A criação de um grupo de trabalho (GT) para dar início ao processo de obtenção da Indicação Geográfica (IG) do algodão branco produzido no Oeste da Bahia foi um dos principais temas discutidos em reunião promovida pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri). O encontro ocorreu nesta terça-feira (9), no estande do Governo do Estado durante a Bahia Farm Show 2026, em Luís Eduardo Magalhães, e contou com a presença do secretário da pasta, Vivaldo Góis.
“O grupo de trabalho terá a missão de monitorar e iniciar o processo de Indicação Geográfica do algodão do Oeste baiano. É um passo importantíssimo para o nosso estado, qualificando o produto para uma melhor inserção nos mercados nacional e internacional”, destacou a chefe de gabinete da Seagri, Jorgete Oliveira.
Além da Seagri, o GT será composto por representantes da Associação Baiana de Produtores de Algodão (Abapa), da Universidade Federal do Oeste da Bahia (Ufob), da Embrapa e da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), entre outras instituições.
Para a engenheira agrônoma, professora da Ufob e pesquisadora Miriam Nogueira, a iniciativa reforça a singularidade da produção regional. “Essa reunião foi muito proveitosa, e estamos muito empolgados com o projeto da IG, que vai demonstrar que o algodão do Oeste da Bahia possui características marcantes que o diferenciam daquele produzido em outras regiões do país”, afirmou.
Segundo a especialista, fatores como alta luminosidade, temperatura e manejo da pluma contribuem para a qualidade superior da fibra. Análises realizadas por meio do método HVI (High Volume Instrument) indicam que a brancura do algodão da região tem alcançado as melhores classificações do país.
O diretor executivo da Abapa, Gustavo Prado, ressaltou que o reconhecimento da IG tem como objetivo valorizar e evidenciar os diferenciais do produto. “A parceria entre os setores público e privado é fundamental e já demonstrou bons resultados, como no trabalho fitossanitário realizado com a Adab, que é referência nacional. Acreditamos que o projeto da Indicação Geográfica seguirá o mesmo caminho de sucesso”, avaliou.
A próxima reunião do grupo está prevista para julho, quando serão discutidas as etapas do processo de solicitação junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), além da organização de documentos e iniciativas necessárias para compor o dossiê técnico.
“Além de valorizar a região, o reconhecimento da IG contribuirá para ampliar o valor agregado e o retorno econômico do algodão produzido no Oeste baiano”, concluiu Prado.

