Por trás dos recintos que abrigam espécies da fauna brasileira e encantam centenas de visitantes diariamente no Parque Zoobotânico da Bahia, existe uma força silenciosa, atenta e essencial: o trabalho das mulheres que atuam no cuidado, na gestão e na educação ambiental do espaço.
Entre elas está Valdirene Santos, tratadora há um ano e meio e, atualmente, a única mulher na equipe de tratadores do Parque. A rotina começa antes mesmo da abertura dos portões ao público. A primeira missão do dia é garantir que os recintos estejam limpos, organizados e preparados para o bem-estar dos animais. “Eles precisam encontrar o ambiente adequado. Isso é fundamental para que se sintam seguros e tranquilos”, explica.
Mais do que limpeza e alimentação, a função exige observação constante e sensibilidade. Valdirene, conhecida como Val, destaca que os tratadores são os primeiros a identificar qualquer alteração no comportamento dos animais. “Somos os olhos do técnico. Antes mesmo da avaliação especializada, somos nós que percebemos qualquer mudança. Cada detalhe importa”, afirma.
Esse olhar atento contribui diretamente para a saúde e o manejo adequado das espécies. Para Valdirene, a motivação vem do amor pela profissão. “Eu amo o que faço. Trabalhar aqui é especial. Cuidar de animais é algo lindo e faz bem até para a saúde mental. É gratificante fazer o que a gente gosta”, diz.
No Dia Internacional da Mulher, ela deixa uma mensagem para outras mulheres que desejam ocupar espaços ainda pouco representados. “Acredite no seu potencial. Não deixe ninguém dizer que esse lugar não é seu. A gente não pede espaço, a gente conquista. No meio de tantos homens, aprendi que não preciso ser mais forte que ninguém, preciso ser competente, dedicada e verdadeira com o que faço”, ressalta.
Liderança feminina na gestão
A força feminina no Parque Zoobotânico também se reflete na gestão da instituição, conduzida pela bióloga Ana Celly Lima, que iniciou sua trajetória no local como estagiária e hoje ocupa uma posição de liderança.
Ana ingressou no Parque em outubro de 2006, durante o estágio supervisionado da graduação em Biologia. Nesse período, passou por setores como ornitologia, nutrição e quarentena, experiências que ajudaram a consolidar seu olhar técnico no cuidado com a fauna silvestre.
Foi ainda nessa fase que começou a atuar no manejo de neonatos e filhotes de animais silvestres, trabalho que deu origem ao berçário do zoológico. “Quando finalizei o estágio, fui convidada a continuar no projeto de manejo de filhotes. Foi assim que consolidamos o trabalho de recria de animais”, relembra.
Entre os resultados mais expressivos dessa trajetória está o sucesso na recria de um filhote de harpia, feito considerado raro entre instituições que atuam com fauna silvestre sob cuidados humanos.
Em 2021, Ana Celly assumiu a gestão técnica do Parque, ampliando suas responsabilidades. “Hoje, o trabalho envolve o bem-estar de mais de mil animais e a gestão de quase 200 colaboradores. Não cuidamos apenas da fauna, mas também das pessoas”, explica.
Segundo ela, o maior desafio está justamente na condução das equipes. “Gerir fauna é algo que a experiência nos ensina com segurança. O grande desafio é lidar com pessoas, com suas diferentes realidades e necessidades. Isso exige sensibilidade, escuta e equilíbrio”, destaca.
Ana também ressalta o orgulho de integrar uma instituição com forte presença feminina em cargos estratégicos. “Nossa diretora é uma mulher, temos coordenadoras técnicas, lideranças femininas em diversos setores e uma participação muito expressiva das mulheres no corpo técnico do Parque”, afirma.
Presença que transforma
Entre os quase 200 colaboradores do Parque Zoobotânico da Bahia, a presença feminina é marcante. As mulheres atuam em áreas estratégicas como medicina veterinária, biologia, museologia, engenharia agronômica, vigilância, gestão administrativa, educação ambiental, manejo animal, nutrição, conservação da fauna e serviços gerais.
São elas que ajudam a garantir que o Parque permaneça organizado, acolhedor e preparado para receber famílias, estudantes e visitantes de todas as idades.
Neste Dia Internacional da Mulher, o Parque Zoobotânico da Bahia celebra não apenas uma data simbólica, mas a atuação cotidiana, competente e transformadora das mulheres que dedicam seu trabalho à preservação da fauna e do meio ambiente. Porque, quando mulheres ocupam espaços, elas não apenas trabalham — elas transformam.

