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Governo repudia tarifa de 25% dos EUA e anuncia reação com Lei da Reciprocidade 

O governo brasileiro divulgou nota nesta quarta-feira (15) repudiando a decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25%

O governo brasileiro divulgou nota nesta quarta-feira (15) repudiando a decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A medida, anunciada pelo governo norte-americano, entrará em vigor no próximo dia 22 e tem como base investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). 

Assinada pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, a nota afirma que o Brasil não reconhece a legitimidade das investigações realizadas pelo USTR, alegando que elas não possuem amparo nas regras multilaterais do comércio internacional. 

Segundo o governo brasileiro, não há justificativa para a adoção de medidas unilaterais por parte dos Estados Unidos contra o Brasil. 

“O dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável”, afirma o comunicado. 

Brasil acionará Lei da Reciprocidade e recorrerá à OMC 

Como resposta à decisão norte-americana, o governo informou que acionará imediatamente os mecanismos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional, além de retomar o debate por meio dos instrumentos de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC). 

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“O Brasil iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC”, destaca a nota. 

EUA apontam práticas comerciais brasileiras 

A investigação conduzida pelo USTR concluiu que determinadas práticas adotadas pelo Brasil seriam prejudiciais ao comércio norte-americano, afetando agricultores, trabalhadores, exportadores e empresas dos Estados Unidos. 

Entre os pontos apontados pelo órgão estão questões relacionadas ao comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e combate ao desmatamento ilegal. 

Governo defende Pix e regulação digital 

Em resposta, o governo brasileiro considerou infundadas as críticas ao Pix e às políticas de regulação das plataformas digitais. 

“São igualmente absurdas as acusações sobre desmatamento. O Pix é um patrimônio do nosso povo e uma referência internacional de infraestrutura pública digital. No Brasil, não vamos abdicar de proteger nossas famílias e nossas crianças contra a ganância de um punhado de tecno-oligarcas”, diz o comunicado. 

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A nota também ressalta que a liberdade de expressão não pode ser utilizada como justificativa para práticas ilícitas e destaca os resultados obtidos pelo país no combate aos crimes ambientais. 

“O mundo inteiro sabe que, a partir de 2023, combatemos de forma incisiva os ilícitos ambientais e reduzimos drasticamente o desmatamento em todos os biomas brasileiros.” 

Maioria das manifestações foi contra o tarifaço 

De acordo com o governo federal, durante as audiências públicas promovidas pelo USTR na última semana, 78 representantes do setor privado dos dois países se manifestaram sobre o tema. Desse total, 63 posicionaram-se contra a imposição das novas tarifas. 

A Presidência também destacou dados que apontam um superávit acumulado dos Estados Unidos nas relações comerciais com o Brasil. 

Segundo a nota, estatísticas do próprio governo norte-americano mostram que os EUA registraram um saldo positivo de US$ 424,5 bilhões em bens e serviços no comércio com o Brasil nos últimos 15 anos. 

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Além disso, o governo brasileiro informou que, em 2025, 76% das importações originárias dos Estados Unidos entraram no país sem incidência de imposto de importação, enquanto a alíquota média efetivamente aplicada aos produtos norte-americanos foi de apenas 3,1%. 

Governo promete proteger setores afetados 

Ao final da nota, o governo reafirma o compromisso de adotar medidas para reduzir os impactos da decisão norte-americana sobre a economia brasileira, preservar empregos e manter a competitividade dos setores produtivos afetados. 

O comunicado também destaca a estratégia de ampliar a diversificação dos parceiros comerciais do país, buscando novos mercados para os produtos brasileiros. 

“Por meio do Plano Brasil Soberano, manteremos medidas de proteção aos setores afetados por tarifas ilegais e arbitrariamente impostas pelo governo dos EUA, preservando empregos e a capacidade produtiva nacional”, conclui a nota.

Fonte: Agência Brasil
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