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Bahia amplia acesso ao tratamento do câncer com rede regionalizada de atendimento 

A geografia deixou de ser uma barreira para o acesso ao tratamento oncológico na Bahia. Com unidades públicas distribuídas

A geografia deixou de ser uma barreira para o acesso ao tratamento oncológico na Bahia. Com unidades públicas distribuídas por todas as regiões do estado, a rede estadual garante cobertura territorial da assistência especializada, levando o cuidado para além de Salvador e aproximando diagnóstico e tratamento da população do interior. A importância dessa estrutura ganha ainda mais destaque em julho, mês que reúne o Dia do Oncologista (9), o Dia do Cirurgião Oncológico (17) e o Dia Mundial de Conscientização e Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço (27). 

A organização da assistência estadual reúne o Centro Estadual de Oncologia (Cican), na capital, e 11 hospitais próprios habilitados como Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon). A distribuição desses serviços forma uma ampla rede de atendimento que alcança os principais polos regionais da Bahia e permite que cada unidade atenda pacientes de dezenas de municípios vizinhos. 

Além de Salvador, onde estão localizados o Cican e o Hospital da Mulher, a assistência oncológica chega a Feira de Santana, por meio do Hospital Estadual da Criança; Alagoinhas, com o Hospital Estadual do Litoral Norte; Juazeiro, com o Hospital Regional de Juazeiro; Irecê, com o Hospital Regional Dr. Mário Dourado Sobrinho; Barreiras, com o Hospital do Oeste; Caetité, com o Hospital Estadual de Oncologia do Alto Sertão; Vitória da Conquista, com o Hospital Geral de Vitória da Conquista; Jequié, com o Hospital Geral Prado Valadares; Porto Seguro, com o Hospital Regional Deputado Luís Eduardo Magalhães; e Teixeira de Freitas, com o Hospital Estadual Costa das Baleias. 

Mais do que uma relação de hospitais, esse mapa traduz uma política de regionalização da saúde. A presença dessas unidades em cidades estratégicas permite organizar a assistência por territórios, encurtar distâncias e reduzir a concentração dos atendimentos na capital. Isso tem relevância especial no tratamento do câncer, que frequentemente exige consultas sucessivas, exames, cirurgias, quimioterapia e acompanhamento prolongado. 

Em Salvador, o Cican atua como centro estadual de referência em oncologia. A unidade oferece atendimento em ginecologia, mastologia, oncologia clínica, urologia, dermatologia, proctologia, anestesiologia, terapia da dor e cirurgia geral. Também disponibiliza hospital-dia, tratamento quimioterápico, exames para detecção precoce, procedimentos diagnósticos e terapêuticos, cirurgias de pequeno e médio porte e acompanhamento multiprofissional. 

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O alcance territorial da assistência torna-se ainda mais relevante diante do avanço da doença no país. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil deverá registrar 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028. A doença já se aproxima das enfermidades cardiovasculares entre as principais causas de adoecimento e morte, em um cenário influenciado pelo envelhecimento da população, pelas desigualdades regionais e pelos desafios relacionados à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao acesso oportuno ao tratamento. 

Entre os homens, excluídos os tumores de pele não melanoma, o câncer de próstata responde por 30,5% dos casos estimados no Brasil. Em seguida aparecem os cânceres de cólon e reto (10,3%), pulmão (7,3%), estômago (5,4%) e cavidade oral (4,8%). Entre as mulheres, predominam os cânceres de mama (30%), cólon e reto (10,5%), colo do útero (7,4%), pulmão (6,4%) e tireoide (5,1%). 

Na Bahia, a maior taxa bruta de incidência estimada entre os homens é a do câncer de próstata, com 90,43 casos por 100 mil habitantes. Na sequência aparecem os cânceres de cólon e reto, com 13,99 casos por 100 mil habitantes, e o de estômago, com 11,78. Entre as mulheres, o câncer de mama lidera, com taxa de 58,54 casos por 100 mil habitantes, seguido pelos tumores do colo do útero, com 17,88, e de cólon e reto, com 15,12. 

Os números ajudam a dimensionar o desafio, mas também evidenciam a importância da distribuição dos serviços de saúde. Em um estado com 417 municípios e extensas distâncias territoriais, oferecer assistência oncológica em todas as regiões significa incorporar a localização do paciente à própria estratégia de cuidado. A regionalização não elimina completamente os deslocamentos, mas reduz a dependência da capital e amplia as possibilidades de acesso para quem enfrenta a doença. 

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