Imagine conviver por anos com uma doença capaz de evoluir para cirrose, câncer de fígado e aumentar o risco de infarto, sem apresentar sintomas. Essa é a realidade de milhões de pessoas que vivem com a Doença Hepática Esteatótica Associada à Disfunção Metabólica (MASLD, sigla em inglês), popularmente conhecida como gordura no fígado.
Dados internacionais apontam que cerca de 30% da população mundial já apresenta a condição. Isso significa que aproximadamente uma em cada três pessoas pode conviver com o problema sem saber.
Para chamar a atenção para esse cenário, o mês de junho é dedicado à conscientização sobre a doença, culminando com o MASH Day, celebrado mundialmente em 11 de junho. A data integra uma mobilização internacional voltada à ampliação do diagnóstico precoce e ao combate à desinformação.
Segundo a gastro-hepatologista Lourianne Cavalcante, médica do Hospital Geral Roberto Santos (HGRS), o principal desafio é justamente o caráter silencioso da doença.
“A maioria dos pacientes não sente nada. Muitas vezes, a gordura no fígado é descoberta por acaso, durante um exame de rotina. O problema é que, enquanto permanece sem diagnóstico, a doença pode avançar para estágios mais graves, com inflamação, fibrose, cirrose e até câncer de fígado”, alerta a especialista.
A condição está fortemente relacionada à obesidade, ao diabetes tipo 2, à hipertensão arterial, ao colesterol elevado e à síndrome metabólica. Entre pessoas com diabetes tipo 2, a prevalência pode chegar a 65%.
Muito além do fígado
Apesar do nome, os riscos não se limitam ao fígado. Estudos mostram que a principal causa de morte entre pacientes com MASLD não são as complicações hepáticas, mas as doenças cardiovasculares.
“A gordura no fígado é um importante sinal de alerta de que existe um desequilíbrio metabólico no organismo. Por isso, cuidar do fígado também significa proteger o coração”, explica Cavalcante.
Outro dado que chama a atenção é que a doença também pode acometer pessoas magras. Embora o excesso de peso seja um dos principais fatores de risco, indivíduos com peso considerado normal também podem desenvolver formas graves da enfermidade.
Hábitos e tratamento
As estratégias com comprovação científica para reduzir a gordura no fígado incluem perda de peso, alimentação saudável, redução do consumo de bebidas açucaradas, prática regular de atividade física e acompanhamento médico. Especialistas alertam que não há chás, detox ou suplementos capazes de eliminar a gordura no fígado.
Nos últimos anos, avanços importantes também ocorreram no tratamento medicamentoso, com novas terapias que apresentam resultados promissores para pacientes com formas mais avançadas da doença.
Quem deve investigar
O rastreamento é recomendado principalmente para pessoas que apresentam diabetes tipo 2, obesidade, síndrome metabólica, alterações persistentes nas enzimas hepáticas ou gordura no fígado identificada em ultrassonografia. Exames simples e acessíveis podem ajudar a identificar precocemente o risco de evolução para formas mais graves.
Campanha
Neste mês, o Hospital Geral Roberto Santos (HGRS) aderiu à campanha nacional com ações de conscientização e orientação ao público. Durante o período, serão realizadas atividades educativas voltadas a pacientes, familiares e profissionais de saúde da unidade.
A proposta é reforçar uma mensagem simples, mas essencial: gordura no fígado não é apenas uma alteração em exames. Trata-se de uma doença que pode ser prevenida, diagnosticada precocemente e tratada.

