Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Bahia, a tradicional Festa da Boa Morte, realizada em Cachoeira, na zona turística Baía de Todos-os-Santos, teve seu ponto alto no último sábado (15). O evento, que se encerra nesta segunda-feira (17), após cinco dias de celebrações, conta com o apoio da Secretaria de Turismo do Estado da Bahia (Setur-BA). A pasta levou para a programação o projeto Agô Bahia, voltado à valorização das religiões de matriz africana e ao fortalecimento do afroturismo.
Organizada pela Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, a festa reúne manifestações do catolicismo e da religiosidade negra ancestral em mais de dois séculos de história. A programação inclui missas, procissões, culinária de terreiro e samba de roda. Além do aspecto cultural e religioso, o evento impulsiona a economia local, com a lotação de bares, restaurantes e meios de hospedagem, atraindo visitantes em busca de uma autêntica experiência afro-baiana.
“Participo da festa pelo oitavo ano consecutivo. Quando se fala de emoção e espiritualidade, é muito difícil explicar, porque a gente sente, e a intensidade é indescritível. É mais um ano de fé, emoção e glória”, afirmou a paulista Marley Madalena.
“Essa é a minha primeira experiência em Cachoeira. Vim com um grupo para fotografar a Boa Morte. Estamos encantados. A cidade é uma graça, e o evento é imperdível”, relatou a fotógrafa mineira Cristina Sakai.
“Sou do Rio de Janeiro, mas moro em Salvador há sete anos. Mais uma vez, estou participando dessa festa linda, muito emocionada e feliz por compartilhar tamanha alegria e demonstração de fé”, completou a psicóloga Thaís Medeiros.
Casa de Oxumarê celebra 190 anos em Salvador
No último sábado (15), a Setur-BA também levou o projeto Agô Bahia às comemorações pelos 190 anos da Casa de Oxumarê, no bairro da Federação, em Salvador. Reconhecido como patrimônio cultural brasileiro, o terreiro reuniu autoridades, lideranças religiosas, pesquisadores e artistas na celebração.
Fundado em 1836, o templo tornou-se referência na preservação da ancestralidade africana e na transmissão de saberes entre gerações. Durante as festividades, a Casa de Oxumarê recebeu o título honorífico de “Promotora da Igualdade Racial”, concedido pelo governo federal. Na mesma ocasião, foi lançado um selo comemorativo dos Correios em homenagem ao aniversário da instituição.

