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	<title>Arquivos Pedra de Toque - Bahia Pra Você</title>
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	<title>Arquivos Pedra de Toque - Bahia Pra Você</title>
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		<title>Moscou</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Jun 2021 19:22:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mesmo em períodos francamente democráticos, algumas miniditaduras ainda vigoram dentro de espaços delimitados. As regras são repetidas quase que diariamente. Infrações menores são resolvidas no ato. Em alguns casos, os instrumentos de repressão ficam com os próprios infratores. A consciência de cada um estica o flagelo corretivo. Algumas faltas são consideradas graves até mesmo para [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_6900" style="width: 160px" class="wp-caption alignright"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-6900" class="wp-image-6900" src="https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon.jpg" alt="" width="150" height="184" srcset="https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon.jpg 1127w, https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon-244x300.jpg 244w, https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon-833x1024.jpg 833w, https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon-768x944.jpg 768w" sizes="(max-width: 150px) 100vw, 150px" /><p id="caption-attachment-6900" class="wp-caption-text">Marcus Borgón – Escritor</p></div>
<p>Mesmo em períodos francamente democráticos, algumas miniditaduras ainda vigoram dentro de espaços delimitados. As regras são repetidas quase que diariamente. Infrações menores são resolvidas no ato. Em alguns casos, os instrumentos de repressão ficam com os próprios infratores. A consciência de cada um estica o flagelo corretivo. Algumas faltas são consideradas graves até mesmo para a pluralidade condescendente do estado democrático.</p>
<p>Na ditadura do lar patriarcal, certas práticas nos levam à clandestinidade, subversão. Levantamento de aparelhos e, sobretudo, criação de linguagem codificada. Contra-informação. Coisa bem elaborada. Às vezes, faltava combinar com os russos.</p>
<p>Ruth era uma menina boa. Nos remetia à Mulheres de Areia. O maluquinho Tonho da Lua repetindo à exaustão: a Ruth é boa; a Raquel é má. A boa Ruth, foneticamente bandeirosa para os antenados em inglês, mas que em geral passava sem levantar suspeitas. Era encontrar um camarada com olhar perdido, para ter certeza que havia travado altos papos com ela. Inebriante, a menina.</p>
<p>– Esteve com Ruth?</p>
<p>– Sim, passou lá em casa mais cedo.</p>
<p>Mas como eu disse, tinha que combinar com os russos. No meio de uma turma retrógrada, que não entendia a vanguarda ideológica promovida por aquela menina, a comunicação cifrada se tornava indispensável. Tovão era uma espécie de tutor da garota. Havia quem falasse em rufianismo. Talvez fosse verdade, pouco importava. O fato era que ele sempre sabia do paradeiro de Ruth. Escolado nas ruas, tinha dificuldade de entender a sofisticação dos códigos. E acabava, amiúde, derrubando o serviço.</p>
<p>– Tovão, você viu Ruth por aí?</p>
<p>– Tá em falta!</p>
<h6 style="text-align: right;">Marcus Borgón colaborou com a revista de cultura<br />
e literatura Verbo21. Publicou textos em jornais,<br />
sites especializados em literatura, e coletâneas de contos.<br />
É autor da novela ‘O Pênalti Perdido’ (P55 edições, 2016).</h6>
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		<title>Lembranças eternas de uma mente sem brilho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[bahiapravoce]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 May 2021 12:28:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Pedra de Toque]]></category>
		<category><![CDATA[chacrinha]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nessa época Ney Matogrosso se requebrava todo maquiado, arremedado por Didi, n'Os Trapalhões</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_6900" style="width: 160px" class="wp-caption alignright"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-6900" class="wp-image-6900" src="https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon.jpg" alt="" width="150" height="184" srcset="https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon.jpg 1127w, https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon-244x300.jpg 244w, https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon-833x1024.jpg 833w, https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon-768x944.jpg 768w" sizes="(max-width: 150px) 100vw, 150px" /><p id="caption-attachment-6900" class="wp-caption-text">Marcus Borgón –  Escritor</p></div>
<p>Lembra quando dançávamos música lenta? Elton John chorava por Lennon na vitrola. Usávamos calças de elástico em cores cítricas. D. Maria vivia nos cobrando os cascos de Coca-Cola. Meu pai comprou um Betamax e logo depois o encostou num canto. As fitas K7 sofriam várias gravações, uma sobre a outra. Tão logo descobríamos a melhor banda de todos os tempos da última semana. Na FM tocava rock. Na AM ouvíamos os jogos da rodada. Na frequência SW captávamos rádios russas com sua propaganda comunista. Não tínhamos o que fazer, e uma ficha telefônica significava três minutos de diversão garantida. Achávamos graça na arrogância renitente do piloto de corrida. E também nas presepadas do humorístico nas noites de domingo.</p>
<h5>Por que deixamos de dançar música lenta?</h5>
<p style="text-align: center;"><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/2666.png" alt="♦" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /></p>
<p>Nossas memórias mais remotas tendem a se embaralhar. Outro dia vi o long play da novela Sol de Verão. Antes de qualquer programa começar aparecia um documento da censura informando sua classificação etária. Mais ou menos na mesma época Ney Matogrosso se requebrava todo maquiado, arremedado por Didi, n&#8217;Os Trapalhões. Marta Suplicy falava de sexo de manhã, enquanto eu fazia os deveres da escola. Se bem me lembro. A novela Sol de Verão teve de ser interrompida. Por causa de uma cena em que um travesti fazia sexo com o protagonista. Posso estar enganado. Não me recordo se Xênia Bier tocou no assunto. Chico Buarque deu entrevista no TV Mulher fumando um cigarro atrás do outro. Meses antes, Vinícius havia morrido. Lembro sempre dele com um copo de uísque na mão. Sílvio Santos distribuía tênis Montreal pra molecada. Passava o domingo inteiro apresentando programas. Foi lá que vi Gretchen pela primeira vez. E também pela primeira vez, uma mulher dançando de costas para a câmera. O cara que fazia umas dublagens toscas com purpurina no rosto disse que era namorado dela. Fiquei com um misto de inveja e decepção. A outra novela foi gravada às pressas. A música de abertura era da Gang 90 &amp; Absurdetes. No rádio tocava outra música deles que dizia &#8220;prefiro morrer de vodka do que de tédio&#8221;. No sábado tinha as chacretes. &#8220;Quem vai querer o bacalhau da Maria Zilda?&#8221; Como eu queria. A minha saudade não tem carimbo nem faixa verde e amarela.</p>
<h6 style="text-align: right;">Marcus Borgón colaborou com a revista de cultura<br />
e literatura Verbo21. Publicou textos em jornais,<br />
sites especializados em literatura, e coletâneas de contos.<br />
É autor da novela ‘O Pênalti Perdido’ (P55 edições, 2016).</h6>
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		<title>Girando em torno do sol*</title>
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		<pubDate>Tue, 04 May 2021 20:20:39 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_6900" style="width: 210px" class="wp-caption alignright"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-6900" class="wp-image-6900" src="https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon.jpg" alt="" width="200" height="246" srcset="https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon.jpg 1127w, https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon-244x300.jpg 244w, https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon-833x1024.jpg 833w, https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon-768x944.jpg 768w" sizes="(max-width: 200px) 100vw, 200px" /><p id="caption-attachment-6900" class="wp-caption-text">Marcus Borgón – Escritor</p></div>
<p>Num 5 de maio distante, estava lá, junto a outros bebês dispostos lado a lado, em valete. Guloso, tentava devorar o pé de uma menina, companheira de infortúnio. Outra condenada que chegava ao mundo pelas vias de um hospital público. Deve ter sido recebida com festa, também.</p>
<p>A contradição de adentrar ao baile da vida pela porta dos fundos. Aquela bênção que todos se esquivariam de receber, caso pudessem escolher. Chegava invocando toda sorte de cuidados e atenção. Indesejado que era, fruto de um fracasso na busca pelo prazer inconsequente. Não tinha como dar certo.</p>
<p>Entregue aos auspícios de quem o via como intruso, tratou de caminhar ao largo das recomendações precárias que lhe faziam. Aquela coitada que experimentou a podolatria em suas primeiras horas, talvez tenha conseguido um melhor destino. Um mau começo superado com o tempo. Uma dignidade suburbana da qual ninguém duvida, embora não deseje para si.</p>
<p>Nunca conheci quem tivesse nascido no mesmo dia que eu. Eu soube que era uma boa quantidade de bebês. Pequenos pacotes enfileirados à espera do freguês. Uma fornada de gente despejada nas ruas poeirentas e escaldantes da zona oeste carioca. Que em pouco tempo engrossaria a massa que esperava bovinamente nos estações de trem ou na fila do INAMPS.</p>
<p>Talvez ela tenha até me procurado. Para saber quem teve a ousadia de lamber seus pezinhos virginais. Agora, aquelas unhas manicuradas e com pequenas frieiras despontando nos cantos. Dedos deformados e a sola rachada. Desculpa, senhora (eu sei que temos a mesma idade, mas devo respeito a uma mãe de família), aquilo foi coisa da juventude. Eu não me atreveria novamente.</p>
<p>* &#8220;Girando em torno do sol&#8221; é o título de uma música da banda mundo livre s/a, presente no disco Guentando a Ôia.</p>
<h6 style="text-align: right;">Marcus Borgón colaborou com a revista de cultura<br />
e literatura Verbo21. Publicou textos em jornais,<br />
sites especializados em literatura, e coletâneas de contos.<br />
É autor da novela ‘O Pênalti Perdido’ (P55 edições, 2016).</h6>
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		<title>Favor rebobinar a fita</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Apr 2021 19:49:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A moça que cuidava de Camila me pedia indicação de filmes adultos. Colocava no carnê da patroa, junto com os infantis da menina. Eu não perguntava se havia gostado. Era normal procurar saber a opinião dos clientes. Exceto com a seção de eróticos. Um dia, junto com a fita veio um bilhete: &#8220;adorei o filme, gostaria [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_6900" style="width: 210px" class="wp-caption alignright"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-6900" class="wp-image-6900" src="https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon.jpg" alt="" width="200" height="246" srcset="https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon.jpg 1127w, https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon-244x300.jpg 244w, https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon-833x1024.jpg 833w, https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon-768x944.jpg 768w" sizes="(max-width: 200px) 100vw, 200px" /><p id="caption-attachment-6900" class="wp-caption-text">Marcus Borgón – Escritor</p></div>
<p>A moça que cuidava de Camila me pedia indicação de filmes adultos. Colocava no carnê da patroa, junto com os infantis da menina. Eu não perguntava se havia gostado. Era normal procurar saber a opinião dos clientes. Exceto com a seção de eróticos. Um dia, junto com a fita veio um bilhete: &#8220;adorei o filme, gostaria de assistir um em sua companhia&#8221;.</p>
<p>Tinha um cara que sempre entrava na locadora entoando um pagode romântico, de letra esquisita que rimava fio dental com morena sensual. A babá de Camila achou que era uma indireta pra ela. Que eu talvez tivesse falado alguma coisa. Dias depois a vi passar com a sacolinha da concorrente.</p>
<p>O dono apareceu um dia com um sofá ensebado. Foi a deixa para que uma turma de desocupados se instalasse. Não tive mais sossego. O sofá reunia a escória do lugar. Ali se fez todo tipo de negociata espúria. De drogas a lenocínio.</p>
<p>Arrependido, ele jogou o sofá fora e despejou criolina no carpete. Acabou por afastar todo mundo, inclusive a clientela. Um senhor muito discreto era um dos poucos clientes que ainda apareciam. Com a locadora então vazia, ele teve coragem de perguntar pelos filmes pornôs.</p>
<p>Eu apontei a localização. Ele deu uma olhada e voltou. Me fez uma pergunta ambígua. Dei uma resposta que servia para qualquer uma das opções.</p>
<p>– sexo gay nem pensar, né?</p>
<p>– não.</p>
<h6 style="text-align: right;">Marcus Borgón colaborou com a revista de cultura<br />
e literatura Verbo21. Publicou textos em jornais,<br />
sites especializados em literatura, e coletâneas de contos.<br />
É autor da novela ‘O Pênalti Perdido’ (P55 edições, 2016).</h6>
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		<title>Uma tarde eterna</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Apr 2021 20:08:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Pedra de Toque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Eu tinha um amigo que colecionava LPs. Isso no final dos 90, antes dos bolachões voltarem com força ao mercado. Ele os negociava também. Um dia, me chamou para uma sessão musical. Há tempos eu esperava pelo convite. A caminho de sua casa, ele parou para observar uma árvore sendo podada. Eu estava ansioso pelos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_6900" style="width: 210px" class="wp-caption alignright"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-6900" class="wp-image-6900" src="https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon.jpg" alt="" width="200" height="246" srcset="https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon.jpg 1127w, https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon-244x300.jpg 244w, https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon-833x1024.jpg 833w, https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon-768x944.jpg 768w" sizes="(max-width: 200px) 100vw, 200px" /><p id="caption-attachment-6900" class="wp-caption-text">Marcus Borgón – Escritor</p></div>
<p>Eu tinha um amigo que colecionava LPs. Isso no final dos 90, antes dos bolachões voltarem com força ao mercado. Ele os negociava também. Um dia, me chamou para uma sessão musical. Há tempos eu esperava pelo convite. A caminho de sua casa, ele parou para observar uma árvore sendo podada. Eu estava ansioso pelos vinis. Algo me dizia que não daria tempo de escutar tudo o que eu quisesse. Mas ele se sentou para olhar mais detalhadamente. Fui obrigado a me conter. Os operários cuidavam de uma árvore imensa, que parecia muito antiga. Centenária, talvez. A poda exigia toda uma técnica de polia, de amarrar os galhos, de serrar no ponto certo.</p>
<p>Quando finalmente chegamos, ele me apontou as duas estantes: &#8220;essa é minha coleção; aquela, para venda&#8221;. Milhares de discos. Enquanto eu fuçava as estantes ele colocou pra tocar uma de suas últimas aquisições, resultado de suas andanças pelo interior. Dupla de emboladores. Seres imaginários deram o ar da graça após serem convocados através de um ritual meio xamânico, meio finório. Uma homilia digestiva, no início da tarde, bem antes das setas apontarem para o 4. Cada embolada durava uma eternidade. As batidas do pandeiro numa espiral randômica. As vozes diziam tanta coisa, mas eu só entendia &#8220;ciará&#8221;. Anestesia. Membros sem movimento.</p>
<p>Eu tinha separado um álbum duplo do Metallica. &#8220;Leve de graça, essa porcaria&#8221;.</p>
<p>Perguntei se o livro do Suassuna em cima da mesa também estava à venda.</p>
<p>&#8220;Você quer ler Ariano?&#8221;</p>
<p>&#8220;Sim!&#8221;</p>
<p>&#8220;Então, dá licença.&#8221;</p>
<p>Pegou os dois bolachões do &#8220;And Justice For All&#8221; e os partiu ao meio. Eu não fiz nada para impedir. E nem poderia. Me encontrava sem braços e pernas.</p>
<h6 style="text-align: right;">Marcus Borgón colaborou com a revista de cultura<br />
e literatura Verbo21. Publicou textos em jornais,<br />
sites especializados em literatura, e coletâneas de contos.<br />
É autor da novela ‘O Pênalti Perdido’ (P55 edições, 2016).</h6>
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		<title>Como Beck já dizia</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Apr 2021 15:06:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A vida sem proezas e grandes feitos não é nenhuma tragédia</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_6900" style="width: 210px" class="wp-caption alignright"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-6900" class="wp-image-6900" src="https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon.jpg" alt="" width="200" height="246" srcset="https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon.jpg 1127w, https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon-244x300.jpg 244w, https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon-833x1024.jpg 833w, https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon-768x944.jpg 768w" sizes="(max-width: 200px) 100vw, 200px" /><p id="caption-attachment-6900" class="wp-caption-text">Marcus Borgón – Escritor</p></div>
<p>A verdade é que tenho uma inclinação para acumular derrotas. Assumir isso não significa que eu queira arregimentar uma santidade ou exibir um coitadismo eletivo. A vida sem proezas e grandes feitos não é nenhuma tragédia. Afinal, todos estamos destinados a uma sucessão de tédios protocolares e eventos ordinariamente insípidos e incolores. E o pódio nem sempre é o lugar onde se pretende chegar. Desistir, antes de ser um fracasso, pode ser uma escolha coerente. Um troféu esquecido na estante da sala não vale o esforço empregado. Ou &#8220;macaco, praia, carro, jornal, tobogã/ eu acho tudo isso um saco&#8221;.</p>
<p>Desde Fernando Pessoa, que revelou estar farto de semideuses, ao Recruta Zero, esmagado pelo Sargento Tainha, que descambo para o lado dos losers. Quer dizer, o caminho foi inverso. Cebolinha desde muito cedo exerceu esse magnetismo. Mais tarde, identificação e beberagens. Sinais de fumaça que se decodifica. Aspirações. Pirações.</p>
<p>Seu João tinha uma barraca de bebidas numa praia do litoral norte. Meu pai passava horas conversando com ele. Muitas vezes em inglês. Lembro de retalhos de conversas entre os dois, hoje bastante esmaecidas. As frases se fragmentaram com o tempo, restando algumas palavras: Sócrates, mitologia, otomano, Darwin, latim, mouros, Napoleão, secessão, Tibet, Santo Agostinho, revolução dos cravos, aurora boreal, Carl Sagan, cantos gregorianos, casacas, bolchevique, ópio&#8230; Já pensei em costurar essas peças na esperança de reconstituir os papos, mas me parece tarefa inexequível.</p>
<p>O fato é que seu João vivia atrás do balcão. Meu pai o admirava espantado por seu saber enciclopédico. E por ele se dizer feliz apenas em poder viver diante do mar.</p>
<p>Meu pai descobriria mais tarde que seu João nasceu em uma família relativamente abastada. Abandonou os estudos e correu o mundo. Ignorado pela família, resolveu se fixar numa praia semideserta, onde quase ninguém se arriscava. Os irmãos o deram como caso perdido. O mau exemplo a ser apontado para os filhos: &#8220;&#8230;ou quer acabar como seu tio João?&#8221;. Ele contava dando risada. E era também rindo que via a atribulação aporrinhada de meu pai sob os últimos raios de sol do domingo. Arrumando as coisas no carro, e já reclamando da labuta do dia seguinte.</p>
<p>Seu João não tinha carro. Sua barraca abria de domingo a domingo. Ele dormia num colchão sobre uns engradados de Brahma. Dizia se sentir o verdadeiro Brahma. E abria o sorriso, como se criador do universo fosse.</p>
<p><em>&#8220;I&#8217;m a loser, baby/ so why don&#8217;t kill me?&#8221;*</em></p>
<h6>*trecho da música &#8220;Loser&#8221;, do cantor Beck. Faixa do álbum Mellow Gold.</h6>
<h6 style="text-align: right;">Marcus Borgón colaborou com a revista de cultura<br />
e literatura Verbo21. Publicou textos em jornais,<br />
sites especializados em literatura, e coletâneas de contos.<br />
É autor da novela ‘O Pênalti Perdido’ (P55 edições, 2016).</h6>
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		<title>Sobre epifanias e pecados</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Mar 2021 19:16:24 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_6900" style="width: 210px" class="wp-caption alignright"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-6900" class="wp-image-6900" src="https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon.jpg" alt="" width="200" height="246" srcset="https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon.jpg 1127w, https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon-244x300.jpg 244w, https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon-833x1024.jpg 833w, https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon-768x944.jpg 768w" sizes="(max-width: 200px) 100vw, 200px" /><p id="caption-attachment-6900" class="wp-caption-text">Marcus Borgón – Escritor</p></div>
<p>Queria eu não estar a caminho do Damasco. Em outras época e circunstâncias, foi rumo a Damasco que Saulo rendeu-se à epifania, trocou inicial do nome e a vilania de toda uma vida pelo sacerdócio cristão. O Damasco do meu caminho jamais me levaria àquele destino. Por certo, ao lado oposto do indicado nas pregações epistolares de Paulo (ex-Saulo). Era um brega portuário, próximo ao elevador Lacerda – única possibilidade de elevação naquele cenário. De resto, era tudo baixo, rasteiro ou sub-reptício.</p>
<p>Tirante uns desavisados marujos gringos que corriam o risco de abreviar ou comprometer sua carreira, era um lugar que recendia a fracasso. Entrar ali era assumir a derrota e esperar pacientemente sua senha na fila do cemitério. Paulo viu um clarão e deu para escrever cartas definitivas. Abraçou a missão de salvar almas. Eu, que vivia na escuridão da noite, pensava em salvar apenas minha barriga da miséria.</p>
<p>Em vez de cartas, rabiscava poesias. Famélicas, viróticas, hemofílicas, febris. As pessoas gostavam na mesma proporção que não entendiam. Os guardanapos passavam de mesa em mesa. Aos poucos iam brotando as moedas. Às vezes só pagava o misto. Não sobrava nem pra pegar o pernoitão na volta. As generosas doses de Saborosa me protegiam sob as marquises.</p>
<p>Certa feita, troquei umas palavras com um escocês. Ele pouco compreendia meu inglês piolhento. Mas eu entendi que havia um convite. Navegar uns tantos meses e oceanos a fio. Carregar e descarregar. A natureza do meu trabalho é que não ficou muito bem esclarecida. Quem lá sabe como se diz &#8220;barrica&#8221; in english? Tive de declinar. Era a última dignidade que me restava. E ainda resta. No meio da conversa, o branquelo falou em Damasco. Lá pelas bandas da Síria, era mais fácil ser surpreendido por uma iluminação, eu disse. Uma das meninas o puxou pelo braço. No Damasco, o orgasmo era uma fraqueza. Logo sucumbia ao remorso. À lembrança de uma vida apagada. Ninguém caía ali impunemente.</p>
<p>Eu nunca consegui descobrir onde ficava Corinto e Tessalônica. Pra lá de Bagdá? Sim, eu andava. O Damasco fechou as portas antes que eu tivesse tempo ($$) para conhecer os aposentos do primeiro andar. Meu corpo saiu ileso daquele lugar, algo raro. Quanto a alma, não sei dizer.</p>
<h6 style="text-align: right;">Marcus Borgón colaborou com a revista de cultura<br />
e literatura Verbo21. Publicou textos em jornais,<br />
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É autor da novela &#8216;O Pênalti Perdido&#8217; (P55 edições, 2016).</h6>
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		<title>Os reality shows e os meus problemas</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Mar 2021 19:54:21 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_6900" style="width: 210px" class="wp-caption alignright"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-6900" class="wp-image-6900" src="https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon.jpg" alt="" width="200" height="246" srcset="https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon.jpg 1127w, https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon-244x300.jpg 244w, https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon-833x1024.jpg 833w, https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon-768x944.jpg 768w" sizes="(max-width: 200px) 100vw, 200px" /><p id="caption-attachment-6900" class="wp-caption-text">Marcus Borgón – Escritor</p></div>
<p>Outro dia um amigo me dizia que o antigo seriado “Caso Verdade” foi o pai dos reality shows. A vida de gente comum (não-celebridade) transportada para a telinha.</p>
<p>Na verdade, sempre era ressaltada alguma questão incomum: o drama de um jovem que ficou paralítico após uma anestesia mal aplicada; a felicidade de um rapaz que voltou a enxergar; a tragicômica história de um vendedor que pensou ter ganhado na loteria.</p>
<p>Alguns dos episódios beiravam os limites da realidade, ganhando ares de fabulação. Meu pai era um dos que desconfiavam da presença de novelistas emprenhando o roteiro com passagens imaginárias.</p>
<p>Lembro do caso de um menino vidente, que, dentre várias predições, revelou o dia da própria morte. Para confirmar seu vaticínio, fez um passarinho que voava longe pousar em seu dedo.</p>
<p>Teve também o episódio de uma mulher que sofria de alcoolismo, e ao se desequilibrar na sacada, ficou presa apenas pela bainha da calça. Durante o tempo em que ficou dependurada, passou a limpo toda a sua vida, fazendo reflexões profundas e determinando um novo futuro para si, caso não se esborrachasse no chão.</p>
<p>Há quem diga que, atualmente, ornamentar um cotidiano frívolo com invencionices e arremedos de ficção não dá mais ibope na televisão. Isso é encontrado fartamente nas redes sociais. A despeito disso, o BBB continua com audiência nas alturas. Assim ouvi dizer.</p>
<h6 style="text-align: right;">Marcus Borgón colaborou com a revista de cultura<br />
e literatura Verbo21. Publicou textos em jornais,<br />
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É autor da novela &#8216;O Pênalti Perdido&#8217; (P55 edições, 2016).</h6>
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		<title>Tevê educadora</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Mar 2021 18:00:02 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_6900" style="width: 210px" class="wp-caption alignright"><img decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-6900" class="wp-image-6900" src="https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon.jpg" alt="" width="200" height="246" srcset="https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon.jpg 1127w, https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon-244x300.jpg 244w, https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon-833x1024.jpg 833w, https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/MarcosBorgon-768x944.jpg 768w" sizes="(max-width: 200px) 100vw, 200px" /><p id="caption-attachment-6900" class="wp-caption-text">Marcus Borgón – Escritor</p></div>
<p>Tem gente que diz que a literatura salva. Se não fosse a literatura teria caído na mendicância, sucumbido à loucura ou à criminalidade.</p>
<p>Comigo, não. O que me livrou da ignomínia foram os conselhos que o He-Man dava ao final de cada episódio; as aulas de ginástica da Ala Szerman; os pareceres sexuais da Marta Suplicy&#8230;</p>
<p>A tevê ligada e eu lá sentado, imóvel. Era uma espécie de vigília perante o altar de Santa Clara.</p>
<p>&nbsp;</p>

<a href='https://bahiapravoce.com.br/teve-educadora/alazjerman/'><img fetchpriority="high" decoding="async" width="740" height="576" src="https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/AlaZjerman.jpg" class="attachment-large size-large" alt="A tevê ligada e eu lá sentado, imóvel. Era uma espécie de vigília perante o altar de Santa Clara." srcset="https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/AlaZjerman.jpg 900w, https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/AlaZjerman-300x233.jpg 300w, https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/AlaZjerman-768x597.jpg 768w" sizes="(max-width: 740px) 100vw, 740px" /></a>
<a href='https://bahiapravoce.com.br/teve-educadora/marta-suplicy-no-programa-tv-mulher-da-rede-globo-1463199108126_1013x733/'><img loading="lazy" decoding="async" width="740" height="576" src="https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/marta-suplicy-no-programa-tv-mulher-da-rede-globo-1463199108126_1013x733.jpeg" class="attachment-large size-large" alt="A tevê ligada e eu lá sentado, imóvel. Era uma espécie de vigília perante o altar de Santa Clara." srcset="https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/marta-suplicy-no-programa-tv-mulher-da-rede-globo-1463199108126_1013x733.jpeg 900w, https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/marta-suplicy-no-programa-tv-mulher-da-rede-globo-1463199108126_1013x733-300x233.jpeg 300w, https://bahiapravoce.com.br/wp-content/uploads/2021/03/marta-suplicy-no-programa-tv-mulher-da-rede-globo-1463199108126_1013x733-768x597.jpeg 768w" sizes="(max-width: 740px) 100vw, 740px" /></a>

<p>A minha voz interior tem a voz do Léo Batista.</p>
<h6 style="text-align: right;">Marcus Borgón colaborou com a revista de cultura<br />
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É autor da novela &#8216;O Pênalti Perdido&#8217; (P55 edições, 2016).</h6>
<p>O post <a href="https://bahiapravoce.com.br/teve-educadora/">Tevê educadora</a> apareceu primeiro em <a href="https://bahiapravoce.com.br">Bahia Pra Você</a>.</p>
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