradores da ilha.
No prefácio da nova edição, Inaldo Araújo destaca que a obra ultrapassa os limites da pesquisa acadêmica ao cumprir uma missão de justiça histórica e formação cidadã.
“A professora Eny Kleyde não apenas escreveu um livro. Ela devolveu à Bahia uma de suas maiores heroínas. Seu trabalho representa um compromisso com a verdade histórica e com o reconhecimento daqueles que ajudaram a construir a nossa liberdade, mas que, durante muito tempo, permaneceram invisibilizados”, afirma o presidente do IRB.
O reconhecimento conquistado por Maria Felipa nas últimas duas décadas está diretamente ligado ao trabalho desenvolvido por Eny Kleyde. Durante a pesquisa, a autora compartilhou suas descobertas com comunidades de Itaparica e do bairro da Liberdade, em Salvador, incentivando a realização dos primeiros desfiles cívicos em homenagem à heroína. O movimento contribuiu para que, a partir de 2008, Maria Felipa passasse a integrar oficialmente o cortejo do Dois de Julho ao lado de outros nomes marcantes da Independência da Bahia.
Filho da autora e auditor de controle externo do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA), Gustavo Farias ressalta que Eny dedicou parte significativa de sua vida acadêmica à produção de um registro científico sobre Maria Felipa de Oliveira. Segundo ele, a pesquisa teve origem nos estudos da autora sobre interpretação do patrimônio cultural e nos primeiros relatos que ouviu sobre a heroína durante visitas à Ilha de Itaparica.
“O reconhecimento do papel de Maria Felipa de Oliveira na história da Bahia dependeu desse registro e da participação popular nos eventos e caminhadas do Dois de Julho. Estamos felizes por esta nova edição, viabilizada por Manuela Dias, com uma belíssima capa e prefácio do conselheiro Inaldo Araújo, que marca um novo momento para essa obra fundamental para o nosso país”, destaca Gustavo Farias.

