O olhar curioso das estudantes Aysha Oliveira e Nina Lopes, do 1º ano do Colégio Estadual de Tempo Integral Georgina de Melo Erismann, em Feira de Santana, traduz o espírito da 23ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) na Bahia. As jovens viajaram até Salvador para apresentar um protótipo desenvolvido com o objetivo de auxiliar a locomoção de uma colega com deficiência visual dentro da escola.
O projeto é uma das atrações da SNCT, realizada no Parque Tecnológico da Bahia. Com o tema “Ciência Delas”, o evento gratuito reúne estudantes, pesquisadores e a comunidade em uma programação voltada à popularização da ciência, com destaque para áreas como robótica, inteligência artificial, inovação e inclusão social.
A inspiração para o desenvolvimento da iniciativa surgiu de uma necessidade identificada no ambiente escolar. Professora de Física e orientadora das estudantes, Deise Vivas destacou a importância do incentivo à participação feminina na ciência.
“As meninas perceberam a dificuldade enfrentada por uma estudante cega na escola e desenvolveram o projeto. Como professora de Física, meu papel é mostrar que elas podem fazer ciência. Antes, elas acreditavam que isso era algo distante; hoje, estão desenvolvendo um aplicativo com inteligência artificial”, afirmou.
Presente na abertura do evento, o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia, Edson Porto, ressaltou o impacto dos investimentos realizados para ampliar a participação feminina na pesquisa e na inovação.
“O Governo do Estado e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação promovem diversas ações voltadas para pesquisadoras e professoras. Nos últimos quatro anos, a Fapesb investiu mais de R$ 200 milhões e concedeu mais de 8.500 bolsas para formação de estudantes. Além disso, seguimos ampliando os investimentos e lançando editais para fortalecer projetos voltados às mulheres”, declarou.
O secretário da Educação, Marcius Gomes, também destacou a relevância da política pública de incentivo à educação científica.
“Estamos falando de uma agenda estratégica deste governo, que colocou a Bahia no centro nacional do debate sobre educação científica. É um momento para celebrar a aprendizagem e reconhecer a contribuição das meninas e mulheres na produção do conhecimento”, disse.
Protagonismo feminino na ciência
A participação feminina também ganhou destaque com a presença de Júlia Ucha, estudante da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e coordenadora discente do projeto de extensão Show da Química.
“Estamos aqui para mostrar, de forma lúdica, que a química faz parte do nosso dia a dia e não é um bicho de sete cabeças. Hoje, nosso projeto é formado majoritariamente por mulheres, e isso me orgulha muito. Temos meninas incríveis mostrando que as mulheres podem ser cientistas, professoras e pesquisadoras”, afirmou.
Novas parcerias e fortalecimento da inovação
Durante o evento, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) assinou termos de cooperação técnica com o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), a Associação Bahiana de Imprensa (ABI) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (Sinjorba).
A programação também marcou a entrega do Espaço Miríade e o lançamento da chamada pública para ocupação do ambiente de inovação, que recebeu investimento superior a R$ 670 mil. O espaço foi revitalizado por meio de convênio com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), em parceria com o Governo da Bahia, e funcionará como residência para projetos inovadores desenvolvidos no Parque Tecnológico da Bahia.
Games, tecnologia e capacitação
A 23ª SNCT reúne 35 estandes com projetos de estudantes e startups lideradas por mulheres. Entre os destaques está o espaço gamer, que apresenta jogos desenvolvidos por mulheres e produções com protagonismo feminino, abordando temas como o enfrentamento à violência contra a mulher e a valorização da cultura baiana.
A secretária de Políticas para as Mulheres, Camila Batista, reforçou a importância do incentivo à presença das meninas na ciência.
“É fundamental ampliar o acesso das meninas à pesquisa e à extensão, garantindo oportunidades e fortalecendo o protagonismo feminino na produção científica”, destacou.
Além das exposições, o evento oferece oficinas práticas de criação de interfaces no Figma e desenvolvimento de minijogos na plataforma Unity, promovendo a qualificação técnica dos participantes.
A 23ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia segue até esta quarta-feira (28), com entrada gratuita e uma programação que inclui estandes interativos, experimentos com realidade virtual e rodas de conversa.

