“Aqui é a casa dos autores da Bahia.” É assim que a diretora de Livro e Leitura da Fundação Pedro Calmon (FPC), Érica Ferreira, define o Espaço Vozes da Bahia, uma das atrações da 14ª Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica 2026). Instalado na Praça da Aclamação, o ambiente reúne estandes e uma programação dedicada à literatura contemporânea produzida no estado, acolhendo 30 autores independentes e outros 30 vinculados a seis editoras independentes selecionadas por edital público.
A estrutura conta com dois palcos simultâneos. No Palco Varanda, o público acompanha lançamentos de editoras universitárias, debates sobre histórias em quadrinhos, saraus de cordel e discussões sobre o papel das feiras literárias na formação de leitores. Já o Palco Vozes da Bahia recebe mesas e apresentações de escritores contemplados pelo edital homônimo, promovido pela FPC, instituição vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-BA).
“A ideia é que a gente traga a literatura baiana com muita força para dentro desta casa. O Governo do Estado tem apoiado firmemente as feiras literárias e, a partir desse movimento, fortalecido diretamente os nossos autores”, ressalta Érica Ferreira.
Vozes do sertão e da academia ganham visibilidade
Entre os autores que dialogaram com o público nesta sexta-feira (6), esteve o escritor Carlos Carneiro, natural de Euclides da Cunha, que apresentou as obras Entre a Cruz e a Espada e Mané Vermei. Os trabalhos resgatam memórias e narrativas ligadas à Guerra de Canudos.
“Trago vozes do sertão que muitas vezes permanecem nos escombros ou no anonimato. Vindo de Canudos, é uma alegria e uma grande responsabilidade, porque o interior parece, por vezes, distante da capital. Esse edital dá a possibilidade real de visibilidade e mostra que a nossa região tem artistas potentes que precisam apenas de estímulo e valorização”, destacou o autor.
A jornalista, pesquisadora e escritora Joalva Menezes também participou da programação, apresentando sua publicação mais recente, resultado de sua pesquisa de doutorado e voltada à distribuição gratuita em escolas e bibliotecas públicas das redes estadual e municipal.
“É a primeira vez que venho à Flica no papel de escritora. Conheço a força do evento desde a primeira edição, como repórter e professora, mas estar aqui pelo projeto Vozes da Bahia é uma vivência necessária para a literatura produzida no estado”, afirmou.
Diversidade de linguagens e incentivo à leitura
Além das rodas de conversa, o espaço abriga intervenções permanentes, como o projeto Uma História por Outra, que promove a troca gratuita de livros entre leitores, e a exposição Contos dos Orixás, do artista e quadrinista Hugo Canuto, que celebra mitos e matrizes africanas em diálogo com a riqueza cultural do Recôncavo baiano.
Nesta sexta-feira, as ações também tiveram uma programação especial voltada ao público infantojuvenil, realizada no auditório da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Entre os destaques esteve a Pedaloteca, biblioteca itinerante criada por Fabiano da Silva, morador do bairro da Boca do Rio, em Salvador.
Estreante na Flica, Fabiano explicou que o projeto surgiu há dois anos com o objetivo de promover a “mobilidade literária”, levando literatura infantojuvenil afro-indígena a diferentes comunidades.
Programação segue até sábado
As atividades do Espaço Vozes da Bahia continuam neste sábado (7). A partir das 9h, o Palco Varanda recebe debates sobre trajetórias baianas do século XIX com pesquisadores da Editora da Universidade Federal da Bahia (Edufba), além de discussões sobre literatura, quadrinhos e os desafios impostos pela Inteligência Artificial. A programação inclui ainda um novo sarau com cordelistas, às 14h.
No Palco Vozes, as apresentações dos autores e editoras contemplados pelos editais seguem com sessões às 9h, 10h, 11h, 14h e 15h.
A 14ª Flica é realizada pelo Ministério da Cultura e pelo Governo Federal, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, com patrocínio da Petrobras. O evento conta ainda com apoio da Embasa, Sebrae, Prefeitura de Cachoeira e Governo da Bahia, por meio do Fazcultura, da Secult-BA, da Fundação Pedro Calmon (FPC), da Secretaria da Fazenda (Sefaz-BA) e da Secretaria da Educação (SEC). A produção é da Schommer Produções.

