O Diário Oficial do Estado (DOE) desta quarta-feira (20) publica o termo de referência da seleção pública emergencial que definirá a Organização Social responsável pela gestão do Hospital Dom Antônio Monteiro (HDAM), em Senhor do Bonfim. A medida consolida a estadualização da unidade, que passará de 87 para 115 leitos — um acréscimo de 28 vagas e crescimento de 32% na capacidade de internação.
Com a incorporação, o HDAM torna-se a 56ª unidade hospitalar estadual e o 14º hospital entregue ou incorporado pelo governador Jerônimo Rodrigues desde 2023. A iniciativa beneficiará diretamente mais de 300 mil habitantes da região, que já conta com o Hospital Regional de Juazeiro e o Hospital Regional de Paulo Afonso como referências estaduais. A unidade será referência para os municípios de Andorinha, Antônio Gonçalves, Campo Formoso, Filadélfia, Itiúba, Jaguarari, Pindobaçu, Ponto Novo e Senhor do Bonfim.
O novo perfil assistencial prevê atendimento 24 horas em urgência e emergência adulto, pediátrica e obstétrica, além de internação clínica, cirúrgica, pediátrica e obstétrica — tanto de risco habitual quanto de alto risco. Também estão previstos serviços de atenção em saúde mental de curta permanência, UTI Adulto, UTI Neonatal, Unidade de Cuidado Intermediário Neonatal Convencional (UCINCo) e Unidade de Cuidado Intermediário Neonatal Canguru (UCINCa).
O suporte diagnóstico e terapêutico incluirá tomografia, radiologia, ultrassonografia, eletrocardiograma, laboratório, hemodiálise, endoscopia digestiva alta, colonoscopia e hemoterapia.
A nova configuração contará com 20 leitos destinados à cirurgia geral, ortopedia e traumatologia, além de outros 30 voltados à clínica médica, cirurgia vascular e saúde mental. A obstetrícia terá 20 leitos, e a pediatria, 10. Já o suporte intensivo reunirá 35 leitos, sendo 10 de UTI Adulto, 10 de UTI Neonatal, 10 de UCINCo e 5 de UCINCa.
Implantação em fases
A operação estadualizada será implantada em etapas. Na primeira fase, ainda em maio, o hospital começará a operar sob gestão estadual com os 87 leitos atuais. As especialidades já ofertadas — clínica médica, pediatria, cirurgia geral, ortopedia, obstetrícia de risco habitual, UTI Adulto e UTI Neonatal — passarão a seguir o padrão da rede estadual, com a incorporação imediata de exames como endoscopia digestiva e tomografia com contraste.
Com a conclusão das obras de adequação, prevista para outubro, o hospital atingirá sua capacidade total de 115 leitos e ampliará a oferta de serviços, incluindo cirurgia por vídeo, cirurgia vascular, obstetrícia de alto risco, colonoscopia e leitos de saúde mental.
O Estado investirá R$ 21,4 milhões na requalificação da unidade, entre obras e aquisição de equipamentos. Entre as intervenções previstas estão a implantação de rede de gases medicinais em todas as enfermarias, revisão das instalações elétrica e hidráulica, pintura, substituição da cobertura do bloco neonatal e reforma do centro cirúrgico.
Na etapa seguinte, serão executadas as obras de ampliação e modernização da Central de Material e Esterilização, da Central de Abastecimento Farmacêutico, almoxarifado, cozinha, refeitório, vestiários, banheiros, necrotério, sistema de tratamento de resíduos e estação de tratamento de esgoto, com conclusão prevista para março de 2027.
Impacto econômico e social
A estadualização também deve impulsionar a geração de emprego e renda em Senhor do Bonfim e região. A ampliação da operação exigirá a contratação de novas equipes assistenciais e de apoio, incluindo médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, farmacêuticos, nutricionistas e profissionais das áreas administrativa e de serviços.
Para o governador Jerônimo Rodrigues, a medida reforça o compromisso com a equidade no acesso à saúde. “Cada hospital que o Estado assume é uma resposta concreta à desigualdade no acesso à saúde no interior da Bahia. Quem vive em Senhor do Bonfim e nas cidades vizinhas tem o mesmo direito a um atendimento de qualidade que quem mora em Salvador”, afirmou.
A secretária da Saúde do Estado, Roberta Santana, destacou o impacto assistencial da iniciativa. “O hospital passa a absorver demandas que antes precisavam ser deslocadas para outras cidades, garantindo atendimento mais próximo, seguro e integrado à rede estadual”, disse.

