“Era só o que faltava: o candidato que quis se apresentar como negro agora se alia a alguém que utiliza uma expressão de conotação racista para se referir a um estado onde quase 80% da população é negra.” A crítica é do professor Marinho Soares, pré-candidato a deputado estadual pelo PSB, após Ronaldo Caiado afirmar que ele e ACM Neto fariam o povo baiano se sentir “alforriado”.
Para o professor, ACM Neto adapta a própria identidade, o discurso e as alianças de acordo com aquilo que considera eleitoralmente mais vantajoso em cada momento.
A declaração de Caiado, segundo Marinho, acrescenta um novo capítulo a essa trajetória. Ao prometer a “alforria” dos baianos, o presidenciável recorreu a um termo associado ao período da escravidão para se referir à população de um estado formado majoritariamente por pessoas pretas e pardas.
Ainda de acordo com Marinho, o candidato de fato apoiado por ACM Neto para a Presidência da República seria Flávio Bolsonaro. “Como a família Bolsonaro não encontra espaço político na Bahia, ACM Neto diz apoiar Ronaldo Caiado para evitar que sua candidatura tenha de assumir abertamente a ligação com Flávio Bolsonaro diante do eleitorado baiano”, afirmou.
Para o professor, porém, a estratégia produziu o efeito contrário. “O tiro saiu pela culatra. A primeira coisa que Caiado fez foi colocar ACM Neto contra a esmagadora maioria dos baianos”, declarou.
A brincadeira é inevitável. “Será que como negão ACM Neto vai exigir uma retratação de Caiado?”, finalizou.

