O uso de bebedouros com água corrente é uma alternativa para estimular a hidratação dos gatos. Segundo o Cornell Feline Health Center, alguns felinos tendem a aumentar o consumo de água quando têm acesso a fontes com circulação contínua. Inspirados nesse comportamento, os estudantes Murilo Oliveira, Edwarda Araújo, Enzo Gabriel e Robson Bezerra, do Centro Territorial de Educação Profissional (CETEP) do Sisal, em Serrinha, sob orientação do professor Thales Nascimento, desenvolveram um bebedouro sustentável de baixo custo, confeccionado com materiais reaproveitados para beneficiar abrigos e instituições de proteção animal da região.
A iniciativa surgiu a partir da convivência diária com os gatos acolhidos pela comunidade escolar. “Aqui no colégio, o pessoal cuida dos gatos que são abandonados na rua. Percebemos que, quando colocávamos água em um recipiente, eles quase não bebiam. Já quando abríamos a torneira ou a mangueira, eles se interessavam mais. Foi daí que surgiu a ideia de criar um bebedouro sustentável que, além de reutilizar materiais, ajudasse a cuidar dos animais e a prevenir problemas urinários”, explicou Enzo Gabriel.
O equipamento foi construído com materiais recicláveis e uma bomba de aquário. A água circula continuamente pelo sistema, passa por um filtro composto por gaze e carvão ativado e retorna ao reservatório. “Utilizamos uma garrafa de suplemento, daquelas usadas em academias, além de canos e uma bomba de aquário. Quando a água está suja, ela é conduzida ao filtro e, depois de passar pelo processo de filtragem, retorna ao reservatório e volta a circular. A garrafa tem capacidade para um litro de água e pode atender entre 25 e 30 gatos”, detalhou Edwarda Araújo.
O protótipo também foi testado em uma ONG administrada pelo orientador do projeto, com o objetivo de avaliar a aceitação dos animais. Durante o experimento, dos 30 gatos observados, 25 se aproximaram espontaneamente do equipamento. O resultado representa uma adesão de 83,3%, indicando boa receptividade dos felinos à solução desenvolvida pelos estudantes.
Segundo Enzo, o próximo passo é aperfeiçoar o equipamento e ampliar sua distribuição para entidades de proteção animal. “O protótipo pode ser produzido por aproximadamente R$ 24,10, valor muito inferior ao de fontes comerciais para gatos encontradas no mercado. Nossa intenção é disponibilizá-lo para ONGs da região, já que os testes apontam potencial para estimular a hidratação dos animais”, destacou.
Bahia Faz Ciência
Lançada pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) no Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico, em 8 de julho de 2019, a série Bahia Faz Ciência apresenta pesquisas e projetos desenvolvidos por cientistas e pesquisadores baianos que contribuem para a melhoria da qualidade de vida da população em áreas como saúde, educação, meio ambiente e segurança. As reportagens são divulgadas semanalmente e ficam disponíveis no site e nas redes sociais da Secretaria. Sugestões de pauta podem ser encaminhadas para ascom@secti.ba.gov.br.

