Com 543 intervenções de combate a incêndios florestais realizadas nos últimos 78 dias, número três vezes superior ao registrado no mesmo período do ano passado, o Governo da Bahia ampliou a mobilização para enfrentar o avanço das queimadas e os efeitos da estiagem em diversas regiões do estado.
Como parte da estratégia preventiva adotada neste ano, a operação reúne atualmente 180 bombeiros militares, duas aeronaves, um helicóptero e 47 viaturas, empregados em ações de monitoramento, combate direto ao fogo e proteção de comunidades ameaçadas.
Para fortalecer a integração entre os órgãos envolvidos, uma reunião coordenada pela Casa Civil, nesta terça-feira (15), em Salvador, reuniu representantes de secretarias estaduais e instituições responsáveis pelas ações de enfrentamento à seca e aos incêndios florestais.
Atualmente, a Bahia possui 85 municípios com decreto de situação de emergência por estiagem, dos quais 67 já tiveram o reconhecimento homologado pelo Estado.
Segundo os órgãos envolvidos na operação, cerca de 97% dos incêndios florestais têm origem em ações humanas, o que tem motivado o reforço das campanhas de conscientização e orientação à população, além da ampliação das iniciativas de prevenção e monitoramento.
Operações em diversas regiões
Entre as ocorrências de maior impacto está o incêndio registrado em Pilão Arcado, no Norte da Bahia, que chegou a figurar entre os dois maiores focos ativos do país na semana passada. Após mais de dez dias de combate ininterrupto, as chamas foram controladas, embora as equipes permaneçam na região para evitar a retomada do fogo e garantir sua completa extinção.
Na Chapada Diamantina, equipes seguem atuando no município de Lençóis, em operação integrada com órgãos federais e apoio aéreo.
Também há ações de combate e monitoramento em municípios do Oeste baiano, como Formosa do Rio Preto, Riachão das Neves, Santa Rita de Cássia, Barreiras e Barra, além da região compreendida entre Caém e Jacobina, no Centro-Norte do estado.
Monitoramento e resposta antecipada
O Governo da Bahia também intensificou o uso de tecnologias para monitoramento de áreas vulneráveis.
Dados georreferenciados relacionados à infraestrutura hídrica, condições da vegetação e áreas de risco para a agricultura familiar e a pecuária estão sendo integrados para identificar pontos críticos e antecipar respostas emergenciais.
O monitoramento por satélite permite detectar regiões com maior vulnerabilidade ao fogo antes mesmo do surgimento de focos de incêndio, auxiliando na definição das estratégias de prevenção e combate.
Paralelamente, equipes realizam o mapeamento de poços e de localidades que necessitam de abastecimento emergencial por carros-pipa, especialmente em comunidades rurais não atendidas pela rede da Embasa.
Apoio à agricultura familiar
As medidas adotadas pelo Estado também incluem ações voltadas à manutenção da produção rural e à segurança alimentar das famílias afetadas pela seca.
Entre as iniciativas estão a distribuição de milho para alimentação dos rebanhos da agricultura familiar e a ampliação da oferta de cestas básicas para populações residentes em áreas prioritárias impactadas pela estiagem e pelos incêndios.
As ações contam com apoio do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e envolvem diferentes órgãos estaduais para mitigar os efeitos da seca e preservar as atividades produtivas no campo.

