O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a união dos países em desenvolvimento para “mudar a lógica econômica do mundo”, afirmando que nações do Sul Global precisam negociar juntas para enfrentar o peso das superpotências. Segundo ele, a dependência tecnológica e econômica herdada do colonialismo só será superada com parcerias estratégicas entre países com desafios semelhantes.
Lula destacou que o Brics tem desempenhado papel importante nesse processo, ao criar mecanismos próprios, como o banco do bloco. Ele negou que haja proposta de moeda única, esclarecendo que a intenção é ampliar o uso das moedas nacionais no comércio internacional, reduzindo custos e dependências externas.
O presidente voltou a defender o fortalecimento do multilateralismo e da ONU, afirmando que a entidade precisa recuperar legitimidade para agir diante de crises como as da Venezuela, Gaza e Ucrânia. Ele também comentou a relação com os Estados Unidos, dizendo que há espaço para cooperação no combate ao crime organizado transnacional, desde que haja respeito à soberania dos países sul-americanos.
Sobre comércio exterior, Lula avaliou como positivas as conversas com o primeiro-ministro indiano Narendra Modi e com empresários, estabelecendo meta de dobrar o intercâmbio comercial Brasil–Índia, atualmente em US$ 15,5 bilhões, até 2030. Ele reiterou que o Brasil está aberto a investimentos em minerais críticos, desde que o processo de agregação de valor ocorra em território nacional.
A viagem à Ásia inclui também visita oficial à Coreia do Sul, onde será adotado o Plano de Ação Trienal 2026–2029 para elevar a relação bilateral ao nível de parceria estratégica.

