Conhecido nacionalmente pela imitação da ex-presidenta Dilma Rousseff, o humorista Gustavo Mendes colocou o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) no centro de uma sátira sobre contratos firmados pela Prefeitura de Salvador. Em vídeo publicado nas redes sociais, o artista faz referências a uma investigação conduzida pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) envolvendo cinco empresas que receberam, juntas, ao menos R$ 321 milhões do município entre 2015 e julho de 2026, período que abrange as gestões de ACM Neto e do atual prefeito, Bruno Reis.
De acordo com o MP-BA, o grupo empresarial é investigado por suspeitas de fraude em licitações, direcionamento de contratos e superfaturamento. O prejuízo estimado aos cofres públicos é de R$ 38,3 milhões.
Caracterizado como Dilma Rousseff, personagem que o projetou nacionalmente e o levou ao elenco do programa Casseta & Planeta, da TV Globo, Gustavo Mendes simula um telefonema para ACM Neto e faz comentários irônicos sobre a fiscalização municipal. Entre as empresas citadas nas investigações está a Podium Distribuidora, que prestou serviços ao Gabinete do Prefeito em 2018, durante a gestão do ex-prefeito.
A publicação do humorista ocorre em um momento em que ACM Neto também aparece no noticiário em razão de acusações relacionadas ao caso Banco Master. Em proposta de delação premiada revelada pelo portal UOL em 10 de setembro, o banqueiro Daniel Vorcaro afirmou que ACM Neto e Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil, teriam atuado para viabilizar investimentos de cerca de R$ 2 bilhões de fundos de previdência e da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) no banco, mediante uma suposta comissão de 10%.
Considerando o montante mencionado, os valores envolvidos poderiam chegar a R$ 200 milhões. Vorcaro, entretanto, não informou quanto teria sido efetivamente pago. As acusações são negadas pelos citados.
Em agosto, outra proposta de delação, atribuída ao ex-controlador da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, apontou que ACM Neto seria cotista exclusivo do fundo Seattle 95, administrado pela instituição e com aplicações ligadas a operações do Banco Master.
Já em abril, documentos da Receita Federal indicaram pagamentos de R$ 5,45 milhões realizados pelo Banco Master à A&M Consultoria, empresa ligada a ACM Neto e à sua esposa, entre os anos de 2023 e 2025. Também veio a público uma mensagem atribuída a Vorcaro afirmando que o ex-prefeito “foi lá em casa”.
Anteriormente, em março, um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou movimentações de R$ 3,6 milhões em pagamentos do Banco Master e da Reag à A&M Consultoria.
Até o momento, não há condenação judicial relacionada aos fatos citados, e os casos seguem em apuração pelos órgãos competentes.
